Connect with us

Artigo Otaku

Artigo Otaku | Endgame, Detective Conan e De Pernas pro Ar 3

Japão mais uma vez surpreende dentro de casa e levanta o debate sobre distribuição.

Quando Thanos disse ser inevitável ele se equivocou plenamente. As ações de Tony Stark provam isso de forma simples. Outra coisa que prova isso é saber como o blockbuster de maior sucesso no mundo tropeça de forma besta numa única franquia de animação japonesa: Detective Conan.

Dados do site Box Office Mojo revelam que durante o fim de semana de 04 à 05 de maio um total de 38 países seguem com Avengers: Endgame na liderança das suas respectivas bilheterias nacionais. O Brasil apresentou um arrecadação bruta de pouco mais de 15 milhões em dólares neste período. A China teve a maior bilheteria com mais de 64 milhões em dólares.

Considerando que essa era a segunda semana do filme em cartaz, temos um resultado bastante satisfatório e que justificam sua ascensão rápida ao Top 02 das maiores bilheterias mundiais de todos os tempos. Mas ao que parece o japonês não consegue acompanhar esse raciocínio. Isso porque o país é o único onde nesse intervalo de tempo outro título liderou o ranking do fim de semana citado: Detective Conan: The Fist of Blue Sapphire, o 23º filme da franquia.

O filme animado japonês rendeu apenas 5,2 milhões de dólares, mas desbancou Endgame. Como o site apresenta a métrica considerando o público de fim de semana é certo que os valores são bem maiores numa contagem de sete dias, só que o ponto aqui é que de novo Thanos e os Vingadores não conseguiram desbancar a animação da casa.

Fonte: www.boxofficemojo.com

Em 2018 o mesmo aconteceu com Avengers: Infinty War só que na época da estreia. O filme ficou em segundo perdendo para outro momento de Detective Conan no cinema, que já estava em sua terceira semana. Neste ano o filme de n°23 estreou duas semanas antes da película da Marvel e vem se mantendo à frente quase o tempo todo.

Na estreia de Endgame o filme alcançou bilheteria semanal de 13,1 milhões de dólares. Já Detective Conan alcançou 13 milhões de dólares, o que coloca ambos em 19ª e 20ª colocação geral no ranking japonês de grandes estreias. Num comparativo o Detective Conan e Guerra Infinita de 2018 ficaram em 24ª e 53ª posição respectivamente.

Um ano atrás eu disse que o japonês ainda é fortemente ligado ao que é seu, e isso inclui aos produtos midiáticos. A paixão dos fãs nipônicos à franquia Detective Conan consegue disputar de igual para com os blockbusters internacionais. Obviamente não é uma disputa para impedi-los de ser grandes lá também, mas sim não serem únicos.

O que nos leva a outro ponto deste debate aqui no Brasil. Após a estreia arrasadora de Avengers: Endgame com mais de 2 mil salas contra apenas 546 do longa-metragem brasileiro estrelado por Ingrid Guimarães, em diversos momentos vimos matérias questionando o problema da distribuição de salas e do pouco caso dado ao cinema nacional nesse tipo de situação. Vale lembrar que o filme perdeu quase metade de suas salas com a estreia da Marvel (inicialmente eram 1010 salas).

Brasileiros em sessão de Avengers: Endgame. (Foto: Marcelo Regua/Agência O Globo)

Eles culpam a não regulamentação da “Lei da Dobra” para justificar a queda no rendimento do filme. Ao O Globo, Mariza Leão – produtora do filme – disse que a falta de fiscalização da Ancine possibilita que as produções nacionais sejam desvalorizadas diante dos blockbusters internacionais.

Mas olhando os dados do filme no Box Office Mojo podemos ver que no fim de semana de estreia De Pernas pro Ar 3 ficou em 2º lugar atrás de Shazam!, que já estava na sua segunda semana com uma diferença de arrecadação aproximada em 500 mil (em dólares!) entre um e outro, 2,3 milhões e 1,8 milhões respectivamente.

O curioso é que no fim de semana seguinte ao de sua estreia, De Pernas pro Ar 3 foi ultrapassado por Breaktrough (Superação: Um Milagre da Fé), filme cristão que foi o melhor entre 19 e 21 de abril liderando o ranking e sendo seguido por Shazam! e a produção nacional. Naquele fim de semana a produção evangélica arrecadou no Brasil 1,7 milhões de dólares e o filme de Ingrid Guimarães 1,3 milhões. Na soma dos dois fins de semana, De Pernas pro Ar 3 tinha um saldo melhor com 3,89 milhões contra 3,10 milhões (ainda em dólar). Detalhe, Breaktrough e De Pernas pro Ar 3 estrearam juntos no dia 11 de abril.

