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Crítica de Filme

Crítica | Mulher-Maravilha 1984

A sequência do sucesso de 2017 traz Diana Prince reencontrando o amor num filme indigno dela.

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Foram 76 anos sem um blockbuster para chamar de seu, até que em 2017 a princesa de Themyscira finalmente conseguiu se tornar uma sensação de bilheteria. Naquele primeiro filme solo, o cenário para Mulher-Maravilha acontecer foi, em grande parte, durante a Primeira Guerra Mundial. Já na sequência, intitulada “Mulher-Maravilha 1984”, Diana Prince (Gal Gadot) estaria disposta a enfrentar o totalitarismo típico da época? Que nada…

Em “Mulher-Maravilha 1984”, a história acompanha Diana no ano de 1984, durante a Guerra Fria, entrando em conflito com dois grande inimigos: o ganancioso empresário de mídia Maxwell Lord (Pedro Pascal) e a amiga, que virou inimiga, Barbara Minerva/Cheetah (Kristen Wiig). Tudo isso enquanto se reencontra com seu interesse amoroso Steve Trevor (Chris Pine).

Dessa vez, o evento histórico da década não fez diferença na jornada de Diana. A ambientação oitentista contribuiu basicamente para a estética colorida e nostálgica do filme. Comparado ao primeiro longa, a diretora Patty Jenkins trouxe um filme com investimento visivelmente maior e assumiu riscos proporcionalmente grandes. Resultado: WW84 acaba sendo mais bonito, mas se arrisca em combates grandes demais para o CGI conseguir acompanhar sem que o espectador repare na falta de peso e elasticidade dos bonecos digitais usados como dublês.

De qualquer forma, “Mulher-Maravilha 1984” vai bem no caos coreografado em que aposta. O que demora a se desenvolver é o senso de urgência do perigo a ser combatido. Uma sensação que é estimulada por um roteiro pouco invetnivo que entrega tudo logo na primeira meia hora de filme: uma pedra que realiza desejos, um empresário ganancioso e uma mulher insegura em busca de aprovação. Desse cenário previsível até a resolução de tudo, muito falatório e algumas cenas de ação.

O grande amor da Mulher-Maravilha, Steve (Chris Pine), “inexplicavelmente” também se materializa e a gente compra a ideia, embora os detalhes permaneçam confusos até o fim. Uma aparição arriscada que poderia dar muito errado se Steve não acrescentasse mais coração e ritmo à história.

No final das contas, nessa nova aventura, Diana parece enfrentar muito mais um “vilão da semana” que do que um capítulo que expandisse os horizontes e até a própria mitologia da personagem. Estamos falando, afinal, da Mulher-Maravilha.

Para quem começou essa jornada com o pé direito em 2017, o segundo filme tinha tudo para ser mais forte. Não foi ruim, vale deixar claro. Mas não esperava que a próxima grande batalha da princesa de Themyscira, depois de derrotar Ares, fosse no terceiro piso de um shopping qualquer.

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Crítica de Filme

Crítica | Bridgerton – 1ª temporada

Cativante, a série ambientada no século 19, se desvia um pouco dos padrões de narrativas de época ao apresentar reflexões profundas sobre amor, feminismo e sociedade.

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Às vezes, um romance aristocrata tradicional bem água com açúcar, ajuda a deixar bem mais leve o fim de um ano complicado como foi 2020. A série Bridgerton, lançada pela Netflix no fim de dezembro, fez com nos últimos minutos do ano, que o público mergulhasse em uma realidade totalmente diferente da qual vivemos e nos permitiu, em meio ao caos, a entrar de cabeça em um universo de castelos, bailes, casamentos e romances inesperados.

Bridgerton é uma adaptação da série literária de Julia Quinn, publicada em 2000, que conta com nove livros. A trama foi roteirizada por Chris Van Dusen (Grey’s Anatomy) tem como produtora executiva, ninguém menos que Shonda Rimes (Grey’s Anatomy), deixando o título bem atraente e a sensação de: o que será que vem por ai? E acreditem, veio muita coisa interessante.

A série gira em torno da família Bridgerton, em especial, a jovem Daphne (Phoebe Dynevor), que após debutar na alta sociedade, começa a incessante busca de encontrar um marido para se casar e ter filhos. Entretanto, o que parecia bem fácil para os moldes da época, se torna um verdadeiro tormento para ela, que se apaixona pelo duque Simon Basset (Regé-Jean Page), que diferente dela, não pensa em nada disso.

