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Autor de One Piece manda recado sobre o futuro do mangá em tempos de pandemia

Oda falou sobre como anda a produção do mangá, os cuidados que estão sendo tomados e como ficará a publicação.

(Foto: Reprodução)

A pandemia do novo coronavírus parou o mundo e, consequentemente, diminuiu, atrasou e cancelou o lançamento de muitos produtos da cultura pop, como filmes, séries, animes e mangás. Uma das áreas afetadas pela atual situação é a da produção dos quadrinhos japoneses e das animações baseadas neles, o que já deixou os fãs em alerta para qual será o futuro das histórias que acompanham.

Uma das mais populares e amadas é One Piece, que recentemente também teve a produção do anime paralisada. Para deixar os fãs mais tranquilos, o criador do mangá, Eiichiro Oda, mandou um recado falando um pouco sobre como a produção do mangá iria ocorrer daqui pra frente, já que ele também está prezando pela sua saúde e de toda a equipe envolvida no trabalho.

A carta , publicada em japonês, foi traduzida pela equipe do canal Chapéus de Palha e disponibilizada para todos. De forma resumida, Oda comenta que devido à atual situação teve que reduzir a equipe empenhada no mangá, o que vai reduzir a velocidade com que a história é feita, mas que não será pausada (ainda bem!). Ele deixa claro também que não está em ritmo mais lento por estar passando mal, mas justamente para preservar a sua saúde e de todos ao redor.

Como uma forma de deixar os fãs de One Piece mais aliviados, Oda também diz que os primeiros 61 volumes do mangá estarão disponíveis gratuitamente no site da Jump+, mas só para o Japão.

Confira a carta original e a traduzida:

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Episódios de Cavaleiros do Zodíaco serão disponibilizados no Youtube

Os episódios ficarão disponíveis por tempo limitado com a bênção do próprio autor

(Foto: Reprodução/ Uol)

Para elevar o cosmo no coração de todos os fãs de um dos animes mais amados e queridos, Os Cavaleiros do Zodíaco, o autor da saga, Masami Kurumada, autorizou a publicação de episódios de forma gratuita no Youtube por tempo limitado.

No entanto, apenas a saga das Doze Casas, uma das mais clássicas e importantes da história, ficará disponível na plataforma, no canal da Toei Animation. A história do arco acompanha a missão dos cavaleiros de bronze para salvar Saori, tendo que passar por todas as 12 casas e sendo levados a enfrenar os lendários e poderosos cavaleiros de ouro.

Essa é a primeira vez que os episódios poderão ser assistidos gratuitamente de forma oficial. De acordo com uma publicação no site Oricon, Kurumada disse que quer fazer o melhor para apoiar as pessoas que estão em casa.

Apesar do anúncio, ainda não há informações sobre a chegada dos episódios fora do Japão.

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Brasileiros são destaque no Silent Manga Audition 2020

Edição do prêmio contou com tema especial em parceria com a UNESCO.

O SILENT MANGA AUDITION 2020 divulgou os vencedores da 13ª edição do já renomado concurso. Para esta etapa o tema escolhido foi “Together 4 Peace”, numa parceria com a UNESCO, com o destaque ficando por conta dos brasileiros que emplacaram quatro títulos entre os finalistas.

A obra Invisible, de João Eddie, foi o vencedor do prêmio na categoria UNESCO Award for Education. O mangá narra o drama de uma criança que vive num lixão e que devido a isso se sente invisível para nossa sociedade onde tem seus direitos à educação negados. Invisible também foi premiado na categoria SMA Gran Prix Runner-Up levando 300 mil ienes (aprox. R$ 15 mil).

Página de “Invisible”, por João Eddie (Fonte: SMA 2020)

Os outros três mangá brasileiros entre os vencedores foram:

Neither Bright Nor Dark, por Laica Chrose, foi premiado nas categorias Unesco Award for Empathy e SMA Excellence Award , levando 100 mil ienes, (aprox. R$ 5 mil).

In Your Shoes, por Lucas Marques e Priscilla Miranda, e My Weird Roommate, por Heitor Amatsu, foram premiados na categoria SMA Excellence Award Runner-Up e levaram cada um 30 mil ienes (aprox. R$ 1,5 mil).

