Connect with us

Críticas

Crítica | O Predador

Novo filme da franquia peca pelo excesso e negligencia sua maior atração

A franquia de O Predador é bem irregular. Lá em 1987, quando o primeiro filme foi lançado, ele ofereceu uma junção bem sucedida do subgênero herói-de-ação-homão-da-porra (Van Damme, Stallone e o próprio Schwarzenegger fazendo parte da turma) com o toque de ficção científica aos moldes de Alien (1979). Você tem o trá-tá-tá insano das metralhadoras na selva, mas com o elemento ‘alienígena sinistro’ como inimigo.

É curioso pensar que mesmo Schwarzenegger sendo um astro de primeira grandeza no período, o Predador (o ‘vilão’) é que fez perdurar a franquia, rendendo inclusive derivados nos games e quadrinhos… além, é claro, das sequências que jamais conseguiram se equiparar ao impacto do original.

E, de fato, tudo que envolve a mitologia do Predador é muito interessante. Um bichão de dreads, máscara cabulosa, cara feia e capacidade de visão limitada. São seres alienígenas matadores por esporte que invadem planetas alheios a fim de conquistar seus habitantes na base da truculência. Levam para casa, em suas naves incríveis, o crânio dos conquistados como símbolo de status e honra. Eles também dominam uma tecnologia ultra-avançada que os permitem armas absurdamente potentes, além de tantos outros gadgets.

Seria de bom tom, portanto, que O Predador (The Predator, 2018) dirigido por Shane Black, que atuou no original, priorizasse o foco do sucesso da franquia e se dedicasse a explorar a genealogia e o universo dos predadores. Não acontece. Em vez disso temos um filme que procura repintar as estruturas principalmente do primeiro e segundo originais, encaixando piadas que só funcionam ocasionalmente, mas que tem seu principal problema em uma estrutura narrativa meio bagunçada, como se partes do filme tivessem sido suprimidas de última hora.

O resultado: personagens como o da cientista Casey Bracket (Olivia Munn) que ao que tudo indica vai desempenhar um papel central na narrativa, mas que lá pelo fim do segundo ato praticamente desaparece de vista. É um efeito do inchaço de personagens no filme – muita gente pra pouco predador. E aí vira um sururu na casa de Noca mesmo. Um bom exemplo disso é que, do nada, brota uma mini-van onde o povo se refugia do alien briguento.

Além disso, tá lá a tentação chata de responder questões deixadas pelos filmes anteriores como “por que o bicho se chama predador?” ou até uma ressignificação da frase clássica “you are one ugly motherfucker”. Necessidade zero. A desorganização da montagem e as piadas deslocadas acabam por diminuir a noção de ameaça causada pelo predador (e o super predador), que aparece muito menos do que poderia. E se comparado ao perigo que a figura alienígena imprimia no primeiro filme da franquia, esse novo capítulo empalicede ainda mais.

Assim, os elementos ação/terror/suspense dão lugar a um exagero megalomaníaco não apenas do ponto de vista visual, mas também em excessos no texto. Pra ser muito justo, o filme tem um desenho de som sensacional. A abertura com a nave rasgando o céu é impressionante (e, curiosamente, o 3D valorizou bastante a cena). Mas isso não é o suficiente pra salvar O Predador de ser, infelizmente, uma experiência bem descartável de Cinema. De modo geral, é isso. Na melhor das hipóteses, com o perdão da piadinha, dá pra dizer que é mais um filme em que a gente torce pelo predador e volta pra casa frustrado.

Continue Lendo
INSCREVA-SE NO VOLTS PLAY

Em alta agora