Connect with us

Críticas

Crítica | Kin

Com mais drama do que ficção científica, a produção é cheia de clichês, mas tem desfecho satisfatório

Quando um filme é classificado como Sci-Fi a expectativa é vermos na tela elementos futuristas que (quase sempre) ajudam a construir uma distopia local, seja de um mundo existente ou não. Salvam-se algumas poucas exceções, claro.  Kin, ficção científica produzida por Michael B. Jordan, não se passa em um futuro próximo ou um outro planeta. Conta, na verdade, com uma trama simples, que concede o heroísmo aos personagens marginalizados – e, em sua conclusão, apontará para inclinações do destino.

A descrição parece a de um drama, mas é ao que Kin se parece muito mais. Apesar de, logo no início do filme, termos a certeza que estamos diante de uma obra de ficção científica, o recheio é basicamente sobre relações familiares disfuncionais com uma boa dose de aventura / Road Movie em ritmo oitentista. Tudo começa quando o jovem Eli (Myles Truitt) encontra um aparelho bem estranho em um ferro-velho. O menino guarda e vai embora. Tempo depois, dois seres vestidos com roupa preta e capacete, aparecem procurando o objeto. Em casa, Eli recebe a notícia de seu pai (Dennis Quaid) que seu irmão mais velho está voltando para casa depois de passar alguns anos na cadeia. É com a chegada de Jimmy (Jack Reynor) que as coisas realmente começam a virar do avesso. O rapaz deve dinheiro a criminosos (o chefe da gangue é um James Franco caricato e até destoante do ritmo mais leve do filme) que fizeram sua segurança quando estava encarcerado, mas não pode pagar. Com isso, envolve sua família no grave perigo e precisa fugir para se esconder.

Resultado de imagem para kin movie

O que se vê daí para frente é o estreitamento da relação entre ele o irmão mais novo, suas diferenças e a admiração, enfraquecida no caminho pela morte da mãe, a prisão e o zelo excessivo de um pai autoritário. Na trama secundária está o objeto que Eli achou no ferro-velho e descobre ser uma espécie de arma futurista. E de tão secundária gera decepção no público que fica esperando o tal sci-fi prometido no trailer e nas peças promocionais. Contudo, a arma é o MacGuffin do filme (ou seja, o dispositivo motivador ao qual a narrativa e o protagonista caminham) e está associada a um histórico fundamental para amarrar o ato final.

E é o ato final, sem dúvida, que pode trazer um pouco de valor ao longa. A contextualização sobre a arma, de onde vem e como tudo se resolve traz códigos dos clássicos contos de ficção científica. Até por isso o filme não é um desperdício completo. Há também, nesse momento, uma tentativa de subverter e trazer a tona uma crítica sobre a violência que toca as crianças afro descendentes, embora não pareça funcionar. Na verdade, determina justamente o contrário: quando o confronto é contra vilões, toda atitude é justificável (até roubos e ameaças). E cai por terra a crítica.

Resultado de imagem para kin movie

Kin, que estréia nos cinemas no dia 6 de setembro, tem uma história legal (roteiro de Daniel Casey, Jonathan Baker e Josh Baker) – porém pouco esperta e recheada de clichês – e que certamente funcionaria melhor como obra literária ou um curta-metragem. Mas os diretores Johnatan Baker e Josh Baker acreditaram que havia potencial para apostar em algo maior. Fica a sensação de que vale para um entretenimento de momento, mas vai ser difícil se lembrar do filme daqui alguns anos.

Em alta agora