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Crítica

Crítica | Black Fox

Co-produção da Crunchyroll, animê mistura sci-fi com ninjas.

Após o muito frisson promovido, finalmente pudemos ver o resultado de Black Fox, animê original produzido pelo estúdio 3Hz (em parceria com o estúdio Infinite) e a presença da Crunchyroll no comitê de produção.

Saindo em formato de longa-metragem, a animação surpreende em visual e em markerting – sendo licenciada no Brasil e outros países com cobertura da Crunchyroll um dia antes da estreia nos cinemas japoneses neste fim de semana – e se configura não mais como uma aposta, mas sim numa alternativa muito positiva ao serviço de streaming dedicado ao público otaku (mas não é o momento de comentar isso, talvez em um artigo).

Com a premissa de um sci-fi, Black Fox reúne elementos como IAs e disputas corporativas por tecnologias de potencial militar ao universo mais que amado dos shinobis ao introduzir a jovem Rikka Isurugi em uma vingança por sua família ao lado de “animais” robóticos superinteligentes e de personalidades destoantes. Junte a isso uma garota telapata e um cientista louco e… bom, poderíamos ter uma trama perfeita.

Não entenda errado! Não estou dizendo que Black Fox é um filme ruim. Pelo contrário, gostei bastante da experiência e me senti cativado pelas personagens apresentadas. Na verdade, acho que como um filme de origem, o longa-metragem cumpre bem o seu papel de nos inserir na história de Rikka e creio que tem tudo para se desenvolver em uma boa série de animê em um futuro não tão distante. Sério, estou muito a fim de ver Rikka, Mia e Melissa no combate ao vilão Brad Ingram.

Todavia, não esquecendo que Black Fox é um filme, temos muitas questões no roteiro que desanimam bastante. O segundo ato, em específico, é muito prejudicado com a maneira escolhida para dar sequência aos acontecimentos. A forma como Rikka e Mia desenvolvem sua conexão acaba ocorrendo de maneira um pouco rasa mesmo sendo perceptível que em suas essências ambas são distintas demais uma da outra em relação ao carinho e o afeto daqueles ao seu redor.

Considerando o tempo de duração do filme (90min) – que não foge do padrão da cena, mas poderia ser um pouquinho maior – temos uma minutagem aproximada à de 4 episódios sem abertura e encerramento. É observando isso que se percebe que o segundo ato (que equivaleria a dois episódios) poderia trabalhar de forma bem mais efetiva o contato entre as duas garotas e, assim, preparar melhor o público para o clímax.

Isso não tira méritos da direção de Kazuya Nomura e Keichi Shinohara, que contam com um trabalho relativamente bem feito pelo time do 3Hz , que tem entre seus principais trabalhos Sword Art Online Alternative: Gun Gale Online (2018). Outro ponto superpositivo são as presenças de Ayaka Nanase e Haruka Tomatsu nas vozes de Rikka e Mia. Talentosíssimas!

A experiência de poder ver o filme nos mesmo período de sua estreia em solo japonês é um outro atrativo e espero que isso se repita em muitos outros momentos. Volto a afirmar, Black Fox tem tudo para ser uma história memorável. Só depende das escolhas a serem feitas. Minha sugestão é que em vez de um segundo filme tenhamos uma série animada para TV/streaming com 12 episódios para dar sequência à trama.

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Crítica

Crítica | My Hero Academia: 2 Heróis

Filme está com passagem rápida pelos cinemas do Brasil e agrada o público com versão dublada.

Sempre quando tem um filme de animê na telas dos cinemas brasileiros, o público otaku se entrega ao frisson de querer assistir mesmo que essa exibição seja feita exatamente após um ano da estreia em solo japonês e muitos deles tenham visto de forma não-oficial através de fansubs.

A euforia existe quando temos a oportunidade de ver personagens que gostamos na telona e ainda poder acompanhá-los em áudio PT-BR. My Hero Academia: 2 Heróis é o primeiro longa-metragem da série originada no mangá de Kohei Horikoshi, publicada pela Shueisha na Weekly Shonnen Jump.

Girando em torno de eventos do passado de uma de suas personagens centrais, o Símbolo da Paz – All Might, a história do filme mantém a base dos elementos já comuns da franquia ao dar o protagonismo a Izuku Midoriya (Deku) e seus colegas da Academia de Heróis numa luta contra terroristas. De roteiro simples, o longa-metragem não tem muito a oferecer em contexto narrativo (mesmo Horikoshi já tendo confirmado sua canonicidade entre a 2ª e 3ª temporada do animê), mas entrega muito bem a essência de cada um dos “protótipos de heróis” (usando as palavras do próprio All Might na versão brasileira) quanto ao seu humor, poderes e sentimentos.

