Crítica | Deadpool





15/02/2016 - Atualizado às 21:43


Acreditem, é uma baita responsabilidade falar do super-herói mais politicamente incorreto que o cinema. Até porque a popularidade que o personagem ganhou, desde que foi anunciado nos cinemas, intimida qualquer pessoa que discorde de sua eficiência como filme. Deadpool é engraçado, porém, fiquem sabendo: é violento e traz um herói desbocado e muito zoeiro como protagonista.

Após anos na esperança que, um dia, a 20th Century Fox e a Marvel fossem dar uma nova chance para Wade Wilson (Deadpool) nas telonas, esse dia chegou. Com direção de Tim Miller e roteiro de Paul Wernick e Rhett Reese, o filme conta a história de origem do ex-oficial das Forças Especiais transformado em mercenário, que depois de se submeter a um experimento para ganhar fator de cura, adota o nome de Deadpool. Armado com as suas novas habilidades e um senso de humor negro, Deadpool começa caçar o homem que quase destruiu a sua vida.

Deadpool tenta ser engraçado desde os primeiros segundos de exibição, logo nos créditos iniciais, quando os nomes dos produtores aparecem como apelidos de bastidores. Ao longo do filme, o protagonista não perde uma chance de contar piadas. Os X-Men Colossus (Stefan Kapicic) e Missil (Brianna Hildebrand) entram na história para tentar ajudar Deadpool a ser um super-herói e precisam aturar o senso de humor acentuado, por vezes desnecessário, do protagonista.

deadpool

O tipo de humor de Deadpool é perfeito para agradar os adolescentes brasileiros, já que, no Brasil, recebeu a classificação de 16 anos (nos Estados Unidos o filme é +18). Fora dessa faixa etária, é compreensível que as opiniões se dividam. Ousado e debochado, além de nus corajosos, o filme tira sarro da própria Fox e da concorrente DC Comics, quando dialoga ironicamente com sobre o fracasso de Lanterna Verde como filme.

A naturalidade que Ryan Reynolds encara o personagem é elogiável e a fidelidade com que a adaptação tratou a ida do anti-herói para os cinemas também. A brasileira Morena Baccarin foi muito bem como par romântico de Wade Wilson e as cenas de ação são muito boas, com efeitos em câmera lenta que permitem ao espectador observar cada detalhe dos embates. Foi um recurso usado com muita competência.

A montagem é dinâmica, a pancadaria é muito boa, o humor às vezes passa do ponto, mas Deadpool, apesar de dividir opiniões, cumpriu o que prometeu. Com uma receita simples, o blockbuster se destaca por, mesmo com um orçamento bastante reduzido, conseguir renovar o humor e o nível de agressividade dos filmes de super-heróis nos cinemas.