Entre os nomeados na segunda etapa da seleção e que não ficaram entre os finalistas mais dois títulos brasileiros apareceram: Anahi: Peace with the Tamakos por Reichel e The truth Call por Renata Rinaldi.

Ao todo, 24 mangás foram selecionados e 14 deles premiados após análises feitas por um time de jurados renomado. Entre eles: Tsukasa Hojo (Angel Heart), Testuo Hara (Fist of the North Star), Ryuji Tsugihara (Yoroshiku Mecha-Doc), Jun Tomizawa (Commander Zero) e Nobuhiko Horie (antigo editor-chefe das revistas Weekly Shonen Jump). Também compunha o júri Akane Nozaki (representante da UNESCO).

Todos os mangás selecionados foram publicados no site do SILENT MANGA AUDITION 2020 e podem ser lidos gratuitamente no formato digital.

Página de Neither Bright Nor Dark, por Laica Chrose (Fonte: SMA 2020)

O que é o Silent Manga Audition?

Fundado em 2012, o SILENT MANGA AUDITION é um concurso internacional de mangá que visa descobrir e apoiar as futuras estrelas do mangá global.

Organizado pela COAMIX Inc. Japan e liderado pelo CEO Nobuhiko Horie, esse evento pioneiro cresceu tornando-se uma das maiores e mais bem-sucedidas competições de mangá do mundo liderando o caminho para mangakás internacionais e atraindo participantes de mais de 100 países em todo o mundo.

O prêmio é focado em mangás no formato one-shot com histórias sem diálogos. A cada edição uma nova temática é selecionada e dividida em diversas categorias. Além do prêmio em dinheiro possibilita a oportunidade de aproximação dos vencedores com a indústria de mangás japonesas e muitas vezes a impressão de suas obras. O Brasil participa desde a primeira edição e já teve vários trabalhos premiados em cada edição.

A edição de 2021 (SMA14) já está aberta e tem como tema “Creatures, Spirits & Monsters”, o prazo final para envio de originais vai até o dia 30 de julho de 2020 às 12h00 no horário japonês (00h00 do dia 30 de julho no Horário de Brasília). Acesse o site do evento e fique o por dentro das regras!

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E já que o assunto é mangá, na última edição do Podcast Otaku, Saylon Sousa, Otávio de Morais e Alan Patrick iniciaram um debate muito empolgante sobre consumo e mercado de mangás no Brasil. Se você ainda não ouviu é só procurar por Volts Podcasts no Spotify ou em qualquer plataforma de streaming de sua preferência!

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Artigo Otaku | Shounen no Brasil e dados da Crunchyroll

Empresa divulgou dados da audiência do 1º trimestre de 2020.

Nessa semana a Crunchyroll divulgou dados de suas audiência referente à Temporada de Primavera 2020 (que diz respeito aos período Janeiro-Fevereiro-Março) e é possível levantar hipóteses ou constatar algumas coisas ao analisar os os dados compartilhados.

Entre as hipóteses: 1) o consumo não legalizado de animê influencia na métrica; 2) ou o otaku brasileiro ainda não se acostumou a consumir o que vai para além do senso comum no que diz respeito aos animês disponíveis no mercado.

Já entre as constatações: 1) título advindos da demografia shounen seguem sendo muito populares no mundo; 2) o brasileiro não foge a regra e ama muito o shounen.

Vamos entender isso.

PAÍSES COM MAIS VIEWS POR USUÁRIO

O primeiro dado disponibilizado pela Crunchyroll relata que no 1º trimestre de 2020 os dez paízes com o maior número médio de views por usuário foram:

Sistematizando os dados temos 4 países da América do Sul e 2 da América Central (contabilizando 6 da América Latina), 2 países da Europa (Itália e Polônia) e 2 da Ásia (índia e Filipinas). Infelizmente, sem números que quantifiquem o debate e nos ajudem a avaliar isso em relação ao comparativo populacional dos próprios países, o que se pode concluir – ao menos – é que estando disseminado em muitos países e culturas os animês fazem parte da rotina de muita gente.

