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Artigo Otaku | One Piece e a “nova era” do live-action de animês

Anúncio da Netflix retoma debate sobre qualidade dos live-action de animês e outras mídias japonesas.

Claro que não poderia deixar de vir aqui comentar a notícia de maior impacto na comunidade otaku dos últimos dias: o anúncio do live-action de One Piece pela Netflix. Espera! Mas não já se falava disso noutro tempo? Sim, se falava, mas agora é mais que oficial. Em 2017, quando as primeiras movimentações foram feitas, o que se especulava era que uma adaptação animada (muito parecido com o que está sendo feita com Knights of the Zodiac) fosse o foco.

Agora sabemos que o que vem aí é uma série com atores reais e – muito provavelmente – bastante computação gráfica. Sim, efeitos visuais devem dominar a produção que recontará a trama do mangá mais famoso da atualidade e que conta com um universo fantástico multirracial (humanos, gigantes, tritões e outras criaturas), místico (com poderes vindo de frutas que moldam os corpos), sci-fi (com um leve toque de steampunk) e com aparente inspiração no expressionismo dada as multiplicidades de formas e ambientes retratados em unidade junto do traço mais intrínseco ao que é a arte mangá, valorizando expressões e emoções humanas.

Parece bem difícil encarar como um live-action conseguirá reproduzir essa realidade. O anúncio da Netflix contou também com a informação de que o mestre por detrás disso tudo, Eiichiro Oda, fará parte da produção (talvez já na tentativa de nos animar), mas não criarei expectativas sobre isso. O mais provável é que seu papel como consultor se resuma a uma outra contribuição. No Twitter, a página da Shounen Jump – revista onde o mangá é publicado – postou uma carta assinada por Oda que fala sobre a série e crava que a primeira temporada terá 10 episódios. Uma conta para o série live-action foi criada lá essa mesma carta foi reproduzida em diversos idiomas, incluindo o português. Não se sabe ainda até a onde esses 10 episódios irão.

Carta de Eiichiro Oda traduzida para o português publicada no perfil @onepiecenetflix no Twitter. (Fonte: Internet)

Essa dificuldade que comento aqui diz respeito à quantidade de informação existente em One Piece. Só a fase inicial, que marca a formação do Bando Pirata dos Chapéu de Palha até a entrada na Grand-Line, conta com sete arcos (um oitavo não se considera, pois é filler) somando mais de 50 episódios de 23 minutos em média. Adaptar tudo isso em aproximadamente 10 horas (10 episódios de 60 minutos) garante que muita informação terá que ser ignorada. Meu palpite é que não teremos a formação do bando pirata membro por membro. O mais provável é que eles se reúnam logo no início e enfrentem um adversário em comum (e aqui chuto o tritão Arlong, dado seu impacto na trama) e somente no fim da temporada, lá na Cidade de Longuetown, eles decidam por se juntar em definitivo à Monkey D. Luffy em sua jornada para ser o Rei dos Piratas.

Palpites à parte, a confirmação do live-action de One Piece torna-se a peça final para iniciarmos as primeiras discussões sobre uma “nova era dos live-actions de animê”. Live-action de animê é algo que sempre existiu e que sempre foi polêmico. Primeiramente em formato de filme – com muita rejeição por parte dos fãs – e agora no formato de série para um público mais que realizado em maratonar produções audiovisuais.

Antes de One Piece, no entanto, a Netflix e sua parceira nessa empreitada (a Tomorrow Studios) devem entregar ainda 2020 o aguardado live-action de Cowboy Bebop. É meio errado dizer isso, mas um clássico da animação japonesa servirá de experimento para a adaptação do hit de Eiichiro Oda. Responsabilidade dobrada para o showrunner Chistopher Yost, que conta com a participação de Shinichiro Watanabe – diretor do animê original – envolvido no projeto.

Mais duas outras live-action devem ser confirmadas futuramente pela Netflix. A primeira é a adaptação de Sword Art Online, que dois anos atrás foi comprada da Skydance Television e já conta com Laeta Kalogridis (Altered Carbon) como showrunner do projeto, embora ainda não tenha data garantida ou mesmo confirmação se o projeto segue em andamento. A outra, de uma semana atrás, ainda é mais nebulosa. A mesma Skydance Television confirmou a produção de live-action para o animê Stein;Gate. O anúncio foi feito durante o evento comemorativo dos 10 anos da série. Essa, por enquanto, não tem participação da Netflix, mas o trânsito comercial já feito entre as duas empresas sinaliza que esse será o destino dado à Stein;Gate.