Então no fim de semana de estreia de Avengers: Endgame o filme brasileiro reassumiu o segundo lugar e se mantém assim até o último fim de semana já no início de maio com um somatório de mais de 6 milhões em dólares de valores arrecadados.

Olhando os casos dispares de Dectetive Conan e De Pernas pro Ar 3 o que concluímos é que a indústria do cinema nesses dois países enxergam seu público de maneira completamente diferente. Infelizmente o site Box Office Mojo não informa a quantidade de salas destinadas ao filme nipônico, o que mesmo assim não nos ajudaria a comparar nada em específico visto que são dois tipos de públicos-alvo.

Mesmo assim não é nada absurdo observar que o filme brasileiro até tem um bom desempenho, contudo sua data de lançamento parece das mais equivocadas possível. O que é diferente no Japão, pois muitos dos filmes mais esperados – e a própria franquia Detective Conan – são lançados entre os dois fim de semana que antecedem a Golden Week, o principal feriado nacional de lá, que atrai muita gente às telonas.

Cinema do grupo Toho no Japão, um dos três que monopolizam a indústria por lá

Encerro esse artigo com um detalhe importante: O custo médio de uma sessão de cinema no Brasil é de R$30,00. No Japão esse valor duplica chegando a aproximadamente R$62,00 colocando o país na sétima posição dos cinemas mais caros do mundo.

A experiência de cinema no Japão chega a ser considera de luxo, pois em média um casal gasta quase R$200,00. Entretanto, envolve bastante conforto e outras novidades como cinema 4D e etc.

Por fim, digo que o falta ao empresário do ramo de cinema no Brasil é mais planejamento. A filmografia já é bem recebida pelo público, mas competir com blockbuster com dezenas de heróis reflete certo amadorismo. Talvez quando for nossa vez de apresentar super-heróis nas telonas repitamos as surpresas dos japoneses e nos tornemos calo no pé de certo vingadores. Jaspion vem aí para isso!

Até a próxima e… Sayonara!

Artigo Otaku

Artigo Otaku | Pray for KyoAni

No momento de dor, lembramos um pouco sobre o estúdio e desejamos força aos familiares e fãs

Me é custoso escrever esse texto. Ao lado de Madhouse, MAPPA, Ufotable e A1-Pictures, o estúdio Kyoto Animation é um dos meus preferidos. Nos últimos anos, trabalhando títulos como Koe no Katashi (A Voz do Silêncio, no Brasil) e Violet Evergarden, o KyoAni – como carinhosamente chamamos – vem mostrando ao mundo uma linguagem única para a equação qualidade na animação + narrativas bem desenvolvidas + posicionamento de marca bem feito = afeição dos fãs.

Infelizmente, na manhã desta quinta-feira (18) parte dessa trajetória foi maculada pelas chamas. O atentado provocado por um homem de 41 anos, ainda não identificado pelas autoridades locais, tomou a vida de 33 profissionais do estúdio situado no distrito de Uji, Prefeitura de Quioto.

Vídeo produzido pelo site de notícias FNN Prime, que acompanha o caso

Ao incendiar o principal estúdio do grupo KyoAni, que no momento tinha cerca de 70 funcionários dentro, o indivíduo deu início a uma pausa no magnífico trabalho daqueles profissionais que caminhavam de forma tão majestosa dentro da indústria de animês mesmo sem ser das mais gigantes no quesito financeiro.

Criada em 1981 pelo casal Hideaki e Yoko Hatta, a empresa é conhecida entre admiradores da Cultura Otaku por ser uma das poucas do ramo a dar mais oportunidades a animadoras e diretoras em papéis de destaque em suas produções, além de promover condições de trabalho mais qualificadas para seus profissionais. Algo que nos dia de hoje é muito criticado por participantes dentro e fora da indústria, que amarga situações de tempo de serviços prologados mal remunerados e sem prever boas condições mentais aos envolvidos.

O trabalho promovido pelo Kyoto Animation é dos mais exemplares. Além de se preocuparem com seus funcionários, o estúdio oferece-lhes desde o treinamento/formação em uma escola própria para animadores, além de outros espaços de trabalho, como é o caso do estúdio Animation Do que serve como empresa subsidiária.