O enredo é impulsionado pela misteriosa personagem Lady Whistledown, narrada por Julie Andrews, e que, no maior estilo Gossip Girl do século 19, faz comentários em um jornal sobre a movimentada vida da aristocracia britânica e acaba influenciando a vida dos personagens. A narração é repleta de muito humor, leveza e principalmente, pelo mistério que envolve a identidade secreta da personagem. Sem dúvidas, um selo de qualidade de Shonda Rimes.

Uma das características marcantes, são as diferentes camadas que acompanham a jovem Daphne durante o enredo. No início, ela se apresenta como uma jovem sonhadora, romântica, prestes a alcançar um grande feito na vida. Com os passar dos episódios e os problemas que envolvem o romance, Daphne se mostra frágil, confusa e por fim, mais madura, confrontando situações nas quais ela jamais imaginou que pudesse viver, principalmente por se tratar de algo tão simples, aos olhos dela.

Destaque também para o personagem do Duque, que assim como a jovem, tem nuances interessantes. Por trás de um charme e carisma irresistível, há um homem frágil, traumatizado pelo seu passado com o pai e que ao se ver apaixonado pela jovem, fica dividido em permanecer firme às promessas que fez a si mesmo ou a ceder a elas em nome do amor, sentimento esse que até pouco tempo, não fazia parte da sua vida.

Entretanto, por outro lado, Bridgerton traz olhares distintos, causando ao público reflexão sobre temas mais atuais do que nunca, como o machismo e o feminismo. A exemplo disso, a personagem de Marina Thompson (Ruby Barker), uma jovem negra recém-apresentada à sociedade e que descobre uma gravidez na juventude.

As mulheres, sem dúvidas, são os destaques da série, principalmente pela força e vitalidade, algo não muito comum para produções de época. Uma dessas mulheres, é a jovem Eliose Bridgerton (Claudia Jessie), que diferente da sua irmã Daphne, não vê o casamento como o grande ideal da sua vida. Destemida, sua maior vontade é estudar e conseguir ocupar lugares que, até naquele momento, não eram ocupados por mulheres, já que apenas os homens tinham acesso à educação. De forma bem leve, os desejos de Eloise nos levam a refletir o quão foi importante a luta do movimento feminista, para que hoje, nós mulheres pudéssemos ocupar espaços, expandir nossas ideias e mostrar que a capacidade e competência não tem nada a ver com sexo.

A diversidade de abordagens não é exclusiva somente para os assuntos nos quais a série retrata. Um dos pontos que Bridgerton acerta, é levar um pouco da diversidade para o elenco, quando acrescenta minorias para a alta sociedade, algo muito fora da realidade. Além do Duque, há também a personagem da Rainha Charlotte, vivida por Golda Rosheuvel, que também é negra. Algo muito interessante é que a rainha existiu na vida real, entretanto, não chegou a ser retratada pela série de livros de Julia Quinn.

O romance que a série possui é incontestável, entretanto, a sensualidade é algo que chama bastante atenção, também pelo fato de se tratar de uma trama de época. Sensualidade essa que causou uma polêmica entre os espectadores, por conta da riqueza de detalhes nos momentos mais íntimos.

O enredo finaliza, com muita maestria, arcos importantes, mas deixando em aberto, o gostinho de segunda temporada, ainda não foi confirmada pela Netflix. Caso aconteça, Bridgerton precisa continuar trazendo, à sua maneira, o debate para temas importante somado a profundidade de seus personagens, para que o passado retratado por ela, continue trazendo reflexões e mudanças mais positivas para o presente.

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Crítica de Filme

Crítica | Soul

Delicadeza que inspira e representa um novo nível na expansão do realismo da Pixar.

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Atire a primeira pedra quem nunca, num momento de reflexão breve ou profundo, não questionou a si mesmo sobre os propósitos que fazem você estar onde está. Se você atirou, recomendo que procure ajuda profissional. Mas, certamente, quem não atiraria essa pedra seria Joe Gardner, protagonista de Soul (2020), que busca fortemente os propósitos nos quais acredita em um filme sobre morte, jazz, saudade e limitação.

Em cerca de 100 minutos alegres e comoventes, “Soul” conta a história de Joe, um professor de música do ensino médio que sonhava em ser um músico de jazz, e finalmente teve a chance depois de impressionar outros músicos durante um ensaio aberto no Half Note Club, em Nova York.

No entanto, um acidente faz com que sua alma seja separada de seu corpo e transportada para o “Seminário Você”, um centro no qual as almas se desenvolvem e ganham paixões antes de serem transportadas para um recém-nascido. Joe deve trabalhar com almas em treinamento, como 22, uma alma com uma visão obscura da vida depois de ficar presa por anos no “Seminário Você”, com objetivo de retornar à Terra.

