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Críticas

Crítica | Com Amor, Simon

O mainstream cumprindo mais do que sua função de entretenimento.

Foto: Divulgação/Fox

De modo geral, sabemos que esteriótipos são injustos e filmes de temática adolescente não estão isentos desse julgamento. Em meio a tantos títulos que tratam dessa fase com enredos piegas ou infantis, Com Amor, Simon (Love, Simon, 2018) surge como um bom exemplo de proposta pé no chão e que tem algo a dizer, ainda que bem embalado para o jovem público de interesse consumir.

No filme, aos 17 anos, Simon Spier (Nick Robinson) aparentemente leva uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: nunca revelou ser gay para sua família e amigos. E tudo fica mais complicado quando ele se apaixona por um dos colegas de escola, anônimo, com quem troca confidências diariamente via internet.

O principal mérito da história começa a ser construído nas primeiras cenas, usando todos os artifícios disponíveis para estabelecer identificação com a realidade. Trabalha com personagens de rotina simples, cenários comuns e tabus compatíveis à idade dos protagonistas. Sem exageros, situações trágicas ou terríveis doenças. Uma abordagem bastante pertinente ao assunto central do filme, que tem a exposição na internet como elemento decisivo.

Com Amor, Simon entra para a lista de filmes que, nos últimos anos, trouxeram histórias LGBTQ como tramas centrais, tal qual Moonlight e Call Me By Your Name. A embalagem mainstream do mais recente, no entanto, deixa a entender que Oscar não é uma pretensão. A popularidade do elenco, nesse sentido, com destaque para os conhecidos Nick Robinson (Jurassic World), Katherine Langford (13 Reasons Why) e Keiynan Lonsdale (The Flash), ajuda a trabalhar a seriedade do assunto sem deixar de interessar os espectadores menos experientes.

Nesse contexto, o final é o único momento que parece destoar da linha de raciocínio do filme, por permitir que o romantismo adolescente falasse mais alto pelo menos no desfecho. Não é um crime, claro. Só passaram uma impressão diferente.

A sutileza com que as ansiedades de Simon são tratadas comovem e didatizam a angústia do processo de aceitação da homossexualidade e do quanto a homofobia é agressiva, sem fazer discursos escancarados – o público se envolve no passo a passo e, o mais importante, percebe essas etapas. O argumento de Com Amor, Simon está na normalidade com que trata esse desenvolvimento e isso facilita a conexão com o espectador. E assim que você percebe que a história de Simon cumpre mais que sua função de entretenimento, é certo que você ficará com vontade de assisti-lo novamente acompanhado de seus pais ou de quem quer que seja.

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