Tudo isso contribuiu para a formação de uma imagem única dentro da indústria e do fandom: a de uma empresa que prima pela qualidade em seu processo criativo e sempre entrega animações de beleza indiscutíveis.

Alguns dos personagens da KyoAni em arte promocional de evento realizado em 2017

Seja nos dramas já citados ou em comédia simples, mas bem propostas, como em Amagi Brilliant Park, Musaigen no Phantom World e Kobayashi-san Chi no Maid Dragon. Citando algumas das mais recentes pelas quais me apaixonei.

Seu trabalho foi além com a criação do Kyoto Animation Awards, que premia light novels de autores estreantes e as publica (sim, eles também publicam livros!) para depois transformá-los animês. Violet Evergarden, sucesso da Netflix em 2018, produzido pelo estúdio, é a primeira light novel vencedora do concurso a ganhar nas três categorias (melhor cenário, história, ilustração).

É Pensando nisso que não dá pra imaginar o que foi perdido ali no meio do fogo. Registros, projetos e demais trabalhos pertinentes aos títulos de sucesso já citados, além de outros como: Hibike! Euphonium, Free!, K-On, Clannad, Lucky Star e Suzumiya Haruhi no Yuutsu. Que nos formaram como fãs do KyoAni.

Agora, o que dá para contabilizar é o número de mortos e feridos. Gente que saiu de suas casas pensando em produzir algo bom para nós, seus fãs, e tiveram suas missões interrompidas por um motivo que nem sabemos ainda!

Dessa forma, a hastag #PrayForKyoAni é muito mais que um lamento de melancolia pelo material perdido, o qual dependerá de árduo trabalho para se recuperar, mas sim pelas almas humanas como as nossas que deixaram em nós marcas de felicidade, amor e força de vontade para superar desafios. Nosso choro não é apenas por Tooru, Violet, Shinomiya, Hazumiya e tantas outras personagens que amamos. É também pelos familiares daqueles que nos ensinaram a amar essas waifus. Estes merecem nosso apoio com palavras gentis e de respeito.

Ações de crowdfunding promovidas por empresas parceiras e fãs – como a campanha #HelpKyotoAniHeal realizada pela Sentai Filmworks, que já reuniu mais de 900 mil dólares em menos de 24 horas – são importantes e ajudarão a empresa a se reerguer. Mas o primeiro passo que se deve dar mesmo é não deixar morrer no coração o sentimento de solidariedade com o próximo. Isso também é ser otaku.

Para os próximos anos a história do Kyoto Animation deve renascer muito mais intensa por esse sentimento que movimenta a todos desde agora. Sobre seus projetos, a empresa trabalhava recentemente na adaptação da light novel 20 Senki Denki Mokuroku (20th Century Eletricity Catalog) de Hiroshi Yuuki (texto) e Kazumi Ikeda (arte). Vencedora de menção honrosa do 8ª Kyoto Animation Awards, a obra foi publicada ano passado e teve adaptação anunciada para 2020.

Ainda em 2019, o KyoAni já tinha outros projetos para serem apresentados envolvendo a franquia Violet Evergarden: o spin-off “Eien to Jidou Shuki Ningyou“, adaptação do volume gaiden da light novel prevista para estreia no dia 06 de setembro nos cinemas japonesas. Para 2020, além do animê de 20 Senki Denki Mokuroku, o estúdio já havia confirmado o filme longa-metragem com história original de Violet Evergarden (previsto para 10 de janeiro nos cinemas japoneses), além do quinto filme da franquia Free! previsto para o terceiro semestre do ano.

Teaser de Violet Evergarden: the Movie, que chega aos cinemas japonesas ano que vem

Quanto ao fogo, parece que ele quer mesmo consumir os produtos midiáticos que alimentam nosso afetivo. Uma semana atrás, o estúdio da Warner Bros. na Inglaterra, onde foram gravados os filmes da franquia Harry Potter, também pegou fogo. Felizmente nessa ocasião não havia ninguém no lugar durante o desastre. Por isso repito: só nos resta rezar!

Até a próxima e… Sayonara!

Continue Reading

Artigo Otaku

Artigo Otaku | Casos recentes do streaming na Cultura Otaku

Reflexões sobre o streaming de conteúdo otaku a partir de situações atuais.

