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Críticas de Séries

Crítica | Grey’s Anatomy – 4ª Temporada

Grey’s Anatomy acompanha a complicada vida de jovens médicos dentro de um hospital-escola, em busca de tornarem-se grandes cirurgiões. Não existem grandes catástrofes, vilões inescrupulosos ou ameaças sobrenaturais. O que existe nessa série, e já foi comprovado ao longo das últimas quatro temporadas, são boas histórias criadas em cima de bons personagens que vivem rotinas de médicos comuns. Uma trama simples, que se torna magicamente envolvente nas mãos da autora Shonda Rimes.

Dando continuidade ao surpreendente fim da terceira temporada, o quarto ano começa com um positivo salto temporal de alguns meses e a introdução de novos personagens. Agora, nossos protagonistas residentes já estão bons o suficiente para terem seus próprios internos, ou seja, para ensinarem os estudantes de medicina em fim de curso que estão no hospital para adaptarem-se à rotina hospitalar. Antes, nossos protagonistas eram os “alunos” ensinados pelos residentes mais experientes.

Nessa nova leva de personagens, uma muito importante aparece: Lexie Grey, uma irmã desconhecida de Meredith Grey (Ellen Pompeo), a protagonista da série. Uma menina boa, esforçada, com características semelhantes às da irmã, mas que é rejeitada por Meredith por ser fruto do casamento do pai com outra mulher (são meia-irmãs). Essa rejeição e o conturbado romance com o doutor Derek Shepherd (Patrick Dempsey) fez a personagem entrar em uma de suas piores fases.

Entre os novos personagens, quem também se destacou foi a doutora Erica Hann (Brooke Smith), uma médica competente, arrogante e com uma personalidade que não conseguiu ser encaixada com boa aceitação na atração. Após um desastre amoroso com a personagem Callie Torres (Sara Ramirez), a doutora foi embora sem deixar saudades. O crescimento de Callie ao longo da temporada, diga-se de passagem, é impressionante. O amadurecimento do personagem Alex Karev (Justin Chambers) também é interessante de se acompanhar.

Após uma boa fase na terceira temporada de Grey’s Anatomy, George O’Malley (T.R. Knight) não vive um dos melhores momentos na série, uma vez que encara um romance pouco carismático com Izzie Stevens (Katherine Heigl) e se envolve em tramas poucos interessantes ao longo do ano. Em meio a tudo isso, assim como na temporada anterior, curiosamente, o visual dos personagens mudam com frequência e chamam atenção entre um episódio e outro, passando, até, uma impressão equivocada de erros de continuidade.

Essa temporada também ampliou a participação da personagem Miranda Bailey (Chandra Wilson), humanizando a mulher que, desde o início da série, mostrou-se como durona e, por vezes, fria. Apesar de mais dramática e relativamente curta (com 17 episódios), esta temporada encerrou-se como a menos simpática até agora, mas ainda muito boa, dando, inclusive, esperanças para um destino mais leve, romântico e menos dramático para Grey’s Anatomy.

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Críticas de Séries

Volts Pride | Crítica – ‘Gentleman Jack’ (HBO)

Série eleva o gênero de romance de época com heroína carismática

Gentleman Jack é diferente de tudo que já se viu na TV em termos de seriado de época, conseguindo elevar o gênero ao explorar a vida e peripécias de uma senhora de terras lésbica no século XVIII que planeja dar um golpe do baú em uma herdeira rica 12 anos mais nova.

É difícil condensar tudo que foi Anne Lister, uma mulher incrível e ícone LGBT+ que desafiou as convenções de gênero de sua época ao fazer viagens sozinha por toda a Europa e elevar o potencial de mineração de carvão em Halifax, no condado de Yorkshire, na Inglaterra, além de viver seus romances conforme mandava seu coração e sua cabeça.

A série, uma produção conjunta da BBC com a HBO, criada por Sally Wainwright, usando o trabalho da biógrafa Jill Liddington, retrata uma heroína muito longe de ser perfeita, mas por isso mesmo encantadora. Altiva, vivaz e completamente dona de si, Lister ficou conhecida após a morte por seu diário criptografado onde contou seus romances com outras mulheres ricas da Europa.

Após voltar de uma de suas excursões, Anne resolve investir na conquista do coração de Ann Walker (Sophie Rundle), jovem de temperamento frágil e que vive sufocada com uma enorme quantidade de parentes que pretendem casá-la o quanto antes para que possam ter acesso à sua fortuna.

Anne se vê apaixonada por Ann e por diversas vezes, durante os percalços do relacionamento, se mostra frágil, uma face que poucos conseguem enxergar nela, mas com a qual o público pode se identificar graças à atuação perfeita de Surrane Jones. O carisma das personagens é enorme e faz com o expectador torça pelo amor das duas.

