Connect with us

Crítica

Crítica | Malévola: a Dona do Mal

Com visual bonito, porém rasa e confusa, produção da Disney destoa dos seus últimos live-actions

Quando Tim Burton trouxe a sua versão de Alice no País das Maravilhas, lá em 2010, o sucesso estrondoso de bilheteria reacendeu na Disney aquela chama de transformar seus clássicos em live action, que parecia ter sido apagada nos anos 1990 depois de Mogli (1994) e 101 Dálmatas (1996). E não há como negar: em tempos em que o CGI está bem desenvolvido como tecnologia de entretenimento, dá para fazer qualquer coisa no cinema e, por isso, mesmo que o filme seja um desastre narrativo, é possível que, ainda assim, o público se divirta com os belos cenários criados na pós produção. É exatamente o caso de Malévola: A Dona do Mal, que estreia hoje no Brasil.

Diferente de A Bela e a Fera, Aladdin e O Rei Leão, Malévola (2014) seguiu a linha de recontar a história de A Bela Adormecida, do ponto de vista da vilã, propondo ainda a ela uma certa redenção – ou melhor, uma nova personalidade. Embora a aposta tenha sido certeira e funcionando perfeitamente com o público infantil – bilheteria mundial de mais de US$ 750 milhões – a outra parte da audiência, os mais velhos e fãs tradicionais dos contos, ficaram um tanto quanto reticentes (para ser cuidadoso com o comentário). Logo, a sequência poderia tentar focar em uma dessas duas missões: buscar agradar a turma que não se convenceu no primeiro ou manter atenta a criançada que lotou as salas para ver Angelina Jolie brilhando (literalmente, em verde florescente). Pois acontece que Malévola: A Dona do Mal é tão bagunçado que não consegue fazer nem uma coisa e muito menos a outra.

O filme já começa estranho com uma narração em off, explicando que Malévola voltou a ser vilã aos olhos dos humanos. O propósito, certamente, era mostrar que ela vive isolada na terra de Moors, tendo adotado Aurora. A ex-vilã, ultra protecionista e insegura com o comportamento dos humanos, terá que lidar com a união da moça com o príncipe herdeiro do trono de Ulstead. Daí para frente tudo é apressado e, muitas vezes, até sem sentido, sobretudo ao apresentar as novas características da personagem principal. Essa, aliás, que perde de vez o pouco do interessante ar de mistério que Jolie conseguia lhe dar no primeiro filme. 

E não é só a introdução. Infelizmente, a condução de toda trama é confusa e insere elementos e personagens com propósitos rasos (o subtexto do preconceito às minorias é ínfimo) ou quase inexistentes.  Somam-se ainda todos os tipos possíveis de clichês sobre planos maquiavélicos feitos pela antagonista completamente caricata – mesmo que a atuação de Michelle Pfeiffer ainda seja ligeiramente interessante -, cenas de ação que esbarram em uma tentativa frustrada de criar uma situação angustiante de genocídio, mas caem na galhofa, e uma trilha sonora desequilibrada, que acompanha a edição pouco criativa.  

 O visual até que impressiona mais uma vez. Há um mundo cheio de cores, criaturas engraçadinhas e paisagens deslumbrantes. Contudo, até mesmo essa, que poderia ser a única qualidade real da produção, fica cansativa e exageradamente artificial em certas sequências mais agitadas.

Malévola: a Dona do Mal certamente alcançará bons números em bilheteria, mas que isso não signifique incentivo para insistir em outra história daquela que, nos desenhos animados, foi a melhor vilã da Disney.


Continue lendo
Advertisement Image Map

Crítica

Crítica | Watchmen (piloto da série)

Derivado da famosa HQ, o piloto de Watchmen vai na onda de Coringa e entrega uma obra intensa e realista

Watchmen

O piloto de Watchmen termina e você entende exatamente qual é a proposta de Damon Lindelof: a fidelidade pelo conceito criado no universo da clássica HQ de Alan Moore e Dave Gibbons e promover uma trama envolta no mistério característico, marca registrada do diretor e roteirista, criador de Lost e The Leftovers.

De cara, vai chamar a atenção também o visual arrojado e a edição ousada, mas será na atualização relevante da narrativa – com comentários políticos e sociais diretos que podem ser lidos como críticas ao ultaconservadorismo atual – e a abordagem bastante realista a chave que atingirá mentes e corações. E, mesmo que a série se passe em uma realidade alternativa, assim como no filme de Zack Snyder, ela é muito mais semelhante à nossa.

