Connect with us

Críticas de Séries

Crítica | La Casa de Papel – Parte 2

Brasil já tem sua principal referência a produções de língua espanhola dos próximos anos.

Foto: Divulgação/Antena 3

Ao todo foram 19 episódios. Treze na primeira parte e nove na segunda. O primeiro passo foi apresentar a trama dos nove bandidos que executam o “maior roubo da história”, surrupiando 2,4 bilhões de euros da Casa da Moeda da Espanha. O segundo foi encerrar essa história segurando a qualidade narrativa e estética que tanto gerou hype nos primeiros episódios.

Por ser, na verdade, uma continuação exata da primeira parte, os episódios que encerram La casa de Papel seguem o ritmo de um final comum de série. O suspense cresce, personagens começam a concluir seus arcos, vilão e mocinho se enfrentam e nós, como sempre, roemos todas as unhas que temos com receio de nada dar certo.

O lado ruim, nesse caso, é que quanto mais a produção acelera o ritmo, mais se exige do roteiro para que a história permaneça com o pé no chão. Não são exemplos de sensatez uma fugitiva voltar intacta ao cativeiro sob a mira de centenas de policiais ou uma inspetora da polícia, simplesmente, deixar-se envolver com um criminoso da forma como foi. O lado bom, nesse caso, é que todo universo de La Casa de Papel é tão envolvente que… Advinha? A gente acaba nem ligando.

Do princípio ao fim, a série tem uma abordagem bomba-relógio que, junto com a premissa do roubo e com a personalidade dos protagonistas, compõem uma fórmula interessantíssima para quem gosta se emocionar assistindo televisão. Além disso, é um produto, notavelmente, de alta qualidade técnica.

A sofisticação estética e engenhosidade narrativa, no entanto, não compensam o suficiente para que os problemas na construção das relações interpessoais da série passem despercebidas. O jeito que os assaltantes tratam os reféns, as tentativas de fuga desses reféns e até os romances que surgem em meio ao caos são capazes de desconectar o espectador da história. Nenhum dos personagens, aliás, é aprofundado da forma que a série sugere. A água sobe, bate na cintura e para ao dar lugar à correria.

Apesar de tudo, La Casa de Papel é extremamente habilidosa com o material que tem nas mãos e possui algo que muitas outras boas produções não têm: carisma. Ah, meu amigo, isso tem um peso de ouro. A segunda parte da série termina, de fato, o que a primeira começou. Um pouco mais exagerada, talvez? Com certeza. Mas para quem já se envolveu nos causos de Paulina e Paola, ver Tokyo trocando juras de amor no meio de um tiroteio é bobagem. Pode encomendar uma nova temporada, Netflix!

Em alta agora