Connect with us

Crítica

Crítica | Batman Ninja

Animação transporta o Homem-Morcego para o Japão Feudal.

Mesclar a figura sombria do Morcego de Gotham com os traços e enredos do universo midiático-cultural japonês parece ser uma proposta rica de acertos. Talvez seria se isso não acontecesse de forma tão caricata ou corrida como se dá em Batman Ninja. As referências caricaturais são uma característica do diretor Jumpei Misuzaki, que tinha como trabalho mais conhecido até então a adaptação do arco Stardust Cruzaders do mangá shounen JoJo’s Bizarre Adventure, famoso entre os otaku graças às personagens Joutarou Kuujou e Dio Brando.

Falemos mais de Batman Ninja. Com lançamento mundial realizado em julho deste ano (originalmente em Blu-ray e DVD), o filme só chegou ao Brasil tardiamente – agora no fim de outubro – com versões legendada e dublada na Netflix. A emoção de poder ver Batman e seus ajudantes em uma luta contra parte de seu panteão de vilões é tentador e nos leva a crer que pode existir um ar de sanguinolência que só os quadrinhos mais obscuros do Batman sabem retratar.

A inserção de uma personagem oriunda de outro quadrinho do universo DC – o supervilão do Flash, Gorila Grodd – dá a tônica para a aventura temporal num Japão Feudal onde os daimyôs são os grandes líderes do povo e os samurais a figura de poder e honra mais admirada entre os povos daquela região e época. Levado a um tempo passado, Batman, seus ajudantes e a esperta Mulher-Gato se veem em conflito com alguns dos supervilões de Gotham mais conhecidos: Bane, Hera Venenosa, Pinguim, Duas Caras e o Coringa ao lado de sua fiel companheira Arlequina. Quem também dá as caras é Exterminador (ou Slade, como queiram).

É claro que o duelo psicológico entre o morcego e o palhaço ganha foco na tela e rende uma ótima cena de batalha no clímax do longa-metragem animado com direito a luta com katanas (as espadas japonesas), shurikens e jutsus no melhor estilo “Naruto” com o morcegão realizando uma maravilhosa tomada onde se pode vê-lo realizando os selos de concentração do chakra. Um estopim de referência à Cultura Pop Japonesa.

Contudo essa não é a maior cena de referência que se pode encontrar no filme. A presença de elementos dignos dos tokusatsus com robôs gigantes em fusão fazem dessa animação um paraíso para os fãs do Batman que curtem animês. Mas com exceção disso, o filme não tem mais nada de grande.

Simples, o roteiro de Kazuki Nakashima (co-autor do mangá Kill la Kill e roteirista da série Tengen Toppa Gurren Lagann) deixa a desejar ao apresentar um plot obsoleto como o retorno para o tempo presente. Não que essa não seja uma justificativa plausível, mas a forma como tal situação é apresentada tornou-se pouco atrativa. A aparição de personagens como Asa Noturna, Robbin, Robin Vermelho e Capuz Vermelho no segundo ato do filme é bastante discutível, assim como os supervilões, mas esses tem uma cena melhor trabalhada para explicar suas presenças na Idade Média japonesa. Mesmo que não justifique o desenvolvimento tecnológico absurdo de certas engenhocas em um curto período de dois anos, fazendo da narrativa um recorte do steampunk reforçando o caricatural oriundo dos tokustatsus.

Nessa mesma pegada de presença de personagens discutíveis estão aqueles que poderiam ser o maior trunfo da animação e acabam passando-se de meros figurantes: o Clã Ninja dos Morcegos. Podendo oferecer algo bem mais significativo à trama no que tange a presença do Batman no Japão Feudal, eles simplesmente seguem o Homem-Morcego porque acreditam numa lenda de um ninja com máscara de morcego que um dia apareceria e os libertaria do julgo dos daimyôs. Fica aquela sensação de que eles poderiam ser mais atuantes para além de controlar uma revoada dos mamíferos voadores. Embora isso seja bem mais emblemático e interessante que um bando de macacos reunindo-se numa entidade divina… Sem comentários.

Minimizam essas situações o visual das personagens, assinado por Takashi Okazaki (Afro Samurai), e a trilha sonora de Yugo Kanno (Psyco Pass e Jojo’s Bizarre Adventure: Satrdust Cruzaders), que casam-se perfeitamente e nos arrebatam para o clima feudal asiático com muita sinergia no envolvimento com o longa-metragem, que sem isso ficaria comprometido.

 

Em alta agora