Trinta anos após os eventos finais da HQ (e do filme), os vigilantes mascarados ainda estão nas ruas e ajudam a polícia. Eles são heróis anônimos, mas agora são pessoas comuns, que tem vidas normais, sem o culto de personalidade que outrora tinham Coruja, Comediante e Spectral. Os fãs certamente irão vibrar com a precisão dos detalhes e as referências – um tanto diferente da opção pela estilização do longa assinado por Snyder – onde está explícita a paixão de Lindelof pela obra de Alan Moore. Porém, aos não iniciados no universo da HQ, Watchmen também funciona muito bem como uma série derivada e independe, ainda que possam se sentir interessados a entender certas excentricidades.

Em um momento em que, as obras baseadas em quadrinhos podem entreter a partir de um novo conceito, embaladas pela visceralidade real de Coringa, Watchmen é brilhante na medida em que entrega uma experiência nessa mesma intensidade. Com momentos impactantes, ótimas atuações (Regina King, Jeremy Irons e Don Johnson excelentes) e elementos técnicos irrepreensíveis, a série da HBO sustenta uma história promissora cujo caminho ninguém faz ideia onde vai dar mas, de forma inteligente, instiga a pensar, mantendo a audiência interessada e atenta. 

Expectativa altíssima para os próximos 8 episódios.


Continue Reading

Crítica

Crítica | Apex Legends

Apex Legends é o Battle Royale que ninguém sabia que precisava.

É indiscutível ressaltar que o Battle Royale é o fenômeno gamer do momento. Entre algumas conhecidas e populares facetas, como Fortnite e PUBG, o gênero já explorou diversas mecânicas e conteúdos, frequentemente renováveis, que asseguram o seu contínuo sucesso. 

Mas após tantas apresentações e representações, ninguém esperava que um novo título pudesse trazer uma nova perspectiva e experiência para os fãs de Battle Royales. Ou que este nome inédito, lançado de surpresa, asseguraria um espaço entre gigantes, para pouco depois, ameaçar este mini-oligopólio.

Para quem desconhece ou não faz a mínima ideia do que está fazendo aqui (mas agradeço desde já), o jogo em questão é Apex Legends, uma expansão e derivado de Titanfall, que chegou gratuitamente para Xbox One, PS4 e PC em 4 de Fevereiro deste ano.

Em uma análise superficial e despretensiosa, alguns olhares podem confundi-lo como uma cópia genérica e “objetificada” para o lucro fácil. Mas novamente, em ressalva, o conteúdo do jogo é muito mais do que aparenta. Em palavras sucintas, Apex Legends é o Battle Royale que ninguém sabia que precisava.

E quais as razões para isto? De antemão, sim, a sua originalidade pode ser contestada, além do mais, o título reúne mecânicas e articulações do que muitos outros já fizeram antes. Por outro lado, a sua fórmula, que reúne este “pouco de tudo”, cria um aperitivo ideal para o gênero.

O título segue o curso padrão do gênero, um local isolado (Chamado aqui de Desfiladeiro do Rei), que será palco de uma batalha sanguinária entre diferentes jogadores. Exclusivamente, portanto e por hora, os times são limitados para 3 pessoas, com um total de 20 esquadrões no mapa. Utilizando a matemática básica, cada partida engloba 60 jogadores por vez. E, claro, os times devem batalhar entre si e o grupo sobrevivente vence.  

Nada muito diferente do que já estamos acostumados. Então, qual o diferencial?

INDIVIDUALIDADE

Semelhantes aos vistos em Overwatch, cada personagem, ou lenda como é intitulado em Apex, possui suas próprias particularidades, que, inclusive, vão além de seus poderes, pois compreendem também as suas personalidades. Ou seja, cada qual das 8 lendas são distintos, e casando este fator com o magnífico trabalho na dublagem, a identificação com eles é quase inevitável. As opções podem soar limitadas com o número restrito, mas as lendas vão do debochado ao lobo solitário. E tratando-se de habilidades, são as mais variadas possíveis: portais, hologramas, escudos, ganchos, armadilhas e etc.

