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Conheça melhor os espetáculos de teatro indicados ao Prêmio Volts 2019

Indicados pelo público, espetáculos maranhenses são prestigiados no Prêmio Volts

Qual a última vez que você visitou um teatro?

O ofício teatral está em alta em São Luís em 2019, repleto de espetáculos animados e emocionantes nos palcos. E muitos deles foram lembrados pelo público do site que escolheu os indicados no Prêmio Volts.

O Prêmio Volts, que iniciou sua segunda fase de votação no dia 28 de outubro e vai até o dia 28 de novembro, teve mais de 34.187 votos populares que definiram as 20 categorias para a fase final da premiação. Entre elas, a categoria Espetáculo de Teatro apresenta musicais maranhenses que emocionam e tocam com histórias para relembrar ou conhecer, mas todas apresentadas de formas encantadoras e profissionais, com espetáculos estudados e muito bem formados.

Não a toa com espaço na grande premiação Volts.

Vamos dar uma olhada nesses grandes musicais?

High School Musical Brasil

O filme High School Musical foi um grande sucesso da Disney, encantando inúmeras crianças e adolescentes. Pensando nisso a Diretora Executiva Leda Lima teve a ideia de apresentar uma versão maranhense do musical, que se tornou a primeira adaptação brasileira, levando cerca de 7 meses de preparação. Foi uma intensa pesquisa até que Leda apontou que não apenas no Marnahão mas no Brasil não havia adaptação do grande sucesso da Disney.

Esse ano, em sua segunda temporada, o show apresentado no Odilo Costa Filho, conta com 27 pessoas no elenco, com coreografia da paulista Carol Marcondes, que trabalhou na Broadway. Todos os atores, em sua maioria na faixa etária infanto-juvenil, que participaram da audição conseguiram espaço no espetáculo, seja no corpo de balé ou no coro.

Cadê a herança?

Muito humor no palco do Teatro Arthur Azevedo com o espetáculo musical ‘Cadê a Herança’ que abre a programação da 14ª Semana de Teatro no Maranhão.

A comédia conta a história de João Carlos, Denise, Arnaldo e Rosa, quatro irmãos que não se veem há 15 anos, mas por conta do falecimento do pai precisam se encontrar para descobrir a herança deixada por ele, apresentada por Vanda, a advogada e porta-voz dos últimos desejos do pai. O encontro traz a tona diversas questões familiares com situação tensas e hilárias, revelando marcas e traumas de cada filho.

Grandes sucessos de Rita Lee, Elis Regina e Roberto Carlos executadas com banda ao vivo dão vida a esse cenário musical com texto autoral da EnCanto Coletivo Cultural que estreou ainda esse ano

João do vale – O Musical: Um gênio improvável

O maior nome da música maranhense do século XX recebeu sua homenagem em forma de musical no Teatro Arthur Azevedo e Alcione Nazaré. ‘João do Vale: Um gênio improvável’ fez tanto sucesso que recebeu uma turnê nacional percorrendo os caminhos traçados na canção “De Teresina à São Luís”. Agora em 2019, de volta à ilha do amor, o espetáculo apresenta a vida de João desde seu nascimento em 1934 ao seu falecimento de uma forma carinhosa e de fácil entendimento ao público. Regado por uma pesquisa musical que banha o show com elementos da cultura popular maranhense do baião ao samba, com músicas como Estrela Miúda, Opinião e Carcará, o objetivo do espetáculo é incentivar a cultura por cerca de duas horas de espetáculo e depoimentos de grandes nomes da música brasileira sobre o compositor que fez o nome da música maranhense no século XX. Luís Júnior, diretor musical, deixa bem claro o sucesso do espetáculo. “Está sendo apresentado a alma do Maranhão, a alma do povo nordestino, as pessoas se identificam com isso. Uma emoção excelente.”

Mas não apenas desses espetáculos se faz o teatro maranhense. Outras categorias no Prêmio Volts apresentam os atores e atrizes de teatro esse ano.

