Connect with us

Críticas

Crítica | Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo

Escapismo e diversão é só o que importa na nova comédia musical com clássicos do grupo ABBA

O gênero musical pode muito bem ser encarado como um curioso universo paralelo onde as pessoas simplesmente cantam e dançam sem aviso prévio, depois de um cafezinho matinal ou de um beijo romântico. Pra quem não encara a ideia, a experiência pode ser uma tortura. Mas ainda assim, em Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo (Mamma Mia! Here We Go Again, 2018) é tudo tão alto astral que o grande lance é esquecer os pormenores do gênero e se divertir horrores com as músicas do ABBA repaginadas para o século XXI.

Antes de tudo, é necessário convir que o Mamma Mia original (de 2008) forçou a barra nessa relativização. Mesmo com Meryl Streep sendo maravilhosa em todas as cenas, a trama era mal temperada e os números musicais pareciam meio soltos naquela história cheia de chroma-key. Dessa vez, no entanto, Ol Parker assume a direção com um resultado muito mais coeso, divertido e beneficiado por ótimos reforços no elenco – a aparição (!) de Cher sendo a cereja do bolo.

Nesse sentido, a ideia de usar flashbacks pra esclarecer o rocambole de amores no qual Donna (Meryl Streep/Lily James) se envolveu na juventude pode parecer meio óbvia, mas funciona incrivelmente bem. Ao apresentar uma cartela de atores jovens interpretando personagens já conhecidos, o filme ganha um frescor muito bem vindo e adiciona uma camada de curiosidade ao texto, que é bem dosado em cafonice, previsibilidade e amorzinho. No tempo presente, Amanda Seyfried busca reinaugurar a pousada que pertenceu à mãe. E a trama vai costurando um paralelo, passado e presente, entre a trajetória das duas mulheres.

Ainda sobre o cast jovem, é preciso elogiar a escalação, já que o critério obviamente não se ateve somente à semelhança dos atores com seus pares mais velhos. Lily James (de Baby Driver) é um furacão em cena, cheia de carisma e uma bela voz. Assim também são os demais, que buscam reproduzir os  trejeitos e timbres do elenco veterano. E aí, é claro, vem a trilha sonora, que dessa vez usa algumas músicas menos conhecidas do ABBA, sem com isso abrir mão dos hits inevitáveis do quarteto sueco em coreografias esfuziantes e ultra-coloridas.

Então, além do fator “universo paralelo onde todos cantam e dançam” o gênero Musical também conta com um elemento-chave: o escapismo. Pensar a ilha de Mamma Mia como um espaço descolado da realidade, como era aquele Brigadoon (1954) de Vincente Minnelli, talvez não seja uma ideia muito absurda. Se a intenção da turma aqui era divertir (e obviamente era, já que dá pra notar claramente como o elenco se esbaldou nas cenas) o trabalho atingiu seu objetivo com louvor. É pra sair do cinema performando Dancing Queen, feel the beat from the tambourine, oh yeaaaah!

Em alta agora