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Artigo Otaku | Animação de Saintia Sho impacta nas trilhas, mas deixa a desejar no visual

Primeiro episódio cativa, mas apresenta sequência de falhas no visual.

Nesta segunda-feira (10) os assinantes premium do Crunchyroll puderam curtir o primeiro episódio de Saint Seiya: Saintia Sho. A animação que apresenta um time de protagonistas mulheres estreia na sequência de uma conturbada manifestação de fãs sobre a mudança de sexo de Shun de Andrômeda e promete sim ser um tópico bastante discutido no fandom nos próximos dias.

Com trilha sonora impactante – relembrando muito o trabalho de Seiji Yokoyama – a Toei Animation e estúdio Gonzo fazem do spin-off retcon de Chimaki Kuori um bom produto para a franquia Saint Seiya.

Destaque para o tema de abertura “The Beautiful Brave”, que é interpretado por quatro das protagonistas da série: Shouko de Cavalo Menor (Aina Suzuki), Kyoko de Cavalo Menor (Mao Ichimichi, a M.A.O.), Saori Kido (Inori Minase) e Mii de Golfinho (Megumi Nakajima), que traz um pop-rock entusiasmante e bem letrado misturando a pegada idol com o estilo anisong. O tema de enceramento “Hohoemi no Resonance” fica por conta das dubladoras das irmãs Kyoko e Shouko, mas não é grande coisa.

 

Os traços do estúdio Gonzo deixam a desejar dentro do animê.

 

À exceção da trilha sonora, a animação peca bastante e transforma a obra de Chimaki Kouri num colchão de retalhos de traços mal elaborados e desproporcionais. A queixa é justa entre muitos fãs, principalmente por quem lê a versão original em mangá.

Considerado em boa parte da fanbase mundial como o mangá mais bem desenhado da franquia, Saint Seiya: Santia Sho é bem quisto justamente por reunir os belos traços comuns de mangás shoujo em uma obra focada no estilo shounen. O elemento de design de personagens é um atrativo a parte no mangá. A animação do estúdio Gonzo não respeita isso e opta por um estilo muito próximo pelo executado por Shingo Araki (character design da versão clássica) e assim torna a experiência menos positiva do que poderia ser.

Bastante estático em determinados momentos – muito mais nas cenas de ação – o primeiro episódio do animê tenta reproduzir sem justificativa plausível as mecânicas existentes no fim da década de 1980 e que fizeram de Saint Seiya (Os Cavaleiros do Zodíaco) um produto peculiar: esteticamente inferior, mas afetivamente cativante.

Saintia Sho tem em sua própria gênese o fator atração, pois apresenta o plot já batido dos Santos de Atena com foco em jovens colegiais japonesas (por lá algo mais do que esperado!) sem esquecer do traço – aqui já comentado -, mas ao que parece a Toei não se preocupou em manter essas características bem exploradas.

Na verdade, fica óbvio o quanto a Toei tem um percentual de rejeição enorme para com a obra de Masami Kurumada. Sempre tratada como elemento de segunda categoria a franquia Saint Seiya é posta de escanteio mesmo ganhando novos projetos. A maior prova disso é a total liberdade que a empresa dá as parceiras, como está sendo com Saintia Sho e o estúdio Gonzo e como já mostrou o trailer da versão da Netflix.

Chega a ser bem fácil de afirmar que se não fosse o público do ocidente Saint Seiya teria caído no ostracismo anos atrás. Sem aptidão para ser cult e sem talento para ser hit como em 1986 (mangá) e 1990 (animê) a franquia sobrevive assim: na mão de quem quer e da forma como eles querem. O público também não ajuda, mas esse é outro assunto.

Eyecath de Saintia Sho revela o traço original do mangá.

 

Vale a experiência de assistir Saintia Sho. Para quem não leu o mangá e fica de cara ao ver as amazonas sem máscaras, a produção optou por seguir a obra e explicar isso nos episódios seguintes. Não sei afirmar se isso é correto, pois tem que vá assistir sem esse primeiro contato. No entanto, não é algo absurdo demais.

