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Críticas de Séries

Crítica | O Mundo Sombrio de Sabrina

Nova perspectiva de Sabrina junta ocultismo e representatividade sob embalagem adolescente.

Foto: Divulgação/Netflix

Quem também teve a infância ou adolescência marcada pela bruxinha Sabrina, ícone dos anos 90, deve ter ficado curioso pela releitura sombria lançada pela Netflix, que, dessa vez, se inspira na HQ da personagem de 1962 e pega carona, de forma sutil, no sucesso da série irmã Riverdale. Agora sem um Salem falante e sem a comicidade em primeiro plano (bem longe, inclusive), lá fomos nós assistir O Mundo Sombrio de Sabrina.

Com dez episódios na primeira temporada e garantia de renovação, a série se passa na pequena cidade de Greendale e conta a história de Sabrina Spellman (Kiernan Shipka), que é uma adolescente que luta para conciliar sua natureza dupla — metade-bruxa e metade-mortal — enquanto enfrenta forças malignas que a ameaçam, sua família e o mundo em que os humanos habitam.

O estilo vintage e o caráter sombrio da série – que invoca o tinhoso com insistência curiosa – dá o tom da nova forma que Sabrina se apresenta. A construção do universo da personagem é corajoso ao adaptar hábitos cristãos ao vocabulário “profano” da coisa. Expressões como “Em nome de Satanás” ou “Amaldiçoado seja” são comuns na série. Algo que, curiosamente, acrescenta uma experiência curiosa, por vezes engraçada e, dependendo da criação religiosa do espectador, com gostinho de proibido.

Baseado no gênero de terror e distante da sitcom que consagrou Sabrina, a série também é costurada por tramas adolescentes que conectam com a irmã Riverdale – que chega a ser citada em algumas cenas. Ao longo dos episódios, diferentes “vilões” surgem. Destaque para o da professora Mary Wardell (Michelle Gomez), o mais longo e arrastado de todos e para o Sumo Sacerdote Faustos Blackwell que, ainda que interessante, tem uma participação um tanto que confusa.

A falta de um fim para a trama que envolve Connor também dá para ser lembrada como um vacilo de roteiro, da mesma forma que o entrelace de cenas tensas com cenas de humor nem sempre funcionam, acontecem sem dar pistas de mudança de tom.

Apesar de O Mundo Sombrio de Sabrina ter todas as condições para segurar uma trama mais pesada, o enredo com foco adolescente conseguiu abraçar temas com linguagem menos complexa sem que o conjunto ficasse desinteressantes, como sexualidade, bullying, feminismo, representatividade, religiosidade, ocultismo e por aí vai. Talvez, a segunda temporada traga desfechos menos preguiçosos e á altura da potência que seu gordo orçamento permite. É uma boa alternativa de entretenimento para os órfãos da já citada Riverdale e, quem sabe, Stranger Things.

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