Com grandes nomes concorrendo como Al Danuzio e Nicole Meireles do espetáculo João do Vale – o Musical, assim como Bricia Queiroz de Cadê a Herança? Já citados aqui, temos também Lucas Diniz, Samuel Rebouças e Annera Mourato dos espetáculos Quase, Cazuza Exagerado e O Auto da Compadecida, respectivamente.

E você, já prestigiou o teatro esse ano? Algum espetáculo favorito? Conta pra gente votando AQUI no prêmio.

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Música

O que esperar de ‘The New Abnormal’, novo álbum dos The Strokes

Com uma discografia controversa, The Strokes se prepara para fazer seu retorno após quatro anos.

Na terça-feira (11) passada, a banda de indie-rock The Strokes divulgou o primeiro single da nova era, ‘At The Door’. A canção veio logo após a banda protagonizar um momento icônico em um show realizado no começo da semana anterior em New Hampshire, EUA. Ao notar que a polícia havia subido ao palco e estava pronta para barrar a apresentação, Julian Casablancas, vocalista da banda, convocou o público para ocupar o palco durante a música ‘New York City Cops’, canção que ironiza a polícia novaiorquina.

Voltando em grande estilo, os The Strokes também divulgaram o nome do seu sexto disco de inéditas, que se chamará ‘The New Abnormal’, e com previsão de lançamento para 10 de abril. Os fãs foram pegos de surpresa. O último trabalho do quinteto foi o elogiado EP ‘Future Present Past’ (2016). Mas o que os precursores do indie-rock vão trazer ao público após quatros anos sem entregar material novo?

Sonoridade retrô?

Desde o primeiro álbum, a banda formada por Julian Casablancas (voz); Albert Hammond Jr (guitarra); Nick Valensi (guitarra); Nikolai Fraiture (baixo); e o brasileiro Fabrizio Moretti (Bateria); pincela suas canções com sintetizadores tão característicos da new wave e dialoga com o legado sonoro deixado por bandas como The Velvet Underground. Contudo, eles sempre se propuseram a dar um acabamento mais moderno e orgânico ao seus trabalhos, os riffs entrecruzados dos dois guitarristas da banda é um bom exemplo.  

Mas isso parece se reverter logo nos minutos iniciais do novo single. Em ‘At The Door’, os sintetizadores são explorados de forma mais destacada, abrindo a canção com uma camada sintética robusta, que facilmente lembra os jogos de Atari, console de video-game famoso dos anos 1980. E a faixa vai se tornando num verdadeiro experimento imersivo, seja pelos vocais distorcidos ou pelos riffs de guitarra que despontam de forma singela durante a audição, criando uma sonoridade sutilmente atmosférica.       

Somado a isso, a banda entregou, no mesmo dia em que divulgou o single, o videoclipe para faixa. A produção é uma animação psicodélica recheada de cenários e personagens coloridos. O clipe dirigido por Mike Burkarof resgata os traços clássicos de animações oitentistas como He-Man e Thundercats.     

Será que vai dá ruim?

Por outro lado, quando os The Strokes se propuseram a inserir recursos eletrônicos em seus registros e trabalhá-los de forma mais destacada, a crítica e o público não gostaram nenhum pouco da proposta. Conhecidos pela rebeldia e as influência do pós-punk, logo quando surgiram, os Strokes foram aclamados por diversos veículos especializados em música, que os consideraram como a “salvação do rock”. O público também os adotou, dando origem a uma tribo um tanto peculiar no cenário musical: os indies.

