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Como os lançamentos LGBTQ+ conquistaram protagonismo na música maranhense

Alinhados com momento do mercado, artistas estão empenhados em ser ouvidos.

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Desde que o Volts Charts foi lançado, em janeiro de 2017, os lançamentos LGBTQ+ sempre estiveram presentes no ranking das mais populares no Maranhão. Preferência dos editores? Não. Coincidência? Menos ainda. Marketing bem feito? Sim, e explico o porquê.

No regulamento público do Volts Charts está expresso, de forma clara, que o objetivo da parada musical é valorizar e fomentar o mercado de música no Maranhão. Não entram aqui preferências pessoais ou favorecimento de quaisquer lançamentos. É política do Volts não estar em panelinhas ou fazer conchavos em quaisquer dos ambientes que o veículo trafegue.

No entanto, em mais de um ano de Volts Charts, é merecido o destaque aos representantes da música LGBTQ+ neste ranking que utiliza o Spotify, principal plataforma de distribuição de artistas profissionais na atualidade, como parâmetro para métricas. Depois de mais de 60 semanas rankeando os mais ouvidos, é possível cravar, agora, que os bons resultados desse segmento são frutos de um trabalho de marketing que deveria servir de exemplo a muitos colegas de profissão (se o interesse for ser escutado, claro).

Para o lançamento de B.O.Y, em 2017, a dupla Butantan e Only Fuego jogou pesado para tornar a música um sucesso: deram entrevistas em todos os lugares, inclusive em um evento do Volts com plateia no shopping, gravaram videoclipe, fizeram festa de lançamento, conseguiram a “benção” de Pabllo Vittar e, quando nos demos conta, lá estavam eles se apresentando na maior parada LGBTQ+ em São Paulo e passando até em canais como MTV Brasil e Multishow, canal jovem da Globo.

Pouco tempo depois, Frimes lançou o sucesso ‘Fadinha‘, que já trilhava o caminho da popularidade mesmo antes do fatídico clipe. Quando foi lançado, então, o apelo sexual do trabalho foi demais para o YouTube. A alegria da festa de lançamento logo foi sobreposta pela tristeza de ter sido derrubado pelo YouTube por “violar políticas da plataforma”.

O caso ganhou repercussão em sites especializados de todo país e deu ainda mais força à drag queen. De lá para cá, além de ser um dos clipes maranhenses mais vistos da história, caminhando para as 500 mil visualizações, Frimes já foi até mencionada pela estrela britânica Charli XCX como um dos “futuros do pop”.

Entre os recentes lançamentos, vale destacar o “Juçara”, de Enme Paixão. Para estrear a música, toda um esquema foi montado onde até a capa do novo trabalho vira recurso para mobilizar atenção do público – um método já popular entre os artistas. Soma-se ao conteúdo exclusivo liberado no Volts, estratégias de engajamento nas redes sociais, exposição na mídia tradicional e assim Enme emplaca mais um trabalho competitivo que já é sucesso nos Charts.

Esses foram só três exemplos de um segmento que ganha cada vez mais prestígio e que conquistou o protagonismo de todo um cenário musical por conseguir produzir boa música e, mais que isso, botar em prática estratégias de marketing afinadas com a linguagem atual para posicionar bem os próprios lançamentos no mercado, onde já fazem toda diferença.

Assim como a maioria dos colegas de carreira, os artistas LGBTQ+ do Maranhão não possuem grandes empresários por trás de cada projeto e, muitos, sequer conseguem viver apenas de música. Mas o que falta em patrocínio, sobra em criatividade, inventividade e coragem para adaptar à nossa realidade o business que faz artistas como Ariana, Beyoncé, Anitta e tantas outras serem gigantes em seus trabalhos.

Os artistas de destaque daqui são aqueles que já entendem que não basta ser bom. Tem que saber fazer o show acontecer.

Não há nessa constatação a intenção de elevar um segmento como superior aos demais talentos da região, mas de reconhecer o trabalho de artistas que trazem para o centro de suas missões não só a tarefa de fazer música que toca a emoção, como trabalham profissionalmente para atingir os desejos de serem vistos, ouvidos e lembrados. Logo, numa matemática simples, figurar no Volts Charts não é coincidência. É mérito.