Sem ser rushado, o primeiro episódio aborda com perfeição o primeiro capítulo do mangá e mais uns três e cumpre seu papel mesmo desagradando no visual. Talvez se os traços de Kuori (apresentados durante os eyecaths) tivessem sido mantidos esse sem dúvida seria o melhor produto que a franquia já ganhou em anos.

Por agora, os canvetes ficam no delírio de uma tão sonhada terceira temporada para a adaptação do mangá de Shiori Teshigori. Queridos, sinto dizer: Não vai rolar!

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Artigo Otaku | Do Otaku Ocidental (II)

Relembramos dois estigmas do passado que refletem o quanto o otaku é estigmatizado.

Sabe, eu acho grupos de trabalho no WhatsApp as piores coisas da Terra. Muita informação descontinuada, memes (alguns legais!), memória do celular sempre cheia de lixo eletrônico… Enfim! Uma confusão. Obviamente um mal necessário.

Dentro desse grande número de grupos de WhatsApp que eu faço parte um me anima bastante (além do da equipe VOLTS, é claro): o do grupo de amigos otaku. Um grupo de pouco mais de onze participantes – o que é um bom número – que se reuniram originalmente em outro projeto. Cada um com suas peculiaridades, gostos, interesses, mas sempre dialogando em conjunto sobre um mesmo tema: Cultura Otaku.

Sou audacioso ao dizer que quase se trata de uma comunidade virtual bem ativa, mesmo que às vezes fiquemos muito mais que três semanas sem trocar uma única mensagem sequer. Mas basta algo bombar ou virar polêmica no meio otaku… E aí estamos nós conversando.

O otaku-zoku (a tribo otaku) se organiza sempre assim, em grupos pequenos ou grandes para alimentar seu desejo por curtir mangás e animês, como o de se sentir parte de algo maior. Obras como Otaku no Video e Geshiken, que retratam o modo de olhar a comunidade otaku tradicional (japonesa) são inspirações para o otaku ocidental, que busca compartilhar de bons momentos juntos a outro de sua mesma “espécie”.

Nesta segunda parte da série de artigos “Do Otaku Ocidental” relembro duas situações que criaram estigmas sobre a comunidade otaku no Japão e no Brasil e nos ajuda entender o quanto hoje estamos “evoluídos” em termo de comunidade.

Chutando de forma generosa, há 15 anos quando se falasse em otaku no Japão o que se vinha à tona em muitos momentos era o caso Miyasaki. Não me refiro ao famoso cineasta Hayao Miyazaki e sim ao assassino Tsutomu Miyazaki, que em 1989 foi preso após ser acusado de molestar uma criança de cinco anos. Para a polícia confessou outros quatro crimes semelhantes com morte das meninas. Em 2008 foi condenado à morte por enforcamento.

Tsutomu colecionava mangás e fotografias. Na visão japonesa: um otaku. Seus crimes e sua vida pessoal o apelidaram de “Assassino Otaku”. Um olhar de reprovação moral caiu sobre todos que se encaixassem ou apresentassem com o nome da tribo social.

Para a polícia havia uma relação comportamental direta entre os gostos do “Monstro de Saitama”, outro de seus codinomes midiáticos, e seus crimes. Isso devido ao modo como ele praticava os assassinatos, que envolviam mutilações e necrofilia. Tsutomu era apaixonado por filmes de terror também e em sua casa foram achados muitos VHS do gênero.

Esse olhar que maculou a figura dos otaku comentada por Akio Nakamori num período tão próximo se espalhou também para outras comunidades e nações.

Diferente dos países asiáticos onde a visão religiosa politeísta predomina e não exerce influência sobre as práticas de consumo das pessoas, no Ocidente ser otaku tornou-se uma tarefa de extrema dificuldade no início do século XXI. Nos primeiros momentos do século atual e da geração millennial tudo o que passava na TV tinha que ter um selo de aprovação religioso de pais, responsáveis e “especialistas”.

