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Críticas

Crítica | O Retorno de Mary Poppins

A nova jornada de coisas “impossíveis” de Mary Poppins é tudo o que precisa ser.

Foto: Divulgação/Disney

Em 1964 aconteciam muitas coisas no Brasil, nós sabemos, mas o mundo estava encantado por uma babá com “habilidades” cativantes e que atende pelo inesquecível nome de Mary Poppins. Mesmo que a primeira versão tenha sido tão marcante e conquistado status de obra intocável, a Disney foi lá e anunciou uma continuação desse clássico intitulado O Retorno de Mary Poppins. E é sobre isso que vamos falar agora.

A simples história do filme se passa numa Londres abalada pela Grande Depressão, onde Mary Poppins desce dos céus novamente com seu fiel amigo Jack para ajudar Michael e Jane Banks, agora adultos trabalhadores que sofreram uma grande perda. Os filhos de Michael, Annabel, Georgie e John são os novos xodós de Poppins e vivem com os pais na mesma casa de 24 anos atrás – no calendário do filme.

A essência da história de Mary Poppins está em trazer alegria e magia de volta à vida dos protagonistas, já tão desiludidos com os problemas da vida adulta. Essa premissa influencia o longa desde o primeiro momento, tornando ainda mais bonito o conceito por trás de figurinos, cenários, atuações e coreografias que funcionam em absoluta harmonia, fascinando qualquer espirito infantil e sendo um terreno fértil para a nostalgia dos mais velhos.

Mas ainda que nostálgico, O Retorno de Mary Poppins também tenta dar os próprios recados sobre ver o lado bom da vida. Funcionando como um espetáculo de canto e dança com forte apelo infantil, o filme que revelou o encantador Joel Dawson, que interpresa o pequeno Georgie Banks, usa e abusa da interações entre atores reais e animações 2D durante sequências de dança, que são surpreendentes no geral.

Diferente da estreia no cinema, dessa Mary Poppins parece totalmente consciente das próprias habilidades. O olhar sereno que Emilly Blunt conseguiu emprestar entrega essa segurança, ainda que deixe dúvidas sobre a falta de expressividade da nova versão do papel. No meio disso tudo, Maryl Streep faz uma participação insana como Topsy Tartlet, prima de Mary Poppins, personagem da série literária que ficou de fora do roteiro do primeiro filme. Não merece, mas poderia ter ficado deste filme também.

Isso porque, ainda que tente acelerar o ritmo para disfarçar as barrigas do filme, o Retorno de Mary Poppins possui arcos simples demais para a cabeça de um adulto – o que evidencia a ideia de que não somos nós que o filme espera alcançar na linha de chegada. Tudo bem, entendemos. Mas resolução do conflito entre o malvado banqueiro e os filhos de Banks merecia um final mais criativo que um Deus ex Machina.

De qualquer forma, como obra infantil que é, a nova jornada de coisas “impossíveis” de Mary Poppins é tudo o que precisa ser: extravagante, encantadora e musical. É assistir para sair inspirado a ver o lado colorido da vida. E é isso e está ótimo.

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