Energética, Lister peita os homens ricos e poderosos da região e sai para resolver seus negócios sem intermédio nenhum, contando com a ajuda direta de apenas alguns de seus inquilinos e acompanha de perto os problemas de suas terras. É impossível não se sentir pouco produtivo depois de um episódio de Gentleman Jack com Anne resolvendo coisas para lá e para cá.

Mas longe de ser uma heroína de contos de fada, Anne Lister desafia as convenções de gênero ao mesmo tempo em que se agarra às de classe, ela tem orgulho da casa ancestral da família, Shibden Hall e aversão às revoluções burguesas em alta na época. Um ponto controverso é quando ela se mostra impaciente com as mulheres que se encaixam completamente no esperado pela sociedade, como sua irmã, Marian Lsiter vivida por Gemma Whelan (a Yara de Game of Thrones).

Falando na família Lister, é reconfortante ver o amor de sua tia, chamada apenas de Tia Lister, vivida pela veterana Gemma Jones, seu pai, Jeremy Lsiter, vivido por Timothy West. Eles se preocupam apenas com a felicidade e segurança de Anne, em nenhum momento julgando dua sexualidade ou seu modo de vestir. Ela é a cabeça da família, a senhora de Shibden Hall e é assim que é tratada em casa e pela maioria dos inquilinos e empregados.

Um dos trunfos para o expectador se conectar com Lister é a quebra da quarta parede, recurso cada vez mais comum em produções de TV, mas poucas vezes tão bem explorado. É possível se sentir dentro do famoso enorme diário de Anne Lister e confabular com ela seus verdadeiros sentimentos, ou aqueles que ela espera que fossem os verdadeiros.

A primeira temporada de Gentleman Jack foi ao ar na HBO e pode ser assistida completa pela HBO Go. A segunda temporada já está confirmada e deve estrear em 2020.

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Críticas de Séries

Crítica | Black Mirror – quinta temporada

Nova temporada resgata relevância ao se aproximar do presente

É com grande alegria que reportamos: Black Mirror não é mais tão Black Mirror. A série de antologia distópica sobre o relacionamento do ocidente com a tecnologia deu um passo atrás, saiu do futuro próximo e focou no presente em sua quinta temporada, entregando três sólidos episódios.

Não deveria ser uma condição necessária ao bom andamento da série, mas a redução do número de episódios parece ter servido para que Charlie Brooker, o criador da série, focasse no que realmente queria dizer.

“Transei com um urso polar, mas não consigo deixar de pensar em você” – Striking Vipers

A temporada abre com o episódio “Striking Vipers”, um conto sobre amor, casamento, amizade e rotina que se transforma em uma avalanche de questionamentos sobre sensações em Realidade Virtual, sobre o que é real, a sexualidade de homens de meia idade, sexo dentro de vídeo games, e se os laços do matrimônio precisam ser tão restritos.

Na trama, dois amigos de longa data, Danny e Karl, se lançam em uma aventura erótica dentro de um jogo de vídeo game que costumavam jogar quando mais jovens. Em 10 anos o jogo ganhou uma plataforma de Realidade Virtual que permite a completa interação sensorial entre os participantes e o que era pra ser um jogo de luta se transforma em um paraíso de sexo à céu aberto.

Na vida real, Danny é um homem de meia idade, casado há 11 anos, pai de um menininho e planejando ter mais um filho com a esposa, Theo. A paixão do começo do relacionamento deu lugar à rotina e churrascos de aniversário, com crianças brincando no jardim e vizinhas bonitas tirando a atenção.

Já Karl, solteiro, se vê tentando uma ligação real com a namorada 10 anos mais nova, mas ela não entende suas referências temporais. Quando não está fazendo sexo virtual com o melhor amigo, Karl joga fliperama na sala de casa.

No jogo, entretanto, Karl é um mulher e Danny um homem jovem, de traços asiáticos, músculos definidos e um desejo incontrolável um pelo outro. Conforme as coisas se complicam, Danny tenta afastar Karl, dizendo que não pode mais trair a esposa, o que o amigo reforça que não é traição por não ser “real”. Enquanto isso, Theo sente o marido longe e se questiona porque precisa afastar qualquer aproximação de outros homens que a desejam se o marido não sente mais atração por ela.

O episódio apaga as barreiras do compromisso matrimonial, e, sabiamente, deixa de responder a questão de se os amigos são gays. Rótulos são descartáveis, o que importa é a felicidade das pessoas, seja ela alcançada através de um console de VR, um novo filho, ou a liberdade de paquerar.