Talvez, no Brasil, o exemplo mais clássico desse impacto cultural entre a mídia pop japonesa e a tradição judaico-cristã ocidental tenha sido com as cartas de Yu-Gi-Oh! Em 2003, Gilberto Barros, na segunda fase do programa Boa Noite Brasil, realizou quatro programas focados em condenar o que ele chamou de “baralho do demônio”.

O grande dia da denúncia foi na quinta-feira (05 de junho de 2003), quando reunindo uma espécie de “tribunal”, Gilberto Barros contou com a presença de um teólogo como advogado de acusação, um organizador de eventos de cardgame no papel de advogado de defesa, além de um psicólogo e um juiz da Vara da Infância e Juventude que poderiam muito bem ser interpretados como o júri popular.

Como a salada ainda poderia ser melhor, além do ataque ao TCG houve também o momento palestrinha sobre Dragon Ball Z. Usando um trecho do filme “A Árvore do Poder”, que na época foi exibido em algumas sessões de cinema do país, o apresentador tentou construir um factoide sobre como o animê influenciava os filhos a desobedecer os pais.

Anos depois, Giberto afirmou em diversas entrevistas que na época não sabia direito do que se tratava Yu-Gi-Oh! e disse que apenas seguiu a pauta do programa. Engraçado pensar nisso quando se recorda que o Grupo Bandeirantes – responsável pelo show noturno – também é famoso por ter exibido diversos animês, inclusive Dragon Ball Z. Rindo, se pode dizer que o ataque foi mais um recalque para com a Globo (exibidora de Yu-Gi-Oh! na época) do que uma preocupação com os filhos dos outros.

Parando agora para encarar o quanto a comunidade otaku teve que aturar ao longo dos anos até ser reconhecida como tribo social midiaticamente forte, eu tenho que ceder e dizer que realmente vale mesmo muito manter contato com outros otaku através do WhatsApp.

O otaku ocidental, além de ter que lhe dar com os dilemas deixados pelo passado agora também tem que conviver com as construções narrativas duvidosas de membros da própria tribo, que embora busque viver em sociedade de forma amigável ainda é submetida aos conflitos de ideais e interesses de cada um. Assim, persiste o questionamento:

E você, já sabe que tipo de otaku é?

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Artigo Otaku | Do Otaku Ocidental (I)

Este é o primeiro de uma série de artigos sobre a comunidade otaku ocidental atual.

O espaço destinado pelo VOLTS para reflexões sobre a Cultura Otaku torna bem estimulante o pensar sobre essa tribo social em cada novo artigo. A série que se inicia aqui é um ensaio para debater justamente como nós – os otaku – estamos organizados hoje.

Há 36 anos, o jornalista e crítico social japonês Akio Nakamori trazia ao seu povo a definição moderna para o termo otaku.

Satírico, Nakamori retratou em textos publicados na revista adulta Manga Burikko comentários pouco atraentes a respeito dos fãs de animações e quadrinhos em auge no seu país naquela época, tais como Yamato Battleship, Gundam e até mesmo o clássico Castelo Cagliostro. A crítica do jornalista buscava retratar como na sociedade japonesa dos anos 1980 estavam se organizando movimentos de pessoas em torno de elementos midiáticos ficcionais de forma intensa e – aos olhos dele – desequilibrada.

Trazendo à tona o pronome em desuso para “você”, Nakamori reuniu os mania, nekura-zoku e byouki em um único grande grupo a fim de comentar sobre suas aventuras diante da Comiket (a maior convenção otaku do Japão). A pergunta chave do texto mais popular dos “Estudos de Otaku” (Otaku no Kenkyu), como ficaram conhecidos seus artigos, é:

“Então, que tipo de otaku és tu?”

De lá para cá muita coisa mudou – e muitas nem tanto – e o termo carregado de deboche e mal recebido inicialmente tornou-se o título perfeito para definir o fã da indústria do manganime japonês. Está certo que ainda hoje há quem tenha controvérsias sobre ser chamado de otaku, mas já é uso comum para milhões de pessoas, para a mídia.