Desde 2015 a famigerada Netflix investe em animês no seu catálogo de forma mais intensa. Com bem mais tempo, a Crunchyroll também se envolveu com esse tipo de comércio sendo até então exclusiva para este segmento. E aqui cito as duas mais populares quando se fala em streaming de animê nos dias atuais.

Às vésperas da virada de mais uma década do século XXI (o ano de 2021 já está batendo a porta!) caminhamos para a consolidação de um modelo de consumo mais eficiente entre os fãs de animês, também conhecidos como otakus.

O curioso é que os desdobramentos desse modelo de mercado em cima de um conteúdo que atravessa o globo para chegar nos computadores e smartphones de jovem ocidentais está relacionado diretamente com o comportamento dos grandes grupos de mídia da atualidade, que por sua vez se reflete no comportamento de consumo dos fãs. A fim de exemplificar esse artigo usarei dois cases como recurso. O primeiro é o caso DanMachi e o segundo é o caso My Hero Academia.

1- O caso DanMachi

A estreia de DanMachi: Arrow of the Orion no último dia 05 de julho no catálogo da Netflix é um pontapé para a discussão sobre oferta e demanda na indústria manganime. o título citado é o primeiro longa-metragem da franquia do estúdio J.C. Staff, que em abril de 2015 foi lançada em série de TV animada com 13 episódios.

Naquela época, DanMachi havia sido licenciada pela Crunchyroll e permanece em seu catálogo até então. Dois anos depois, um spin-off foi lançado (DanMachi: Sword Oratoria) e aí foi licenciado pela Amazon para o seu Prime Video. Novamente, dois anos depois, além do filme temos agora a segunda temporada da série principal, que já está confirmada para o catálogo da Crunchyroll a partir de julho.

Até um mês atrás, os fãs ficaram sem certeza de onde onde poderiam ver a sequência da série, pois as investidas da Amazon e da Netflix deixaram as negociações em aberto. Bom, ao menos era o que o público imaginava. Na verdade não havia nenhuma negociação em aberto. O mais correto a se assumir é que desde sempre o comitê de produção de DanMachi (que conta com empresas como Genco, Movix, KlorkWorx, SoftBank Creative, Showgate, MAGES., Furyu, além de Warner Bros. Japan – responsável pela distribuição – e Sentai Filmorks – responsável pelos licenciamentos -), consideram cada título um produto diferente e por isso podem vendê-los de maneira distinta. O que é o certo!

Franquia DanMachi dividi-se em três serviços de streaming no momento

Por isso nos deparamos com a série principal em um serviço de streaming, o spin-off num segundo e o longa-metragem num terceiro. Obviamente, essa divisão se dá muito em valor do interesse comercial depositado por cada uma das empresas de streaming. DanMachi: Arrow of the Orion estar na Netflix não é uma novidade, pois a empresa vem se destacando em trazer títulos do cinema japonês para o catálogo, tenham eles sido exibidos ou não nos Estados Unidos. No caso do filme em questão há mais uma curiosidade: o fato de ele ser lançado no cinema americano só no dia 23 de julho, dezoito dias depois de estrear no catálogo da Netflix.

A Crunchyroll vem de uma outra pegada e parece que ainda não encara apostar nos títulos longa-metragem para seu catálogo. A grande surpresa aqui é ter “perdido” para a Amazon o licenciamento do spin-off DanMachi: Sword Oratoria. Entre aspas mesmo, porque no frigir dos ovos a empresa não saiu perdendo. Esse spin-off não foi dos mais queridos pelo público amargando uma popularidade ranqueada na casa dos 499, enquanto a 1ª temporada da série principal figura no 59º lugar do ranking do My Anime List.

Esses dados nos permitem aferir ainda que a trajetória mais curta e o catálogo ainda pequeno do Amazon Prime Video, no quesito animês, ainda não atraem o público. Essa pouca repercussão se reflete na baixa popularidade do animê e no fato de que a cada dia que passa mais e mais otakus vão perdendo um pouco da sua essência “raíz” de buscar títulos em fansubers e speedsubers. A indústria agradece.

Fica também o pensamento de que a equipe de licenciamento da Crunchyroll tem um bom feeling e não perdeu tempo com um título que não caiu na graça do público e seria um investimento pouco lucrativo. Mas tudo são conjecturas.

2 – O caso My Hero Academia

Esse segundo caso diz respeito também a como o streaming coloca em xeque estruturas antigas de consumo e desafia os empresários a lhe dar com o fã.