“Eu a matei por causa da foto de um cachorro” – Smithereens

O quão perigoso é o vício em redes sociais? Ele pode ser comparado ao vício em substancias alcoólicas? Em Smithereens, o episódio na Inglaterra, o alvo de Black Mirror passa a ser o Twitter e as mega corporações de internet. Ao contrário de Nosedive, da quarta temporada, que previa um futuro controlado pela quantidade de likes no Instagram, Smithereens aponta o dedo para como consumimos as redes sociais hoje e como isso tem afetado o nosso presente.

A narrativa extrapola a responsabilidade dos criadores dessas redes de socialização virtual sobre os efeitos do uso delas, como, por exemplo, quando um motorista distraído por uma foto de cachorro no Twitter causa um acidente que mata sua noiva, a culpa toda recai sobre o motorista do outro carro, que estava bêbado, mas Chris precisa que Billy Bauer saiba que sua criação destrói vidas.

Mas nem tudo nessa história é uma lúgubre acusação das redes sociais. Os dados colocados nelas pelos próprios usuários contém informações precisas sobre o motorista de Uber que sequestrou o estagiário da empresa, uma busca rápida que os canais usados pela polícia não conseguem acompanhar.

Chris Gillhaney é um homem assombrado pela culpa no acidade que vitimou sua noiva e precisa dividir essa culpa com alguém. O que ele raciocina que deva ser Bauer. Meticuloso em um primeiro momento, Chris fica parado sempre perto da sede da empresa em Londres esperando um funcionário pedir seu carro para que ele ponha o plano em prática.

Mas, por mais modernas que sejam as empresas de tecnologias elas padecem do mesmo mal que qualquer uma, a hierarquia. Todo mundo tem um chefe, e no caso específico das redes sociais, os chefes são cada vez mais jovens. As ações de Chris se tornam uma confusão mediada por celular após ele sequestrar um estagiário bem vestido, ter que passar por toda a cadeia de comando da Smithereen e ficar na espera ao telefone ouvindo a playlist “Stress Buster” colocada por uma funcionária.

Billy Bauer é um acinte em forma de milionário do Vale do Silício. Indiferente, entra em um auto exílio de silêncio por 10 dias, tornando difícil que sua empresa entre em contato para falar sobre o sequestro do estagiário. Em determinado momento ele verbaliza que tem o poder de Deus sobre as informações dos clientes. Como uma divindade distante, o episódio termina com Bauer novamente em posição de lótus e de olhos fechados para o mundo e suas responsabilidades.

Jamais saberemos se Chris cometeu suicídio ou se foi acertado pela bala da policial, nossos feeds passam rápido demais. Pelo menos ele deixou uma boa ação, conseguiu a senha do perfil de uma moça morta para que sua mãe descobrisse porque a filha se matou.

“Deus do dinheiro, eu faço o que quiser” – Rachel, Jack and Ashley Too

O terceiro episódio desta quinta temporada de Black Mirror, “Rachel, Jack and Ashley Too” começa como uma enfadonha história da jovem artista controlada por sua tia/empresária interesseira. Este é o episódio de famoso da vez, tendo Miley Cyrus como a cantora pop descontente com o vazio de sua carreira, Ashley O.

Ashley lança, a mando da tia, uma boneca assistente eletrônica, a Ashley Too, algo como uma Alexa, Cortana ou Siri, mas em formato de boneca e com a personalidade falsa da pessoa em quem foi inspirada. Mais tarde a boneca servirá como receptáculo para a mente da cantora, virando realmente “Ashley Too”.

Grande parte do episódio é uma enorme caricatura da carreira da própria Miley Cyrus (e de tantas outras cantoras pop) e dos filmes de adolescentes. Rachel uma menina sem muitos amigos, que adora a música pop de mensagem positiva, órfã de mãe, com um pai amoroso, mas que precisa dar duro pra sustentar ela e a irmã mais velha, Jack, que gosta de Sonic Youth.

A virada vem quando, depois de invalidada pela tia, a consciência de Ashley entra na boneca e pede ajuda às meninas para se libertar e impedir o processo de completa tomada de sua carreira pela tia que a drogou, copiou seu corpo e hackeou seu cérebro para extrair músicas novas.

Esse até seria o episódio mais “futurista” dos três, não fossem os hologramas de artistas mortos, como Dio e Amy Winehouse fazendo shows e Carrey Fisher sendo recomposta digitalmente para aparecer em filmes de Stark Wars.