Assim como em “Coco”, a Pixar se arriscou novamente a trabalhar em uma visão detalhada da vida após a morte – e também, neste caso, da “pré-vida”. Assim como em “Divertida Mente”, transformou conceitos abstratos em personagens engraçados e paisagens vivas. E assim como em ambos, o didatismo do filme foi sincero e necessário ao roteiro, que ganhou muito em delicadeza ao trazer o jazz como composição viva da história, já que a música acaba funcionando como uma ponte sônica entre o real e o metafísico.

Perto do universo metálico de “Carros” e das peles disformes de “Monstros S.A.”, “Soul” é uma animação esteticamente mais sutil. Com, novamente, o pretexto do personagem que precisa encontrar seu caminho de volta para casa, o filme também fala sobre o perigo emocional de levar a ambição muito a sério, embora a gasolina da história seja, do começo ao fim, a busca pelo propósito de existir.

Mais do que sensível e bonito, “Soul” representa um novo nível na expansão do realismo da Pixar. E, por isso, vale muito. É pequeno, delicado, não atinge todas as notas com perfeição, mas é imbatível na combinação de excelência técnica, sentimento e inspiração que muito bem se resume em seu título.

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Crítica

Crítica | Olhos de Gato (Whisker Away)

Animação faz estreia mundial na Netfix devido à pandemia de COVID-19.

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Uma mudança de plano promovida pela pandemia de COVID-19 levou o longa-metragem Whisker Away (que por aqui foi nomeado “Olhos de Gato“) ser lançado mundialmente por meio do serviço de streaming Netflix. O filme, que deveria estrear no começo de junho nos cinemas japoneses, era a aposta do Studio Colorido para a temporada de verão no país. Agora, acho que dá para avistar mais ao longe e dizer que esse pode ter sido o passaporte definitivo para o seu destaque no metiê otaku e do cinema de animação.

Em 104 minutos de duração temos um drama adolescente acolhedor e bem construído para a proposta de um filme de verão. O roteiro perpassa por diversos temas como problemas nos relacionamentos interpessoais, família, romance juvenil e fantasia ao tomar emprestado elementos do folclore local como os bakenekos (gatos-monstro).

Acompanhando o conflito existencial de Miyo “Muge” Sakaki somos levados a um universo onde os bakenekos existem e concedem poderes a humanos que desejam abandonar suas pobres vidas e viverem como gatos. Obviamente essa escolha tem um preço alto e é em torno disso que a trama gira. Mesmo original o roteiro não chega a ser inovador, contudo nos surpreende com alguns simples plot twists envolvendo personagens que você nem espera que tenham destaque na trama. É o caso da gata Kinako, que na segunda metade da história rouba a cena.

Colorido, tal como o nome de seu estúdio pai, “Olhos de Gato” passa uma sensação de familiaridade nos traços e designs de personagens e cenários. Isso muito graças ao trabalho de roteiro de Mari Okada (Anohana, Kiznaiver etc.) e a co-direção de Tomotaka Shibayama, que já trabalhou como animador em longa-metragens como A Viagem de Chihiro (Studio Ghibli) e A Garota que Conquistou o Tempo (Madhouse), o que nos remete a um certo hibridismo de estilos advindos de realizadores e estúdios famosos. Junichi Satou (diretor geral) também é muito competente na condução do projeto. Entre os muitos trabalhos do animador posso citar Kaleido Star, que recentemente entrou no catálogo da Amazon Prime Video.

O certo é que essa construção visual e narrativa cheia de referências ajudam o filme a ser bem recebido. O fato de ele em si não ser ruim torna a experiência bem mais interessante. Mesmo assim, a sensação que fica é que há uma certa homenagem ao filme O Reino dos Gatos (Studio Ghibli), de Hiroyuki Morita, que tem toda uma história sobre sua produção (depois falo mais disso aqui no site!). Suposição minha ou não, isso em nada diminui o longa-metragem que é bem elaborado em sua composição de quadros, ângulos e sequências, o que torna mais fácil ainda se ambientar com a trama e seus personagens que mesmo sem muito esforço cativam o espectador.

A trilha sonora é outra peça sutil no filme e revela o estilo do diretor geral ao trazer Mina Kubota como compositora. A musicista já trabalho em diversos projetos ao lado de Junichi Satou incluindo Kaleido Star e Aria. O tema do filme (Hana ni Bourei) e o tema de encerramento (Usotsuki), no entanto, são interpretados pelo duo Yorushika. Ambas as canções são agradáveis e “Hana ni Bourei” é executada em um ótimo momento do filme causando mais impacto ainda na cena exibida.