Após entregar dois ótimos álbuns, consolidando a banda no topo da música alternativa dos anos 2000, ‘Angles’ (2011), quinto disco de estúdio da banda, reafirmou uma sensação já pressentida por muitos desde o trabalho que o antecedeu. O quinteto que revolucionou o rock na virada do século 21 estava se perdendo em meio ao seu processo criativo. Faixas que soavam como descarte de antigos trabalhos e o flerte com o synthpop deixaram a banda dividida entre uma aparente incapacidade inventiva e um errôneo desbravamento por territórios desconhecidos. O disco foi taxado como uma extensão do primeiro trabalho solo de Julian Casablancas, que também explorou a música eletrônica em seu registro. Enquanto poucos aprovaram a nova fase, mas ainda sim se propuseram a acompanhá-los, a maioria exigia pelo o espírito dos The Strokes presente nos dois primeiros registros.

Mas os donos de hits como ‘Last Nite’ conseguiram contornar os deslizes cometidos no álbum seguinte. ‘Comewdown Machine’ (2013) foi um registro para agradar gregos e troianos, graças a gradativa transição entre a agressividade de outrora com o imergir nas novas experimentações. Mas ainda que tenha uma estrutura coesa, o álbum não foi tão bem recebido pelos fãs veteranos. A repentina ascensão dos Strokes que, infelizmente, se encaminhou para uma estagnação musicalmente desde o seu terceiro álbum, deu vida a uma leva de fãs saudosistas, presos a crença de que tudo o que os norte-americanos poderiam entregar ficou em ‘Is This It’ (2001), primeiro álbum da banda.  

‘The New Abnormal’

Como já apresentado pelo primeiro single desta era, os veteranos não devem retornar a sonoridade que tanto lhe garantiram sucesso e influenciaram bandas que surgiram logo em seguida, como os Arctic Monkeys e os The Killers. O sexto álbum da banda deve empoeirar ainda mais o seu som e contorná-lo por sintetizadores oitentistas, mas, claro, sem deixar que as famosas guitarras de Albert Hammond Jr e Nick Valensi brilhem no novo catálogo de canções. E os brasileiros devem sentir o gostinho do novo material antecipadamente, afinal, a banda é uma das headliners do Lollapaloza 2020, que ocorre nos dias 3,4 e 5 de abril.

‘The New Abnormal’ será lançado em 10/4 via Cult Records. Confira a tracklist do álbum:

01 The Adults Are Talking
02 Selfless
03 Brooklyn Bridge To Chorus
04 Bad Decisions
05 Eternal Summer
06 At The Door
07 Why Are Sunday’s So Depressing
08 Not The Same Anymore
09 Ode To The Mets

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Continuação do Live-action de Aladdin tem confirmação

Por grande bilheteria, live-action de Aladdin ganhará continuação com história original

Dirigido por Guy Ritchie, o live-action de Aladdin que estreou em 2019, conta a mesma história já conhecida na animação de 1992 da Disney sobre o famoso ladrão da cidade Agrabah, um “diamante bruto” que encontra uma lâmpada mágica, e com um gênio, usa seus poderes para conquistar o coração de uma princesa.

Mesmo usando uma fórmula igual, o filme em live-action foi sucesso em bilheterias, arrecadando US$ 1,05 bi no mundo todo.

Por conta do grande público, a Disney aposta na sequência do longa.

Em agosto de 2019, um dos produtores do remake de Aladdin afirmou que a Disney estava cogitando na hipótese de uma sequência para o filme. Agora, em 2020, a Variety afirma que os produtores passaram os últimos seis meses trabalhando em uma continuação, que trará uma nova ideia, ao invés de adaptar as sequências animadas originais, como Aladdin and the King of Thieves (BR: Aladdin e os 40 ladrões) de 1996, que apresenta Cassim o pai de Aladdin ou o Retorno de Jafar de 1994 que traz o vilão de volta as animações.

A intenção da produtora é criar um novo longa escrito pelos roteiristas John Gatins, desenvolvedor de Gigantes de Aço (2011) e Andrea Berloff, roteirista de Rainhas do Crime (2019).

