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Críticas

Crítica | Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Em 2013, a Warner anunciou o encontro entre Superman e Batman, e a maioria dos fãs, embora entusiasmados, estavam receosos por acharem a ideia prematura. Conforme as informações eram reveladas, como a inserção de Lex Luthor, Apocalypse e Mulher-Maravilha (reunindo a “santíssima trindade da DC”), esse receio aumentava. Só depois do primeiro trailer esse receio começou a ser amenizado. Em 2016, finalmente, o filme estreou, e mostrou que a Warner sabe o que faz.

O filme começa após os eventos de O Homem de Aço, com Superman (Henry Cavill) dividindo a opinião da população mundial. Enquanto muitos contam com ele como herói e principal salvador, vários outros não concordam com sua permanência no planeta. Bruce Wayne (Ben Affleck) está ao lado dos inimigos de Clark Kent e decide usar sua força de Batman para enfrentá-lo. Enquanto os dois brigam, porém, uma nova ameaça ganha força.

O filme inicia fazendo a ligação da história com o filme último filme do Superman, O Homem de Aço, para tentar explicar a primeira ligação com Batman. A trama segue, quase que em sua totalidade,em um ritmo acelerado, que, aos mais desatentos, pode causar certa estranheza ou confusão. Principalmente na primeira hora de filme, onde se intercalam cenas reais e sonhos – sonhos estes que podem ser mais do que aparentam, como se perceberá na aparição de um certo velocista.

 

O destaque do filme é, sem dúvida, o Batman de Ben Affleck. Talvez a melhor adaptação do herói no cinema, superando a graça de Adam West, o belo trabalho de Michael Keaton, a seriedade e força de Christian Bale e, logicamente, os desastres de Val Kilmer e George Clooney. Diferente de seus antecessores, o novo Morcego de Gotham é mais violento em seu modo de lutar e consegue ser muito mais assustador para os bandidos (não poderia ser diferente para um homem de preto de 1,90 com habilidades ninjas e várias armas). Mas, talvez, o melhor dessa nova adaptação seja a inserção das habilidades de investigação, já que nos quadrinhos ele é considerado um dos maiores detetives do mundo, algo pouco, ou quase nunca, visto nos filmes predecessores.

O Superman de Henry Cavill continua o mesmo: bonito, forte e invulnerável –  talvez nem tanto assim. A novidade é inserção do conflito interior do herói, preocupado com o que a população pensa a seu respeito. Tendo, sempre que precisa, a bela Lois Lane (Amy Adams) ao seu lado (que, às vezes, é retratada como uma mulher de força e coragem, e em outras como a donzela em perigo), o herói tenta mostrar-se como tal, enquanto alguns lhe veem como um justiceiro, ao modelo do Batman, a quem ele repudia.

O erro na personagem está apenas na interpretação de Clark Kent, não devem ser simplesmente os óculos a esconder a sua identidade secreta (nem tão secreta assim no filme). O que, verdadeiramente, importa para o disfarce são a postura e o modo de agir. Algo que Christopher Reeve conseguiu transmitir com maestria na quadrilogia “Superman”.

Embora Batman e Superman sejam o foco principal do filme, há outras personagens de grande destaque. Lex Luthor, o principal vilão, com toda a sua insanidade e inteligência, mostrou como um humano pode ser perigoso e arqui-inimigo de um “Deus” – com uma certa ajudinha do Batman, no melhor estilo de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.

Gal Gadot esteve impecável como a Mulher-Maravilha. Apesar de ter seu físico criticado quando foi anunciada para o papel, conseguiu mostrar a beleza e a força que se espera de uma verdadeira princesa Amazona. Estabelece, de vez, uma mulher como protagonista nos filmes de heróis. Mas deixou um gostinho de “quero mais”, algo programado, para que possamos vê-la com todo o seu potencial nos próximos filmes, onde se poderá ver um pouco mais dos poderes da guerreira.*Coloca o link em baixo:

Ainda, no terceiro ato, eis que surge Apocalypse, o motivo da união dos heróis. Não é um vilão como Zod ou Luthor, é simplesmente um valentão, criado por um humano com máquinas kryptonianas, querendo mostrar quem é o mais forte. Foi muito bem utilizado e serviu para o seu propósito, causar danos aos heróis.

