Connect with us

Especiais

Como Anitta se tornou Anitta

Foto: Divulgação/Anitta

Não tem como não reparar que a Anitta que conhecemos hoje é bastante diferente da Anitta que o Brasil conheceu através do hit “Show das Poderosas”. Hoje empresária, empoderada, hitmaker, conhecida e reconhecida como um dos principais nomes musicais do país, a carioca carrega consigo uma história de pura quebra de barreiras que, hoje, vai além das fronteiras nacionais e pretende alcançar o maior número de territórios possíveis.

Apesar do que sugere o título, não é de interesse deste artigo detalhar, biograficamente, como Larissa de Macedo Machado foi uma moça pobre do subúrbio do Rio de Janeiro que viu uma oportunidade no funk para mudar de vida e realizar o sonho de ser uma estrela nacional. Por outro lado, é interessante observar como Anitta conduziu o próprio sucesso, usufruindo dos ônus e bônus trazidos pela fama repentina, de forma que isso a transformasse na artista que é hoje.

‘Meu Lugar’ e a conquista de espaço

Marcada pelo preconceito ao gênero que a revelou, Anitta, desde que começou a sentir na pele a discriminação, mostrou-se fortemente interessada em quebrar os rótulos que a menosprezavam como artista. Nas entrevistas, começou a explorar suas visões de mundo e tentou mostrar que não era vazia. No palco, diversificou o repertório, flertou com outros ritmos sem abandonar o gênero que a revelou.

Musicalmente, já na fase de projeção nacional, o lançamento de “Não Para”, primeira aposta após o estouro de “Show das Poderosas”, reforçou a intenção: ela veio para ficar. Em seguida, o primeiro passo para mostrar diversidade no trabalho como cantora: “Zen”, que chegou até a ser indicada ao Grammy Latino de Melhor Canção Brasileira. Logo depois, em 2014, veio a gravação do primeiro DVD, intitulado “Meu Lugar”. Não é preciso dizer mais nada sobre as insistência em mostrar para o que veio, né?

‘Ritmo Perfeito’ e a versatilidade

Apesar de ainda não estar em um terreno sólido, à essa altura, Anitta já tinha emplacado quatro músicas (incluindo “Meiga e Abusada”) entre as mais tocadas no Brasil. Isso não garantia o futuro, claro, mas era o suficiente para mostrar que o caso dela não era o de uma cantora de um sucesso só. O foco voltou-se para ampliar o alcance de seu trabalho e, naquele momento, o mais importante parecia mostrar versatilidade.

Na ordem de lançamentos, “Blá Blá Blá” trouxe uma batida pop para o repertório de Anitta, assim como “Cobertor”, em parceria com Projota, reforçou o lado romântico da carioca. “Na Batida” além de resgatar o funk, impulsionou o segundo álbum “Ritmo Perfeito”, marcado pelo repertório estrategicamente eclético em mais uma tentativa de mostrar a versatilidade de Anitta.

O objetivo foi alcançado? Em partes, sim. A desvantagem, nesse caso, é que Anitta não precisa superar apenas o esteriótipo criado em cima de sua imagem, mas também um profundo preconceito que ainda resiste contra o funk no Brasil. Como dessa causa ela não abre mão, vira e mexe ainda precisa provar que vai além do rótulo que lhe empurram. O programa “Música Boa” do canal pago Multishow, que apresentou entre 2016 e 2017, caiu como uma luva para ajudá-la nessa missão.

Nesse sentido, ninguém foi tão testado quanto ela. Qual cantor de sertanejo, pagode ou axé se colocou na fogueira para cantar novos ritmos e mostrar versatilidade para ser levado a sério?

O tiro certo de ‘Bang’

Desde que surgiu no cenário nacional, a carioca sempre fez questão de mostrar que não estava alheia ao processo de criação de “Anitta”. A cada entrevista que dava, ressaltava a própria participação nos ensaios, na escolha do repertório, da equipe, nas composições e na escolha das coreografias. Um bom jeito de mostrar-se como alguém de visão, era o embrião da empresária que se tornaria. Em meio a tudo isso, arrumou tempo para desligar-se dos antigos empresários e resolver ser dona de si.

