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Artigo Otaku | Mais um feito dos Sete Pecados Capitais

Mangá foi eleito pelo público como o “Livro do Ano” no Google Play.

Na última terça-feira (03) foram divulgados os resultados do Google Play Choice Awards 2019, uma premiação promovida pela Google junto aos usuários da sua loja oficial de aplicativos que define – em voto popular – os melhores do ano em quatro categorias: App, Game, Filme e Livro.

Entre os vencedores do ano destaque para Avengers: Endgame na categoria Melhor Filme. Nas categorias Melhor App o vencedor foi Dollify (app de criação de caricaturas) e em Melhor Jogo o vencedor foi Call of Duty Mobile. Na quarta e última categoria, Melhor Livro, uma surpresa chamou a atenção de todos.

O público que votou indicou o volume 30 do mangá The Seven Deadly Sins (Nanatsu no Taizai, no original) como o grande campeão do ano.

A partir dessa situação o breve artigo reflete agora sobre as consequências disso. Embora de início há quem defenda uma certa jocosidade por parte dos eleitores do prêmio (a qual não descarto), se faz mister dizer também que há nisso um prognóstico do que se esperar para o mercado.

Contextualizando o vencedor, o que se pode dizer é que The Seven Deadly Sins vol.30 foi publicado digitalmente no ocidente em 2019 (um anos depois do seu lançamento no Japão em 2018). No Brasil, o título é publicado tanto no formato físico quanto no digital pela JBC Editora. Aqui, vale ressaltar, além dos volumes compilados ainda podemos consumir os capítulos simultaneamente com o lançamento no Japão também no formato digital.

O volume em questão abrange os capítulos 241 a 249 incluindo dois extras. Seus principais ato são: o duelo entre o Rei dos Gigantes, Drole, e o Rei das Fadas, Gloxínia, contra o demônio Chandler; Meliodas e os poderes dos Dez Mandamentos e a verdadeira forma de Merlin. Até é um volume interessante, mas bem mediano num olhar mais apurado. The Seven Deadly Sins vem tomando a bastante tempo um caminho arrastado e pouco empolgante (na reta final melhorou um pouco, mas bem pouco mesmo!), o que nos leva a questionar a escolha do título para vencedor em Melhor Livro do Google Play Choice Awards.

Fonte: Google Play Choice Awards 2019

Não tenho dados, e nem é de meu interesse no momento refletir sobre eles, mas o que nos leva a crer é que a presença do mangá no formato digital não é uma aventura sem fundamento. Há público, e esse público responde colocando-o no mais alto lugar do pódio de uma premiação simbólica, mas de repercussão.

Ainda em novembro, a Japan House em São Paulo-SP, em virtude de sua exposição “Isto é Mangá” realizou algumas palestras com foco no tema onde profissionais de diversos setores da indústria editorial envolvidos com esse universo puderam falar abertamente com o público sobre isso. Uma dessas palestras focou justamente no assunto dos mangás digitais e reuniu representantes da própria JBC, além de Kobo Rakuten (empresa especializada em livros e leitores digitais) e BookWire (especializada em marketing e distribuição de livros digitais).

Conforme o relato feito pelo blog Mais de Oito Mil, entre os muitos assuntos levantados figuraram temas como “combate à pirataria” com os palestrantes lembrando que uma cultura de leitura do digital já existe entre fãs de mangás (os scanlators) e que o foco é pensar em como tornar o hábito de fazer isso por vias legais deve ser melhor pensado e aproveitado pelos licenciadores e editores. Outro tema é o que diz respeito a “desterritorialização dos espaços de venda” ao tornar mais prático e acessível a leitura digital do mangá, visto que para a indústria existe uma crise de mercado quando se fala de distribuição e material para confecção de versões físicas (o que está nos levando para um boom das edições de luxo, outra pauta importante que deve ser questionada, mas não aqui).

Dito isso, a aposta no mercado digital de mangás é uma realidade tão presente que The Seven Deadly Sins vence em popularidade justamente por atingir um público de fato interessado no conteúdo e no formato. É lógico que esse conteúdo pode – e será – questionado pelo próprio público, mas com o passar dos tempos poderemos ver mangás considerados de alto nível vencendo em outras ocasiões. Tudo depende do binômio investimento do mercado + aceitação do público quanto ao desapego com o físico.

Assim, seja para o bem ou para o mal, os sete pecados capitais deixam seu nome marcado por mais esse feito: agora fora do Reino da Liones.

