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Críticas

Crítica | Nós

A indústria cinematográfica tem se tornado uma das mais competitivas do mundo. A cada ano, produções tem elevado seu nível, buscando qualidade e inovações, adaptando-se sempre a um contexto de representatividade e empoderamento.

Em 2017, Jordan Peele, elevou mais ainda as expectativas de um filme quando dirigiu, escreveu e produziu “Corra!’’, estrelado por Daniel Kaluuya. O filme, em sua maestria, cria uma crítica social contra o racismo, ainda tão presente nos Estados Unidos e no mundo, especialmente na região sulista do país. O filme se tornou um hit cultural, tendo recebido cinco indicações ao Oscar, ganhando o prêmio de Melhor Roteiro Original e rendendo 255,4 milhões de dólares.

Nessa semana, Peele teve a estreia de sua nova produção, Nós. O filme era cercado de uma grande pressão por seguir o sucesso e impacto sócio-cultural de Corra!. Entretanto, o filme não decepcionou e consolidou de uma vez por todas a marca de Jordan Peele, não somente no gênero de terror, como no universo cinematográfico inteiro.

Nós é um filme de terror psicológico, tendo diversos aspectos da série “Twilight Zone“, algo que o próprio diretor já falou pegar bastante inspirações para os seus filmes. Estrelando Lupita Nyong’o e Wilston Duke (ambos de Pantera Negra), sua história consiste em uma família indo passar suas férias de verão em Santa Mônica, para a aproveitar a praia. No entanto lá, mistérios do passado e eventos bizarros passam a acontecer quando a família de Nyong’o e Duke tem sua casa invadida por seus doppelgangers, usando macacões vermelhos e tesouras como armas. Nós, se diferencia de muitos filmes atuais pela sua qualidade e construção de mundo em detalhe.

Lupita Nyong’o é a alma de Nós com uma atuação eletrizante, ela consegue vender cenas sem diálogos completos, mostrando uma alcance como atriz de alto nível e mostrando que o seu Oscar por “12 Anos de Escravidão” não foi somente merecido, como é uma prévia dos muitos outros que ainda virão em sua carreira. No entanto, Lupita não faz tudo sozinha, o filme conta com um simbolismo extremamente bem mapeado, plantando o mistério da trama que é explicado de maneira eficiente e coesiva ao longo da história, mantendo a audiência fixada em cada detalhe. Além disso, o score desse filme é uma completa obra de arte, a música se torna parte do filme, ajudando não somente nas cenas, mas na própria criação de mundo tão bem executada do longa.

Nós, muito similar com o que Corra! fez, trata de aspectos sociais atuais de uma maneira sutil, tornando assim um filme por inteiro como uma forma de metáfora e mensagem social, algo que fica impresso em nosso subconsciente. Dessa vez, o filme trata de questões como abandonamento e como o ambiente na qual somos submetidos pode modificar a perspectiva que temos sobre nós mesmo, mas acima de tudo, o filme fala sobre um conflito interno por poder que todos nós sofremos, onde somos nossos próprios acusadores.

No entanto, o filme não é perfeito. Nós é uma produção extremamente ambiciosa e em momentos perde a balança entre a comédia e o terror, tirando um pouco o foco do espectador. Além disso, por sua ambição e um marketing mal direcionado, clímax do filme demora para realmente engajar, tendo criado uma identidade visual por meio de seus trailers, que não necessariamente, representa todo o enredo. Por fim, o filme ganha proporções dentro de sua construção de mundo que traem a essência de sua história: o individualismo. Nós, infelizmente peca pelo simples fato de querer ser grande demais.

Com isso sendo dito, Nós ainda é um filme que deve ser visto, já que em um mundo onde o público está faminto por conteúdo e qualidade, Nós se torna novamente um aumento na expectativa em produção e entrega de história num filme, especialmente do gênero de terror, que é tão ridicularizado por críticas. Nós, eu diria, continua o legado que Peele começou, criando uma nova divisão de terror que bebe da fonte dos clássicos como “O Iluminado” e Twilight Zone, mas cria algo tão inovador que em alguns anos, será referência para um universo que o próprio criou.

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Crítica | SHAZAM !

APENAS DIGA A PALAVRA ! e venha conhecer o novo membro da família DC.

APENAS DIGA A PALAVRA ! Com a estreia de Shazam nessa semana (03), vemos a DC e Warner Brothers dando mais um passo na direção certa, consolidando não somente seu nome, seguindo a fama de Aquaman (2018), como também firmando a nova fase da companhia, intiludada como: The Worlds of DC. Nesse novo direcionamento, vemos o Universo Compartilhado da DC nos cinemas tomar novas proporções, seus filmes ainda co-existem, entretanto agora eles contam suas próprias histórias, sem precisar se apoiar em um gancho, que foi feito em eventos anteriores. Com isso dito, Shazam é um filme que afirma seu lugar dentro de um mundo já estabelecido por grandes nomes como Aquaman e Mulher-Maravilha, ao mesmo tempo que prova seu valor como membro de uma nova trindade da DC.

