Crítica | Minha Vida em Marte





11/01/2019 - Atualizado às 23:16


Uma coisa é certa, Minha Vida em Marte (2018) atinge com louvor seu objetivo básico: fazer rir. É um filme divertido, como também era o original “Os Homens são de Marte e é Pra Lá que eu Vou” (2014), onde a atriz Mônica Martelli compilou suas desventuras amorosas, fazendo o intercâmbio teatro > cinema, super comum em comédias brasileiras.

O filme de 2014 trazia uma protagonista que não apenas depositava sua felicidade na conta de terceiros, como se adaptava completamente a seus interesses amorosos, anulando até mesmo sua personalidade em nome do amor. A sequência, “Minha Vida em Marte”, procura contornar essa abordagem, trazendo uma personagem mais evoluída e menos insegura… mas daí desemboca no campo frágil do riso pelo riso.

A diferença principal aqui é mesmo o tom entre os dois filmes, com o primeiro sendo mais dedicado a fazer um mergulho bem humorado no universo feminino e a sequência se entregando total ao escracho do humor raso. E isso altera também a forma do filme, antes muito mais robusto do ponto de vista estético e muito mais fluido em narrativa.

O resultado é um amontoado de esquetes cortados a facão. Como é exemplo da sequência do crossfit que brota na tela depois de um plano genérico da cidade com a voz de Paulo Gustavo em off dizendo algo como “Será que vai dar certo essa ideia de crossfit?”. Corta para os dois já na academia. Ou seja, embora reúna causos hilários com potencial viral, a forma infelizmente acaba reduzindo o produto a um material muito pobre de Cinema.

Sem falar, é claro, nas piadas que exploram o desespero da flacidez na meia idade, o culto cego aos bens materiais e a obsessão com a aparência física. É tanto que o filme faz seus contorcionismos para deixar uma mensagem bonitinha no final, mas o que fica é a memória dos esquetes mesmo. Mérito do entrosamento imbatível entre Martelli e Paulo Gustavo que, amigos também na vida real, fornecem ao filme aquela espontaneidade fundamental para qualquer comédia. Mas aí é o básico, né não?