O resultado disso foi o terceiro álbum intitulado “Bang”, que trouxe uma proposta mais ousada e acabou sendo um divisor de águas na própria carreira. O primeiro single dessa nova era, “Deixa Ele Sofrer”, mostrou renovação artística, trouxe uma nova melodia e conquistou os primeiros elogios internacionais – um site argentino a intitulou como a “Princesa do Pop Brasileiro” e a imprensa espanhola comparou Anitta com as americanas Katy Perry e Ariana Grande.

O segundo single “Bang” hitou e foi muito mais longe do que “Show das Poderosas” conseguiu. Logo, Anitta percebeu a força que os lançamentos de clipes no YouTube poderiam ter. Na época, chegou a fazer programas ao vivo na internet para promover o lançamento desses clipes. A estratégia deu certo e, desde então, sempre joga muito confete em cima de cada novo vídeo. Prova disso é que, atualmente, a cantora comanda um projeto em que lança novas músicas junto com os respectivos clipes, para forçar a concentração de mais público a cada lançamento. É o tal do CheckMate.

“Bang”, portanto, foi um marco por, pelo menos, dois motivos: trouxe composições que superaram todos os trabalho anteriores e provocou uma mudança significativa na forma como Anitta conduzia a carreira. Até segunda ordem, nada de fazer novos álbuns. A aposta, agora, é focar nos singles.

Singles e parcerias

Foi na experiência acima que a brasileira percebeu que toda energia gasta para fazer um álbum inteiro não compensava. Era muito mais interessante concentrar o planejamento no lançamento de uma única música com potencial, ao invés de fazer um disco com dez canções onde apenas três ou quatro seriam trabalhadas. Nessa proposta surgiu “Sim ou Não”, que teve parceria com o internacional Maluma, e todas suas outras músicas de trabalho desde então.

Na época, essa foi uma estratégia de carreira ainda não tão comum entre as grandes estrelas brasileiras e acabou chamando atenção para o lado empresarial que Anitta começara a expor cada vez mais. Para turbinar esse movimento de “singles”, a morena resolveu apostar em parcerias com nomes fortes da música que pudessem combinar campanhas de divulgação para potencializar novos hits e, acima de tudo, levar a marca “Anitta” para novos públicos. Públicos esses que, possivelmente, não pertenciam ao nicho da qual a carioca, à essa altura do campeonato, já era rainha.

Assim foi com Jota Quest, Simone e Simária, Wesley Safadão, Solange Almeida, Nego do Borel, MC Guimê, Luan Santana, Pabllo Vittar e com os internacionais Maluma, J Balvin, Iggy Azealea, Poo Bear, Major Lazer e Alesso.

Carreira internacional

Ao perceber que o trabalho ia “muito bem, obrigado” no Brasil, os sonhos amadureceram e cogitaram o mercado internacional. Depois de muito estudo e planejamento, Anitta resolveu arriscar. Lançou “Paradinha”, alcançou excelentes números, repercutiu fora do país e empolgou o público brasileiro. O reflexo desse lançamento agregou significativamente a sua imagem no país e Anitta viu seu nome ganhar ainda mais força comercial e conquistar respeito entre parcela significativa do publico brasileiro.

Apesar desse ter sido o primeiro trabalho oficial para o mercado internacional, a carioca já havia flertado com os gringos ao lançar um remix de “Ginza” (2015), de J Balvin, “Sim ou Não” (2016) e “Switch”, de Iggy Azealea.

Após muitas viagens ao exterior, estudo sobre os mercados que almejava entrar e investir em aulas de idiomas para aprimorar a comunicação em inglês e espanhol, Anitta anunciou o projeto CheckMate, já pontuado acima. Um trabalho focado ao mercado internacional que já possui planejamento até o fim de 2018, segundo a própria artista, que tem como principal objetivo levar o nome da brasileira aos quatro cantos do mundo. Estamos na torcida.

Na história do Brasil

Anitta é um dos raros casos de profissionais ambiciosos, interessados em evoluir e em bater de frente com o público, quando necessário, para provar que é mais do que o preconceito permite enxergar.

Claramente, não foi a potência vocal que elevou a carioca ao patamar em que se encontra hoje, mas, sim, algo que não se via no Brasil há muito tempo: Anitta sabe ser artista, sabe usar a mídia ao seu favor, sabe virar notícia e sabe usar a vida pessoal como fonte de interesse sem que isso pegue mal.