Até a próxima e… Sayonara!

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Artigo Otaku | Shounen no Brasil e dados da Crunchyroll

Empresa divulgou dados da audiência do 1º trimestre de 2020.

Nessa semana a Crunchyroll divulgou dados de suas audiência referente à Temporada de Primavera 2020 (que diz respeito aos período Janeiro-Fevereiro-Março) e é possível levantar hipóteses ou constatar algumas coisas ao analisar os os dados compartilhados.

Entre as hipóteses: 1) o consumo não legalizado de animê influencia na métrica; 2) ou o otaku brasileiro ainda não se acostumou a consumir o que vai para além do senso comum no que diz respeito aos animês disponíveis no mercado.

Já entre as constatações: 1) título advindos da demografia shounen seguem sendo muito populares no mundo; 2) o brasileiro não foge a regra e ama muito o shounen.

Vamos entender isso.

PAÍSES COM MAIS VIEWS POR USUÁRIO

O primeiro dado disponibilizado pela Crunchyroll relata que no 1º trimestre de 2020 os dez paízes com o maior número médio de views por usuário foram:

Sistematizando os dados temos 4 países da América do Sul e 2 da América Central (contabilizando 6 da América Latina), 2 países da Europa (Itália e Polônia) e 2 da Ásia (índia e Filipinas). Infelizmente, sem números que quantifiquem o debate e nos ajudem a avaliar isso em relação ao comparativo populacional dos próprios países, o que se pode concluir – ao menos – é que estando disseminado em muitos países e culturas os animês fazem parte da rotina de muita gente.

No entanto, como é o perfil desses consumidores? Provavelmente esses dados levem em conta views por episódio, assim um único usuário pode render muitos views assistindo Naruto, Naruto Shippuden e Boruto: Naruto Next Generation, que juntos ultrapassam a marca de 800 episódios. Da mesma forma, outro usuário pode assistir dez títulos diferentes com número médio de 13 episódios (1 cour predefinido para um trimestre) e contabilizar 130 episódios assistidos sem contar com séries completas maiores ou série grandes ainda em exibição (One Piece, por exemplo).

Sem saber com exatidão quanto usuários há por país ficamos apenas na expectativa de perceber que diferente de nós brasileiros esse público listado gasta muito mais tempo na plataforma, o que pode ser traduzido de duas formas também: a) ou o público brasileiro ainda usa muito pouco o catálogo da Crunchyroll disponível (mesmo com exibição de conteúdo dublado e etc.) e se limita a ´poucos títulos (falaremos disso mais a frente!); 2) ou no fim, comparado ao sempre presente debate de fãs nas redes sociais, o número de assinantes não é tão expressivo como deveria ser para o nosso país.

Prefiro acreditar na opção “a”. Segundo dados da própria empresa sua comunidade de usuários gasta aproximadamente 85 minutos por dia assistindo séries na plataforma. Considerando que um episódio de animê tem em média 23 minutos de duração isso significa que por dia 3,7 episódios são vistos por pessoa (isso pode ser tanto de uma mesma série ou de séries diferentes). Se arrendondarmos para 4 podemos dizer que cerca de 120 episódios são vistos em um mês por uma única pessoa, o que chega bem perto do exemplo citado acima onde um único usuário acompanha no mínimo dez séries diferentes. Mesmo assim não dá para precisar isso já que temos infinitas possibilidades de consumo disponíveis num universo de 50 milhões de usuários para mais de 700 títulos disponíveis.

ANIMES MAIS VISTOS NO INVERNO 2020

Antes de entrar no mérito do Brasil em si, temos um segundo dado que diz respeito aos vinte animês mais vistos pelo plúbico assinante da Crunchyroll (o que inclui os mais de 200 países onde a plataforma está inserida).

Entre os vinte títulos acima listados é imperativo dizer que somente um não pertence a demografia shounen: Re:Zero -Starting Life in Another World-. O título, que entra na lista muito devido a recente disponibilização da versão de corte do diretor Masaharu Watanabe e que conta com episódios com duração aproximada de 50 minutos cada (mais que o dobro da versão inicial), é listado como seinen desde a sua primeira publicação oficial com a light novel lançada pela Media Factory.