Simples, mas cativante. É assim que nos sentimos com o filme, que é intercalado entre cenas de ação e muito humor (Imagem: Bones/Sato Company)

Visualmente, o filme deixa desejar em muitos momentos. É como se o Estúdio Bones – responsável pela animação – não entendesse a diferença de animar para TV e animar para Cinema. Traços preguiçosos e pouco detalhamento (à exceção da batalha final) até aparentam um projeto sem vontade. Talvez, o estúdio queira se aproximar do formato da TV, mas aí poderiam ter caprichado ao menos um pouco mais e chegar ao nível de um Blu-Ray Disc.

Ir o cinema só para ver personagens com figurinos não habituais por si só não vale a experiência. É preciso qualidade técnica na animação e seus suportes como os detalhes no character design. Kenji Nagasaki, que dirige a série desde a primeira temporada e também o filme, deixou a desejar na finalização para a versão de cinema. Não que seja um trabalho ruim, longe disso, entretanto o respeito ao traço e ao estilo de animação acabam que limitam bastante a exploração das características visuais das personagens para este longa-metragem em muito momentos (principalmente em cenas de planos abertos e conjuntos).

O toque brasileiro acaba salvando a experiência fílmica. Está realmente de parabéns o trabalho de dublagem realizado pelo cast escalado pela UniDub em parceria com o distribuidor (Sato Company). As atuações de Guilherme Briggs (All Might) e Lipe Volpato (Izuku Midoriya) foram muito bem desenvolvidas. Talvez, Guilherme Briggs pudesse ter colocado uma tonalidade um pouco mais fechada ao herói e assim fugido um pouco do Superman (mas como o próprio All Might é quase que como um Superman no universo de MHA a gente deixa passar). Robson Kumode (Todoroki Shoto) e Fábio Lucindo (Katsuki Bakugou) também chamam a atenção justamente pelo fato de eles serem – ao menos para mim – as vozes perfeitas para cada um dos respectivos personagens.

Em muitos momentos o character design fica comprometido, contudo a sensação de estar “assistindo a um episódio” da série ameniza esse deslize (Imagem: Bones/Sato Company)

Entre o restante do elenco de vozes, somente Priscilla Concepción – desde sua escalação – não agrada o público em geral na sua interpretação de Ochaco Uraraka. Representante do moe dentro da trama, a garota soou bem mais forte e madura que a dublagem original. Contudo, quando se acompanha o filme por completo, acaba que isso realmente não se torna um fator negativo. O talento de Priscilla é tão bem usado nas suas interpretações, que a Uraraka dela fica bem marcada na trama (diferente, mas tão bem marcada quanto na versão em japonês). Outra que fugiu da crítica com uma boa interpretação é Jacqueline Sato, que torna a protagonista Melissa Shield numa personagem carismática e já querida pelos fãs. Aqui tem mérito da diretora de dublagem, Úrsula Bezerra, que soube bem como escalar e conduzir sua equipe.

A Sato Company conhece a paixão dos otakus brasileiros por dublagem e soube se aproveitar disso ao incluir no elenco personalidades do fandom como os youtubers Leonardo Kitsune, Vii Zedeck e Gabi Xavier, o que prontamente não só ajudou no marketing do filme quanto na aproximação do público com a trama.

De tiro curto no cinema, a exibição de My Hero Academia: 2 Heróis é uma ótima experiência para otakus e não-otakus, garantindo até mimos (cartões especiais do filme), e a repercussão no Twitter é uma boa prova disso. O longa-metragem pode não ser visualmente maravilhoso, mas ao menos aqui no Brasil ganhou boas características para torná-lo agradável ao público. Plus Ultra!

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Crítica

Crítica | Universo Anime (Netflix-Doc)

Um documentário com caráter promocional que traz alguns dos bastidores dos animês da Netflix.

Se você é otaku – ou já assistiu alguma coisa relacionada a animês – não pode deixar de ver o documentário média-metragem Universo Anime (Enter The Anime, 2019) que estreou na última segunda-feira (05) no catálogo da Netflix.

Aventurando-se de forma mais intensa nesse filão de mercado, a gigante do entretenimento faz uso de suas estratégias de marketing para promover o trabalho que vem desenvolvendo com animês desde 2015 com a sua sucursal, a Netflix Japan. Para isso, convidou a cineasta Alex Burunova a tentar dar o seu ponto de vista sobre o fenômeno animê a partir de um diálogo enquanto produtora audiovisual com criadores e produtores dessa indústria.

Com conversas feitas com personalidades muitas vezes conhecidas somente por sua existência por detrás de títulos de animê disponíveis no catálogo da Netlflix como: Castlevânia, Aggretsuko, Knights of the Zodiac e Neo Genesis Evangelion, o filme de 58 minutos atende bem ao seu propósito de produto audiovisual promocional metalinguístico. É sim desejo de todo fã conhecer um pouco sobre os bastidores dos staffs de seus shows favoritos. E a Netflix faz o uso de disso para trazer uma peça publicitária de caráter qualitativo. O que, por sua vez, não tira o mérito do filme.