Shazam conta a história de um jovem de quatorze anos, Billy Baston (Asher Angel), que pula de casa adotiva em casa adotiva, sempre procurando seu lugar no mundo e sua verdadeira identidade, até que um dia é escolhido por um Mago (Djimon Hounsou), que o julga puro de coração e espírito, passando sua magia para Billy, que ao proferir a palavra: SHAZAM ! se torna um herói com a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, o trovão de Zeus, o vigor de Aquiles e a velocidade de Mercúrio na forma de Zachary Levi. Entretanto, nenhum super-herói é tão bem definido quanto por seu vilão, e Shazam conta com a destreza de Dr. Silvana (Mark Strong), que em busca de adquirir mais poder e magia, se torna um formidável e vilanesco oponente para Billy Batson.

O filme segue uma linha cômica, prestando fortes homenagens ao clássico ‘’Quero Ser Grande’’ de 1988, estrelando Tom Hanks e não desaponta em vender a ideia de como seria um adolescente ganhando super-poderes e uma identidade de adulto. Além disso, graças ao carisma incomparável de Zachary Levi, que brilha como o personagem título do filme, Shazam consegue trazer elementos do Superman de Christopher Reeves, que cativou tantos e se tornou parâmetro em sua geração. No entanto, não se enganem, Shazam não é um filme que serve somente de alívio cômicos, trazendo uma imagem extremamente realista em questões como abandonamento, adoção e o senso de auto-descoberta que vem acompanhado disso tudo.

Shazam conta com uma mudança por trás das câmeras dentro da DC, que já vem acontecendo desde Aquaman e James Wan, com diretores vindo da divisão mais lucrativa da Warner: a de terror. Dessa vez, é o momento de David F. Sandberg (Annabelle 2) brilhar, mostrando maestria no uso não somente de seus atores, mas de cenas extremamente bem constrúidas, com uso de câmeras lentas e a capacidade de criar um ponto de vista fluído e inovador dentro de um universo já estabelecido. Sandberg e Levi contam também com uma trilha sonora incrivel, que combina sucessos atuais como Bruno Mars aos icônicos hits de Queen, marcando o passo e atmosfera do filme.

Falando de atmosfera, por fim, Shazam é um filme que precisa ser visto, pois esconde muito de suas surpresas de seu público nos trailers. Com apariçoes inesperadas, elementos tirados diretamente das páginas dos quadrinhos e diversas referências ao universo da DC no cinema, Shazam cria uma experiência que vai, não somente, agradar fãs de super-heróis como trazer uma nova onda de telespectadores para dentro desse universo tão mágico. Então, apenas diga a palavra e garanta de ver Shazam para discutir aqui com a galera do Volts.

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Crítica | Dumbo

Na próxima, menos humanos e mais animais, ok?

Foto: Divulgação/Disney

Dumbo (2019) é mais uma das reimaginações dos clássicos da amada Disney. A palavra nostalgia, por sinal, anda sendo vangloriada aos diferentes cantos do mundo nos últimos anos, seja com reboots, revivals, remakes, remasterizações e todo “re” que você conseguir imaginar. E a Disney, claro, não poderia estar de fora.

Por um lado, é uma inestimável chance de assistirmos a mesma história com tons e diferentes perspectivas, com o uso triunfal de novas tecnologias e talentos. Sem contar com a oferta de entregar uma amada aventura para uma nova geração. Por outro, o seu relançamento é passível de todos os tipos de problemas, do roteiro até a trilha e a edição. Nesse embarco, as adaptações também podem ou não serem fiéis, distanciando-se ou não do seu material de origem.

(In)felizmente, o Dumbo é um pouco dos dois casos.

Para começar, um dos severos problemas do live-action, que adapta a animação original de 1941, concentra-se em seu roteiro, que entre diálogos horrendos, tenta criar espaço para diversos e inéditos personagens, como as crianças, Milly e Joe Farrier, e o elenco colossal do Circo dos Irmãos Medici. Nessa lotação desnecessária, Dumbo até perde, por alguns momentos, o brilho na tela e torna-se um coadjuvante da trama que supostamente deveria ser sua.

Porém, nesse ringue pelo estrelato, o fofíssimo elefante, ainda que totalmente montado em CGI, consegue criar mais empatia e carisma do que quaisquer outros personagens do filme, interpretados por reais atores. As crianças, principalmente, são até protegidas momentaneamente pelo seu papel de importância ao lado do Dumbo, mas, acima dessa pequena barreira de proteção, é fácil notar a sua falta de carisma e talento.

Eva Green e Colin Farrell, por outro lado, não sofrem problemas em sua atuação, mas ainda enfrentam a crise com o tempo de tela. Assim como todos os demais personagens humanos, eles não ganham profundidade na trama, não evoluem ou passam por grandes transformações. Tudo é extremamente raso e ainda que o filme tente salvá-los em sequências grandiosas na trama, a falha é nítida e os atos grandiosos são apenas sequências de efeitos e emoções momentâneas.