Em um país onde as estrelas da TV e da música têm um comportamento tão parecido e pouco interessante, Anitta é um ponto fora da curva. Tem um feeling apurado para entender as expectativas do público, sabe usar parcerias para alcançar os próprios objetivos e sabe compensar os pontos fracos com os próprios pontos fortes.

Talvez nem fosse uma de suas pretensões profissionais, mas Anitta mudou os rumos do mercado fonográfico no Brasil. Só por isso, já fez história. Ainda não dá para cravar até onde vai essa aventura da carreira internacional, mas tudo indica que essa experiência deve, no mínimo, elevar os investimentos e tornar mais competitivo o cenário musical no Brasil. Mais uma mudança que só alguém com a perspicácia e ousadia de Anitta pode fazer. Alguém que, particularmente, esperava aparecer no Brasil há muito tempo.

Continue lendo
Advertisement
17 Comments

17 Comments

  1. Pingback: Em 30 dias, ‘Vai Malandra’ supera os 140 milhões de visualizações – Volts

  2. AustOl

    18 de abril de 2019 at 19:23

    Il Cialis Aumenta La Pressione cialis for sale Keflex To Lower Blood Sugar Actu Viagra Posologie Patients

  3. AustOl

    13 de maio de 2019 at 03:33

    Discount Amoxicillin Pharmacy X One viagra online pharmacy Commander Du Levitra Cialis Ohne Verpackung Preis Cialis 10

  4. 온라인바카라

    30 de julho de 2019 at 19:13

    798721 99298Wohh just what I was seeking for, thanks for putting up. 217625

  5. pwn adventure

    13 de agosto de 2019 at 12:22

    I consider something really special in this site.

  6. bloxburg money hacks

    14 de agosto de 2019 at 06:39

    Ha, here from yahoo, this is what i was searching for.

  7. feebhax scam

    15 de agosto de 2019 at 06:52

    You got yourself a new rader.

  8. ableton live 9.7 crack mac

    16 de agosto de 2019 at 08:11

    I like, will read more. Cheers!

  9. Terry Healy Roofing

    16 de agosto de 2019 at 12:22

    682782 685352Youre so cool! I dont suppose Ive read anything like this before. So nice to find somebody with some original thoughts on this topic. realy thank you for starting this up. this site is something that is required on the web, someone with slightly originality. beneficial job for bringing something new to the internet! 189805

  10. 카지노사이트

    18 de agosto de 2019 at 13:58

    200510 774525Also, weblog often and with fascinating material to keep individuals interested in coming back and checking for updates. 390221

  11. StevLism

    6 de outubro de 2019 at 11:26

    Amoxicillin Treat Meningitis Vendita Viagra Negozio Human Cephalexin Dosage buy levitra from canada no rx Buy Prescription Levitra Online Zithromax For Syphilis

  12. Pingback: Em show repleto de significados, Anitta celebra funk e superação em estreia no Rock in Rio | Volts

  13. StevLism

    9 de outubro de 2019 at 10:33

    Doxycycline Lyme Substitute Purchase Amoxicilina Cod Accepted Ups Baclofene France Inter

  14. StevLism

    9 de outubro de 2019 at 22:56

    Keflex And Staph Is Keflex Safe During Breastfeeding Quotazione Propecia viagra Viagra In Canada Without Prescription

  15. StevLism

    10 de outubro de 2019 at 13:36

    Kamagra Achat 100mg Direct Legally Doryx Pills By Money Order Visa Sex Pills For Women cialis online Viagra Con Otro Nombre

  16. toothpaste on cracked phone screen

    16 de outubro de 2019 at 07:18

    Very interesting points you have remarked, appreciate it for putting up.

  17. StevLism

    16 de outubro de 2019 at 09:09

    Amoxicillin For Rabbits buy priligy dapoxetine online safely Cialis 30 Anni Mail Order Celebrex Viagra Wurzel

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Especiais

Por que ninguém mais leva a sério os jogos multiplayer de Resident Evil?

A história da franquia pode ajudar a responder essa pergunta.

