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Livros e HQ's

‘His Dark Materials’ ganha relevância com o pecado da Igreja

Saga destoa de seus pares ao confrontar o autoritarismo da Fé

Uma das mais repetidas anedotas da cultura pop é a de que Philip Pullman escreveu sua trilogia de aventura épica His Dark Materials (As Fronteiras do Universo) como uma provocação, ou resposta, às Crônicas de Nárnia, de C. S Lewis.

Pode ter sido, não há como negar que se em uma o poder celeste é a música que dá origem às coisas enquanto crianças lutam bravamente ao lado do Leão de Judá, na outra a Igreja e um anjo buscam controlar o cosmos com mão de ferro suprimindo todo direito de livre pensamento e práticas científicas consideras heréticas.

Mas para além da fé de seu compatriota, Pullman escreveu uma alegoria sobre o poder terrestre da Igreja (seja ela qual for) sobre as pessoas. Como bem aponta Andrew Liptak, do The Verge, As Fronteiras do Universo destoa das sagas mais recentes de histórias para jovens adultos, em se tratando de luta contra o autoritarismo, quando coloca a figura da Igreja, da Fé e, claro, do Deus da tradição judaico-cristã como esse assento de poder a ser derrubado.

Uma adaptação da saga já feita para o cinema deixou de lado apenas isso, o nervo central da trama do britânico, ao distanciar o Magisterium da Autoridade, da Igreja, por uma pressão de comunidades tradicionais cristãs nos Estados Unidos e no Reino Unido. Amargando em crítica e bilheteria, o que seria uma franquia cinematográfica jamais viu a luz do dia novamente.

BBC – Reprodução

Agora a empreitada da BBC e da HBO (que entra como produtora na segunda temporada) trará para a TV a saga de Lyra Belacqua contra o Magisterium, pontualmente em meio à uma litania de escândalos de violência sexual dentro da Igreja Católica e de várias congregações protestantes evangélicas por todo o Ocidente.

Enquanto inocentes sangram nas garras de padres e pastores que nada tem de santos, uma menina de 12 anos corre para impedir que seus amigos tenham a alma separada do corpo em um experimento traumático da Igreja com crianças, pelo menos na TV.

É pesaroso o quão relevante a obra de Philip Pullman se torna com o passar o tempo e com o aumento do escrutínio sobre os pecados em solo sagrado. Não é atoa que sua trilogia figura na lista dos 100 livros mais banidos nos Estados Unidos, segundo a The American Library Association, entre 2000 e 2009, junto com Harry Potter, por exemplo. Se serve de aviso, leia enquanto não é proibido no Brasil.

Tayna Abreu – Site Volts

His Dark Materials, a série de TV, ganhou, aliás, o seu primeiro teaser neste domingo, mostrando Dafne Keen como a protagonista Lyra, James McAvoy como seu tio Lord Asriel, Ruth Wilson como a Senhora Coulter, Lin-Manuel Miranda como o aeronalta Lee Scoresby e Clarke Peters como Dr Carne.

No teaser é possível ver um dos principais artifícios da história, o aletiômetro, enquanto outro igualmente importante ficou estranhamente de fora: não há um dæmon sequer nas imagens, o que só pode significar que os efeitos especiais não ficaram prontos, uma vez que seria impossível Lyra sem o seu Pam ou Coulter sem o macaco dourado.

His Dark Materials estreia ainda este ano, com oito episódios cobrindo o primeiro livro da trilogia, A Bússola de Ouro. Os demais volumes, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar servirão para as próximas temporadas, assim como os outros contos do autor no mesmo universo.

Não há, ainda, planos para inserção na adaptação televisiva do material da nova trilogia da mesma saga, The Book of Dust, cujo primeiro volume, La Belle Sauvage, foi publicado em 2018.

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Destaque

Relação entre Margaret Atwood e série The Handmaid’s Tale é pura simbiose

Ao ler The Testaments, o novo livro de Margaret Atowood, onde a escritora volta a explorar o regime fundamentalista totalitário protestante de Gilead, após ter visto toda a terceira temporada de The Handmaid’s Tale, série do Hulu que adapta o romance homônimo publicado em 1985, torna-se perceptível que a mão da canadense ainda é tão presente na narrativa derivada já tão distante do original, quanto era na primeira temporada, com cenas retiradas do livro.

Mas Atwood e sua relação com The Handmaid’s Tale é algo de fresco na dança entre romancistas e as dramatizações de seus livros, precisamente quando se trata de ficção especulativa, indo muito além da ocasional participação especial. A escritora da liberdade e se inspira na obra derivada. É um ciclo completo como raras vezes se vê.

Em sua mais recente edição, a revista The Gentlewoman traz uma extensa entrevista com Margaret Atwood, que estampa a capa, onde são abordados inúmeros temas concernentes à vida e carreira da escritora octogenária. Em dois parágrafos há um isight sobre como se dá a relação simbiotica entre criador e criatura: Atwood orientou Bruce Miller,showrunner e principal roteirista de The Handmaid’s Tale, enquanto escrevia seu novo livro, e levou aspectos da série para dentro de seu novo testamento.