Se colocamos a mente para funcionar sobre os conceitos por traz disso, podemos notar quão mórbida e gananciosa é a exploração e reprodução de artistas mortos. Como coloca a tia de Ashley como razão para fazer um holograma da sobrinha em coma, queremos que artistas não adoeçam, não fiquem tristes. Aqui na vida real, porém, as coisas parecem piores que em Black Mirror, não deixamos mais que os mortos descansem.

A única falha no episódio vem com o clichê final de Ashley tomando a carreira nas mãos e montando uma banda de rock com a Jack. Em 2019 não precisamos mais cair na falácia de que o rock é automaticamente superior ao pop em conteúdo e expressão artística, e Miley Cyrus, deveria saber disso.

Os três episódios de Black Mirror estão disponíveis na Netflix.

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Críticas de Séries

Review | She-Ra e as Princesas do Poder (2ª Temp.)

De tiro curto, segunda temporada foca nos segredos dos primeiros.

Bastante aguardada, a segunda temporada da animação She-Ra e as Princesas do Poder veio em tiro curtíssimo – apenas sete episódios -, mas trouxe elementos bem significativos para a trama.

Se na primeira temporada comentei a respeito do resgate bem feito da personagem e sua mitologia reescrita, para a continuação o destaque fica por conta do aprofundamento de toda essa novidade. Em sete episódios, Adora é apresentada de forma sutil buscando entender um pouco mais sobre si e sobre o segredo da She-Ra. Encontramos uma adolescente bastante compenetrada com seu destino/missão e ao mesmo tempo sem noção sobre o que de fato deve fazer.

Para falar a verdade, o foco desta temporada não é Lua Clara ou a Floresta dos Sussurros e sim a Zona do Medo. Felina, Sombria e Hordak estão no centro de 6 de 7 das partes apresentadas e é nosso momento de melhor conhecermos um pouco sobre cada um.

Sobre o vilão Hordak o que se deu para aproveitar é que ele esconde informações importantes para entendermos Etheria e o universo onde está inserido o planeta. Claramente se declarando um viajante do espaço, o vilão – ao lado da Princesa Entrapta – realiza experimentos com a tecnologia dos primeiros em busca pela criação de portais dimensionais.

Hordak e Imp, tiveram mais tempo de cena na segunda temporada.

É essa tecnologia ancestral que dá o mote dos confrontos ao longo da animação. De verdade, quem são os primeiros? E o que eles tem a ver com o poder de GraySkull? Essas são perguntas sem respostas que prontamente guiarão os paços da showrunner Noelle Stevenson para a continuação da trama.

Quem realmente teve o passado contado, ao menos que um pouco, é a maligna Sombria. Durante o episódio 6 somos guiados a um flashback solo da vilã e conhecemos seu passado como a Feiticeira Luminosa; sua queda para as forças do mal e como ela conheceu Adora. A figura das sombras revela ter uma personalidade dúbia que transita entre os instintos humanos maternos e a sede de poder consumidora, o que pode render em desafios amargos para a She-Ra e também para a Capitã da Força, Felina, que está presa numa psiquê fraternal de amor e ódio às outras personagens.

Dois lados de uma mesma mulher: Sombria (acima) e Luminosa (abaixo).

Outro episódio que chama a atenção é o último, quando somos apresentados aos pais do Arqueiro, George e Lance. Ali a trama deixa o gancho para a nova aventura no Deserto Vermelho à procura por revelações sobre o passado de Etheria e também sobre a suposta traição de Mara, a She-Ra anterior. Sem falar sobre o leve toque de diversidade, que já é marca registrada da DreamWorks em suas animações.

O ponto alto, no entanto, fica por conta do episódio 4. Num belo ato de presente aos fãs mais abnegados da franquia dos anos 1980, as princesas de Etheria estão reunidas para debater sobre estratégias de guerra e nos levam a um passeio pelo universo das referências. Num ato mágico dos pensamentos de Arqueiro, somos levados a encarar todas as personagens em cena vestindo as mesmas fantasias da versão original com direito a bigodes em Arqueiro, transformação da Felina em uma pantera e a trilha sonora original do programa como background. Um ode! A versão dublada deixa isso mais acentuado na representação da Felina. Os mais antigos entendem!

A data para a terceira temporada de She-Ra e as Princesas do Poder deve ser anunciada em breve, ainda mais se contar com a boa receptividade da atual. O certo é que She-Ra veio mesmo para ficar e consegue cativar não mais pelo afetivo providenciado pelo saudosismo, mas por ter deixado um plano de fundo bem elaborado para sua continuação com dilemas e aventuras certeiras sendo esperadas pela Grande Rebelião, a Horda e toda Etheria. Tudo isso, é claro, sem perder o respeito “Pela Honra de GraySkull!

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