As entrevistas intercaladas com a narrativa da busca de Burunova (narrada na voz da atriz Tania Nolan) sobre o que de fato é o animê, levam-nos a momentos divertidos com a dupla Yeti e Harecho, responsáveis pela panda-vermelha Retsuko e sua paixão pelo Death Metal. É nessa parte que se percebe que além de vender seu próprio trabalho, a Netflix busca apresentar ao seu público o comportamento da sociedade japonesa, que tanto chama a atenção por suas excentricidades e é motivo para a organização de uma tribo social: a dos otakus. Aqui é onde o filme mais peca, pois traz um viewpoint bem genérico e carregado de esteriótipos.

Contudo, outro ponto bem legal é o bate-papo com a cantora Yoko Takahashi, intérprete do tema A Cruel Angel’s Thesis (abertura de Neo Genesis Evangelion), considerado um hino dentro da cultura pop japonesa. Assim, o documentário se destaca por não só dialogar com produtores, diretores e grandes estúdios como a Toei Animation, para dar voz a outros atores da cena manganime.

Rápido, o documentário relembra a todos que a Netflix não está de brincadeira com o assunto animê e que tem projetos longevos pensados para seu catálogo. Talvez, seria legal termos outras produções do gênero sendo acrescentadas no catálogo futuramente discutindo mais aprofundando esse universo tão emblemático e afetivo em suas múltiplas particularidades. Mas dessa vez com um valor bem mais próximo da realidade existente sobre a indústria e a cultura fomentada por ela.

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Crítica

Crítica | DanMachi: Arrow of the Orion

Filme estrou em fevereiro nos cinemas japoneses

Na sua peregrinação mais do que ousada pelo mundo dos otakus, a Netflix adicionou mais um título de animê ao seu catálogo: Dungeon ni Deai o Motomeru no wa Machigatteiru Darou ka?: Orion no Ya do estúdio J.C. Staff.

O título diz algo como: “É errado pegar garotas em um calabouço?”, que embora sugira ser de um conteúdo pesado e até ofensivo não carrega essa mesma mensagem na trama, onde seu protagonista não é o mais indicado para o papel de “pegador” devido ao seu jeito tímido com mulheres. Na versão para o ocidente ficou conhecido como DanMachi: Is It Wrong to try to Pick Up Girls in a Dungeon? – Arrow of the Orion.

A animação longa-metragem faz parte da franquia DanMachi (para abreviar, pois é uma frase longa!) que conta também com uma temporada de 13 episódios no Crunchyroll (a 2ª temporada chega no mesmo serviço de streaming ainda em julho) e um spin-off , DanMachi: Sword Oratoria (disponível no Amazon Prime Video). DanMachi: Arrow of the Orion estreou no Japão dia 15 de fevereiro de 2019 e sai no ocidente antes do lançamento da versão Blu-Ray em solo nipônico previsto para 31 de julho.

De narrativa simples, o filme é uma história original inspirada na light novel de Fujino Omori (texto) e Suzuhito Yasuda (ilustração) que gira em torno do mito do caçador extraído dos textos gregos literários. A direção é de Katsuki Sakurabi.

Na trama, Bell Cranel, um jovem aventureiro que almeja ser um grande herói, se envolve numa misteriosa missão para combater a criatura ancestral Antares, um monstro-escorpião que teria enfrentado a deusa Ártemis antes dos celestes habitarem o Mundo Inferior junto com os homens.

Ártemis, por sua vez, é a protagonista do longa-metragem que não oferece nada de novo para o universo de DanMachi. Além de um bom visual de cenários e design de personagens – com roupas exclusivas para o filme sendo desenhadas para Bell, sua ciumenta deusa Hestia e demais colegas de dungeon – , nada é atrativo.

De história rasa e com solução no estilo Deus ex machina (que na verdade é bastante previsível), o filme se constrói apenas como um material de fanservice para os fãs da franquia que tem a oportunidade de ver as personagens em visuais diferentes do habitual (e nem tanto assim), além de acompanhar uma boa trilha sonora, principalmente nas cenas de ação.

Talvez o destaque fique mesmo por conta dos seiyuus (dubladores) Yoshitsugu Matsuoka, no papel de Bell Cranel, e Maaya Sakamoto, no papel de Ártemis, que embora já sejam artistas consagrados na indústria de animês e bastante queridos pelos fãs, sempre surpreendem com suas atuações cheias de dedicação para as personagens nos permitindo diferenciar suas participações só pelas primeiras palavras.

O filme está disponível somente no idioma original – japonês – com legenda em português brasileiro (PT-BR) acompanhado com recurso de Closed Caption (CC). Para quem é otaku e já assistiu a primeira temporada de DanMachi é um bom passatempo além de aumentar o hype para a segunda etapa da animação. Tirando isso, é algo bem genérico em termos de filme.

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