Foto: Divulgação/Capcom

Resident Evil é uma das principais marcas da Capcom, se não a principal. Os primeiros jogos da franquia, além de serem sucessos de críticas e vendas, entregaram personagens memoráveis e um universo rico e distinto. Tendo essa riqueza em mãos, era de se esperar que a Capcom buscasse novas formas de explorar a saga. Não tardou e derivados começaram a surgir. Uns interessantes. Outros nem tanto.

Inicialmente, a visão da empresa condizia com o intuito natural dos spin-offs: expandir um universo com novos formatos e gêneros. E uma das primeiras experimentações de Resident Evil foi Dead Aim, lançado em 2003. O jogo nos apresentou um novo protagonista, ao mesmo tempo que apresentava o primeiro game com visão de primeira pessoa da safa e um dos poucos jogos da franquia que permite que o personagem ande e atire ao mesmo tempo. Além disso, o enredo explorava um pouco as consequências dos eventos de Raccoon City e o paradeiro da Umbrella.

Apesar de não ser exatamente um jogo memorável como o Resident Evil 2 ou Resident Evil 3: Nemesis, é evidente que o Dead Aim cumpre o seu papel como derivado. O título alimenta o universo, sem interferir nos trilhos da saga principal.

Resultado de imagem para resident evil outbreak file 2

O mesmo pode-se falar de Outbreak, o primeiro jogo multiplayer de Resident Evil, também lançado em 2003. Com 8 personagens, jogo nos apresentava uma nova perspectiva do caos de Raccoon City. Aqui, a cooperação com os demais jogadores é essencial para a sobrevivência e a progressão da história. Um arquétipo não muito comum para os jogos da época, ainda mais em um período que o co-op online ainda não era tão popular e de fácil acesso.

Após ser reconhecido com boas vendas, o jogo ganhou uma sequência, lançada um ano depois, com melhorias e novas opções de jogabilidade. Infelizmente, o segundo não foi tão rentável quanto o primeiro.

Anos mais tarde, em 2007 e 2009, a desenvolvedora decidiu revisitar alguns eventos da franquia com dois novos derivados: Resident Evil: The Umbrella Chronicles e Resident Evil: The Darkside Chronicles. Os jogos também apresentavam multiplayer, em uma perspectiva de primeira pessoa, enquanto davam mais detalhes das histórias revisitadas. Alguns eventos inéditos também foram adicionados para expandir a lore da franquia. Apesar de serem exclusivos do Wii, os títulos, juntos venderem aproximadamente 2.35 milhões de cópias. Em suma, mais dois cases de sucesso.

O último passo “bem” sucedido da Capcom no caminho do multiplayer foi Resident Evil: The Mercenaries. O derivado, lançado para o Nintendo 3DS em 2011, abusava do 3D e expandia o popular modo Mercenários da franquia, que era inicialmente um modo extra de Resident Evil 3. Com diversos personagens clássicos, como Chris Redfield, Claire Redfield, Jill Valentine e Albert Wesker, jogo nos colocava em um simples, mas efetivo jogo de ação, onde o objetivo era conquistar a maior pontuação possível na partida.

Resultado de imagem para resident evil mercenaries

Infelizmente, a partir daqui as coisas começaram a dar errado para os spin-offs multiplayer da franquia.

Sem a grande visão que possuía anteriormente, como nos casos anteriores, Capcom lançou o Operation Raccoon City em 2012. Talvez com o objetivo de obter lucro fácil, a companhia tenha decidido fazer algo voltado para a grande massa de shooters, bem simplório, sem muitas alegorias ou inovações. Por um lado deu certo, visto que o jogo vendeu aproximadamente 2.5 milhões de cópias. Por outro, o título foi bombardeado de críticas negativas pela imprensa e pelos fãs.

Entre esses dois lados, a desenvolvedora decidiu dá atenção ao que mais importava para si: as vendas. E fruto dessa decisão, nasceu o péssimo Umbrella Corps. O título, lançado em 2016, foi vendido à base da nostalgia, oferecendo diversos mapas clássicos da franquia, como a vila de Resident Evil 4 e a base da Antártida de Code Veronica. Também fornecia pequenas dicas da nova fase da história da franquia, mas eram tão desinteressantes que ninguém se importava. No fim, o jogo passou batido, não vendeu bem e foi logo esquecido pelos fãs, pela mídia e pela própria Capcom.

