Crítica | Apex Legends





01/03/2019 - Atualizado às 21:36


É indiscutível ressaltar que o Battle Royale é o fenômeno gamer do momento. Entre algumas conhecidas e populares facetas, como Fortnite e PUBG, o gênero já explorou diversas mecânicas e conteúdos, frequentemente renováveis, que asseguram o seu contínuo sucesso. 

Mas após tantas apresentações e representações, ninguém esperava que um novo título pudesse trazer uma nova perspectiva e experiência para os fãs de Battle Royales. Ou que este nome inédito, lançado de surpresa, asseguraria um espaço entre gigantes, para pouco depois, ameaçar este mini-oligopólio.

Para quem desconhece ou não faz a mínima ideia do que está fazendo aqui (mas agradeço desde já), o jogo em questão é Apex Legends, uma expansão e derivado de Titanfall, que chegou gratuitamente para Xbox One, PS4 e PC em 4 de Fevereiro deste ano.

Em uma análise superficial e despretensiosa, alguns olhares podem confundi-lo como uma cópia genérica e “objetificada” para o lucro fácil. Mas novamente, em ressalva, o conteúdo do jogo é muito mais do que aparenta. Em palavras sucintas, Apex Legends é o Battle Royale que ninguém sabia que precisava.

E quais as razões para isto? De antemão, sim, a sua originalidade pode ser contestada, além do mais, o título reúne mecânicas e articulações do que muitos outros já fizeram antes. Por outro lado, a sua fórmula, que reúne este “pouco de tudo”, cria um aperitivo ideal para o gênero.

O título segue o curso padrão do gênero, um local isolado (Chamado aqui de Desfiladeiro do Rei), que será palco de uma batalha sanguinária entre diferentes jogadores. Exclusivamente, portanto e por hora, os times são limitados para 3 pessoas, com um total de 20 esquadrões no mapa. Utilizando a matemática básica, cada partida engloba 60 jogadores por vez. E, claro, os times devem batalhar entre si e o grupo sobrevivente vence.  

Nada muito diferente do que já estamos acostumados. Então, qual o diferencial?

INDIVIDUALIDADE

Semelhantes aos vistos em Overwatch, cada personagem, ou lenda como é intitulado em Apex, possui suas próprias particularidades, que, inclusive, vão além de seus poderes, pois compreendem também as suas personalidades. Ou seja, cada qual das 8 lendas são distintos, e casando este fator com o magnífico trabalho na dublagem, a identificação com eles é quase inevitável. As opções podem soar limitadas com o número restrito, mas as lendas vão do debochado ao lobo solitário. E tratando-se de habilidades, são as mais variadas possíveis: portais, hologramas, escudos, ganchos, armadilhas e etc.

Outra característica semelhante ao Overwatch são as classes: ofensivo, defensivo e suporte. Somando isto as habilidades, um grupo estratégico nasce. Com isso em mãos, é possível elaborar e montar formas de ataque, defesa, investida, armadilha e o que mais for necessário para vencer a rodada. Uma riqueza inestimável que torna o título ainda mais divertido.

Além disso, Apex fornece um controle, de fato, ao jogador, pois muita das vezes, tratando-se de Battle Royale, a sorte é quase sempre a diretriz de uma partida. Neste caso, tendo as habilidades em mãos, com um time pré-determinado (às vezes), algumas das várias ações do jogo podem ser premeditadas pelos jogadores e a sorte torna-se apenas uma aliada.  

JOGABILIDADE INTUITIVA

Quanto a sua experiência de jogabilidade, Apex Legends é o jogo mais intuitivo entre os Battle Royales existentes. É muito mais simples de navegar, comunicar-se com o time, gerenciar itens e realizar as demais ações necessárias em jogo. Os recursos audiovisuais estão bem posicionados e hierarquizados para que estes não causem incômodos indesejáveis para os jogadores. Pelo contrário, apenas facilitam o fluxo contínuo da partida.