Hoje já trabalhamos com definições diferentes. Há o otaku tradicional, nascido no Japão, e há o otaku ocidental… Otaku ocidental? Pois é, a globalização permitiu que o otakuway saísse do arquipélago no Oceano Pacífico e conquistasse diversos rincões do planeta.

É esse otaku ocidental que vem ajudando a pautar a indústria que tanto aprecia. Será isso realmente a verdade? Um olhar mais profundo faz crer que há um jogo ilusório entre produtores e consumidores onde ambos alegam dizer ter um bom relacionamento e controle sobre aquilo que chamam de cultura (a Cultura Otaku), quando na verdade somente um lado da corda detém o legítimo controle. Eu nem preciso dizer qual não é?

Ao longo desta série debateremos sobre como a visão ocidental impacta o entretenimento japonês e como ele se organiza diante da multifacetada comunidade otaku que se criou nessas mais de três décadas passadas.

Para dialogar com os dois grupos de otaku – o tradicional e o ocidental – a mídia japonesa vem se organizando em uma vertiginosa formação de combate onde o consumidor é inserido dentro do centro do campo de batalha, numa mentirosa sensação de espaço, ao mesmo tempo que é cercado pelos flancos pelas inúmeras diretrizes e fetiches e advindos das noções de mercado da indústria.

Esse embate se intensifica e envolve outras entidades e pessoas que buscam manter a sociabilidade e a moralidade alinhadas, algo que no mundo dos otaku às vezes parece estar perdido. Enquanto a ONU apresenta novas diretrizes que buscam eliminar qualquer indício de sexualização infantil em conteúdos de entretenimento, tais como animações, nunca se viu tanto conteúdo inapropriado sendo produzido e disseminado pela indústria e pelos fãs.

Quando outros discutem a falta de representatividade femininas em jogos o que vemos, ouvimos e lemos são ataques carregados de ódio ao formadores de opinião que tentam alertar seu seguidores que machismo é errado e compromete o bem estar social; que alimentá-lo no entretenimento é concordar com ele no mundo real.

Ao passo que todos falam em promover a Cultura Otaku, mas ninguém quer admitir que por mais importante que tenham sido (e ainda sejam!) scans e subs não são caminhos legais para isso.

Resumindo, o otaku ocidental é isso: retalhos de hipocrisia. Mas nada de espanto! A sociedade é assim também.Jean-Jacques Rousseau uma vez disse que o homem seria bom por natureza e que a sociedade o corrompeu. O ícone da filosofia iluminista ao falar sobre a moral criou um argumento ainda hoje muito sustentado (com ressalvas!) de que o perigo está na forma como nos organizamos em conjunto.

Entretanto neste artigo sou capaz de afirmar que Nietzsche tinha motivos para discordar do pensador. Isso porque se a sociedade existe é a motivação está no ser humano que se reúne, portanto ela [a sociedade] não corrompe o homem e sim nasce corrompida pelo próprio criador que imprime nela suas ambições.

Com os otaku é simplesmente o mesmo. Há muita maldade no meio da tribo porque há uma forte intensão de manifestar fetiches e ambições. Numa tentativa de fuga social, o otaku replica aquilo que não pode ou não deve na realidade e constrói sobre si um castelo de cartas prestes a ruir sustentado apenas pela arrogância.

Esse é o otaku ocidental, que dialoga com os argumentos da boa sociedade e, contudo, por causa do seu fetichismo ainda não conseguiu compreender que mudanças devem ser feitas e que as críticas de Akio Nakamori ao otaku tradicional são as mesma repetidas nos dias de hoje. O que nos leva a perguntar também:

E você, já sabe que tipo de otaku é?

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Artigo Otaku | Mirai no Mirai e a obra de Mamoru Hosoda

Indicação ao Oscar 2019 é encarada como homenagem ao animador japonês.

