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Críticas

Crítica | Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível

Muito fofo, mas meio previsível, Ursinho Pooh volta para defender a importância da leveza na vida adulta

“O balão me deixa tão feliz, e você?” – “Não, eu não.” É de cortar o coração ver o queridíssimo Ursinho Pooh lidando com um adulto ranzinza, mas enquanto se justifica dizendo ser um urso de cérebro pequeno, o bichinho acaba expondo muita sabedoria. E Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin, 2018), entre outras coisas, é meio isso.  À sua maneira, um filme muito doce sobre o fim da infância e a forma como a gente lida com as responsabilidades da idade adulta.

Mesmo assim, é até surpreendente que a Disney tenha decidido investir sem medo no tom melancólico (um traço já presente na história clássica) nesse live-action da turma do ursinho louco por um pote de mel. E aí a inocência e humor-bobo dos personagens de pelúcia contrastam com a sobrecarga de bagagens emocionais do já adulto Christopher Robin (Ewan McGregor). O “rei” do Bosque dos Cem Acres não é mais uma criança cheia de imaginação, mas um ex-combatente da Segunda Guerra que superou a morte do pai e agora se anula da família e da vida em prol de um emprego que lhe exige muito.

Predominantemente desbotado e trazendo até mesmo os bichinhos com uma pelúcia sofridaça, o filme de Marc Foster (007 – Quantum of Solace, 2008) se esforça para levar ao terreno literal o sem-gracismo da vida adulta, como a gente eventualmente acaba deixando ser. Mas quando os personagens (Pooh, Bisonho, Leitão, Tigrão e grande elenco) retornam para uma missão, o confronto entre esses dois mundos surge cheio de subtextos.

Talvez o mais interessante deles seja pensar os personagens como emoções que a gente, crescido e sem tempo para pormenores, acaba jogando para baixo do tapete. Não dá pra perder tempo com Efalantes e Dinonhas! Mas diante dos protestos do adulto amargurado que nunca consegue se dedicar à família, tudo que o ursinho amarelo tem a dizer é “Mas você é Christopher Robin!” – e essa frase é o bastante pra fazer o sujeito refletir. Muitas vezes as responsabilidades e os baques da vida fazem mesmo a gente esquecer quem somos, não? É muito inteligente esse Pooh.

De todo modo, em vez de enveredar por esse campo mais reflexivo, o filme abraça (com certa previsibilidade, inclusive) aquela aura de contos infantis com direito a moral da história e tudo. Uma escolha coerente com o projeto, mas que acaba não surpreendendo tanto. Para as crianças, cenas engraçadas com bichos de pelúcia falantes aprontando todas em Londres, alguma coisa meio Paddington (2014) – pra citar outro ursinho com sotaque inglês. Mas para os adultos, a graça desse Christopher Robin está mesmo é nas entrelinhas.

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