E, então, chegamos à 2019. Em agosto, a companhia surpreendeu a todos com um teaser de um novo jogo, até então chamado Project Resistance. O vídeo não oferecia muitos detalhes, o que fez os fãs especularem que tratava-se do Outbreak 3. Aliás, além de ser querido pelos fãs, o auge dos jogos online seria uma bela oportunidade da empresa voltar a investir em um jogo tão singular e único. Certo? Errado.

Resultado de imagem para resident evil project resistance

Em 9 de setembro, foi revelado que o projeto é apenas mais um derivado, inédito, sem rostos conhecidos (com exceção dos inimigos), desvinculado de qualquer outro jogo anterior. Suas mecânicas são essencialmente colaborativas e funcionam de maneira similar à Friday 13th The Game e Dead By Deadlight, mas possuindo propriedades únicas, vindas da própria franquia. Contudo, apesar disso, apesar de não investir mais na ação frenética de Umbrella Corps e Operation, o público não comprou a ideia.

Por quê? Os cases acima ajudam a explicar.

Como visto, existe uma demanda, sim, para spin-offs multiplayer, tanto para os fãs da franquia, como para a indústria atual, que cada vez mais consome jogos do gênero. Contudo, os passos em falsos de Resident Evil ainda são recentes, os traumas ainda estão frescos. Os investimentos pesados na ação deixaram os fãs amargurados. Além disso, os incessantes gritos desse público pelas redes sociais deixam claro que eles desejam algo muito mais expansivo e criativo, como a Capcom fazia inicialmente, principalmente com o Outbreak, que aliava história inédita, personagens novos e uma mecânica cooperativa de sobrevivência, que abusava do raciocínio lógico e do bom racionamento dos recursos.

Também devemos atentar ao fato de que já existem muitos spin-offs do gênero dentro da franquia, o que pode ter saturado a ideia, possivelmente. Além do mais, há uma grande expectativa, por parte dos fãs, de um novo remake, de um terceiro Revelations (outro spin-off da franquia) e de uma sequência de Resident Evil 7. Em outras palavras, há um forte anseio de ver a lore da franquia ser expandida criativamente e personagens esquecidos retornando.

Dito isso, a companhia precisa de mais de um jogo simples de colaboração para conquistar os fãs. Por isso, talvez o Outbreak 3 fosse bem mais aceito. Ele não sofreria com o impacto da saturação e poderia apresentar novos detalhes do universo de Resident Evil. Mas se a Capcom deseja persistir na ação, um novo Mercenaries também não cairia mal pela sua popularidade e por poder reunir clássicos rostos da franquia em um mesmo jogo.

O que vocês acham?

Continue Reading

Artigo Otaku

Artigo Otaku |O que esperar de Saint Seiya (Parte 01)

Você está jogando o mobile game Saint Seiya Awakening: Knights of the Zodiac? Bom, se você é fã da franquia merece dar uma chance ao jogo apenas para experimentar um passatempo com bom design de personagens, cut scenes e trilha sonora referente à animação clássica de 1986.

Como pode ter percebido, eu estou jogando. Recém chegado ao Brasil tanto para Android quanto iOS, o mobile RPG reúne elementos da história principal com a jogabilidade do gênero de forma a proporcionar uma boa relação com o jogador.

Recentemente também a Netflix Brasil inseriu em seu catálogo a aclamada Saga de Hades completa com seus três capítulos (Santuário, Inferno e Elísios) realimentando o hype para a chegada da versão clássica e seus 114 episódios, que deveria ter ocorrido em agosto, mas já foi confirmado para 15 de outubro próximo. Isso sem falar do reboot feito pela própria Netflix que deve ter a segunda parte da primeira temporada disponibilizada até o final do ano (segundo rumores).

Tudo isso acaba que construindo um debate acerca da relevância de Saint Seiya para a indústria de entretenimento e perguntas sobre o que ainda se pode esperar.

(Teaser de pré-registro do mobile game Saint Seiya: Awakening)

Uma franquia tão longeva quanto essa certamente tem pontos fortes e fracos dividindo a opinião do público. Para Saint Seiya isso é muito notório quando se fala na composição desse público, que conta com fãs na média dos 40 e 30 anos (os mais antigos) e outros com 20 a 10 anos (incluindo os mais recentes). Ainda nessa composição há aqueles que se encaixam no fandom otaku e há aqueles que não se consideram/fazem parte deste nicho.