Na verdade, o longa parece ser montado nessas sequências, que são amarradas com soluções fáceis e previsíveis. Com exceção dos casos citados e alguns momentos de tensão e sufoco genuínos, com novas e antigas cenas, nada, de fato, surpreende. Algumas transições, às vezes bruscas, rapidamente nos fazem sentir falta de trechos que completassem a história de maneira mais efetiva. Infelizmente, tudo aqui fica no imaginário.

Mas não só de defeitos vive Dumbo! A torcida pelo amável elefante é imparável e a sua tristeza, oras intensa, é sentida com facilidade (lágrimas vão rolar). A trilha composta por Danny Elfman (Alice no País das Maravilhas) também não falha e a maravilhosa Baby Mine se faz presente para aquecer os corações do jeitinho que a gente gosta. Tim Burton e os seus visuais singulares do cinema nos trazem a magia necessária para a história de Dumbo. A riqueza em detalhes não é poupada e as sequências mais intensas e emotivas ganham ainda mais destaques com seus efeitos visuais. E, ainda que entre os altos e baixos, um sentimento resguardado da nossa infância, sensível e caloroso, nos acompanha por todo a jornada de Dumbo.

No fim, o filme resolve as deficiências da animação original e expande alguns de seus aspectos mais adoráveis, como o distinto talento de Dumbo e a sua própria jornada familiar. Por outro lado, longa retrocede e trai o estrelato dos animais ao dar destaque aos imperfeitos humanos. Aliás, uma aventura que deveria, em teoria, ser centrada nas problemáticas sobre o cativeiro e o maltrato dos animais, tudo que a gente não precisava era de uma história sobre as problemáticas pessoas.

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Crítica | Capitã Marvel

Com uma saída conveniente para a ameaça de Thanos, a Marvel dá conta do básico e organiza o tabuleiro para o capítulo final dos Vingadores

O primeiro filme solo de uma heroína no MCU chegou sob o rufo dos tambores e com alta voltagem de expectativa depois da sinuca de bico deixada pelo estúdio em Vingadores: Guerra Infinita. A estreia da Capitã Marvel (Captain Marvel, 2019) encara o desafio de indicar as diretrizes para o que virá adiante no capítulo definitivo de Vingadores, explorar a retranca Krees vs. Skrulls e apresentar a heroína e suas motivações. Vai vendo.

O problema é que sendo um filme de origem que tenta fugir das atribuições de um filme de origem para funcionar mais como um filme de “condução” da narrativa-macro, Capitã Marvel acaba trupicando na teia ultracomplexa de acontecimentos que transformaram a personagem na heroína mais poderosa da Casa das Ideias. E aí não tem como fugir: o resultado é uma narrativa que precisa recorrer a certo didatismo e exposição.

Um exemplo disso é a ocorrência de personagens como as do núcleo Maria Rambeau (Lashana Lynch) muito convenientemente explicando quem é Carol Danvers, quando o ideal é que o filme nos mostrasse isso em ação. Parece inofensivo, mas o efeito colateral é que esse recurso acaba fragilizando o impacto visual e transformando boa parte das cenas num mero manual para entender a Capitã – o que é a intenção básica do estúdio, claro, mas a Marvel não ganhou esse prestígio priorizando texto e deixando a forma pra escanteio, certo? O grande lance é encontrar essa afinação e talvez seja o que infelizmente deixou a desejar aqui.  

Isso explica algumas desacelerações no ritmo da narrativa, onde alguns fatos inevitavelmente ganham mais atenção que outros – o que termina criando algumas ‘barrigas’ no desenvolvimento da história. E aquela reviravolta na abordagem dos Skrulls talvez seja a maior ponta desse problema. Isso também explica o fato de que o filme não tem uma identidade visual tão impactante ou fácil de identificar, exceto por algumas cenas como a da batalha em neon no início e a sequência da explosão que origina os poderes da Capitona. Paciência, irmão. Paciência.

De todo modo, seja por conta dos dilemas comuns que criam elos de identificação com a protagonista ou pela dobradinha com o jovem Nick Fury e seus ataques de fofura com a gatinha Goose, o filme acaba dobrando o espectador aos poucos, na base do carisma. E mais papo, menos papo: é sempre lindo ver uma mulher dando uns tapa na cara dos folgado. E tome diálogos com as tiradas infalíveis de humor, assinatura clássica da Marvel. Cabe aqui o destaque para o trabalho do elenco que ajuda a tornar crível aquele universo, mesmo com seus poréns.

Corre por fora o recurso fácil de sapecar hits musicais dos anos 90 que calçam a atmosfera da época e ajudam a embalar as sequências que se passam na Terra: flertes com a nostalgia do VHS e de uma época em que Tom Cruise arrancava suspiros pilotando caças endiabrados.

O ponto é que ao apresentar problemas daqueles difíceis de relativizar, um filme que poderia ser mais um ponto alto depois de acertos como Pantera Negra, surge apenas como uma peça conveniente demais na engrenagem dos Vingadores: para um vilão de força sobrecomum, um reforço a altura. E aí, vá lá, o filme que poderia ir mais alto, mais longe e mais veloz se limita a cumprir o prometido: já sabemos quem é a Capitã Marvel e mal podemos esperar pra vê-la dando um sarrafo no Thanos. Vai que é tua, Capitona!

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