Connect with us

Críticas

Crítica | Bates Motel (1ª à 5ª temporada)

Convide um amigo seu a conhecer mais o passado de Norman Bates.

Foto: Divulgação

Foi da obra Psicose, lançada originalmente como livro de autoria de Robert Bloch e popularizado como filme em 1960 (dirigido por Alfred Hitchcock), que surgiu a corajosa e perturbadora série Bates Motel (2013-2017). Essa que é mais uma consequência do interesse da Universal em explorar uma franquia que, só nos cinemas, arrecadou mais de US$ 50 milhões de 1960 até início da década passada. Outras sequências e spin-offs já foram lançados, mas hoje é a vez de Bates Motel.

A história da série funciona como um prólogo contemporâneo, que retrata a vida de Norman Bates (Freddie Highmore) e de sua mãe Norma (Vera Farmiga) antes dos eventos retratados no filme de Hitchcock. A série começa depois da morte do marido de Norma, vítima de um relacionamento abusivo, quando ela adquire um motel localizado em uma cidade costeira chamada White Pine Bay, nos Estados Unidos, para que ela e Norman possam começar uma nova vida.

Apesar do risco de ser mais um braço de uma obra já consagrada, a coragem de Bates Motel quase mostra que, se quisesse, não precisaria desse apoio para conseguir viver sozinha (usando outro argumento, claro) e ser ótima. Óbvio O desenvolvimento crescente da trama, em todas as temporadas, é perturbadoramente hipnotizante, visto que todos os personagens apresentados possuem densas camadas que contribuem para a complexidade psicológica da obra.

Tá duvidando? Vai pensando (contém spoilers): Norma vem de uma família problemática, traumatizada por um relacionamento incestuoso com o irmão Caleb (Kenny Johnson) durante a adolescência e vítima de um casamento abusivo. Do primeiro nasce o carente Dylan (Max Thieriot), do segundo nasce Norman. O carro-chefe da história, no entanto, vem a ser o transtorno dissociativo de identidade de Norman, que começa a desenvolver os primeiros sintomas no início da série e só piora com o passar dos episódios. Interesses amorosos, personalidades autoritárias, suspense erótico e crimes de todos os tipos só deixam a história mais pesada.

Uma história densa dessas ne-ces-si-ta de direção e atuações de alto nível. E, para nossa alegria, Bates Motel cumpre bem demais esse desafio. Entre o elenco, Highmore merece todo reconhecimento por conseguir entregar todos os detalhes de um personagem que claramente perturbado ao mesmo tempo que soa doce ou entra em crise ao encarnar a própria mãe. A presença de Vera Farmiga, é fundamental destacar, entrega ainda mais credibilidade ao prelúdio.

Não fossem a desconexão de núcleos criados para dar profundidade a personagens como Dylan, Alex Romero (Nestor Carbonell) e Emma Decody (Olivia Cooke), a série sofreria muito menos com tramas arrastadas, pouco envolventes e até desnecessárias. A tentativa de tornar a cartela de sofrimentos mais variada é compreensível, mas a construção de boa parte delas foi confusa e mais longa do que preciso.

No geral, a complexidade psicológica de Bates Motel é hipnotizadora, mas a velocidade do desencadeamento dos fatos pode ser entediante, dependendo do estado de espírito do espectador. Mas o bom gosto de cada cena está ali, às claras e para quem quiser ver, numa perturbador prelúdio que, como poucas vezes, acertou o tom sendo ousado e respeitando suas origens. Bendito o dia que aceitei o convite para acompanhar Bates Motel…

Em alta agora