Com três temporadas disponíveis na Crunchyroll, My Hero Academia (Boku no Hero Academia no original) caminha para sua quarta season em outubro de 2019. O que deixa muito fãs do shonnen em hype elevadíssimo. Para deixar tudo mais intenso temos o primeiro longa-metragem da franquia, My Hero Academia: 2 Heróis, confirmado para estrear em sessão única no dia 08 de agosto em diversos cinemas do Brasil.

Curiosamente, o filme é licenciado no Brasil pela distribuidora Sato Company (especializada em conteúdo asiático), repetindo o que aconteceu no ano passado com Bungo Stray Dogs: Dead Apple em 2018. A série de TV é parte integrante do catálogo da Crunchyroll e o filme distribuído pela Sato Company.

Até aí tudo bem, a mesma lógica do caso 1. O comitê de produção encara cada título como um produto comercial diferente e vende de forma separada. Vai das empresas interessadas fazer a compra da licença. Ao que parece, essa dinâmica Crunchyroll licencia a série e Sato Company os longa-metragens é válida para ambas as empresas.

My Hero Academia: 2 Heróis é atração aguardada para o segundo semestre

Contudo, o problema que entra em questão aqui é o quesito dublagem. My Hero Academia: 2 Heróis foi dublado para ser exibido nos cinemas em dois idiomas (japonês e português) e conta com um bom estúdio, o UniDub, e bom dubladores como Guilherme Briggs e Lipe Volpato, além de youtubers otaku como Leonardo Kitsune, Gabi Xavier e Vii Zedek. A proposta parece que vai ficar legal.

Só que a série de TV ainda não foi dublada, e a Crunchyroll vem trabalhando em dublagens nos últimos tempos. Se por algum acaso conseguirem licenciar a dublagem da série de TV será que usaram o mesmo cast de dubladores, o mesmo estúdio, visto que cada licenciamento prevê acordos comerciais separados? O tempo dirá.

E então?

Nos dois casos, o que se percebe é que o streaming vem modificando o comportamento da indústria de animês, pois os comitês de produção tem muito mais visibilidade comercial quanto ao licenciamento de seus títulos já que para um mesmo mercado cada título pode ser distribuído para um serviço de streaming diferente.

A questão é: como o público se encaixa nisso? Por enquanto de modo nenhum, a não ser tendo uma assinatura diferente para cada streaming se quiser consumir todos os títulos da temporada ou mesmo todos os relacionados à franquia que goste. Uma crueldade com o bolso de qualquer um!

Essas possibilidades de mercado do streaming se refletem também no licenciamento para o cinema. Os títulos chegarão muito menos na grande sala (ao menos fora dos Estados Unidos) e quando chegarem se depararão com o assunto dublagem que é muito próximo dos fãs, pelo menos de quem gosta.

Isso porque quando se faz a dublagem de um filme cuja série ainda não foi dublada, promove-se um desafio ao detentor da licença da série em propor acordos comerciais que além de não desagradar os envolvidos economicamente não desagradem os fãs, envolvido afetivamente com o título e com a marca.

Respostas para esse dilemas não brotaram do éter, no entanto. Em ambos os casos uma única coisa é certa: quanto mais se tem a noção de que o streaming está sendo a melhor solução para a indústria, mas se percebe o quanto ele se torna desafiador para a Cultura Otaku ao colocar os integrantes da tribo num balaio de gato onde quem paga tudo consome tudo e é apenas isso, um grande OK, sem méritos ou demais situações, e consome tudo o faz sem garantias de saber quando, onde, como e por que em muitos dos casos. Algo a se pensar.

Até a próxima e… Sayonara!

Continue Reading

Artigo Otaku

Artigo Otaku | A realidade do Revival de animês

Anúncio de nova série promove frisson, mas também questionamentos.

Após apresentar Orbital Era, seu mais novo filme e confirmar uma remasterização em 4K de sua obra-prima, Katsuhiro Otomo fez muitos otakus pelo mundo suspirar como em fim de coito após revelar um novo projeto de Akira. Uma série animada dentro do universo do mangá de 1982 foi anunciada durante o Anime Expo 2019, em Los Angeles (EUA). A produção ficará por conta do estúdio Sunrise (Cowboy Bebop, Gundam, Code Geass).

Ao mesmo tempo, tal anúncio promoveu um debate perspicaz entre, digamos, especialistas, que já premeditam situações de aceitação e negação do produto ainda nem comercializado puramente com base em suas experiências com o mangá e também com o animê lançado em 1988.