Página da série Cowboy Bebop na Netflix já aparece para usuários (Fonte: Reprodução)

Fora das terras sagradas da Netflix outras adaptações são ventiladas. Uma delas é a já confirmada Knights of the Zodiac: Saint Seiya pela GM Films (essa sendo longa-metragem mesmo). Outra em processo é Akira, que tinha previsão de lançamento para 2021, mas recentemente foi tirado do calendário da Warner Bros. e substituído por Matrix 4. O filme sairá, mas agora sem data fixa. Isso porque Taika Watiti, que dirigirá o longa-metragem, tem outro trabalho pela frente (Thor: Love and Thunder, pela Marvel Studios).

Saindo dos animês e entrando nos games ainda em 2020 teremos Monster Hunter com Mila Jovovich lá em setembro e Mega Man, recentemente confirmado pela 21th Century Films. Ambos baseados em jogos da CAPCOM. Bem antes temos ainda Sonic: the Movie já agora em fevereiro (esse baseado em jogo da SEGA).

Retomando o assunto inicial, One Piece é um mar de incertezas por parte de todos. Tanto poderá ser uma coisa muito boa como uma grande decepção. A produção de live-action de obras japonesas ao mesmo tempo que se caracteriza como um reconhecimento desses conteúdos e sua popularização para outros públicos fora do nicho, reflete uma atividade quase que predatória pelos gigantes do entretenimento audiovisual estadunidense, que querem alcançar uma fatia do público que – na teoria – não consomem o que é mainstream e veem nisso a possibilidade de “converter” o entretenimento para otakus em entretenimento para não-otakus numa forma de aglutinar todos no único e puro objetivo do lucro.

E não há uma recriminação de minha parte nisso, o problema é quando tais ações afetam a experiência do outro. Basta voltarmos no tempo, porque o mais sábio é aquele que reflete no passado, e vermos que a primeira experiência da Netflix com um live-action de animê não é das melhores. O ano de 2017 ainda nos assusta com o fiasco chamado Death Note.

Até a próxima e… Sayonara!

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Podcast Otaku #02 – Demografias de animes e mangás

Podcast quinzenal debate os assuntos mais quentes do universo otaku.

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Shounen ou Shoujo? Qual seu gênero favorito de animes e mangás? Pera aí… Quem disse que esses termos são exemplos de gêneros? No segundo episódio do Podcast Otaku, nossos amantes da cultura pop japonesa debateram sobre as demografias. Para que elas servem? Como são definidas? E por que não podemos considerá-las como gêneros? Isso e muito mais você descobre ouvindo nosso podcast.

O segundo episódio do Podcast Otaku contou com a participação dos jornalistas Saylon Sousa, Lucas Nash e Otávio de Moraes.

Nossos podcasts

“Com Elas” é o podcast do Volts sobre ficção especulativa na televisão. É derivado do sucesso programa “GOT com Elas”, também apresentado por Alessandra Medina e Tayna Abreu, que teve até evento de transmissão dos episódios de Game of Thrones e um viral mundial. Agora, o papo se estendeu e você vai adorar!

“220 Podcast” é o primeiro podcast do Volts, lançado em 2017, para debater os temas mais quentes da cultura pop e também sobre cotidiano da equipe Volts. Nesse programa você encontra muita informação e risada garantida.

O “Podcast Otaku” é o primeiro podcast do Maranhão a debater cultura pop japosesa com jornalistas especializados no assunto. Animes, mangás e tudo que é destaque nesse universo passa pela análise do nosso podcast.

Onde ouvir

Todos os podcasts do Volts são disponibilizados em uma mesma conta intitulada Volts Podcasts no Spotify. Para ouvir, é só buscar o termo “Volts Podcasts” no sistema de buscas do aplicativo e clicar em “seguir”. Lá, você pode ouvir os episódios via streaming ou fazer o download para escutar depois.

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Podcast Otaku #01 – Debatendo a chegada do Studio Ghibli na Netflix

Podcast quinzenal debate os assuntos mais quentes do universo otaku.

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A Netflix adquiriu os direitos de transmissão mundial de todos os 21 filmes do Studio Ghibli, a partir de 1º de fevereiro, exceto nos Estados Unidos, Canadá e Japão. Nos EUA, eles estarão disponíveis no HBO Max. Na estreia do Podcast Otaku, novo programa do Volts Podcasts, discutimos sobre os títulos e sobre o futuro dessa parceria.

O episódio de estreia do Podcast Otaku contou com a participação dos jornalistas Saylon Sousa, Lucas Nash e Otávio de Moraes.

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“220 Podcast” é o primeiro podcast do Volts, lançado em 2017, para debater os temas mais quentes da cultura pop e também sobre cotidiano da equipe Volts. Nesse programa você encontra muita informação e risada garantida.