Além de Re:Zero cabe destacar que: That Time I Got Reicarnated as a Slime e The Rising of The Shied Hero também são originalmente web novel ou light novel. Além disso, Darling in the Franxx é um animê original (Cloveworks/Studio Trigger), Radiant é baseado em um quadrinho francês (o primeiro a ser publicado no Japão), Welcome to Demon School! Iruma-kun é baseado em um mangá publicado pela Akita Shoten e Mob Psycho 100 é baseado em um mangá publicado pela Shogakukan. Por fim, Attack on Titan é baseado em mangá publicado pela Kodanha. Todos os demais são baseados em mangás licenciados pela editora Shueisha publicados ou em publicação pela revista Weekly Shounen Jump (com exceção de Boruto: Naruto Next Generations, que era publicado na Weekly Shounen Jump até julho do ano passado quando foi transferido para a revista V-Jump também pertencente a editora).

Podemos constatar que o shounen, a partir da premissa Esforço-Amizade-Vitória, mundialmente popularizada pela Weekly Shounen Jump, ainda rende bons frutos no que diz respeito à recepção do público. Saber o porquê dessa preferência não sabemos (e acredito que nem a própria Crunchyroll tenha feito pesquisas junto ao seu público para isso), mas é interessante perceber que mesmo que vejamos essas narrativas serem constantemente questionadas pelas suas repetições, fanservices e demais elementos genéricos ainda são bastantes populares pelo planeta.

Outros fatos interessantes aqui são a presença de Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba, que mesmo tendo sido exibido no inverno passado segue sendo popular um ano depois (o que é óbvio dado o hype construído em torno da obra desde então). O mesmo vale para The Rising of Shield Hero que também é do inverno passado e segue popular. Aqui atribuo muito ao fato de a série ser co-produzida pela própria Crunchyroll e propositalmente ter mais material de marketing envolvido nisso em suas plataformas e redes sociais. O comentário sobre essa série em específico se dá pelo fato dela ter sido alvo de muita polêmica durante sua exibição original que dividiu o público entre prós e contrários à animação.

OS MAIS VISTOS DO BRASIL

Mas e no Brasil? O que nosso público assistiu nos três primeiros meses de 2020? Bom, não poderia ser muito diferente do que se viu nos dados mundiais. O shounen segue sendo o preferido dos brasileiros também.

O que se percebe ao avaliar esses dados é que algumas fanbases bem específicas ajudam a construir o cenário do consumo de animês em nosso país ainda com muita propriedade (o que pode ou não ser interessante). É quase que natural que alguns conteúdos considerados hits dentro do metiê otaku se destaquem sobre aqueles mais de nicho (pegando emprestado conceitos usados por Chris Anderson em seu livro A Cauda Longa). No entanto, como isso se torna efetivo para a manutenção do fandom?

A Crunchyroll investe – assim como outras empresas de entretenimento em streaming – em novos títulos diversificados e talvez ainda esteja faltando algo a mais para impulsionar isso. Dentre os dez títulos acima listados apenas quatro estavam com episódios inéditos durante o Inverno 2020 (One Piece, Boruto, My Hero Academia e Black Cover). Isso indica muitos fatores.

Em títulos mais recentes como Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba pode significar que a popularização da obra (e aproximação de seu fim no mangá) tenham levado mais pessoas que não viram durante a exibição original verem agora. Mas e no caso de títulos como Naruto Shippuden? O animê encerrou há três anos e mesmo assim segue em alta. É óbvio que esse é um movimento natural onde teremos novos espectadores e mais ainda espectadores antigos revisitando sempre que possível (a questão da afetividade). Só que isso aponta também para uma certa necessidade de se encontrar algo motivador nas novidades lançadas.

A Crunchyroll e as outras até se esforçam trazendo versões dubladas e extras (recentemente muitos OVAs passaram a ser disponibilizados na empresa da princesa ninja), mas ainda depende muito do público despertar para outros caminhos para seu consumo. Nem toda a publicidade e o marketing do mundo vão vencer o boca a boca (ou aquele tweet maroto) que se repete entre indicar sempre os mesmo títulos ou descartar outros.

Nosso mercado editoral, mesmo em crise, contribue bastante para uma mudança de hábitos ao tentar introduzir novos tipos de narrativas advindas do Japão (Boa Noite PunPun, Beastars e a Rosa de Versalhes são alguns exemplos fáceis). Mesmo assim, no Brasil ainda é o animê quem leva o público para o fandom. Sem dúvida nenhuma shounen é bom (não pretendo entrar no mérito de suas tramas genéricas e outras discussões possíveis), contudo é preciso que encaremos uma realidade: se ficarmos consumindo somente isso estaremos sempre na ponta do iceberg do mercado de entretenimento de mídia japonesa.