Outra característica semelhante ao Overwatch são as classes: ofensivo, defensivo e suporte. Somando isto as habilidades, um grupo estratégico nasce. Com isso em mãos, é possível elaborar e montar formas de ataque, defesa, investida, armadilha e o que mais for necessário para vencer a rodada. Uma riqueza inestimável que torna o título ainda mais divertido.

Além disso, Apex fornece um controle, de fato, ao jogador, pois muita das vezes, tratando-se de Battle Royale, a sorte é quase sempre a diretriz de uma partida. Neste caso, tendo as habilidades em mãos, com um time pré-determinado (às vezes), algumas das várias ações do jogo podem ser premeditadas pelos jogadores e a sorte torna-se apenas uma aliada.  

JOGABILIDADE INTUITIVA

Quanto a sua experiência de jogabilidade, Apex Legends é o jogo mais intuitivo entre os Battle Royales existentes. É muito mais simples de navegar, comunicar-se com o time, gerenciar itens e realizar as demais ações necessárias em jogo. Os recursos audiovisuais estão bem posicionados e hierarquizados para que estes não causem incômodos indesejáveis para os jogadores. Pelo contrário, apenas facilitam o fluxo contínuo da partida.

Mas quais são esses recursos ou facilitadores do jogo?

Como Apex denomina, a Comunicação e Inventário Inteligentes são alguns dos seus diferenciais de destaque. E lá vem uma informação que todos vocês já sabem, mas vale salientar: É comum jogadores usarem o Head-Set para comunicar-se com os demais colegas de equipe, aliás, uma boa comunicação favorece a construção de estratégias e facilita a coordenação e cooperação do grupo em tempo real. Contudo, nem todos o possuem ou o utilizam, aliás, a toxicidade da comunidade gamer também não colabora para que mais pessoas dialoguem enquanto jogam.

Mas para contornar este problema, comandos básicos estão disponíveis em Apex. Na verdade com um simples botão é possível destacar diferentes pontos de interesse, como: inimigos, equipamentos, caixa de itens, locais para serem explorados e etc.

Já o Inventário Inteligente é mais sutil e talvez muitos não o notem, contudo, ainda que este seja o caso, ele, de uma maneira ou de outra, é o grande responsável por tirar um grande peso de nossas costas.

Como sabemos, em meio de uma batalha, não há muito tempo para se perder analisando itens. Um piscar de olhos às vezes é tudo que separa uma derrota de uma vitória. Para esta adversidade, o sistema vem para facilitar e agilizar o gerenciamento de itens. Em primeira instância, e a mais notória e comum, têm-se o conjunto de cores, que indica o nível das armas e itens, que são: comuns (cinza), raras (azul), épicas (roxo) e lendárias (amarelo). As munições também seguem um modelo parecido, as laranjas indicam munição leve; vermelho, projéteis de espingardas; verde, projéteis pesados; e amarelo, balas energéticas. De início é confuso, mas logo o jogador sistematiza essas informações e tudo se torna natural e intuitivo.

Além da sistematização de cores, o Inventário Inteligente possui outra função. Todas as armas possuem espaços para inserir peças, estas que oferecerão melhorias, como auxílio de mira, diminuição do recuo, aumento da capacidade de munição e por aí vai. Algumas são específicas para alguns tipos de armas, como rifles e espingardas, outras servem para todos os 20 armamentos existentes. No geral, oferecem vantagens e, assim, extremamente necessárias.

Assim como todos os demais itens, elas estão espalhadas por todo o mapa, e são bem fáceis de serem encontradas na verdade. Mas, como dito, não há muito tempo de gerenciamento ou análise. Diante deste impasse, o jogo dá pequenas dicas e corta um longo tempo de manuseio de itens. Mas como?

Simples, de frente a um item recém-encontrado, o inventário aponta se você já possui um modelo igual, ou se este é melhor ou pior do item que você já possui. Em outro caso, indica quais peças servem nas armas que você manuseia, e caso não sirvam, aponta para quais ela serve. E caso você possua algum item no seu inventário que você não pode usar com o seu armamento atual, adivinha? Ele também indica. As vantagens são muitas e facilidade de controle também.  

