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Críticas

Crítica | Elite (1ª temporada)

A série tem formato clichê mas é capaz de trazer inovações nas características dos personagens.

Tramas adolescentes sempre rendem uma boa repercussão. E quando falamos de séries, ai mesmo que o público se anima, afim de se deliciar com os clichês que não nos cansam.

A Netflix estreou na sexta-feira (5) Elite, sua mais nova produção original espanhola. A série foca em um grupo de jovens milionários e privilegiados que estudam na escola Las Encinas, a melhor da cidade. Por sinal, uma escola no maior estilo Rebelde. Mas, para sua surpresa, três estudantes de uma escola pública – Samuel (Itzan Escamilla), Christian (Miguel Herrán) e Nadia (Mina El Hammani), ganham uma bolsa de estudos no colégio, após o prédio de sua escola antiga desabar devido a uma obra mal feita por um construtor, pai dos também protagonistas Marina (María Pedraza) e Guzmán (Miguel Bernardeau).

No primeiro dia de aula, já temos os primeiros momentos de tensão impostos ao nosso trio de bolsistas: Samu é ridicularizado por ser um “garçom”; Christian é audacioso e tenta amizade com todos, mas não consegue nada de primeira; e Nadia é uma palestina que deseja se tornar a melhor aluna da classe, mas é repreendida pela própria diretora por usar hijab. Mas esse não é o principal acontecimento do episódio piloto da série.

Elite chega com o formato (também clichê) de flashbacks. Um assassinato aconteceu nas dependências do colégio, e a série lhe mostra toda a história de background voltando seis meses no tempo, apresentando as narrativas dos personagens centrais, para, então, chegarmos no dia do assassinato, que é marcado também pelo baile de gala promovido pela instituição. As duas linhas do tempo se complementam durante os oito episódios da série, nos dando um gostinho de How To Get Away With Murder no paladar.

Fica claro que a série não tem o objetivo de trazer uma trama tão mirabolante. Ela se concentra em trazer pontos da vida de qualquer adolescente que são menos comentados no cenário cinematográfico que vivemos hoje. Temos, lógico, os clichês como tráfico de drogas, corrupção e um casal gay não assumido, mas a série também nos apresenta uma personagem com HIV, um casal poli amoroso e tabus envolvendo a religião muçulmana, que são pontos pouco explorados na televisão. Essa diversificação de temas se torna um dos maiores atrativos da série.

Também somos atingidos por diversas traições, intrigas, promiscuidades e ostentações, e em certo ponto podemos idealizar: ninguém ali é completamente bom. Gossip Girl disse “oi” bem aqui! A luta entre classes – iniciada pela chegada de bolsistas na escola mais cara da cidade – gera turbulências para os outros alunos, que dizem que “quando há uma mistura de espécies, coisas ruins podem acontecer”, se referindo entre juntar pobres e ricos no mesmo local.

Há também o grande mistério de quem foi o assassino do/a personagem exibido logo no primeiro episódio. Nos sete episódios seguintes podemos destacar diversos suspeitos de cometer esse crime, mas é difícil de se deduzir desde início. E, como qualquer bom seriado de suspense, antes de rolar os créditos somos sempre atingidos por um bom cliffhanger. Como já dito, em Elite, nenhum personagem é completamente bom, mas é difícil de acreditar que algum deles é o verdadeiro responsável pelo crime.

Elite é polêmica e põe em destaque temas que merecem estar mais presentes nas telinhas. A série é o clichê adolescente perfeito para maratonar. Darío Madrona e Carlos Montero, que assinam o roteiro, souberam renovar clichês, tornando-os atrativos durante os 60 minutos de cada episódio. Nos fizeram, também, se apegar até aos antagonistas, que mostram toda sua raiva, mas que também são jovens aprendendo a viver. A realidade do jovem hoje é repleta de impasses, loucuras, descobertas sexuais e pessoais, dilemas e demônios internos, e cada um em Elite nos mostra isso: somos apenas jovens aprendendo o que é viver.

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