É fato que ao optar pela distribuição em streaming como alternativa à pandemia, o Studio Colorido perde a oportunidade de lograr êxito nas bilheterias nacionais. Por outro lado, aposto muito que foi a decisão mais acertada por diversas razões. Economicamente o estúdio deve ter lucrado bastante com essa negociação (o mais provável é que já existisse projetos de licenciar o filme em outro momento pela Netlfix após as exibições no cinemas japoneses).

Sendo um bom filme, o longa-metragem alcança muito mais público a partir da Netflix, o que renderá não só mais olhares de atenção aos futuros trabalhos da empresa como lhe rende também oportunidades de testar formatos de distribuição para toda a indústria que prontamente precisará se adequar no pós-pandemia (quem sabe possa até mesmo rolar pré-indicações à premiações como o Oscar na mais ousada das hipóteses). O Studio Colorido vem ganhando destaque nos últimos meses com a websérie Pokémon Twinlight Wings, no Youtube, e com o já anunciado Burn the Witch (spin-off de Bleach, mangá de Tite Kubo), que agora deve ficar mais hypado com o bom desempenho do projeto atual.

Olhos de Gato” é um filme com a cara do atual momento da cena de animação cinematográfica no Japão. Não propõe nada novo na construção do projeto, mas é bem produzido e, portanto, agradável. Dialoga com estúdios como Toho Animation e Twin Engine (co-produtores) e TROYCA e WhiteFox (produções secundárias), além de contar com o marketing da Netflix para se popularizar. Pode não ser uma animação arrebatadora, mas com certeza vale a pena ver agora no distanciamento social ou depois.

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Crítica | Violet Evergarden Gaiden: Eternidade e a Boneca de Automemória

Violet acompanha a história de duas irmãs separadas, mas que se amam.

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É muito bom sentar numa quarta-feira de tarde chuvosa em frente ao computador, celular, TV etc. para assistir um bom drama. A história não precisa de um plot surreal. Nada disso! Basta apenas ter sentimento (mesmo que para alguns isso seja muito genérico). Que tal a relação de amor entre duas irmãs separadas por uma razão egoísta? Para mim essa foi a combinação perfeita para um choro contido escorrer por minha face após 90 minutos de cenários belos e trilha sonora cativante.

Essa é a minha dica de quarentena. Violet Evergarden Gaiden: Eternidade e a Boneca de Automemória, spin-off da aclamada série do estúdio Kyoto Animation que entrega um prazer de satisfação a cada frame e cena visualizada. A qualidade da animação que nos cativou tem um gosto especial. O filme de animê é a primeira produção do estúdio a estrear após o incidente que destruiu sua base de trabalho em 2019 (bom frisar que o filme já havia sido finalizado antes do incêndio criminoso que matou 39 pessoas).

Num primeiro olhar, o spin-off não entrega muito mais do que já havíamos visto nos treze episódios originais ou no OVA lançados em 2018. Temos Violet Evergarden com sua habitual personalidade aparentemente apática contando histórias de pessoas ao mesmo tempo que vive e constrói as suas próprias. Até aí tudo bem, mas tudo caminha um pouco diferente aqui. Embora seja a protagonista, Violet sede espaço para as histórias de Isabella e sua irmã Taylor. Não são os dilemas de Violet que conduzem a trama. A autômata de automemórias é a condutora das duas para o palco.

Dividido em dois momentos – com direito a um timeskip de três anos – o filme conta na primeira parte a história da introvertida Isabella; e na segunda parte a da jovem Taylor. No fim, o que vemos é que nossa protagonista amadureceu muito em sua jornada de recomeço e nos sentimos felizes em saber que ela carrega seus sentimentos mais fortes ainda, mesmo estando disposta a aprender novos caminhos.

Talvez um dos momentos mais interessantes do filme seja seu rápido encontro com Luculia (sua colega do curso de autômatas) que nos leva a um diálogo em uma cena seguinte entre Violet, Iris e Erica a respeito de sonhos e ideais que podem ser uma deixa para o que veremos no próximo filme da série (que deveria estrear em abril, mas foi adiado devido à pandemia de COVID-19).

A narrativa de recomeço de Isabella e Taylor nos deixa uma mensagem simples e ao mesmo tempo profunda sobre a força dos laços existentes entre aqueles que se amam. Basta lembrar um do outro não importando a distância, as razões ou as pessoas entre nós que podemos sentir o outro do nosso lado. Isso é amor.

Mais velha, Violet já consegue lhe dar com as várias sensações provocadas pelos sentimentos sem se abalar tanto. Prova disso é que ela conduz as duas irmãs a conseguirem entender uma o sentimento da outra e seguir em frente mesmo separadas.

Em tempos de isolamento social uma narrativa que nos fale sobre amar o próximo que está distante é o ideal para aguentar a solidão. Lembrando que você pode conferir esse filme e os demais episódios da franquia na Netflix.

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