As aparições de outros heróis, apesar de breves, acrescentam muito ao contexto do universo da DC que está sendo montado nos cinemas. O Flash teve um pouco mais de destaque e a caracterização do Aquaman foi muito boa, mas o mesmo não pode ser dito do Cyborg, que, ao menos nesse primeiro momento, parece artificial e carregado de CGI (efeitos especiais). Há, ainda, no filme, diversos easter-eggs com referências a outros heróis ainda não mostrados.

E, é claro, não se pode deixar de falar do excelente trabalho de Zack Snyder, que sabe, como ninguém, trabalhar com o grandioso. O esperado confronto entre o Filho de Krypton e o Morcego de Gotham é algo incrível,com uma luta muito bem coreografada e com a brutalidade que se espera do embate entre esses titãs. E, a batalha final é um show, as luzes e a trilha sonora ajudam a compor a cena, ajudando-a em seu ritmo frenético.

O filme peca, talvez, nas brechas que deixou, muito por entregar ao espectador personagens prontas, que ainda não haviam sido estabelecidas e compreendidas. Mas, isso era esperado, já que diferentemente de como se foi feito no Universo Cinematográfico do Marvel, a Warner optou por unir já em seu segundo filme os heróis da DC. E, isso poderá ser concertado com os próximos filmes, assim como “Batman vs Superman” fez com “O Homem de Aço”.

No fim, “Batman vs Superman” conseguiu ser um excelente filme para os fãs dos quadrinhos, adaptando de forma coesa duas histórias importantes das HQs da DC, “O Cavaleiro das Trevas” e “A Morte do Superman”. Agora é esperar para ver o que a Warner terá para oferecer futuramente dentro desse novo Universo.

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Críticas

Crítica | Democracia em Vertigem

Um documentário sobre lembrança e reavaliação no país da memória-curta

Uma impressão arriscada sobre esse doc: embora Democracia em Vertigem (2019) responda a uma perspectiva igualitária e progressista, não se trata de um documentário “de esquerda”. Dependendo das convicções políticas de quem assiste, ele pode soar como uma ode ao triunfo ou um canto triste de derrota. E é justamente aí que mora a beleza desse trabalho dirigido, roteirizado e narrado pela cineasta Petra Costa e disponível agora na Netflix para mais de 190 países. Vai vendo.

Ao longo de seus 120 minutos, o filme vai desfiando os últimos anos da política brasileira a fim de entender como a nação da cordialidade e da hospitalidade se transformou no irreconciliável Fla x Flu ideológico que não se via há tempos. E a Esplanada dos Ministérios dividida em barricadas na decisão sobre o impeachment de Dilma Rousseff é o quadro que Pedro Américo pintaria nesses tempos loucos.

E tome lá o sinuoso dessa retrospectiva, catalogada com esmero pela montagem que recorre a imagens ainda muito frescas na lembrança dos brasileiros. A cadência dá espaço suficiente a cada evento, respira entre o alvoroço, passeia pelos salões vazios do Palácio da Alvorada numa quase-poesia que permite um tempinho para refletir (o tom de voz de Petra também contribui para esse efeito). E envolve toda essa linha do tempo com um ponto de vista muito particular: a relação pessoal da cineasta com a política e como sua família fez parte desse processo.

Ao misturar as esferas pública e privada na narrativa, Democracia em Vertigem abre o precedente para que o próprio espectador também o faça. E é só lembrar os núcleos familiares que começaram a ruir nas eleições de 2014 e vieram abismo abaixo na última visita às urnas – a identificação é imediata, afinal, em maior ou menor escala, todo mundo viu rachaduras nas paredes de casa.