VEREDITO

Como visto, utilizando os meios próprios do design, que muitos renegam, Apex se encarrega de símbolos de fácil absorção e entendimento; mensagens pontuais e exibidas em momentos oportunos, sem sobrecarregar a tela ou poluí-la; sistema de cores simples e concisos, que também são adaptáveis para pessoas daltônicas; e controles e mecânicas inteligentes e intuitivas.

Com este emaranhado de aperitivos, Apex Legends, ainda que colecionado um pedaço de cada jogo no menu, o que o faz abster-se do fator original, resgata um amontoado de novidades que não imaginávamos ser ainda possível.

No mais, a estratégia, a intuição e a individualidade são as chaves do seu diferencial e sucesso. Não que os outros amigos do gênero não o possuam, mas o novo Battle Royale destoa dos demais com uma qualidade refinada, elevando, assim, o gênero a um novo patamar.

Continue Reading

Crítica

Crítica | SoulCalibur VI

Franquia retorna triunfante para a nova geração.

Foto: Divulgação/Bandai Namco

O último lançamento da enumeração principal, SoulCalibur V, chegou em 2012 com uma recepção um tanto balanceada. Ainda que fosse razoável para os parâmetros da indústria gamer, ganhando um 77 no Metacritic, os especialistas não se entregaram ao jogo, como fizeram com os seus antecessores (SoulCalibur IV, por exemplo, foi eleito um dos jogos que todo mundo deveria jogar antes de morrer). A pouca variedade de modos e a exclusão dos personagens mais queridos em favor de novos heróis – que em termos de caracterização, encaminharam na direção do clichê e efemeridade – foram alguns dos elementos que mais afetaram a crítica e os jogadores.

Como consequência dessas adições (ou remoções), as vendas do título foram abaixo do esperado, guiando a franquia a um longo hiato…que, felizmente, encerrou-se este ano.

Anunciado durante o The Game Awards 2017, as promessas com SoulCalibur VI era retornar às origens da franquia, retomando, também, os eventos históricos do primeiro jogo, para recontar e apresentar detalhes nunca, antes, revelados.

Contudo, palavras e promessas são fáceis de serem proferidas, o que no resta a dúvida: Soulcalibur VI realmente as cumpriu? Senta aí, que agora vamos por partes!

JOGABILIDADE

Para começar, um novo sistema de batalha fora introduzido e apresentado desde o seu trailer de anúncio, o Reversal Edge. Com emblemas de uma batalha cinematográfica, o modo em slo-motion trabalha acerca de regras semelhantes à brincadeira do pedra-papel-tesoura.

Explicando melhor, assim que ativado, por meio do botão r1 ou rb, por exemplo, cada lutador entra em um rápido modo de espera, que fornece um tempo necessário para ambos o oponentes acionarem um ataque. Após a escolha, os golpes definidos entram em confronto e, assim como na atividade citada anteriormente, a melhor escolha vence. Contudo, as coisas não param por ai, pois o vitorioso no duelo ganha, também, uma rápida vantagem sobre o oponente, que facilita um encadeamento de combos.

A adição é simples e intuitiva, logo não apresenta complicações em sua execução. Vale também ressaltar o seu trabalho visual, que é espetacular e recobra-nos de lutas nostálgicas em filmes como Matrix (1990) e o Clã das Adagas Voadoras (2004).

Além dessa mecânica, as arenas de SoulCalibur VI contam com o retorno do Critical Edge, uma sistema proveniente de SoulCalibur V, que permite acionar um golpe especial sobre os seus oponentes. Contudo, algumas mudanças sutis foram implementadas, a fim de facilitar a sua utilização. Além disso, outras habilidades, antes presentes nesse modo, foram transferidas para o Soul Charge, uma mecânica criada para o SoulCalibur III, esquecida nos títulos posteriores (4 e 5), mas felizmente retomada no sexto título.

No jogo atual, o Soul Charge permite encadear habilidades especiais e, para alguns seletos personagens, a transição para visuais alternativos exorbitantes e extraordinárias (destaque para o Kilik e Groh). O restante dos lutadores, infelizmente, não sofrem grandes alterações nos seus visuais, mas efeitos de iluminação são adicionados em suas armas e/ou armaduras, que trazem, consigo, graciosidade para as batalhas.

Em suma, o SoulCalibur VI implementa e resgata o que a franquia trouxe de melhor entre os seus 22 anos de existência. As alterações, mais que bem-vindas, facilitam a jogabilidade para os novos jogadores. Além disso, as adições fomentam um pensamento estratégico para as batalhas, distanciando o jogo de lutas efêmeras com golpes aleatórios, aquém de qualquer raciocínio prévio.

