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Críticas de Séries

Crítica | Luke Cage – 1ª temporada

A expectativa sobre as parcerias entre Marvel e Netflix na adaptação de quadrinhos para o audiovisual é algo compreensível diante do marketing pesado que as empresas escolhem para a divulgação desses produtos. A série Luke Cage, no entanto, é o caso de uma produção super aguardada que prometia ser forte como o personagem, mas que, na verdade, apesar de uma ambientação excelente, é uma série frágil e que pouco envolve a audiência.

Luke Cage conta a história de um ex-presidiário que ganhou habilidades especiais depois que um experimento sabotado dentro da prisão. A cobaia desse experimento se chamava Carl Lucas. Depois de ganhar as habilidades e precisar de uma nova identidade, Carl passa a se chamar Luke Cage. Com uma super-força e pele indestrutível, ele se torna um fugitivo que tenta reconstruir a vida no Harlem, bairro de Nova York. Mas logo ele é forçado a sair das sombras e lutar pela sua cidade, bem como confrontar o passado do qual tentou fugir e assumir a identidade de herói.

Talvez o grande mérito de Luke Cage seja, como pontuado acima, na ambientação da série. O clima do Harlem é bem construído, a trilha sonora usada ao longo da série ajuda o espectador a mergulhar nesse universo, ainda que o marasmo da história se encarregue em colocar uma barreira nessa relação. Tratar de racismo, marginalização e pincelar os problemas sociais do Harlem – que Cage tenta ajudar a minimizar -, ajudam a diferenciar a atmosfera dessa série das outras duas produzidas pela parceria Marvel e Netflix (Demolidor e Jessica Jones).

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Se por um lado 0 cenário é bom, por outro os personagens nem tanto. Aos vilões Cottonmouth (Mahershala Ali) e Diamondback (Erik LaRay Harvey) foi dada a missão de trazerem elegância à bandidagem, com diálogos que abusam de frases pouco criativas, pausas dramáticas e expressões clássicas de vilões cartunescos. Nenhum dos vilões tem profundidade e o segundo traz, do meio para o fim da série, um conflito completamente desproporcional à motivação.

Os vilões secundários Shades (Theo Rossi) e Mariah Dillard (Alfre Woodard) também abusam da pose de vilões frios, calculistas, sem expressividade. Pausas dramáticas, definitivamente, fazem parte das composições de todos os vilões frutos dessa parceria Marvel/Netflix. As mocinhas Misty Knight (Simone Missick) e Claire Temple (Rosario Dawson) também são muito importantes para série, mas não contribuem para a agilidade da trama.

Luke Cage traz, ainda, a desvantagem narrativa de ser um herói quase se nenhum ponto fraco. Por ser super forte e impenetrável, as cenas de luta não conseguem ser impressionantes. Ele ganha facilmente de qualquer um. Para render história, a série precisou criar um elemento que, artificialmente, criasse um ponto fraco no personagem. Essa invenção é o ponto de partida para os melhores momentos dessa série, que conta com ótimos atores, mas com personagens posudos demais para uma trama que se passa no Harlem e que tinha muito mais história para desenrolar.

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