O The Hollywood Reporter afirma que o longa já está em desenvolvimento inicial e será uma continuação direta do primeiro. Embora ainda sem sinopse confirmada, a THR afirma que os produtores e o estúdio estão buscando inspirações em histórias originais do Oriente Médio, como Mil e Uma Noites, Ali Baba e os quarenta ladrões, entre outros, para uma história completamente inédita, como afirma o produtor Dan Lin em entrevista ao ComicBook:

Se eu contar o que estamos pensando, os fãs ficarão malucos. É muito cedo para revelar, mas saiba que estamos procurando materiais bem diversos para adaptar, e o filme não será baseado em apenas uma fonte, vamos pegar o melhor de cada coisa que já foi feita e criar algo completamente novo”, disse o produtor.

Essa será a quarta adaptação em live-action da Disney recente que recebe uma sequência: Antes, Alice no País das Maravilhas, Malévola e Mogli, sendo o último ainda não lançado e será dirigido por Jon Favreau.

Há rumores sobre um filme focado no Gênio, personagem de grande importância e favorito de muitos fãs. Também há rumores sobre um spinoff estrelado pelo Príncipe Anders, que seria lançado diretamente no Disney+. Talvez o novo longa tenha um pouco desses rumores em seu desenvolvimento.

Não há certeza se o diretor Guy Ritchie estará de volta, mas os produtores do novo longa pretendem trazer de volta as telas grandes estrelas como Will Smith (Gênio), Naomi Scott (Jasmine) e Mena Massoud (Aladdin). As negociações com elenco só terão início após o roteiro finalizado.

No momento ainda não há previsão para a estréia nos cinemas.

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Coluna Tayna Abreu

Review | Livros de Janeiro de 2020

Obras de Philip Pullman e N.K. Jemisin estão entre os livros comentados

Nesta coluna mensal, eu, Tayna Abreu, venho falar com vocês sobre livros! Ensaiamos aqui no Volts algumas reviews de livros que foram bem aceitas (obrigada!), assim, entendemos que poderíamos expandir essa editoria como uma coluna, pessoal e com texto leve, mas – pretendemos – sempre informativo.

Meus hábitos de leitura talvez precisem ser explicados: em 90% do tempo leio livros em inglês, de ficção especulativa – em sua maioria Fantasy e SciFi -, e de ficção literária alguns premiados ou indicados a prêmios como o Booker Prize, Women’s Booker Prize e Pulitzer Prize. Clássicos Vitorianos também são recorrentes.

Talvez deva pedir perdão de antemão por não ler, quase nunca, autores brasileiros? Perdão.

Mas se este é também o seu estilo de leitura, ou quer se aventurar nele, vem comigo!

THE SECRET COMMONWEALTH, Philip Pullman

No segundo volume da trilogia The Book of Dust, companheira de His Dark Materials, Philip Pullman resgata o caráter de confronto existente na história de Lyra Belacqua/Silvertongue.

A primeira parte de The Secret Commonwealth é despida de magia, sendo os daemons o único elemento fantástico presente, mas fantástico apenas pro leitor. Lyra e Pan estão às rusgas e se apartam após as complicações com ele testemunhar um assassinato.

Lyra, agora uma moça, estudante universitária, se entregou ao pensamento e estilo de vida racionais graças à sua frustração em ter vivido a maior aventura da vida ainda criança e o contato com dois pensadores que questionam, ainda que sem muito resultado prático, a existência de daemons e do sobrenatural.

Pantalaimon, por si próprio um ser de fora do mundo material, mas que se materializa nele, fica indignado com a perda da imaginação de sua companheira.

Os problemas de Lyra e Pan são uma mímica do conflito interno de Lyra, presa no dia a dia da faculdade após ter cruzado mundos, lutado ao lado de bruxas e ursos, e descido até o reino dos mortos, sem falar na traumatizante separação física entre os dois, que são uma só pessoa.

Novos seres mágicos aparecem na segunda parte do livro, quando a aventura finalmente é desencadeada. Ma Costa, Farder Coram, Malcolm e seus pais, Alice e a Dra. Hanna, todos personagens de La Belle Sauvage voltam a aparecer. O jovem professor é peça chave mais uma vez, sendo o elo entre os dois livros, que estão separados por 20 anos. Há ainda uma nova leva de personagens com vários níveis de relação com Lyra ou o Pó.

