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Críticas

Crítica | Dragon Ball Super: Broly

Animação entrega boas lutas e divertimento aos fãs da franquia.

O ponto alto de muitas manifestações de religiosidade está na canonização de seus/suas principais personagens presentes no desenvolvimento do culto em questão tornando-a assim parte irrestrita daquele rito/cerimônia.

Para o indecifrável mundo da Cultura Pop, a canonização não é algo tão cheio de mérito como virar um santo/divindade, mas é tão relevante quanto (para a Cultura Otaku então é primordial!). Tornar ou deixar de ser cânone – num contexto ficcional – pode mexer com todas as estruturas afetivas, narrativas e mercadológicas de uma franquia, e por que não de sua fanbase.

Usando do devido respeito (afinal também sou cristão), agora já se pode afirmar que a fanbase de Dragon Ball possui a sua santíssima trindade. O filme Dragon Ball Super: Broly – lançado no fim de 2018 no Japão e estreando por aqui no último dia 03 – é a peça chave para tal façanha.

Junto de Goku e Vegetta, o insano saiyajin Broly finalmente ocupa seu posto como personagem canônico da franquia de Akira Toriyama e arrebata o público em seu longa-metragem de pouco mais de 105 minutos.

Protagonista de sua história, Broly tem sua trama devidamente contada junto com a história do Planeta Vegetta e a extinção(?) da raça guerreira do Universo 07. Mérito ao próprio Akira Toriyama, que atende a um desejo antigo dos fãs e oficializa Broly com maestria ao roteirizar um filme que contextualiza a sobrevivência do “berserker”, seu pai Paragus, e de outros saiyajins como Vegetta, Raditz e Nappa. A direção de Tetsuya Nagamine é oportunista – no bom sentido! – e faz isso acontecer.

O mestre Toriyama faz muito bem também do uso de recursos anteriores e toma como base o mangá spin-off Dragon Ball Minus, que já havia canonizado Bardock (pai de Goku/Kakarotto) e Gine (sua mãe), e assim apresenta a submissão dos saiyajins à Freeza e como se deu o fim da raça.

De forma pragmática, no entanto, essa é a única parte com história no filme inteiro. Seu plot é simplista demais ao ponto de o super vilão Freeza ter um pretexto tão mesquinho para dar as caras e aprontar. Seu “esbarrão” com Broly foi a deixa mais grotesca possível para que o segundo ato da animação existisse.

Mas méritos sejam dados ao ser demoníaco que se autoproclama “Imperador do Universo”. É sua perspicácia, infâmia e maldade que levam a trama ao seu clímax. Freeza inicia o terceiro ato com rispidez após acompanharmos Goku, Vegetta e Broly trocando socos, chutes e outros golpes mortais absurdos em velocidades surreais e efeitos explosivos pomposos.

E o filme é basicamente apenas isso. Todo mundo apanhando de alguma forma para Broly. O protagonista, por sua vez, é bem superior a suas representações não-canônicas do passado. Mais falante e inteligente, embora perca sua sanidade, não se perde em um monólogo apático de uma única palavra: “Kakarotto!”. Sua rixa com o verdadeiro protagonista da franquia já não existe (ao menos pelos mesmos motivos dos primeiros OVAs). Agora sua fúria se desencadeia para Vegetta num misto de submissão e admiração pelo pai, sua única família.

Combates à parte, Dragon Ball Super: Broly é cheio de momentos cômicos e garante um bom divertimento na tela grande. A trilha sonora é um deleite a mais e Blizzard (tema do filme na voz do astro do j-pop Daichi Miura) é uma recompensa ao final.

Numa última oportunidade para falar sobre cânones, o filme tem o bônus da canonização de Gogetta, mas só vendo para saber como isso é tão engraçado.

Na terra dos deuses super saiyajins mais um não seria de se espantar. Mesmo não mudando as cores do cabelo para o vermelho ou o azul (ainda), Broly é tão poderoso como um e deixa no ar muitas expectativas para novas aparições, afinal Dragon Ball é aquela coisa da premissa repetida só que eficiente: alguém muito forte aparece para que Goku fique mais e mais forte e o fã do lado de fora dê gritinhos de orgasmos a cada Kame-Hame-Ha!

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