Assim, temos quem considere Saint Seiya – que por aqui ficou conhecido como Os Cavaleiros do Zodíaco – algo que chega ao ponto de ser tosco devido a problemas no roteiro, psicologia das personagens, estética de traços etc. Temos também quem tome a trama como uma obra-prima da mídia mangá/quadrinhos e que isso se repete em seus desdobramentos midiáticos.

Reconheço (correndo o risco de ter minha carteirinha de otaku confiscada) que faço parte do segundo grupo e amo a obra com muita paixão. Só que (em minha defesa) sou crítico o suficiente para observar o quão deficiente é a narrativa criada por Masami Kurumada em 1985 (data do mangá original). É nesse raciocínio que entramos na seara a respeito do que esperar. Antes recapitulemos o que já feito.

Em 3DCG, Knights of the Zodiac é o reboot mais recente que a franquia recebeu. (Fonte: Netflix)

Os desdobramentos de Saint Seiya e o público

Desde 2008, quando do lançamento da última parte do OVA (Original Video Animation) da Saga de Hades, os fãs se perguntavam qual seria o destino da franquia. Já existiam possibilidades. Em 2004, o longa-metragem Prólogo do Céu abriu as porteiras para uma possível batalha contra os Olimpianos. Desenvolvido a partir dos rascunhos do que viria a se tornar dois anos depois na prequel-sequel do mangá original denominada “Next Dimension”, o filme quase colocou em risco a conclusão da Saga de Hades, que só rolou quatro anos depois com qualidade inferior ao que havia sido feito nos seus treze primeiros episódios (Capítulo – Santuário).

O que se sabe é que o resultado final do filme não teria agradado algumas pessoas – entre elas o próprio Masami Kurumada -, mas a mensagem que ficou era de que para a Toei Animation já não havia mais prioridade para a franquia no estúdio, o que seria algo natural dado o passar do tempo. Saint Seiya era bem sucedido, mas nunca foi o maior campeão de vendas na indústria (num contexto local e mundial com exceções como França, Brasil e México, por exemplo).

Entre os fãs, muito se especulou que o Episode G pudesse ganhar sua versão em animê. Spin-off publicado desde 2002 (em 20 volumes no momento), o mangá desenhado por Megumi Okada tem traço destoante demais do que havia feito Masami Kurumada e Shingo Araki (na versão animê) com a história principal.

Arte com os design andrógino de Saint Seiya: Episode G e os Cavaleiros de Ouro do séc. XX. Narrativa mais densa e proposta de traço alternativo cativa os fãs, mas nunca foi adaptada em outras mídias (Arte: Megumi Okada / Revista Champion Red Ichigo)

Mesmo não virando animê, o Episode G tornou-se um material muito particular aos fãs mais aficionados pelos Cavaleiros de Ouro e rendeu mais duas publicações: Episode G- Volume 0: Aiolos, uma prequel; e Episode G ~Assassin~, que é uma sequel alternativa aos eventos do mangá original pós-Hades. Esse último foi iniciado em 2014 e terminou recentemente em agosto de 2019 confirmando o retorno de seu antecessor à publicação.

Os fãs dos Cavaleiros de Ouro, que ficarão ainda por algum tempo sem poder ver como ficaria a batalha dos Santos Dourados contra os Doze Titãs, tiveram suas esperanças maltratadas em 2015 quando da estreia do ONA (Original Net Animation) Saint Seiya: Soul of Gold, que veio como um spin-off da Saga de Hades onde os Cavaleiros de Ouro mortos no Muro das Lamentações vão para nas terras gélidas de Asgard (numa clara referência ao emblemático filler Saga de Asgard da série clássica) e combatem as intenções malignas do deus nórdico Loki.

Cena em Soul of Gold que fez a animação alvo de muitas críticas pelo péssimo trabalho de finalização no character design. Abaixo a mesma cena foi refeita em um review do episódio seguinte e traz algumas melhorias, mas ainda deixa desejar. (Fonte: cavzodiaco.com.br)

Embalada pela vontade de vender action figures (bonecos!), a Bandai Tamashii Nations – que detém os direito de imagens da franquia para linha de colecionáveis – lançou em 2014 (durante a CCXP) a linha de action figure com as 12 Armaduras de Ouro em sua forma divina e ainda fez apresentação do primeiro episódio do animê, que seria a peça de publicidade dos bonecos. Sem dúvida uma linha de colecionáveis que mexe com o coração dos mais apaixonados pela franquia.