A Comunidade Secreta do título fala sobre a miríade de seres mágicos que permeiam o imaginário de crianças e contadores de histórias fantásticas. É o próprio gênero da Literatura Fantástica onde os livros de Pullman encontram guarita. Essa comunidade se encontra ameaçada pela ascensão do fascismo, se esgueirando por entre as fileiras da Igreja, e ameaçando não apenas a liberdade de pensamento, mas a própria existência de populações migrantes.

Pullman, mais uma vez, não se acanha em falar dos problemas do mundo real usando Lyra e cia como janelas. Seus personagens agora viajam até a Ásia Central, e os leitores ganham de presente todo um novo mundo de cultura, costumes e folclore.

The Secret Commonwealth lembra ainda que os problemas de Lyra com o todo poderoso Magisterium não foram resolvidos na primeira trilogia, e a explicação simples, se desenrola em um muito familiar conflito entre instituições acadêmicas e o lobby daqueles que defendem a perseguição ao livre pensamento.

Encantador para todos os fãs da trilogia original. Como é bom ter Lyra e Pantalaimon de volta!

THE COLLECTORS, Philip Pullman

Mais um no mundo de His Dark Materials. Desta vez um conto bem curto sobre dois colecionadores de arte que conversam em uma sala em uma universidade (claro, pois HDM). Aqui, Philip Pullman explora o mistério de um quadro e uma escultura que não se largam, mesmo às custas das vidas de compradores e colecionadores.

O conto busca mostrar como as idas e vindas entre os mundos, precisamente o mundo de Lyra e um outro muito parecido com o nosso, deixa consequências e pistas sobre a natureza do multiverso.

Vale muito a pena para leitores de His Dark Materials como um complemento, assim como os outros contos Once Upon a Time in the North e Lyra’s Oxford. Infelizmente está disponível apenas em formato digital e em inglês, já que foi primeiramente escrito para audiobook.

THE KINGDOM OF GODS, N.K. Jemisin

De todos os livros de N.K. Jemisin que já li, The Kingdom of Gods foi o que mais demorou, por vários motivos, nem todos relacionados à obra da americana. Esse é o terceiro volume da The Inheritance Trilogy, onde Jemisin coloca deuses e humanos para brigar, amar e disputar poder sobre a terra.

Como os dois volumes anteriores, a história foca na relação dos deuses, agora ex-escravos, e seus antigos captores, o clã Arameri, que detém o poder sobre os mil reinos que fazem o mundo.

Aqui é Sieth, o mais jovem dos mais antigos deuses (sim, é isso), quem toma de conta da narração. Mais uma vez a autora questiona o ideal de divindade, relações de poder entre dominadores e dominados, relações familiares estranhas chegando, finalmente, a queda de uma dinastia de milhares de anos.

A falta de lapidação é perdoável se levado em consideração que esta é a primeira trilogia daquela que viria a escrever The Broken Earth e ganhar três Hugo Awards consecutivos por esse trabalho. Jemisin já dava em Inheritance sinais que iria sacudir as fundações do SFF e muitas das ideias presentes são possíveis de reconhecer em seus trabalhos mais recentes.

Ainda há uma novela no mesmo mundo, The Awakened Kingdom, com uma narração intragável de um deus recém nascido, e Shades in Shadow, uma coleção com três contos no mesmo mundo. Me recusei a terminar a novela, não quero estragar Jemisin em meu coração, e nos contos ainda não pus os olhos.

