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Críticas

Crítica | Bumblebee

Sexto filme da franquia não dialoga com a saga, mas tem boa música.

A década de 1980 vem dominando muitos enredos cinematográficos nos últimos anos. Ambientar filmes nessa época tornou-se o elemento apelativo para reunir diversos públicos, principalmente no que tange à Cultura Pop.

Travis Knight (direção) e Cristina Hodson (roteirista) fazem bom uso desse recurso em Bumblebee, sexto filme da franquia Transformers. Apresentado inicialmente como um spin-off estrelado pelo segundo Autobot mais amado e conhecido pelo público em geral, o longa-metragem ousa ao assumir o papel de filme de origem para o universo dos robôs alienígenas.

Completamente estampado como narrativa prequela, Bumblebee acaba por ratificar mais ainda a concepção de que a franquia é falha. Cheio de furos em relação aos fatos por nós já conhecidos, o filme de Travis Knight propõe-se também a ser um retcon para os cinco primeiros filmes dirigidos por Michael Bay (agora produtor do longa) e cria uma enormidade de confusão na cronologia da saga.

Se passando nos anos 1980, a trama ignora acontecimentos dos filmes anteriores que colocam Bumblebee dentro da Segunda Guerra Mundial, além de apresentar a raça humana em seu primeiro contato com Transformers ocultando a existência e descoberta do corpo congelado de Megatron, que nem é citado no filme.

Erros cronológicos de lado, a chegada do Transformer amarelo com nome de abelha à Terra é introduzida com cenas do passado de guerras em Cybetron. Depois disso temos o Autobot tentando se adaptar à vida local assumindo a forma de um Volkswagen (o nosso Fusca) ao lado de uma adolescente às vésperas de seus 18 anos.

Bem mais humano que as películas anteriores, em Bumblebee temos menos robôs, menos cenas de ação com efeitos especiais e mais interação e diálogo (mesmo que superficial). A relação criada entre ele e a protagonista Charlie Watson (Hailee Stanfield) não chega a ser emocionante, mas cativa bastante pela sequência inusitada de atos cômicos promovidos pelo robô, que reaprende a se comunicar através de de seu rádio e as canções dos anos 1980.

A música, por consequência, se torna o principal e mais bem executado elemento do filme.  O italiano Dario Marianelli apresenta uma orquestração clássica com fanfarras de tempo e ritmo modernizadas, mas também vai buscar no pop algumas construções sonoras. É o que permite que as insert songs do filme sejam bastante aproveitadas.

Comunicando-se através da música, Bumbleebee faz uso de dezessete canções pertinentes ao tempo em que se passa o filme (1987, para ser mais preciso). De forma diegética, em diversos momentos, canções como Everybody Wants to Rule the World (Tears for Fears), Never Gonna Give You Up (Rick Astley), Bigmouth Strikes Again (The Smiths), Save a Prayer (Duran Duran), Things can Only Get Better (Howard Jones), Runaway (Bon Jovi) e Take On Me (A-Ha) estão entre as que consegui identificar de imediato durante a exibição.

Essa musicalidade é acertada em todos os momentos e fazem da experiência algo menos terrível. Não que não seja um bom filme – até é – só que para um filme de origem deixa a desejar no instante em que o fã busca conexões com as narrativas anteriores e não as encontra ou compreende, pois embora existam são mal apresentadas e não conclusivas.

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