No entanto, como é o perfil desses consumidores? Provavelmente esses dados levem em conta views por episódio, assim um único usuário pode render muitos views assistindo Naruto, Naruto Shippuden e Boruto: Naruto Next Generation, que juntos ultrapassam a marca de 800 episódios. Da mesma forma, outro usuário pode assistir dez títulos diferentes com número médio de 13 episódios (1 cour predefinido para um trimestre) e contabilizar 130 episódios assistidos sem contar com séries completas maiores ou série grandes ainda em exibição (One Piece, por exemplo).

Sem saber com exatidão quanto usuários há por país ficamos apenas na expectativa de perceber que diferente de nós brasileiros esse público listado gasta muito mais tempo na plataforma, o que pode ser traduzido de duas formas também: a) ou o público brasileiro ainda usa muito pouco o catálogo da Crunchyroll disponível (mesmo com exibição de conteúdo dublado e etc.) e se limita a ´poucos títulos (falaremos disso mais a frente!); 2) ou no fim, comparado ao sempre presente debate de fãs nas redes sociais, o número de assinantes não é tão expressivo como deveria ser para o nosso país.

Prefiro acreditar na opção “a”. Segundo dados da própria empresa sua comunidade de usuários gasta aproximadamente 85 minutos por dia assistindo séries na plataforma. Considerando que um episódio de animê tem em média 23 minutos de duração isso significa que por dia 3,7 episódios são vistos por pessoa (isso pode ser tanto de uma mesma série ou de séries diferentes). Se arrendondarmos para 4 podemos dizer que cerca de 120 episódios são vistos em um mês por uma única pessoa, o que chega bem perto do exemplo citado acima onde um único usuário acompanha no mínimo dez séries diferentes. Mesmo assim não dá para precisar isso já que temos infinitas possibilidades de consumo disponíveis num universo de 50 milhões de usuários para mais de 700 títulos disponíveis.

ANIMES MAIS VISTOS NO INVERNO 2020

Antes de entrar no mérito do Brasil em si, temos um segundo dado que diz respeito aos vinte animês mais vistos pelo plúbico assinante da Crunchyroll (o que inclui os mais de 200 países onde a plataforma está inserida).

Entre os vinte títulos acima listados é imperativo dizer que somente um não pertence a demografia shounen: Re:Zero -Starting Life in Another World-. O título, que entra na lista muito devido a recente disponibilização da versão de corte do diretor Masaharu Watanabe e que conta com episódios com duração aproximada de 50 minutos cada (mais que o dobro da versão inicial), é listado como seinen desde a sua primeira publicação oficial com a light novel lançada pela Media Factory.

Além de Re:Zero cabe destacar que: That Time I Got Reicarnated as a Slime e The Rising of The Shied Hero também são originalmente web novel ou light novel. Além disso, Darling in the Franxx é um animê original (Cloveworks/Studio Trigger), Radiant é baseado em um quadrinho francês (o primeiro a ser publicado no Japão), Welcome to Demon School! Iruma-kun é baseado em um mangá publicado pela Akita Shoten e Mob Psycho 100 é baseado em um mangá publicado pela Shogakukan. Por fim, Attack on Titan é baseado em mangá publicado pela Kodanha. Todos os demais são baseados em mangás licenciados pela editora Shueisha publicados ou em publicação pela revista Weekly Shounen Jump (com exceção de Boruto: Naruto Next Generations, que era publicado na Weekly Shounen Jump até julho do ano passado quando foi transferido para a revista V-Jump também pertencente a editora).

Podemos constatar que o shounen, a partir da premissa Esforço-Amizade-Vitória, mundialmente popularizada pela Weekly Shounen Jump, ainda rende bons frutos no que diz respeito à recepção do público. Saber o porquê dessa preferência não sabemos (e acredito que nem a própria Crunchyroll tenha feito pesquisas junto ao seu público para isso), mas é interessante perceber que mesmo que vejamos essas narrativas serem constantemente questionadas pelas suas repetições, fanservices e demais elementos genéricos ainda são bastantes populares pelo planeta.

Outros fatos interessantes aqui são a presença de Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba, que mesmo tendo sido exibido no inverno passado segue sendo popular um ano depois (o que é óbvio dado o hype construído em torno da obra desde então). O mesmo vale para The Rising of Shield Hero que também é do inverno passado e segue popular. Aqui atribuo muito ao fato de a série ser co-produzida pela própria Crunchyroll e propositalmente ter mais material de marketing envolvido nisso em suas plataformas e redes sociais. O comentário sobre essa série em específico se dá pelo fato dela ter sido alvo de muita polêmica durante sua exibição original que dividiu o público entre prós e contrários à animação.

