Crítica | My Hero Academia: 2 Heróis

Crítica | My Hero Academia: 2 Heróis

Sempre quando tem um filme de animê na telas dos cinemas brasileiros, o público otaku se entrega ao frisson de querer assistir mesmo que essa exibição seja feita exatamente após um ano da estreia em solo japonês e muitos deles tenham visto de forma não-oficial através de fansubs.

A euforia existe quando temos a oportunidade de ver personagens que gostamos na telona e ainda poder acompanhá-los em áudio PT-BR. My Hero Academia: 2 Heróis é o primeiro longa-metragem da série originada no mangá de Kohei Horikoshi, publicada pela Shueisha na Weekly Shonnen Jump.

Girando em torno de eventos do passado de uma de suas personagens centrais, o Símbolo da Paz – All Might, a história do filme mantém a base dos elementos já comuns da franquia ao dar o protagonismo a Izuku Midoriya (Deku) e seus colegas da Academia de Heróis numa luta contra terroristas. De roteiro simples, o longa-metragem não tem muito a oferecer em contexto narrativo (mesmo Horikoshi já tendo confirmado sua canonicidade entre a 2ª e 3ª temporada do animê), mas entrega muito bem a essência de cada um dos “protótipos de heróis” (usando as palavras do próprio All Might na versão brasileira) quanto ao seu humor, poderes e sentimentos.

Simples, mas cativante. É assim que nos sentimos com o filme, que é intercalado entre cenas de ação e muito humor (Imagem: Bones/Sato Company)

Visualmente, o filme deixa desejar em muitos momentos. É como se o Estúdio Bones – responsável pela animação – não entendesse a diferença de animar para TV e animar para Cinema. Traços preguiçosos e pouco detalhamento (à exceção da batalha final) até aparentam um projeto sem vontade. Talvez, o estúdio queira se aproximar do formato da TV, mas aí poderiam ter caprichado ao menos um pouco mais e chegar ao nível de um Blu-Ray Disc.

Ir o cinema só para ver personagens com figurinos não habituais por si só não vale a experiência. É preciso qualidade técnica na animação e seus suportes como os detalhes no character design. Kenji Nagasaki, que dirige a série desde a primeira temporada e também o filme, deixou a desejar na finalização para a versão de cinema. Não que seja um trabalho ruim, longe disso, entretanto o respeito ao traço e ao estilo de animação acabam que limitam bastante a exploração das características visuais das personagens para este longa-metragem em muito momentos (principalmente em cenas de planos abertos e conjuntos).

O toque brasileiro acaba salvando a experiência fílmica. Está realmente de parabéns o trabalho de dublagem realizado pelo cast escalado pela UniDub em parceria com o distribuidor (Sato Company). As atuações de Guilherme Briggs (All Might) e Lipe Volpato (Izuku Midoriya) foram muito bem desenvolvidas. Talvez, Guilherme Briggs pudesse ter colocado uma tonalidade um pouco mais fechada ao herói e assim fugido um pouco do Superman (mas como o próprio All Might é quase que como um Superman no universo de MHA a gente deixa passar). Robson Kumode (Todoroki Shoto) e Fábio Lucindo (Katsuki Bakugou) também chamam a atenção justamente pelo fato de eles serem – ao menos para mim – as vozes perfeitas para cada um dos respectivos personagens.

Em muitos momentos o character design fica comprometido, contudo a sensação de estar “assistindo a um episódio” da série ameniza esse deslize (Imagem: Bones/Sato Company)

Entre o restante do elenco de vozes, somente Priscilla Concepción – desde sua escalação – não agrada o público em geral na sua interpretação de Ochaco Uraraka. Representante do moe dentro da trama, a garota soou bem mais forte e madura que a dublagem original. Contudo, quando se acompanha o filme por completo, acaba que isso realmente não se torna um fator negativo. O talento de Priscilla é tão bem usado nas suas interpretações, que a Uraraka dela fica bem marcada na trama (diferente, mas tão bem marcada quanto na versão em japonês). Outra que fugiu da crítica com uma boa interpretação é Jacqueline Sato, que torna a protagonista Melissa Shield numa personagem carismática e já querida pelos fãs. Aqui tem mérito da diretora de dublagem, Úrsula Bezerra, que soube bem como escalar e conduzir sua equipe.

A Sato Company conhece a paixão dos otakus brasileiros por dublagem e soube se aproveitar disso ao incluir no elenco personalidades do fandom como os youtubers Leonardo Kitsune, Vii Zedeck e Gabi Xavier, o que prontamente não só ajudou no marketing do filme quanto na aproximação do público com a trama.

De tiro curto no cinema, a exibição de My Hero Academia: 2 Heróis é uma ótima experiência para otakus e não-otakus, garantindo até mimos (cartões especiais do filme), e a repercussão no Twitter é uma boa prova disso. O longa-metragem pode não ser visualmente maravilhoso, mas ao menos aqui no Brasil ganhou boas características para torná-lo agradável ao público. Plus Ultra!

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