Crítica de Filme

Crítica | O Regresso

Um filme diferente, com uma fotografia impecável, efeitos especiais perfeitos, cenas de ação impactantes e interpretações emocionantes. Protagonizado por Leonardo DiCaprio e dirigido pelo premiado Alejandro G. Iñárritu, O Regresso (The Revenant, no original) é um filme de encher os olhos, que vale cada centavo da entrada do cinema.

Inspirado em eventos reais, o longa é uma experiência cinematográfica imersiva que capta a épica aventura de um homem por sobrevivência e o extraordinário poder do espírito humano. Em uma expedição pelo desconhecido deserto americano, o lendário explorador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é brutalmente atacado por um urso e deixado como morto pelos membros de sua própria equipe de caça. Em uma luta para sobreviver, Glass deve navegar um inverno brutal em uma incessante busca por sobrevivência e redenção.

A atuação de DiCaprio é arrebatadora e a indicação ao Oscar de melhor ator foi muito justa. O ator fala pouco ao longo das 2h36 de filme (que passam voando), mas tem uma performance inesquecível por cada cena de sofrimento, medo e de luta pela sobrevivência. Aliás, é justo ressaltar que todo o elenco está muito bem.

Como dito acima, a fotografia é um espetáculo a parte. O diretor de fotografia Emmanuel Lubezki investe em planos-sequência e aproveita, de maneira fabulosa, a belíssima paisagem do norte do Canadá, onde o longa foi filmado. Uma curiosidade: todo o processo de filmagens foi feito usando luz natural, sem o uso de qualquer artifício de iluminação. Um esforço incrível que resultou no visual esplêndido de O Regresso.

Neste filme, sutilmente, há a quebra da quarta parede. Os personagens não chegam a conversar com a câmera, mas ela é percebida. Durante as cenas de perseguição, luta, fuga e sofrimento, gotas de água e sangue respingam na lente. Em outras cenas, a câmera chega tão perto do personagem que a respiração do ator chega a embaçar a lente.A cena em que uma feroz ursa ataca Hugh Glass é um dos principais momentos do filme e impressiona pelos efeitos especiais impecáveis. O animal computadorizado é feito com uma excelência surreal, e o sofrimento de DiCaprio na tela faz o público se contorcer na cadeira do cinema. Dá para perceber, ainda, que a trilha sonora, ou a falta dela dá um toque diferente ao longa, ajudando o público a imergir na história.

Talvez, o único candidato a problema desta obra seja sua extensa duração, mas isso depende muito da disposição de cada um para apreciar o filme.

O Regresso mescla cenas contemplativas com bons momentos de ação e sobrevivência, montados em um filme de primeira qualidade. O longa surpreende com cenas chocantes e muito realistas, anestesiadas, em seguida, pelas paisagens que transformam este filme em um dos mais bonitos que já assisti. Aliás, a complexidade dessa história densa e envolvente faz O Regresso ser um dos melhores filmes que já tive a oportunidade de pagar para ver. Qualquer prêmio que reconheça a grandeza dessa obra é mais do que merecido.