Mas quais são esses recursos ou facilitadores do jogo?

Como Apex denomina, a Comunicação e Inventário Inteligentes são alguns dos seus diferenciais de destaque. E lá vem uma informação que todos vocês já sabem, mas vale salientar: É comum jogadores usarem o Head-Set para comunicar-se com os demais colegas de equipe, aliás, uma boa comunicação favorece a construção de estratégias e facilita a coordenação e cooperação do grupo em tempo real. Contudo, nem todos o possuem ou o utilizam, aliás, a toxicidade da comunidade gamer também não colabora para que mais pessoas dialoguem enquanto jogam.

Mas para contornar este problema, comandos básicos estão disponíveis em Apex. Na verdade com um simples botão é possível destacar diferentes pontos de interesse, como: inimigos, equipamentos, caixa de itens, locais para serem explorados e etc.

Já o Inventário Inteligente é mais sutil e talvez muitos não o notem, contudo, ainda que este seja o caso, ele, de uma maneira ou de outra, é o grande responsável por tirar um grande peso de nossas costas.

Como sabemos, em meio de uma batalha, não há muito tempo para se perder analisando itens. Um piscar de olhos às vezes é tudo que separa uma derrota de uma vitória. Para esta adversidade, o sistema vem para facilitar e agilizar o gerenciamento de itens. Em primeira instância, e a mais notória e comum, têm-se o conjunto de cores, que indica o nível das armas e itens, que são: comuns (cinza), raras (azul), épicas (roxo) e lendárias (amarelo). As munições também seguem um modelo parecido, as laranjas indicam munição leve; vermelho, projéteis de espingardas; verde, projéteis pesados; e amarelo, balas energéticas. De início é confuso, mas logo o jogador sistematiza essas informações e tudo se torna natural e intuitivo.

Além da sistematização de cores, o Inventário Inteligente possui outra função. Todas as armas possuem espaços para inserir peças, estas que oferecerão melhorias, como auxílio de mira, diminuição do recuo, aumento da capacidade de munição e por aí vai. Algumas são específicas para alguns tipos de armas, como rifles e espingardas, outras servem para todos os 20 armamentos existentes. No geral, oferecem vantagens e, assim, extremamente necessárias.

Assim como todos os demais itens, elas estão espalhadas por todo o mapa, e são bem fáceis de serem encontradas na verdade. Mas, como dito, não há muito tempo de gerenciamento ou análise. Diante deste impasse, o jogo dá pequenas dicas e corta um longo tempo de manuseio de itens. Mas como?

Simples, de frente a um item recém-encontrado, o inventário aponta se você já possui um modelo igual, ou se este é melhor ou pior do item que você já possui. Em outro caso, indica quais peças servem nas armas que você manuseia, e caso não sirvam, aponta para quais ela serve. E caso você possua algum item no seu inventário que você não pode usar com o seu armamento atual, adivinha? Ele também indica. As vantagens são muitas e facilidade de controle também.  

VEREDITO

Como visto, utilizando os meios próprios do design, que muitos renegam, Apex se encarrega de símbolos de fácil absorção e entendimento; mensagens pontuais e exibidas em momentos oportunos, sem sobrecarregar a tela ou poluí-la; sistema de cores simples e concisos, que também são adaptáveis para pessoas daltônicas; e controles e mecânicas inteligentes e intuitivas.

Com este emaranhado de aperitivos, Apex Legends, ainda que colecionado um pedaço de cada jogo no menu, o que o faz abster-se do fator original, resgata um amontoado de novidades que não imaginávamos ser ainda possível.

No mais, a estratégia, a intuição e a individualidade são as chaves do seu diferencial e sucesso. Não que os outros amigos do gênero não o possuam, mas o novo Battle Royale destoa dos demais com uma qualidade refinada, elevando, assim, o gênero a um novo patamar.