Já não se pode dizer o mesmo do animê, onde a Toei Animation trouxe uma animação muito aquém do que vinha sendo aplicado nas demais produções da franquia, como é o caso de Saint Seiya: Ômega (falaremos dele na parte 02!). Com design de personagem questionável, erros de proporção e finalização, a série, que poderia ficar para a posteridade como algo memorável, veio a se tornar uma das chacotas do mundo otaku.

Muito outras chacotas ainda existem na franquia, que nesse período apresentou potenciais produtos de sucesso que por alguma razão não deslancham na aceitação do público geral ou do fandom especializado. O que não quer dizer que não haja coisas boas e valor simbólico entre os tantos desmembramentos já realizados e aqueles que poderão vir a existir. Assunto para a segunda parte deste artigo especial.

E você: já sentiu o cosmo?

Continue Reading

Destaque

Relação entre Margaret Atwood e série The Handmaid’s Tale é pura simbiose

Ao ler The Testaments, o novo livro de Margaret Atowood, onde a escritora volta a explorar o regime fundamentalista totalitário protestante de Gilead, após ter visto toda a terceira temporada de The Handmaid’s Tale, série do Hulu que adapta o romance homônimo publicado em 1985, torna-se perceptível que a mão da canadense ainda é tão presente na narrativa derivada já tão distante do original, quanto era na primeira temporada, com cenas retiradas do livro.

Mas Atwood e sua relação com The Handmaid’s Tale é algo de fresco na dança entre romancistas e as dramatizações de seus livros, precisamente quando se trata de ficção especulativa, indo muito além da ocasional participação especial. A escritora da liberdade e se inspira na obra derivada. É um ciclo completo como raras vezes se vê.

Em sua mais recente edição, a revista The Gentlewoman traz uma extensa entrevista com Margaret Atwood, que estampa a capa, onde são abordados inúmeros temas concernentes à vida e carreira da escritora octogenária. Em dois parágrafos há um isight sobre como se dá a relação simbiotica entre criador e criatura: Atwood orientou Bruce Miller,showrunner e principal roteirista de The Handmaid’s Tale, enquanto escrevia seu novo livro, e levou aspectos da série para dentro de seu novo testamento.

Diferente de quando uma obra derivada expande o texto, ou o surpassa, o trabalho foi simultâneo. Mas diferente de escritores mão de ferrro, Miller teve liberdade em explorar as linhas gerais que lhe foram dadas. Pelo menos na maior parte.

O nome de Nicole, segunda filha de June foi uma exigência inegociável de Atwood, assim como também a salvaguarda da vida de alguns personagens, não expecificados na entrevista. “Eu disse que tinha que ser Nicole”, certificou a escritora.

Atwood para The Gentlewoman, por Alasdair McLellan

Das telas, Atwood tomou grande inspiração na performace de Ann Dowd como Aunt Lydia para dar mais profundidade à personagem. É em grande parte pelo excelente trabalho de Dowd como a matriarca das Tias que Lydia ganhou um episódio com seu passado na tv e o poder de narradora em The Testaments. Para os leitores dos dois livros e expectadores da série, é possível perceber exatamente até onde vai a mão de Atwood e onde começa a liberdade de Miller. Um balanço perfeito, mesmo quem não concorda com interferências de autores em projetos derivados, como eu, deve concordar.

“Fui inspirada pela performace de Ann Dowd, que deu à Aunt Lydia mais dimensões que ela tinha no livro original”, contou Atwood. Dowd inclusive foi chamada para reprisar a personaem no  audiobook do novo romance profético. 

The Testaments foi lançado – com toda pompa de um prestigiado romance literário encontrando o frisson de uma saga popular – no último dia 10 de setembro, após um ferrenho esquema de segurança e confidencialidade para manter a surpresa, é um dos favoritos para ganhar o Booker Prize 2019 e já best-seller em todo o mundo.

Tayna Abreu é jornalista de entretenimento e também fala sobre ficção especulativa em seu IGTV @oftay_ 

Continue Reading