Além disso, ao arrastar o discurso para a prerrogativa pessoal, Petra Costa evita o veredito, deixando as conclusões para o público. E o material é abundante entre entrevistas e discursos históricos . No país da memória-curta, Democracia em Vertigem surge como um documento poderoso de lembrança e reavaliação. Um tratado que tenta entender as polaridades que, vá lá, sempre existiram. Ao final, o texto aponta para o futuro sem fazer ideia do que vem de lá. Alguém faz?

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Críticas

Crítica | X-Men: Fênix Negra

Ainda que abordasse um dos arcos mais grandiosos do universo de super-heróis, X-Men: Fênix Negra consegue a proeza de ser superficial.

Um desfecho à altura do carinho que os fãs têm pela franquia X-Men era tudo que o público esperava. Não importa quantos filmes dividam opiniões, sempre houve uma multidão a espera de um impacto de verdade quando o assunto era um novo filme dos mutantes. Logan (2017) até deu esperanças e tudo que X-Men: Fênix Negra não podia fazer era decepcionar. E decepcionou.

Veja bem, toda impressão é relativa. A palavra decepção é forte e nós sabemos, até evito usar, mas em relação a esse arco tão marcante da história dos alunos de Xavier, já tivemos outras experiências bem-sucedidas em animações e quadrinhos. Agora, com todo suporte tecnológico, de mídia e com a Disney na cola, a Fox parecia estar com a faca e o queijo na mão para entregar um filme com uma linha de raciocínio muito mais poderosa.

X-Men: Fênix Negra é ambientado em 1992, os mutantes já eram considerados heróis nacionais e, durante uma missão espacial, Jean Grey (Sophie Turner) é atingida por uma poderosa força cósmica, que acaba absorvida em seu corpo. Após ser resgatada e retornar à Terra, aos poucos ela percebe que há algo bem estranho dentro de si, o que desperta lembranças de um passado sombrio e, também, o interesse de seres extra-terrestres.

A estética e a técnica de efeitos do filme estão impressionantes, questionável, mesmo, só as decisões de Simon Kinberg em – sem querer, acredito – acabar diluindo a força do arco da Fênix em cenas menos intensas do que o pretendido e com a inserção desnecessária de Jessica Chastain no elenco. O drama de Jean Grey não precisava dividir atenção com mais ninguém e tinha potência o suficiente para ser muito mais ameaçadora.

Ao tentar ser original, Kinberg desperdiça o argumento da força cósmica que habita Jean, que nos quadrinhos até funcionou como uma metáfora ao abuso de drogas. O poder Fênix, que se torna parte da intimidade da personagem, faz com que ela perca a noção de poder e acabe machucando todos ao redor. Esse sub-texto não consegue se desenvolver porque há uma alienígena desviando o rumo da trama, reduzindo ao argumento aos traumas da infância de Jean. Xavier, e até Magneto, poderiam ter sido melhor aproveitados neste conflito, visto que ambos lidam com poder, vaidade e raiva.

Essa despedida dos X-Men da Fox, depois de 11 filmes, não foi das piores, claro, mas falhou no objetivo de ser grande e de dar argumentos que dessem sentido proporcional ao surto da protagonista. A partir de agora, o bastão está com a Disney e o futuro dos mutantes a ela pertence. X-Men: Fênix Negra ficará no passado como uma relíquia. Só nos resta esperar.

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Críticas

Crítica | Toy Story 4

Quase uma década depois, Toy Story retorna e já é avaliado pelo público como o melhor filme da franquia.

Desde Up, Altas Aventuras, a Pixar deve ter uma pessoa por lá cujo cargo seria algo como “editor analista de roteiro especialista em fazer a audiência chorar”. E esse profissional fez um ótimo trabalho em Toy Story 3, Divertidamente, Viva (nesse ele estava muito empenhado) e agora Toy Story 4. Brincadeiras à parte, fato é que a nova animação da franquia de Woody e seus amigos é, talvez, a melhor da série.

É verdade que há o carinho pela surpreendente criatividade do primeiro, a profundidade narrativa do segundo e o sentimentalismo adorável do terceiro. Mas Toy Story 4 alcança uma maturidade diferente, com todos esses elementos dos anteriores e que construíram a força da franquia, somados a recursos técnicos bem impressionantes. A própria reação do público, inclusive, tem demonstrado o quanto o longa é especial. Até agora, Toy Story 4 possui 100% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma surpreendente nota 9,1 no IMBD.