Ofuscada pela treta envolvendo os sites de fansubs e a Crunchyroll da semana passada, deixou-se de comentar neste site a indicação de Mirai no Mirai (Mirai of the Future, no ocidente) entre os finalistas do Oscar 2019 na categoria de Melhor Filme de Animação.

Mas agora corrigimos nossa falha ao citar aqui o filme indicado e comentar sobre a obra de seu realizador: Mamoru Hosoda.

Classificando-se numa lista de mais de vinte nomes, Mirai no Mirai é o representante dos animês entre os cinco melhores filmes animados de acordo com a The Academy Awards. Além dele também figuraram na pré-lista: Liz to Aoi Tori (Liz and the Blue Bird), Yoru Wa Mijikashi Arukeyo Otome (The Night Is Short, Walk on Girl), FireWorks e
Sayonara no Asa ni Yakusoku no Hana wo Kazarou (Maquia: When the Promised Flowers Blooms).

Mirai no Mirai é um filme realizado por Mamoru Hosoda, animador e diretor japonês, que vem sendo celebrado nos últimos anos por bons filmes e trabalhos em séries de TV. O filme acompanha a história do garoto Kun, que vê sua vida mudar com a chegada da irmã mais nova, Mirai, e vai ter que lhe dar com as emoções e sensações vividas por toda criança que vive aquele ciúme infantil a cada dia e com cada descoberta.

Em Mirai no Mirai, Ko e sua irmã (vinda do futuro) tentam se aproximar a pesar das diferenças. Imagem: Mamoru Hosoda/Madhouse.

No geral, o que se pode falar sobre o filme é que ele tem um toque de sutileza bem marcante das obras produzidas por Hosoda. Intuitiva, a animação gira em torno do tema família e constrói a trama em cima de um universo lúdico que divide nossa opinião entre a simples inocência da infância ou uma recorrente interferência do sobrenatural. Somos levados a acreditar na segunda opção por se tratar de um filme de Mamoru Hosoda, que dialoga com bastante afinidade com o imaginário e o mítico.

Mais do que isso é esperar demais. Mirai no Mirai é um filme dramático e com uma mensagem bastante pertinente para os dias atuais. Diria até que é a indicação perfeita para quem vai ser pai de primeira viagem ou quer ter um bom exemplo para discutir Educação Infantil. Tecnicamente é bem elaborado com dinamismo nas animações de paisagens e personagens, além de uma coloração, efeitos e trilha sonora impecáveis. Entretanto, apenas isso (sendo repetitivo).

Essa conclusão rápida me faz dizer que o que acaba pesando na escolha do indicado nessa espécie de “cota para filmes asiáticos” na premiação está muito mais relacionada ao peso do nome do realizador/diretor. Essa é a segunda vez que Mamoru Hosoda figura entre os pré-indicados ao Oscar. Em 2011, seu filme Summer Wars ficou entre os pré-indicados e não foi finalista (naquela ocasião Toy Story 3 foi o vencedor).

Indicado, Mirai no Mirai acaba por estabelecer um importante marco para a animação japonesa na premiação mundialmente aclamada: o de ser o primeiro filme de animê não produzido pelo Studio Ghibli a figurar entre os cinco finalistas na categoria de Melhor Filme de Animação.

O realizador japonês se torna também o quinto japonês a disputar o icônico troféu na categoria. Além de Hayao Miyazaki e Isao Takahata, Hiromasa Yonebayashi (direção) e Yoshiaki Nishimura (produção) foram os outros dois com seu trabalho em Omoide no Marnie (Memórias de Marnie), que disputou no Oscar 2016. Tal filme foi também o último animê totalmente japonês a disputar o Oscar. Em 2017, La Tortue Rouge (co-produção Wild Bunch e Studio Ghibli) também chegou na última fase da premiação. No Entanto, esse filme é uma co-produção franco-belga-japonesa.

Mamoru Hosoda é ícone entre fãs otaku pelo seu trabalho com animês.