MINHA IRMÃ, A SERIAL KILLER, Oyinkan Braithwaite

Um dos livros mais comentados de 2019, Minha Irmã, a Serial Killer (My Sister The Serial Killer, longlisted do Man Booker Prize 2019) é uma comédia de humor sombrio – e o debut da nigeriana Oyinkan Braithwaite – sobre duas irmãs em Lagos: Korede e Ayoola. A mais velha é uma enfermeira meticulosa, em vias de ser promovida à chefia do corpo de enfermagem do hospital; e a mais nova é a querida de todos, amigável, sedutora, mas também serial killer. Ayola mata os namorados enquanto Korede limpa as cenas dos crimes.

MYSTSK recorre fortemente à trope das irmãs diferentes onde sempre a mais séria e reclusa é quem narra a história onde o agente de transformações é a sua complementar. E claro, à do o crush que se apaixona por sua irmã mais interessante e vê em você apenas uma amiga.

A história lida com traumas da infância, violência doméstica, a cumplicidade entre irmãs, enquanto investiga e subverte as dinâmicas de poder entre homens e mulheres. É bem curto e de leitura fácil e cativante, apesar do tema pesado. É possível pensar que o livro é um thriller, que há uma investigação policial dos assassinatos, mas longe disso. Já se sabe quem é o autor dos crimes quando a história abre e nunca a narrativa se demora nos pormenores desse ato.

Todas as cenas onde alguém morre são distantes, como que sendo gradativamente apagadas pelo arsenal de limpeza e olho clínico de Korede. Posteriormente ela se lembra dos mortos, mas quase nunca do grotesco de suas mortes.

REBECCA, Daphne du Maurier

Um clássico que mímica os romances góticos, conta a história de uma jovem inexperiente que casa com um homem de meia idade de forma súbita em uma viagem e vai morar com ela na casa ancestral da família em Cornwall, na zona rural da Inglaterra.

Lá ela começa a ser assombrada pela lembrança da primeira esposa, Rebecca, que aparentemente era perfeita. Não há nada que a narradora sem nome faça que chegue aos pés da antiga senhora de Winter, ao ponto de ela simplesmente nem tentar imprimir suas vontades no governar da casa.

A narrativa é brilhante e consegue comprimir toda a insegurança e desejos reprimidos da nova esposa. É possível sentir o que ela sente, às vezes por páginas e páginas de divagações e perceber que Rebecca é parte intrínseca de Manderly, a casa ancestral dos de Winter, e como essa presença sufoca a narradora e alimenta o ódio da governanta sobre sua nova senhora.

O final é maravilhoso, apesar do twist ser bem óbvio, a forma como é feito e as ramificações dele são excelentes.

THE WELL-FAVORED MAN, Elizabeth Willey

O primeiro volume da Kingdom of Argylle Trilogy, uma saga barroca que mescla modernidade, medievo e lendas gregas em uma salada que por vezes torna difícil colocar foco em que cenário conceber enquanto a trama se desenvolve.

The Well-Favored Man é narrado pelo jovem cabeça da família de semi-imortais que governa a província independente de Argylle, que já fez parte de um reino maior, em um mundo que é o nosso, bem diferente, mas não menos o nosso. Há dragões sentientes e grifos gigantes, a consciência de Typhon, o pai de todos os monstros na mitologia grega, mas também há engenharia genética e inteligência artificial usada como arma de guerra.

Até agora, depois de 411 páginas ainda não sei o ao certo o que é ou de onde veio a Spring/Manancial – que parece ser a fonte de poder da família dominante -, não sei como funcionam as Chaves e tenho apenas uma ideia geral de como funcionam os Caminhos. Céus, ainda não sei como uma das personagens veio a existir, se ela nasceu de chocadeira, por exemplo!

Há muito no pacote, é um cenário ambicioso que talvez se desenvolva melhor nos livros seguintes – que são prequels -, mas que carece de uma maior delimitação e mesmo explicação básica de como funciona o mundo e seu sistema de magia.

Mas, veja bem, pode ser apenas meu intelecto limitado que me impossibilitou de acompanhar direito a saga do Well-Favored Man. Em todo caso, os livros são dos anos 1990 e Willey nunca mais escreveu nada.

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