HISTÓRIA

A adoção da literatura pragmática no jogo surge como um escape para as limitações visíveis de orçamento. Contudo, a abordagem não deixa de ser meticulosamente trabalhada nos dois modos de histórias presentes em Soulcalibur VI.

A campanha principal, a ‘Crônicas das Almas’, revela mais de 20 jornadas diferentes, uma para cada personagem. Além disso, apresenta, também, em maior escala, um enredo principal que cobre os eventos mais elementares de SoulCalibur. Cada qual possui detalhes nunca antes explorados, que deixa qualquer jogador, veterano ou novato, a par de todos os acontecimentos possíveis e, que ao contrário de muitos antecessores da franquia, não deixam dúvidas, brechas ou más interpretações para trás.

Para isso, todos estes são trabalhados encima de belíssimas ilustrações em 2D, com dublagens fenomenais, que dão ainda mais vida para os nossos queridos lutadores. Nesse aspecto, não houve poupanças, pois os diálogos cumprem bem o seu papel entre frequentes cenas e capítulos. Além disso, raro, mas existente, as cinemáticas em 3D retornam, mas ao contrário dos trabalhos citados anteriormente, aparecem amargas e desaparecem antes de causarem qualquer efeito nos jogadores.

Com isso, há aqui um persistente sentimento paradoxal com o estilo adotado, pois o conteúdo apresenta um potencial alarmante para ir além dos textos corridos. Como dito, o trabalho está apropriado e bem executado. Mas a satisfação seria extremamente mais elevada com cinemáticas que explorassem as nuances, sutilezas e expressões do vasto elenco de lutadores. Algo já notório com a dublagem. Porém, as poucas cenas em 3D, em uma quantidade que dá para contar nos dedos, aparecem rápidas, atiçam e vão cedo com o desejo ardente por mais.

O mesmo ocorre com o modo alternativo e inédito de história, a missão Libra das Almas. Aqui, interpretamos o nosso próprio herói (ou heroína) com nossas próprias criações (mais detalhes abaixo) em um enredo que ocorre paralelamente às ocorrências vistas em Crônica das Almas. Portanto, ainda que os modos estejam separados, vez ou outra pequenos crossovers entre ambos surgem, o que são interessantes e fazem-nos sentir partes inerentes das jornadas de Zasalamel, Kilik, Maxi, Mitsurugi entre outros.

Mas em termos de narrativa, os textos aqui são mais aderentes, com pouquíssimas dublagens. Por outro lado, o Libra é alimentado com mais cinemáticas em 3D do que o modo anterior, ainda que, também, sejam poucas.

De modo geral, a história de SoulCalibur nunca esteve tão rica e minuciosa, ela ainda conta com a presença de outros rostos conhecidos da franquia que, mesmo que não tenham retornado como lutadores no novo jogo, são lembrados e homenageados nos contos de SoulCalibur. Vale dizer que até as quests secundárias presentes em Libra das Almas são caprichadas e não caem na superficialidade. Por outro lado, as os densos diálogos entre as lutas podem não satisfazer os mais ardentes por uma narrativa cinematográfica e aos afobados e sedentos pelo calor das batalhas, que talvez prefiram o ‘frenetismo’ das ações em vez de histórias longas e sucessivas.

CONVIDADO ESPECIAL

Como tradição eclética, SoulCalibur convida, mais uma vez, um personagem originado de outro universo gamer para fazer parte do elenco do jogo.

E o felizardo dessa vez, é ninguém mais, ninguém menos que Geralt de Rivia! O protagonista de The Witcher que, após 3 anos de retiro, retorna majestosamente ao mundo dos jogos por meio das arenas de batalha de SoulCalibur VI.

Aqui, o aclamado personagem tornou-se facilmente o melhor convidado da série até então (Desculpas Ezio e Darth Vader). Os seus golpes, juntos dos Sinais, são nostálgicos e nos trazem boas e velhas lembranças de suas jornadas em The Witcher. Além do mais, pode não soar plausível, mas o bruxo ganhou até sua própria Crônica das Almas em SoulCalibur. O que o torna, oficialmente, parte da história canônica do jogo.