Depois de 30 anos do boom dos animês no ocidente, chegamos numa fase bastante assustadora aos fãs e pesquisadores do Otaku Studies. Como a onda revival pode contribuir para o fandom hoje? A resposta é: não pode! Vejamos o porquê.

Uma das alegações mais ouvidas nos últimos dez anos é que a indústria japonesa se estagnou, que os títulos não são inovadores, que se perdem em fanservice e na hipersexualização das personagens femininas etc. Nenhuma mentira, por sinal, mas o ponto de partida para vários desdobramentos.

Não consigo conceber a ideia de que a indústria aposte no revival porque as obras de 20/30 anos atrás eram superiores às de hoje. Minha ingenuidade me leva a crer que na verdade é só o fator sucesso que impulsiona um revival de um animê. Por já haver base de fãs estabelecidas a possibilidade de prejuízo é menor. O problema do revival, no entanto, é que ele se depara com a barreira do tempo. O comportamento, a cultura e a educação dos fãs da obra na sua época de auge jamais serão os mesmos 30 anos depois. Nem mesmo os fãs serão iguais.

Isso não vale apenas para animês. O revival de Rei Leão, hoje muito aguardado, já foi questionado pela tópico da expressividade dos animais. Recentemente, Mulan sofreu com críticas por mudanças na questão da trilha sonora e Ariel provocou alvoroço ao apresentar uma atriz negra no papel da princesa dos mares. Se as animações da toda poderosa Disney tem seus revival colocados em xeque (para o bem ou para o mal), o que não dizer da controvertida indústria japonesa de entretenimento?

Veja você que Os Cavaleiros do Zodiaco da Netflix nem estreou ainda, mas já é polêmico porque um personagem teve o sexo mudado. Imagine agora o que se pode esperar da nova obra envolvendo Akira? Talvez muita coisa boa se consideramos o envolvimento direto de Otomo (acontecendo de fato) ou talvez uma mudança chocante, pois nesses 30 anos Otomo pode ter moldado uma nova visão de mundo e isso influenciaria o mundo da sua obra, que por si só é uma ficção distópica bastante tênue. A paixão dos fãs pode ser maculada a cada alteração (quem lembra dos tweets de J. K. Rowling?)

Akira possui seis volumes de mangá que foram brevemente adaptados em 1988. Mesmo assim foi um sucesso. É bom deixar claro que durante o anúncio no Anime Expo 2019 nada foi confirmado. O mais cogitado, no entanto, é que se trate de um reboot mesmo. Mesmo assim, nada garante que um novo projeto – mesmo um que leve ao pé da letra o mangá – obtenha o mesmo respeito, pois o quesito repertório afetivo do público é traiçoeiro.

É verdade! Por exemplo, quando Neo Genesis Evangelion foi anunciado para o catálogo da Netflix houveram muitos comentários pró e contra. Para a Netflix tanto fez como tanto faz. Agora, o animê do estúdio Gainax é dos mais relevantes do início de julho e toda hora tem alguém no Twitter ou no Reddit dando seus pitacos. O último foi sobre a redublagem nacional (realizada por contratos comerciais) bastante criticada por , VEJA SÓ, corrigir erros da primeira versão e eliminar piadas existentes só naquela versão em PT-BR.

Dito isso, a realidade do revival otaku é uma só: As empresas o fazem porque é economicamente interessante e é a alternativa que tem em mãos para reconquistar o fã que não vê mais futuro na indústria. Isso porque todo dia tem mangás e light novels sendo rejeitados nas editoras japonesas que estão atrás do novo sucesso mundial. Todavia, elas não podem deixar de alimentar seu próprio mercado e por isso não tem vergonha de usar genéricos com fórmulas repetidas. Melhor garantir a subsistência a ter que falir. Lembre-se que nem tudo são rosas e os animadores não são os mais bem pagos do mundo.

Dessa forma – não esquecendo das novas linguagens e dos novos tempos – realizadores e estúdios apostam na espinha dorsal do projeto e retiram algumas coisas, acrescentam outras… Tudo com o objetivo de gerar o marketing mais amado de todos: o feito pelo fã.

Aí, quando este membro importantíssimo para o projeto, mas completamente à parte na sua realização, tenta tomar para si responsabilidades não lhe dadas por meio de comentários e críticas, alguém de dentro da indústria vem para relembrar todo mundo como cada um deve se comportar na equação. Não é mesmo Junichi Masuda?

Até a próxima e… Sayonara!

Continue Reading