OS MAIS VISTOS DO BRASIL

Mas e no Brasil? O que nosso público assistiu nos três primeiros meses de 2020? Bom, não poderia ser muito diferente do que se viu nos dados mundiais. O shounen segue sendo o preferido dos brasileiros também.

O que se percebe ao avaliar esses dados é que algumas fanbases bem específicas ajudam a construir o cenário do consumo de animês em nosso país ainda com muita propriedade (o que pode ou não ser interessante). É quase que natural que alguns conteúdos considerados hits dentro do metiê otaku se destaquem sobre aqueles mais de nicho (pegando emprestado conceitos usados por Chris Anderson em seu livro A Cauda Longa). No entanto, como isso se torna efetivo para a manutenção do fandom?

A Crunchyroll investe – assim como outras empresas de entretenimento em streaming – em novos títulos diversificados e talvez ainda esteja faltando algo a mais para impulsionar isso. Dentre os dez títulos acima listados apenas quatro estavam com episódios inéditos durante o Inverno 2020 (One Piece, Boruto, My Hero Academia e Black Cover). Isso indica muitos fatores.

Em títulos mais recentes como Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba pode significar que a popularização da obra (e aproximação de seu fim no mangá) tenham levado mais pessoas que não viram durante a exibição original verem agora. Mas e no caso de títulos como Naruto Shippuden? O animê encerrou há três anos e mesmo assim segue em alta. É óbvio que esse é um movimento natural onde teremos novos espectadores e mais ainda espectadores antigos revisitando sempre que possível (a questão da afetividade). Só que isso aponta também para uma certa necessidade de se encontrar algo motivador nas novidades lançadas.

A Crunchyroll e as outras até se esforçam trazendo versões dubladas e extras (recentemente muitos OVAs passaram a ser disponibilizados na empresa da princesa ninja), mas ainda depende muito do público despertar para outros caminhos para seu consumo. Nem toda a publicidade e o marketing do mundo vão vencer o boca a boca (ou aquele tweet maroto) que se repete entre indicar sempre os mesmo títulos ou descartar outros.

Nosso mercado editoral, mesmo em crise, contribue bastante para uma mudança de hábitos ao tentar introduzir novos tipos de narrativas advindas do Japão (Boa Noite PunPun, Beastars e a Rosa de Versalhes são alguns exemplos fáceis). Mesmo assim, no Brasil ainda é o animê quem leva o público para o fandom. Sem dúvida nenhuma shounen é bom (não pretendo entrar no mérito de suas tramas genéricas e outras discussões possíveis), contudo é preciso que encaremos uma realidade: se ficarmos consumindo somente isso estaremos sempre na ponta do iceberg do mercado de entretenimento de mídia japonesa.

Quanto as hipóteses listadas no início desse texto, a primeira não tem muita inferência sobre isso. Mesmo quem consome de maneira ilegal deve ter o mesmo perfil. É só considerar que quem fomenta o mercado legalizado um dia já esteve na informalidade (ou ainda está dado diferentes motivos). Já a segunda é mais plausível. O brasileiro ainda não saiu do senso comum e talvez isso possa se dar também por não entender a questão das demografias. Lembre-se: shounen não é um gênero e sim um categoria de mercado adotada no Japão*. Muitas histórias boas podem ser encontradas fora do chapéu denominado shounen sem ferir a personalidade ou maneirismos de ninguém. Se algumas editoras nacionais nos ajudassem a não piorar essa confusão isso seria muito mais fácil (assunto para outra hora!).

Por fim cabe dizer que cada um sabe o que faz com seu dinheiro, tempo e motivação. Quem agradece sempre serão os serviços de streaming, que no fundo querem mesmo é lhes ser úteis não importa para qual finalidade.

Até a próxima e… Sayonara!

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* No episódio #02 do Podcast Otaku eu (Saylon Sousa), Lucas Nash e Otávio de Morais tratamos sobre o tema “Demografias de animês e mangás”. Ouça e entenda mais sobre o assunto. Siga o canal Volts Podcasts no Spotify, Google Podcasts, Apple Podcasts e diversas plataformas.

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