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Críticas

Crítica | Homem-Aranha: De Volta ao Lar

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A espera acabou. A trajetória de Peter Parker no cinemão deu um aguardado novo passo com este Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-man: Homecoming, 2017), de certa forma beneficiado por vir depois dos filmes de Marc Webb e mais distante do legado Sam Raimi, que iniciou o herói nas telas de Cinema como um fenômeno absoluto.

A gente precisa lembrar que já fazem inacreditáveis 15 anos desde que o cabeça-de-teia deu o ar de sua graça pela primeira vez no Cinema e um prazer a parte aqui é notar a forma curiosa como a indústria reprograma sua abordagem afim de se adequar aos gostos das plateias (leia-se “necessidades de mercado”), algo em constante mutação.

Dito isso, o Aranha que surge sob a direção de Jon Watts é pura tecnologia de comunicação e cheio dos mais incríveis gadgets – um perigo para fãs mais puristas, mas certamente um deleite para o público alvo, criado a moda de smartphones e banda larga.

Assim, um trunfo inegável encontrado aqui é a maestria no manejo do humor, que jamais perde a oportunidade de surgir como mola para o avanço da narrativa. Desde a abertura com a brincadeira metalinguística “A Film by Peter Parker” aos momentos contemplativos de um herói entediado, desembarcando na valiosa parceria com o melhor amigo da escola, Ned (Jacob Balaton).

E aí a influência que Watts foi buscar nos filmes de High School dos anos 80, notadamente aqueles dirigidos por John Hughes, além de contribuir para vestir o filme com uma aura juvenil muito bem vinda, ainda carimba um excelente corte que traz o herói correndo ao mesmo tempo em que Ferris Buller numa tv da vizinhança, curtindo a vida adoidado demais.

Ao abraçar o universo adolescente, Homecoming não hesita em trazer um Peter Parker ansioso por mostrar seu valor, curioso para desenrolar aquele lance com a crush, inseguro em vários níveis, mas assim mais humano e mais apto a embarcar na jornada do herói que delineia com perfeição a evolução do Aranha. E nesse sentido o biotipo e até mesmo o timbre de voz de Tom Holland conferem a ele uma graça a mais para nossa empatia. Casting perfeito.

O veterano Michael Keaton é o destaque do arsenal de vilões que o filme delineia e se destaca em cenas como a do carro, antes do baile. Uma sequência desenhada para a tensão e que atinge o objetivo no alvo. Assim, as cada vez mais megalomaníacas cenas de ação aqui preferem descartar os excessos pirotécnicos, apocalípticos e devastadores de ultimamente. Bom assim.

O filme de Watts é ainda cheio de pequenos toques como a sequência do Washington Monument que miniaturiza o Homem-Aranha a ponto de ele parecer de fato uma pequena aranha escalando a parede ou mais adiante, a dispersão de Parker diante de um banco de ônibus cheio de chicletes grudados.

Com muita vitalidade e humor, os melhores momentos de Homem-Aranha: De Volta ao Lar são aqueles em que é possível notar um esforço de pensar fora da linha de produção de filmes de herói, apresentando um material novo pra quem estava com saudades de Peter Parker, mas também com sede de novidades nesse segmento.

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