MODOS DE JOGO

Além dessas campanhas, Soulcalibur VI retorna com o divertidíssimo modo Criação, onde é possível criar lutadores inéditos que copiam os estilos de luta do elenco principal.

Junto de seu retorno, um novo recurso foi adicionado. Agora, antes de personalizar a sua criação, você deve escolher entre 16 classes diferentes, entre elas: elfos, humanos, colossos, monstros, alienígenas e quase qualquer ser excêntrico que você consiga imaginar.

Depois dessa árdua escolha, há em mãos diversos recursos estéticos para serem manipulados no seu personagem, como penteados, peças de roupa, texturas, adesivos, tons de pele e voz, maquiagem, entre outros. Muitos deles retornam de seus antecessores e poucos inéditos são adicionados, infelizmente. Contudo, ainda há uma extensa variedade de recursos visuais que torna possível a criação de lutadores originais e extremamente únicos, que certamente serão distintos de quaisquer outros.

Mas caso você não queira seguir este caminho, há muitas variáveis que facilitam a construção de lutadores que imitam, por exemplo, celebridades ou ícones da cultura pop.

Além disso, para deixar tudo ainda mais um pouco engraçado, é possível lutar com as suas criações nos modos Arcade, que segue o padrão dos jogos de luta, com batalhas consecutivas; e também na Rede Online, entre partidas casuais e ranqueadas.

Não há muito segredo nesse últimos modo, existem diferentes níveis de ranques, a qual você pode subir ao ganhar partidas contra outros jogadores. Simples e claro.

A graça de tudo realmente cai sobre os personagens criados, que tornam as batalhas extremamente hilárias. Aliás, imagina entrar em campo de batalha contra a Britney Spears ou Michael Jackson? Épico!

É como se o modo criação roubasse o estrelismo do elenco e vira-se o verdadeiro cerne de Soulcalibur VI.

GRÁFICOS, AMBIENTAÇÃO E TRILHA SONORA

A trilha sonora mantém o padrão de qualidade da série, com peças épicas e cinematográficas que dão ainda mais vigor para as batalhas. Além disso, são variadas e presentes de acordo com o contexto. Por exemplo, durante os modos de história elas são mais calmas e ambientais e também acompanham, em ritmo, as emoções da narrativa e os seus desdobramentos.

Os gráficos, por outro lado, não evoluíram bem e não conseguem acompanhar os novos parâmetros da indústria gamer. Isso não quer dizer que eles não sejam belos, mas as explosões de algumas texturas, que saltam para os olhos dos espectadores frequentemente, parecem inacabadas.

Aliás, comparado ao seu antecessor, as mudanças foram sutis, um fato que causa estranheza, devido a diferença alarmante de 6 anos entre eles. Além do mais, a dinamicidade dos estágios de luta, um dos poucos fatores positivos de Soulcalibur V, foram substituídos por palcos um tanto mais simplificados, que ainda que sejam exuberantes e interessantes, fazem-nos sentir faltas de alguns elementos de fundo, como: explosões de catapultas, NPCs batalhando contra monstros, cenários de guerras estrondosas, etc. Isso sem contar as subáreas, versões alternativas de alguns estágios que eram acionados, por exemplo, após nocautear o adversário fora da arena. Em SoulCalibur VI, eles infelizmente não retornam.

Como dito, o jogo detém de certa beleza e apresenta efeitos visuais interessantes durante as batalhas, o que sustenta o um ar mínimo de graciosidade para os lutadores. Poderiam ser melhores? Sim, mas não há muito a ser feito, a não ser aceitar este fardo.

MÉRITO

Apesar da falta de uma dinamicidade nos modos de história e gráficos abaixo do padrão, Soulcalibur VI tem estreia sólida na nova geração, com uma jogabilidade que restabelece os parâmetros da franquia. Além disso, assim como nos seus antecessores, o modo criação é um dos seus pontos altos, onde a diversão é limitada apenas pela criatividade dos jogadores.

Dito isso, ainda que apresente falhas, todos os seus demais méritos, que não são poucos, fazem-nos ansiar por novos conteúdos, atualizações e títulos ainda melhores no futuro. Portanto, hoje, Soulcalibur VI é facilmente um dos melhores títulos da franquia, que está abaixo, talvez, apenas de Soulcalibur II e III.

Continue Reading

Em alta agora