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Críticas

Crítica | A Freira

Mudança de Hábito: derivado de Invocação do Mal é susto demais e miolo de menos

Pra quem não acompanha a franquia Invocação do Mal, A Freira (The Nun, 2018) não deve passar de uma experiência frívola de cinema de gênero. Vamo lá: uma freira demoníaca num mosteiro sinistro nos confins da Romênia. O que esperar de um filme que usa ícones tão fáceis para assustar o público? Não muito, né? Pelo menos, uns bons sustos.

Agora, pra quem esperava muito esse spin-off, aí talvez o filme deixe a desejar mesmo, já que o roteiro parece uma desculpa esfarrapenta pra ligar um sem-número de sustos gratuitos e argumentos que surgem e se vão sem muito fundamento. Mas, de novo, livre da pressão da expectativa, A Freira não é de todo ruim. Um passatempo bobinho, com seu grau de diversão, mas que não deve permanecer na memória por mais que seus 96 minutos.

O roteiro de Gary Dauberman, baseado na história de James Wan, apresenta a premissa com um flashback que contextualiza a retranca da freira e um pequeno prólogo que já prepara o público para a dinâmica que toma o filme inteiro: escuridão labirítinca e jumpscares. Além disso, o fato de se passar nos anos 50 e aparentemente não se levar muito a sério, lembra qualquer clássico de filmes B americanos. Vai vendo…

Uma freira comete suicídio, o que mobiliza o Vaticano a enviar o Padre Burke e a noviça Irene (os dois são ótimos: Demián Bichir e Taissa Farmiga) para investigar as recorrentes suspeitas de que a abadia está dominada por forças ocultas e capirotescas. Groselha pura. Mas lá as manifestações do Sete-Peles se mostram tão divertidas quanto triviais e isso faz o filme diminuir em relevância, mas funciona nem que seja pra se divertir com os gritos da plateia no cinema (na minha sessão uma menina simplesmente caiu da poltrona).

Soma a esse time bem Scooby-Doo, o brejeiro Frenchie (Jonas Bloquet), ocupando o posto de ‘figura do novato’ e rendendo um alívio cômico quase sempre sobressalente, já que o que vem depois do susto, automaticamente, é o riso. Mas tá lá ele cortejando a noviça, proibidaça dessas coisas mundanas. Um cara bonitão e cheio de graça, fazendo uma linha meio Indiana Jones da cripta. É um elemento curioso.

O diretor Corin Hardy filma bem as locações incríveis da Romênia, mas dentro da abadia ele só pode brincar com lençóis pendurados, reflexos no espelho, crucifixos e longos corredores com o cramunhão correndo ao fundo. Paciência.

A Freira é aquele filme que seu amigo lhe pergunta “E aí? É bom?” e você responde meio sem graça “… é bacaninha”.  É bacaninha!

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