O “Podcast Otaku” é o primeiro podcast do Maranhão a debater cultura pop japosesa com jornalistas especializados no assunto. Animes, mangás e tudo que é destaque nesse universo passa pela análise do nosso podcast.

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Artigo Otaku | Mais um feito dos Sete Pecados Capitais

Mangá foi eleito pelo público como o “Livro do Ano” no Google Play.

Na última terça-feira (03) foram divulgados os resultados do Google Play Choice Awards 2019, uma premiação promovida pela Google junto aos usuários da sua loja oficial de aplicativos que define – em voto popular – os melhores do ano em quatro categorias: App, Game, Filme e Livro.

Entre os vencedores do ano destaque para Avengers: Endgame na categoria Melhor Filme. Nas categorias Melhor App o vencedor foi Dollify (app de criação de caricaturas) e em Melhor Jogo o vencedor foi Call of Duty Mobile. Na quarta e última categoria, Melhor Livro, uma surpresa chamou a atenção de todos.

O público que votou indicou o volume 30 do mangá The Seven Deadly Sins (Nanatsu no Taizai, no original) como o grande campeão do ano.

A partir dessa situação o breve artigo reflete agora sobre as consequências disso. Embora de início há quem defenda uma certa jocosidade por parte dos eleitores do prêmio (a qual não descarto), se faz mister dizer também que há nisso um prognóstico do que se esperar para o mercado.

Contextualizando o vencedor, o que se pode dizer é que The Seven Deadly Sins vol.30 foi publicado digitalmente no ocidente em 2019 (um anos depois do seu lançamento no Japão em 2018). No Brasil, o título é publicado tanto no formato físico quanto no digital pela JBC Editora. Aqui, vale ressaltar, além dos volumes compilados ainda podemos consumir os capítulos simultaneamente com o lançamento no Japão também no formato digital.

O volume em questão abrange os capítulos 241 a 249 incluindo dois extras. Seus principais ato são: o duelo entre o Rei dos Gigantes, Drole, e o Rei das Fadas, Gloxínia, contra o demônio Chandler; Meliodas e os poderes dos Dez Mandamentos e a verdadeira forma de Merlin. Até é um volume interessante, mas bem mediano num olhar mais apurado. The Seven Deadly Sins vem tomando a bastante tempo um caminho arrastado e pouco empolgante (na reta final melhorou um pouco, mas bem pouco mesmo!), o que nos leva a questionar a escolha do título para vencedor em Melhor Livro do Google Play Choice Awards.

Fonte: Google Play Choice Awards 2019

Não tenho dados, e nem é de meu interesse no momento refletir sobre eles, mas o que nos leva a crer é que a presença do mangá no formato digital não é uma aventura sem fundamento. Há público, e esse público responde colocando-o no mais alto lugar do pódio de uma premiação simbólica, mas de repercussão.

Ainda em novembro, a Japan House em São Paulo-SP, em virtude de sua exposição “Isto é Mangá” realizou algumas palestras com foco no tema onde profissionais de diversos setores da indústria editorial envolvidos com esse universo puderam falar abertamente com o público sobre isso. Uma dessas palestras focou justamente no assunto dos mangás digitais e reuniu representantes da própria JBC, além de Kobo Rakuten (empresa especializada em livros e leitores digitais) e BookWire (especializada em marketing e distribuição de livros digitais).

Conforme o relato feito pelo blog Mais de Oito Mil, entre os muitos assuntos levantados figuraram temas como “combate à pirataria” com os palestrantes lembrando que uma cultura de leitura do digital já existe entre fãs de mangás (os scanlators) e que o foco é pensar em como tornar o hábito de fazer isso por vias legais deve ser melhor pensado e aproveitado pelos licenciadores e editores. Outro tema é o que diz respeito a “desterritorialização dos espaços de venda” ao tornar mais prático e acessível a leitura digital do mangá, visto que para a indústria existe uma crise de mercado quando se fala de distribuição e material para confecção de versões físicas (o que está nos levando para um boom das edições de luxo, outra pauta importante que deve ser questionada, mas não aqui).

Dito isso, a aposta no mercado digital de mangás é uma realidade tão presente que The Seven Deadly Sins vence em popularidade justamente por atingir um público de fato interessado no conteúdo e no formato. É lógico que esse conteúdo pode – e será – questionado pelo próprio público, mas com o passar dos tempos poderemos ver mangás considerados de alto nível vencendo em outras ocasiões. Tudo depende do binômio investimento do mercado + aceitação do público quanto ao desapego com o físico.

Assim, seja para o bem ou para o mal, os sete pecados capitais deixam seu nome marcado por mais esse feito: agora fora do Reino da Liones.

Até a próxima e… Sayonara!

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