Quanto as hipóteses listadas no início desse texto, a primeira não tem muita inferência sobre isso. Mesmo quem consome de maneira ilegal deve ter o mesmo perfil. É só considerar que quem fomenta o mercado legalizado um dia já esteve na informalidade (ou ainda está dado diferentes motivos). Já a segunda é mais plausível. O brasileiro ainda não saiu do senso comum e talvez isso possa se dar também por não entender a questão das demografias. Lembre-se: shounen não é um gênero e sim um categoria de mercado adotada no Japão*. Muitas histórias boas podem ser encontradas fora do chapéu denominado shounen sem ferir a personalidade ou maneirismos de ninguém. Se algumas editoras nacionais nos ajudassem a não piorar essa confusão isso seria muito mais fácil (assunto para outra hora!).

Por fim cabe dizer que cada um sabe o que faz com seu dinheiro, tempo e motivação. Quem agradece sempre serão os serviços de streaming, que no fundo querem mesmo é lhes ser úteis não importa para qual finalidade.

Até a próxima e… Sayonara!

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* No episódio #02 do Podcast Otaku eu (Saylon Sousa), Lucas Nash e Otávio de Morais tratamos sobre o tema “Demografias de animês e mangás”. Ouça e entenda mais sobre o assunto. Siga o canal Volts Podcasts no Spotify, Google Podcasts, Apple Podcasts e diversas plataformas.

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Podcast Otaku #03 – O mundo do Mahou Shoujo

Podcast quinzenal debate os assuntos mais quentes do universo otaku.

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PELO PODER DO PRISMA LUNAR! No terceiro episódio do Podcast Otaku, nossos jornalistas mágicos resolveram invocar seus poderes para falarem sobre um dos gêneros mais empoderados do universo de animes e mangás: o mahou shoujo (garotas mágicas). Qual é o fascínio que as garotas mágicas despertam no público e por que ainda há tanto preconceito com o gênero? Ouça e descubra.

O terceiro episódio do Podcast Otaku contou com a participação dos jornalistas Saylon Sousa, Lucas Nash e Otávio de Moraes e convidados.

Nossos podcasts

“Com Elas” é o podcast do Volts sobre ficção especulativa na televisão. É derivado do sucesso programa “GOT com Elas”, também apresentado por Alessandra Medina e Tayna Abreu, que teve até evento de transmissão dos episódios de Game of Thrones e um viral mundial. Agora, o papo se estendeu e você vai adorar!

“220 Podcast” é o primeiro podcast do Volts, lançado em 2017, para debater os temas mais quentes da cultura pop e também sobre cotidiano da equipe Volts. Nesse programa você encontra muita informação e risada garantida.

O “Podcast Otaku” é o primeiro podcast do Maranhão a debater cultura pop japosesa com jornalistas especializados no assunto. Animes, mangás e tudo que é destaque nesse universo passa pela análise do nosso podcast.

O “LiteraPOP” é o nosso podcast, em parceria com o Litera Clube, voltado para literatura e cotidiano de leitores. Todo mês um tema em que nossos apresentadores e convidados compartilham suas experiências e promovem um intercâmbio de universos literários, diminuindo as fronteiras entre a solidão dos leitores.

Onde ouvir

Todos os podcasts do Volts são disponibilizados em uma mesma conta intitulada Volts Podcasts no Spotify. Para ouvir, é só buscar o termo “Volts Podcasts” no sistema de buscas do aplicativo e clicar em “seguir”. Lá, você pode ouvir os episódios via streaming ou fazer o download para escutar depois.

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Podcast Otaku #02 – Demografias de animes e mangás

Podcast quinzenal debate os assuntos mais quentes do universo otaku.

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Shounen ou Shoujo? Qual seu gênero favorito de animes e mangás? Pera aí… Quem disse que esses termos são exemplos de gêneros? No segundo episódio do Podcast Otaku, nossos amantes da cultura pop japonesa debateram sobre as demografias. Para que elas servem? Como são definidas? E por que não podemos considerá-las como gêneros? Isso e muito mais você descobre ouvindo nosso podcast.

O segundo episódio do Podcast Otaku contou com a participação dos jornalistas Saylon Sousa, Lucas Nash e Otávio de Moraes.

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