Mamoru Hosoda, 51 anos, natural da Prefeitura de Toyama, tem um dos currículos mais bem sucedidos da atualidade por contar com grandes produções em que esteve envolvido. Trabalhando tanto com séries de TV, durante sua passagem pela Toei Animation, quanto com longas-metragem desde sua chegada aos estúdios Madhouse.

Na primeira fase de sua carreira (na Toei Animation) desempenhou papel de animador, diretor e realizador de títulos famosos como Yu Yu Hakusho, Sailor Moon, Dragon Ball Z, One Piece e Digimon Adventure.

Já na Madhouse iniciou sua carreira como destaque do cinema de animação japonesa contemporânea com sucessos como Wolf Children (Crianças Lobo) e Bakemono no Ko (O Rapaz e o Monstro), filmes presentes no catálogo da Netflix há pouco tempo.

Podemos elencar seus trabalhos conforme a função exercida na seguinte lista:

Como animador

  • Slum Dunk (episódios 29 e 70);
  • Sailor Moon Stars (episódio 07);
  • Sailor Moon Super S: O Filme;
  • Ashita no Nadja (episódio 26);
  • Yu Yu Hakusho: Mekai Shito Hen – Hono no Kizuna (1995);
  • Dragon Ball Z (episódio 173);
  • Dragon Ball Z: Broly – O lendário Super Saiyajin;
  • Dragon Ball Z: Broly – A segunda vinda;
  • Dragon Ball Z: Em Busca do Poder;
  • Crying Freeman;
  • Galaxy Express 999;
Ame e Yuki são os protagonistas de Wolf Children (2012) o primeiro filme de Hosoda a abordar a família como tema central. Imagem: Mamoru Hosoda/Madhouse.

Como diretor assistente

  • Samurai Samploo (tema de abertura);
  • Ashita no Nadja (temas de abertura e encerramento; episódios 5, 12 e 26);
  • Ojamamo Doremi Dokkan (episódios 40, 49);
  • One Piece (episódio 199);
  • Superflat Monogram (curta-metragem de 2003 com parceria de Takashi Murakami);
  • Digimon Adventure: O Filme (média-metragem, 1999);
  • Digimon Adventure (episódio 21);
  • Digimon Adventure: Our War Game! (média-metragem, 2000)
Também falando de família, Bakemono no Ko é um filme com um grande desfecho que reúne o melhor do estilo de Hosoda. Imagem: Mamoru Hosoda/Madhouse.

Como diretor principal

  • Digimon Adventure: O Filme (longa-metragem, 2000) com parceria de Shigeyasu Yamauchi;
  • One Piece: Baron Omatsuri and the Secret Island (2005);
  • Toki wo Kakeru Shoujo (2006)
  • Summer Wars (2009);
  • Ookami Kodomo Ame to Yuiki (Wolf Children) (2012);
  • Bakemono no Ko (2015);
  • Mirai no Mirai (2018);

Como se pode ver, a lista de trabalhos de Mamoru Hosoda é bem produtiva e recheada de clássicos. O que consolida seu nome como mais um grande artista da animação mundial. Talvez eu esteja enganado e Mirai no Mirai tenha sido indicado por também ser um bom filme, mas é mais correto apostar que a indicação foi uma forma encontrada para homenagear o próprio japonês.

É bem difícil encarar um universo onde Mirai no Mirai tenha a chance de vencer em sua categoria quando consideramos seus concorrentes. O favorito, Homem-Aranha no Aranhaverso, dispara na frente tanto pelo modo como foi realizado quanto pela sua recepção no cinema mundial.

Mas creio que para Mamoru Hosoda, ou qualquer fã dele, o mérito maior já veio com o reconhecimento de seu trabalho. Afinal de contas, não é para qualquer um estar entre os melhores no tapete vermelho do Oscar.

Lembrando que a Premiação do Oscar 2019 acontece no próximo dia 24 de fevereiro e o VOLTS vai trazer todas as novidades diretamente nas redes sociais. Não perca!

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