Mas, calma. Mantenha sim as boas expectativas, embora não se esqueça que estamos tratando aqui de uma fórmula já vista outras vezes, ou seja, uma história doce, recheada de bom-humor e com um nível de sensibilidade intenso. Por isso, não espere grandes surpresas e desconstruções maravilhosamente inventivas. Espere por momentos simpáticos e com mensagens contemporâneas valiosas – como o empoderamento feminino, respeito às diferenças e a coragem em aceitar o tempo das coisas, sejam despedidas ou chegadas.

São nove anos desde o último filme da série e, por isso, logo nos créditos iniciais de Toy Story 4 há uma espécie de recorte rápido em retrospectiva para nos lembrar em que momento da história os bonecos estão agora, já que Andy cresceu e doou seus amigos à pequena Bonnie. Ela agora é a dona e quem decide os brinquedos que farão parte da brincadeira e os que ficarão no armário, a um passo do esquecimento. Quando a menina vai para o seu primeiro dia de jardim de infância, Woody se infiltra em sua mochila para ver como ela se sairá.

De volta ao quarto, Woody sai da mochila de Bonnie e apresenta um novo colega: Garfinho – fanfact: o personagem foi desenvolvido por Cláudio de Oliveira, brasileiro que faz parte do time da Pixar. Por não ter conseguido interagir com outras crianças, a menina encontra no lixo uma forma de fazer sua própria brincadeira e constrói um boneco feito de garfo plástico, pés de palito, olhos de boneca e braços de arame. Responsável pelos momentos mais engraçados do filme, Garfinho não entende que é um brinquedo e tampouco enxerga sua importância para a garota como o responsável pela sua fase de adaptação e o impulso para sua potencial criatividade.

Mas Woody sabe e tenta, de todas as formas, fazê-lo compreender os motivos para ficar próximo a Boonie. A aventura começa quando a família vai viajar e Garfinho se atira do motor home para buscar a felicidade em algum lixo, enquanto Woody parte para o salvamento. A situação se complica quando o talher desengonçado se torna refém de uma boneca dos anos 1950 em um antiquário. Quem ajudará a turma na missão é a Betty, cuja aparição é surpreendente e importante. A boneca pastoreira, ex par romântico de Woody, reaparece, alguns anos depois de ter sido doada, como uma personagem feminina forte, empoderada e que toma a frente do plano de resgate.

Em Toy Story 4 os personagens humanos tem participação secundária, assim como nos longas anteriores (exceção ao primeiro filme), mas não funcionam apenas como escadas para o andamento da trama. É a humanidade da pequena Bonnie e o seu desenvolvimento infantil que ajudam a convencer o público e a justificar os objetivos a serem cumpridos por Woody e os demais. Todo o ponto de vista do enredo, porém, se desenrola nas ações e sentimentos dos brinquedos – óbvio – e são tão autênticos, que deixam uma série de produções Hollywoodianas atuais parecendo pequenezas dispensáveis. 

A paixão pela qual o longa foi feito passa também pelo cuidado estético da animação. As luzes, sombras, profundidade (prestem atenção nos takes de câmera quando um boneco está em primeiro plano e olhando à distância para algo, como a cena do salto de Duke Caboom no parque de diversões), expressões e tantos detalhes técnicos são o ápice da perfeição alcançado pela Pixar.

Há, então, quem achará que o desfecho foi criado propositalmente para impactar os corações moles (como o meu), já que o caminho escolhido por um dos personagens (sem spoiler), de certa maneira, contraria uma bela lição que ele próprio usa como lema de vida. Mas, se você não for do tipo crítico chato e problematizador de emoções, prepare o lenço e deixe que o tom de despedida de Toy Story 4 lhe faça derramar umas lagriminhas piegas. Afinal, foi para isso que a Pixar contratou aquele profissional incrível especialista em causar choro em adulto.

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