Crítica | Batman vs Superman: A Origem da Justiça





24/03/2016 - Atualizado às 21:48


Em 2013, a Warner anunciou o encontro entre Superman e Batman, e a maioria dos fãs, embora entusiasmados, estavam receosos por acharem a ideia prematura. Conforme as informações eram reveladas, como a inserção de Lex Luthor, Apocalypse e Mulher-Maravilha (reunindo a “santíssima trindade da DC”), esse receio aumentava. Só depois do primeiro trailer esse receio começou a ser amenizado. Em 2016, finalmente, o filme estreou, e mostrou que a Warner sabe o que faz.

O filme começa após os eventos de O Homem de Aço, com Superman (Henry Cavill) dividindo a opinião da população mundial. Enquanto muitos contam com ele como herói e principal salvador, vários outros não concordam com sua permanência no planeta. Bruce Wayne (Ben Affleck) está ao lado dos inimigos de Clark Kent e decide usar sua força de Batman para enfrentá-lo. Enquanto os dois brigam, porém, uma nova ameaça ganha força.

O filme inicia fazendo a ligação da história com o filme último filme do Superman, O Homem de Aço, para tentar explicar a primeira ligação com Batman. A trama segue, quase que em sua totalidade,em um ritmo acelerado, que, aos mais desatentos, pode causar certa estranheza ou confusão. Principalmente na primeira hora de filme, onde se intercalam cenas reais e sonhos – sonhos estes que podem ser mais do que aparentam, como se perceberá na aparição de um certo velocista.

 

O destaque do filme é, sem dúvida, o Batman de Ben Affleck. Talvez a melhor adaptação do herói no cinema, superando a graça de Adam West, o belo trabalho de Michael Keaton, a seriedade e força de Christian Bale e, logicamente, os desastres de Val Kilmer e George Clooney. Diferente de seus antecessores, o novo Morcego de Gotham é mais violento em seu modo de lutar e consegue ser muito mais assustador para os bandidos (não poderia ser diferente para um homem de preto de 1,90 com habilidades ninjas e várias armas). Mas, talvez, o melhor dessa nova adaptação seja a inserção das habilidades de investigação, já que nos quadrinhos ele é considerado um dos maiores detetives do mundo, algo pouco, ou quase nunca, visto nos filmes predecessores.

O Superman de Henry Cavill continua o mesmo: bonito, forte e invulnerável –  talvez nem tanto assim. A novidade é inserção do conflito interior do herói, preocupado com o que a população pensa a seu respeito. Tendo, sempre que precisa, a bela Lois Lane (Amy Adams) ao seu lado (que, às vezes, é retratada como uma mulher de força e coragem, e em outras como a donzela em perigo), o herói tenta mostrar-se como tal, enquanto alguns lhe veem como um justiceiro, ao modelo do Batman, a quem ele repudia.

O erro na personagem está apenas na interpretação de Clark Kent, não devem ser simplesmente os óculos a esconder a sua identidade secreta (nem tão secreta assim no filme). O que, verdadeiramente, importa para o disfarce são a postura e o modo de agir. Algo que Christopher Reeve conseguiu transmitir com maestria na quadrilogia “Superman”.

Embora Batman e Superman sejam o foco principal do filme, há outras personagens de grande destaque. Lex Luthor, o principal vilão, com toda a sua insanidade e inteligência, mostrou como um humano pode ser perigoso e arqui-inimigo de um “Deus” – com uma certa ajudinha do Batman, no melhor estilo de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.

Gal Gadot esteve impecável como a Mulher-Maravilha. Apesar de ter seu físico criticado quando foi anunciada para o papel, conseguiu mostrar a beleza e a força que se espera de uma verdadeira princesa Amazona. Estabelece, de vez, uma mulher como protagonista nos filmes de heróis. Mas deixou um gostinho de “quero mais”, algo programado, para que possamos vê-la com todo o seu potencial nos próximos filmes, onde se poderá ver um pouco mais dos poderes da guerreira.*Coloca o link em baixo:

Ainda, no terceiro ato, eis que surge Apocalypse, o motivo da união dos heróis. Não é um vilão como Zod ou Luthor, é simplesmente um valentão, criado por um humano com máquinas kryptonianas, querendo mostrar quem é o mais forte. Foi muito bem utilizado e serviu para o seu propósito, causar danos aos heróis.

As aparições de outros heróis, apesar de breves, acrescentam muito ao contexto do universo da DC que está sendo montado nos cinemas. O Flash teve um pouco mais de destaque e a caracterização do Aquaman foi muito boa, mas o mesmo não pode ser dito do Cyborg, que, ao menos nesse primeiro momento, parece artificial e carregado de CGI (efeitos especiais). Há, ainda, no filme, diversos easter-eggs com referências a outros heróis ainda não mostrados.

E, é claro, não se pode deixar de falar do excelente trabalho de Zack Snyder, que sabe, como ninguém, trabalhar com o grandioso. O esperado confronto entre o Filho de Krypton e o Morcego de Gotham é algo incrível,com uma luta muito bem coreografada e com a brutalidade que se espera do embate entre esses titãs. E, a batalha final é um show, as luzes e a trilha sonora ajudam a compor a cena, ajudando-a em seu ritmo frenético.

O filme peca, talvez, nas brechas que deixou, muito por entregar ao espectador personagens prontas, que ainda não haviam sido estabelecidas e compreendidas. Mas, isso era esperado, já que diferentemente de como se foi feito no Universo Cinematográfico do Marvel, a Warner optou por unir já em seu segundo filme os heróis da DC. E, isso poderá ser concertado com os próximos filmes, assim como “Batman vs Superman” fez com “O Homem de Aço”.

No fim, “Batman vs Superman” conseguiu ser um excelente filme para os fãs dos quadrinhos, adaptando de forma coesa duas histórias importantes das HQs da DC, “O Cavaleiro das Trevas” e “A Morte do Superman”. Agora é esperar para ver o que a Warner terá para oferecer futuramente dentro desse novo Universo.