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Críticas

Crítica | Crônicas de Natal

Netflix reativa os clássicos natalinos com o melhor Papai Noel possível

Para muita gente, assistir a ‘filmes de Natal’ é a melhor maneira de se deixar inundar pelo tão comentado ‘espírito natalino’, jingle bells, noite feliz etc. E a gente sabe que, ao passo em que vamos nos tornando mais vividos, a tal magia natalina vai perdendo o brio que tinha na infância. Daí a importância dessa tradição, notadamente hollywoodiana, para nos fazer lembrar do doce abraço do amor cristão – artigo de luxo ultimamente.

Consciente disso, a Netflix investiu em Crônicas de Natal (The Christmas Chronicles, 2018) um filme que resgata o poder daqueles clássicos atemporais (que vão de Frank Capra aos pipocões oitentistas) assumindo com gosto o poder da Fábula de Natal pra reunir famílias em volta da TV.

Dirigido por Clay Kaytis (que se redime aqui depois de cometer Angry Birds em 2016), o filme é um exercício de imaginação que submete a figura do Papai Noel (Kurt Russell) a situações das mais inusitadas: estamos falando de perseguições de carros em alta velocidade, piruetas olímpicas e até uma noite na cadeia com direito a performance musical.

Ao fim e ao cabo, é uma mistura de O Expresso Polar (2004) com uma pitada de Papai Noel às Avessas (2003). Mas o Noel de Russell é o mesmíssimo bom velhinho tradicional de guerra, com suaves alterações que revelam um senhorzinho interessado pela contemporaneidade (“Eu não faço ‘HoHoho’, isso é um mito! Fake News!”) e cheio de energia para a labuta que lhe compete.

Assim, as crianças devem se interessar pelas curiosidades que explicam como Noel consegue a proeza de entregar tantos presentes; pelos duendes fofinhos e até pelos corajosos irmãos Kate (Darby Camp) e Teddy (Judah Lewis). Mas aos adultos que comprarem o tom de fantasia do filme, a recompensa é ver aquele mesmo Kurt Russell dos filmes do John Carpenter se divertindo com piadas que tiram onda da representação do Papai Noel feita pela Coca-Cola, por exemplo. Ou encarnando Elvis Presley numa banda improvisada. Vai na minha: Russell de Papai Noel!

Crônicas de Natal tem o mérito de ser criativo mesmo usando o material super gasto da cartilha-de-filme-natalino com sua trajetória de aprendizado, a comunhão familiar e, como qualquer fábula, estampando uma moral da história. É um acerto bonitinho da Netflix, que já tem cacife pra lamber a própria cria (o guardador de bicicletas do restaurante está assistindo Stranger Things no celular). É isso aí. Viva o Natal do streaming!

P.S.: Há uma participação especialíssima na última cena do filme <3

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