Benioff & Weiss | Uma Galáxia Não Tão Distante

Benioff & Weiss | Uma Galáxia Não Tão Distante

Bob Iger (CEO da Walt Disney) anunciou que os co-criadores de Game of Thrones, David Benioff e D.B. Weiss, serão os encarregados de continuar o legado de Star Wars, produzindo assim o próximo filme da franquia, que dará início a uma nova trilogia, prevista para ser lançada entre 2022 e 2026. A notícia veio como uma surpresa, uma vez que a posição de diretor e produtor havia sido prometida para Rian Johnson, que continuaria sua visão dentro da saga após Os Últimos Jedi (2017). Porém, as ramificações dessa decisão são muito mais extensas: a contratação de Benioff e Weiss mostra-se como uma forma de corrigir críticas ao direcionamento que a Disney tem dado para Star Wars após sua aquisição, com a compra da Lucasfilms em 2012.

Entretanto, a Disney adotou uma postura extremamente diplomática quanto a essa decisão, não exterminando seus laços com Rian Johnson, mas simplesmente estabelecendo sua trilogia como um hiato, postergando sua produção por tempo indefinido. Esse tipo de ação vem de uma consequência midiática ao caso de James Gunn, colocando a companhia numa posição de resguardar sua imagem de outras polêmicas. Além disso, Johnson apresenta grandes projetos no futuro, com o filme Knives Out, que tem sua estreia marcada para Novembro deste ano e conta com um impressionante elenco, incluindo Chris Evans e Daniel Craig, podendo ser a reviravolta na reputação do diretor.

A temporada final de Game of Thrones, entretanto, pode se tornar um indicador de que Star Wars está se encaminhando, na velocidade da luz, para outra fase questionável de sua franquia. Muitas das críticas feitas perante as escolhas de Benioff e Weiss quanto a direção, roteiro e construção de personagens casam com as frustrações que os fãs tiveram com o Episódio XVIII de Rian Johnson, entre elas:

  • DESCONSTRUÇÃO DE PERSONAGENS CHAVES

Os Últimos Jedi explorou diversas facetas de Luke Skywalker, narrando parte de seus anos como um mestre jedi e os eventos que levaram a transformação de Ben Solo em Kylo Ren. Durante esse período, somos introduzidos a uma versão muito mais sombria de Skywalker, que ao perceber as inclinações de seu sobrinho para o lado negro da força, comete uma tentativa de assassinato. Muitos dos fãs da franquia rejeitaram essa narrativa, alegando que traía o personagem de Luke Skywalker, que sempre foi bom e heróico, em essência. Traçando um paralelo com Game of Thrones, uma das maiores críticas dessa temporada final, remetem a transformação de Daenerys Targaryen na rainha louca, por meio de um roteiro, que teria contradito a construção ideológica que a personagem teve durante sete temporadas, de maneira apressada e com o único objetivo de chocar audiências.

  • PROFECIAS NÃO REALIZADAS

O universo de Game of Thrones é construído em cima de diversas lendas e profecias, que por muito tempo foram elementos ditatoriais de arcos. No entanto, em sua temporada final, a série tornou tais componentes em peças secundárias, dissuadindo assim muito do destino de seus personagens principais. O caso mais recente é o da personagem de Lena Headey, quando a teoria do Valonqar, apresentada na quinta temporada, que ditava a morte de Cersei Lannister pela mão de seu irmão mais novo, não se concretizou, desapontando duramente fãs. Sentimento que pode ser equiparável ao que os espectadores de os Últimos Jedi tiveram ao descobrir que os pais de Rey eram meros catadores de lixo, os deixando assim, sem explicação do porquê a personagem ser tão intimamente conectada com a força.

  • REPRESENTATIVIDADE E MARY SUE

Por fim, um dos aspectos mais presentes dentro tanto de Game of Thrones quanto de Star Wars é a representatividade, com personagens em posicionamento de liderança e segurança bem construídos. No universo de Star Wars, essa representatividade é graças a presença da produtora executiva da franquia, Kathleen Kennedy, que puxa a agenda feminista com força dentro de sua produção. Entretanto, essa agenda se tornou meramente comercial, com muitos personagens dentro dessa nova trilogia servindo somente como um ponto de venda e modernização para Star Wars, sem que os mesmos sejam trabalhados e sirvam de alavancadores da trama. A maior crítica diante disso é da própria personagem Rey, que foi taxada por muitos de Mary Sue, termo que é usado para designar um personagem feminino dentro da ficção que não apresenta defeitos, que apresenta habilidades a nível mestre em tudo que lhe é apresentado e que, sem motivo aparente, tem a história criada ao redor de sua existência. Do outro lado, Game of Thrones não sofre de uma comercialização de seus personagens, com personagens que apresentam propósito verdadeiro dentro da produção, isso é, até sua temporada final. Não somente vemos a desmoralização das ideologias de Daenerys, mas outros personagens como Tyrion Lannister, que se tornou alvo de críticas por apresentar comportamentos extremamente fora do contexto de sua longínqua construção.

No entanto, essa mesma desaprovação frente a temporada final de Game of Thrones, que agregado com as consequências do que a mídia e fãs fizeram com a credibilidade de Rian Johnson, podem ser um dádiva disfarçada e se tornarem os elementos que irão salvar o futuro de Star Wars. Benioff e Weiss possuem, com essa nova trilogia, um projeto para se redimir dos erros cometidos em Westeros, usando as comparações de Game of Thrones com o Episódio XVIII de Johnson como um bússola do que não funciona dentro dessa franquia. Junto disso, os co-diretores detém uma das peças mais importantes dentro da indústria: conexões. Por sua ligação íntima com George R. R. Martin, a dupla apresenta a possibilidade de pedir um grande favor, colocando o escritor na posição de roteiristas para seus filmes, adicionando assim um peso gigantesco na produção. Por fim, Benioff e Weiss contam com o apoio da Disney, que os confiou três filmes em uma de suas divisões mais lucrativas, dando assim a abertura para que o par se torne os próximos irmãos Russo.

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