Diferente de quando uma obra derivada expande o texto, ou o surpassa, o trabalho foi simultâneo. Mas diferente de escritores mão de ferrro, Miller teve liberdade em explorar as linhas gerais que lhe foram dadas. Pelo menos na maior parte.

O nome de Nicole, segunda filha de June foi uma exigência inegociável de Atwood, assim como também a salvaguarda da vida de alguns personagens, não expecificados na entrevista. “Eu disse que tinha que ser Nicole”, certificou a escritora.

Atwood para The Gentlewoman, por Alasdair McLellan

Das telas, Atwood tomou grande inspiração na performace de Ann Dowd como Aunt Lydia para dar mais profundidade à personagem. É em grande parte pelo excelente trabalho de Dowd como a matriarca das Tias que Lydia ganhou um episódio com seu passado na tv e o poder de narradora em The Testaments. Para os leitores dos dois livros e expectadores da série, é possível perceber exatamente até onde vai a mão de Atwood e onde começa a liberdade de Miller. Um balanço perfeito, mesmo quem não concorda com interferências de autores em projetos derivados, como eu, deve concordar.

“Fui inspirada pela performace de Ann Dowd, que deu à Aunt Lydia mais dimensões que ela tinha no livro original”, contou Atwood. Dowd inclusive foi chamada para reprisar a personaem no  audiobook do novo romance profético. 

The Testaments foi lançado – com toda pompa de um prestigiado romance literário encontrando o frisson de uma saga popular – no último dia 10 de setembro, após um ferrenho esquema de segurança e confidencialidade para manter a surpresa, é um dos favoritos para ganhar o Booker Prize 2019 e já best-seller em todo o mundo.

Tayna Abreu é jornalista de entretenimento e também fala sobre ficção especulativa em seu IGTV @oftay_ 

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Destaque

Troféu HQMIX anuncia vencedores da 31ª edição

A 31ª edição do Troféu HQMIX divulgou a relação dos vencedores a serem premiados nas 35 categorias elencadas para o evento, que em 2019 celebra os 150 anos da primeira história em quadrinhos publicada no Brasil.

Em referência a data, o troféu deste ano é uma versão em 3D da personagem Nho Quim de Angelo Agostini, publicada em 30 de janeiro de 1969 na revista “Vida Fluminense”. A confecção ficou por conta do artista plástico Itamar Braga (processo 3D) em parceria com Wilson Iguti (reprodução).

O Troféu HQMIX premia os melhores trabalhos da área dos quadrinhos do ano anterior e para esta edição contou com um júri especializado e um júri nacional com mais de 2.000 profissionais.

Entre os premiados estão a obras: Cumbe, de Marcelo D’Salete (Veneta), como Destaque Internacional; Akira vol.02, de Katsuhiro Otomo (JBC) como Publicação de Clássico; e a editora Pipoca & Naquim como Editora do Ano. Outra supresa foi o empate na categoria Grande Contribuição do Ano, que contou com o Gibizão da Turma da Mônica (Panini e MSP) e a Coleção Grande Encontro – Turma da Mônica & Liga da Justiça (Panini, MSP e DC)

A cerimônia de premiação acontece no próximo dia 15 de setembro na comedoria do já consagrado Sesc Pompeia (São Paulo-SP), às 17h30, com apresentação do padrinho do evento, Sergio Groisman. A entrada é limitada e gratuita.

Troféu do 31º Prêmio HQMIX inspirado nos 150 anos do quadrinho nacional faz homenagem à personagem Nho Quim de Angelo Agostini. Foto: Divulgação/Troféu HQMIX)

Conheça todos os vencedores do 31° Troféu HQMIX:

  • Adaptação para os Quadrinhos
  • – A Revolução dos Bichos
  • Arte-finalista Nacional
  • – Wagner Willian (O Martírio de Joana Dark Side)
  • Colorista Nacional
  • – Mariane Gusmão (Desafiadores do Destino)
  • Desenhista Nacional
  • – Marcelo Lélis (Anuí)
  • Destaque Internacional
  • – Cumbe, de Marcelo D’Salete
  • Edição Especial Estrangeira
  • – Mort Cinder
  • Edição Especial Nacional
  • – Graphic MSP VOL.18 – Jeremias
  • Editora do Ano
  • – Pipoca & Nanquim
  • Evento
  • – CCXP Comic Con Experience
  • Exposição
  • – Quadrinhos – MIS
  • Livro Teórico
  • – Tradução de histórias em quadrinhos
  • Novo Talento – Desenhista
  • – Melissa Garabeli (Saudade)
  • Novo Talento – Roteirista
  • – Jéssica Groke (Me leve quando sair)
  • Produção para outras Linguagens
  • – Documentário do Humor – 45. Salão Internacional de Piracicaba
  • Publicação de Aventura/Terror/Fantasia
  • – Samurai Shiro
  • Publicação de Clássico
  • – Akira 2
  • Publicação de Humor
  • – Agente Sommos
  • Publicação de Tira
  • – Will Tirando nº 2
  • Publicação em Minissérie
  • – Greg – O contador de histórias
  • Publicação Independente de Autor
  • – Histórias Tristes e Piadas Ruins (Laura Athayde)
  • Publicação Independente de Grupo
  • – Orixás – Renascimento
  • Public. Independente Edição Única
  • – Os Últimos Dias do Xerife (Thiago Ossostortos)
  • Publicação Infantil
  • – Os diários de Amora
  • Publicação Juvenil
  • – Graphic MSP 18 Jeremias
  • Publicação Mix
  • – Gibi de Menininha
  • Roteirista Nacional
  • – Laudo Ferreira (O Santo Sangue)
  • Web Quadrinhos
  • – Bendita Cura
  • Web Tira
  • – Will Tirando
  • Projeto Editorial
  • – A Arte de Charlie Chan Hock Chye (Pipoca & Nanquim)
  • Projeto Gráfico
  • – Box Noites de Trevas – Metal x Sepultura (Panini)
  • Grande Contribuição do Ano
  • Empate:
  • – “Gibizão” da Turma da Mônica [Guinness World Records para A maior revista em quadrinhos publicada] (Panini e MSP)
  • – Coleção Grande Encontro Turma da Monica & Liga da Justiça (Panini, MSP e DC)
  • Homenagens
  • – Aline Lemos por Artistas Brasileiras
  • – Edra por Ao Mestre Com Carinho – Ziraldo 85 no traço de 85 talentosos Cartunistas (Melhoramentos)
  • Mestre dos Quadrinhos
  • – Carlos Edgard Herrero
  • TCC – Trabalho de Conclusão de Curso
  • – Cicero Henrique da Cruz Sampaio por Webcomics dos Átomos aos bits –
  • Mestrado
  • – Valter do Carmo Moreira por Batman e o Surrealismo: uma investigação das estratégias poéticas surrealista dentro do Asilo Arkham
  • Doutorado
  • – Eveline Coelho Cardoso por A escola no túnel do tempo: imaginários sociodiscursivos e efeitos de sentido em charges contemporâneas sobre a educação e ontem e de hoje
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Livros e HQ's

Confira as dicas do ‘Dia dos Apaixonados por Livros’ do Volts

Clássico vitoriano, romance checo e fantasy hypado? Temos!

Hoje, 9 de agosto, é Dia dos Apaixonados por Livros (Book Lover’s Day) e parte da equipe do Site Volts aproveitou para dar dicas de livros que estão lendo ou já leram e querem muito que você, isso você, conheça!

Tayna Abreu – The Picture of Dorian Gray

Foto: Tayna Abreu/Volts

Clássico vitoriano de Oscar Wilde, o livro conta a fantástica história do jovem aristocrata Dorian Gray e sua jornada e corrupção mundana que apenas é visível em seu retrato. Dorian flana durante anos e anos por uma Londres de prazeres ocultos, permanece sempre jovem como quando foi pintado, mas guarda um segredo macabro na alma e no sótão de sua mansão.

O romance é também um espelho da vida dupla de Wilde, que se descobriu homossexual e foi considerado degenerado pela sociedade da época, assim como o próprio livro que escreveu. Picture of Dorian Gray tem uma prosa deslumbrante e personagens adoravelmente odiáveis e cujos absurdos só a passagem dos séculos consegue perdoar.

Clássico é encontrado em português como O Retrato de Dorian Gray, em várias editoras.

Saylon Sousa – As Crônicas do Matador do Rei

Foto: Tayna Abreu/Volts

Trilogia de Fantasy escrita por Patrick Rothfuss que narra a história de ‘Kvothe’, lendário arcanista (Mago) e músico famoso. Ele conta sua história a um cronista em três dias. A narrativa se desenvolve em dois tempos diferentes: o presente na qual Kvothe conta sua história à Devan Lochees (Conhecido como O Cronista) e o passado de Kvothe (maior parte da narrativa).

Os dois primeiros volumes e uma novela à parte foram publicados e estão disponíveis no Brasi, pela Editora Arqueiro com tradução de Vera Robeiro.

Alessandra Medina – A insustentável leveza do ser

Publicado em 1984 pelo escritor checo Milan Kundera, o romance foi adaptado para o cinema pelo diretor Philip Kaufman sob o nome de The Unbearable Lightness of Being.

A história acontece em Praga e em Zurique, em 1968, e atravessa algumas décadas. Narra os amores e os desamores de quatro pessoas: Tomás, Teresa, Sabina e Franz. É permeada pela invasão russa à Tchecoslováquia e pelo clima de tensão política que pairava em Praga naqueles dias.

Disponível no Brasil pela Companhia das Letras em várias edições, algumas em capa dura e também de bolso.

Tayna Abreu é jornalista de entretenimento e também fala sobre ficção especulativa em seu IGTV @oftay_ 

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