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Críticas

Crítica | Buscando…

Abordagem inteligente leva mistério policial à Era da Internet

Em Buscando… (Searching, 2018) o diretor Aneesh Chaganty promove um casamento interessante entre as tantas telas que nos cercam hoje em dia (computadores, smartphones, tablets…) e a centenária tela do Cinema. Felizmente, a abordagem estética que salta aos olhos não surge como um mero recurso estilístico: está lá a serviço de um suspense eficiente que conduz o espectador por uma trama sinuosa, cheia de reviravoltas.

Uma prova disso é que nas muitas janelas abertas no computador de David Kim (John Cho), que busca desvendar o desaparecimento da filha adolescente, a aflição aumenta entre cliques vagarosos e pistas que de repente surgem no detalhe de uma foto. Já na abertura, a tela de Windows XP que se funde ao telão do cinema faz um passeio quase nostálgico pela evolução do sistema operacional (repare nas mudanças do player do Youtube) ao mesmo tempo em que, de forma muito econômica, nos apresenta satisfatoriamente àquela família.

Daí em diante, o filme oferece um pouco daquela síndrome de detetive, já que ao mesmo tempo em que diálogos importantes se dão no mundo real, outras informações vão brotando na tela em forma de pesquisas no Google, por exemplo.

É curioso também que o universo particular das redes sociais e aplicativos surja quase como uma distração, especialmente quando posto em conflito com a analógica “geração dos pais”. Assim, embora o protagonista seja familiarizado com o território virtual, é uma graça vê-lo, em meio à angústia do sumiço da filha, perguntar: “O que é um Tumblr?”.

Ainda há espaço para comentários muito sutis sobre como a internet e o poder de voz que ela democratiza a todos pode virar um megazord de crueldade. Nesse sentido, é ótimo notar que o roteiro que Chaganty divide com Sev Ohanian jamais cede à tentação de demonizar a internet enquanto um terreno imune à lei. Pelo contrário, aborda o mundo virtual como parte inseparável e irreversível da nossa sociedade.

Agora, uma especulação: é possível dizer que, sem a abordagem screenlife adotada aqui, talvez essa trama de investigação policial não oferecesse tanto diferencial em relação a outros suspenses baseados no whodunit. É que, sem dúvida, a forma inteligente com que o filme mescla telas e informações, rende subtextos e torna a história muito mais contemporânea e envolvente. É um grande acerto.

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