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Animês e Mangás

Artigo Otaku | A Biologia Pokémon (Parte Final) – Breedar, Breedar e Breedar

O último artigo da série dedicado a falar sobre a reprodução dos pokémon.

O ideal do “Multiplicai-vos e enchei a Terra” poderia até ser o mote para a inserção do mecanismo de reprodução na franquia Pokémon. Contudo, deve se levar em conta que a procriação no Mundo Pokémon está mais para uma equação cheia de probabilidades para tirar o sono de jogadores competitivos.

Lembra-se do motivo de eu estar escrevendo essa série especial de artigos? Sim. Era justamente para falar sobre o fato de pokémon ter sexo (e assim sanar as dúvidas de meus colegas de equipe). Consequentemente falar de sexo pokémon é falar de reprodução. Aviso que não será preciso que as crianças fiquem longe do PC/smartphone. Nada do que será dito aqui usará de termos baixos ou inapropriados.

O Pokémon Breeding (Procriação Pokémon) é um método bastante recorrente para jogadores/treinadores que almejam ter seus monstrinhos de bolso poderosos e com habilidades especiais em alto nível. Breedar (do verbo To Breed), como também é recorrentemente chamado na comunidade, é justamente o ato de dar vida a novos pokémonzinhos.

Também conhecido como Pokémon Grooming ou Caretaking (na animação) o ato de  breedar consiste na obtenção de um ovo pokémon através do relacionamento de dois pokémon. Obrigatoriamente isso é feito em um Pokémon Care (Cuidador Pokémon), que uma espécie de local de treinamento/spa/encubadora onde se pode deixar o Pokémon (ou mais de um) para aperfeiçoar o level ou breedar. Geralmente, para se obter êxito na hora de breedar algumas circunstâncias devem ser obedecidas:

  1. Os Pokémon devem pertencer ao mesmo Egg Group;
  2. Serem de gêneros diferentes (macho e fêmea) ou ao menos um deles deve ser fêmea (o caso do breed com genderless);

Fora esse dois critérios há ainda algumas variáveis que pesam.

  1. Serem da mesma espécie e de treinadores diferentes (70% de chances; 88% se ao menos um deles estiver com um Oval Charm);
  2. Serem da mesma espécie e do mesmo treinador (50% de chances; 80% se ao menos um deles estiver com um Oval Charm);
  3. Serem de espécies diferentes e de treinadores diferentes (50% de chances; 80% se ao menos um deles estiver com um Oval Charm);
  4. Ou serem de espécies diferentes e do mesmo treinador (20% de chances; 40% se ao menos um deles estiver com um Oval Charm);

 

(Exemplos de Pokémon Breeding recorrentes na franquia)

 

Por padrão, o ato de breedar – quando da obtenção do êxito – consiste na reprodução de um novo pokémon semelhante à fêmea utilizada. Isso fica mais nítido se tomarmos como critério os itens “c” e “d” onde espécies diferentes são utilizadas. Contudo há casos especiais.

Existem Famílias Evolutivas com contraparte de gêneros. É o caso de Ilumise e Volbeat. Uma Ilumise ao breedar com qualquer outro pokémon pode gerar tanto Ilumise quanto Volbeat. Já o Volbeat só pode ter descendentes da mesma família se breedar com um Ditto, pokémon genderless. Essa caraterística do Ditto, por sua vez permite que pokémon macho possa ter descendente de sua Família Evolutiva caso não esteja em um breed com a mesma espécie (no caso Ilumise, se mantivermos o exemplo).

 

(O caso do Ditto na franquia)

 

Ditto também é componente comum em outro caso raro. Sua habilidade permite que pokémon sem gênero possam também reproduzir. Isso explicaria possivelmente o caso do Lugia, que gerou toda essa discussão [volte ao artigo 01 e relembre!]. Por ter seu Egg Group pessoal – o Ditto Group – o pokémon é o único genderless capaz de breedar com todos os pokémon independente de serem macho, fêmea ou sem gênero!

O Ditto também tem um caso de breed mais raro que envolve o genderless Manaphy. Ao se encontrarem uma nova espécie pokémon nasce: Phione, que não pertence a Família Evolutiva de nenhum dos dois.

É bem verdade que existe no jogo alguns pokémon impossíveis de breedar – os lendários – mas a franquia deixa essa possibilidade em aberto quando retomamos como exemplo o caso do Lugia. Mas a pergunta que fica é: para que breedar mesmo?

 

Individual Values:  Natures e Effort Values

Na escola aprendemos nas aulas de Genética que temos genes dominantes e recessivos e que são eles que nos ajudam a entender a questão das semelhanças que compartilhamos como nos progenitores e suas famílias. Em Pokémon esses genes podem ser trabalhados sobre o conceito de Individual Values – ou IVs – que são um cálculo equacional Natures (natureza comportamental) e Effort Values (valores de esforço; status).

 

(A equação do HP depende do IV para existir e tirar o juízo de muitos)

 

Numa explicação bastante simplificada no momento que se realiza um breed a ideia é que determinada Nature seja herdada pelo novo pokémon e que ele detenha capacidade de alcançar status de combate significativos. Uma espécie de arianização realizada por jogadores competitivos que por muitas vezes torna tóxico o ambiente de discussão da comunidade Pokémon.

As Natures podem ser enquadradas em 25 caraterísticas onde em cada uma um agrupamento de quatro Effort Values (ou EVs) com o objetivo de melhorar o desempenho do pokémon ou diminuir o desempenho de um pokémon adversário.

 

(As Natures existentes no Mundo Pokémon)

 

Já os Effort Values (EVs) são seis: HP (Hit Point), Attack, Defense, Special Attack, Special Deffense e Speed. Em algumas situações Special Attack e Special Defense são tratados como um só (apenas Special). Existem aindas os Flavors, que são atributos adquiridos através do consumo de alimentos específicos (berries e poffins), que embora auxiliem no desempenho não alteram os IVs de cada pokémon.

Confusa, essa discussão faz muito sentido para jogadores competitivos. Para aqueles que não se interessam por isso basta saber que há uma razão para que o Pokémon Breeding exista. Agora já de sabedoria disto não há mais porque se perguntar ou se espantar com o fato de encontrar um pokémon com sexo.

Nosso bate-papo sobre Biologia Pokémon fica por aqui. Espero ter ajudado na medida do possível. Não é tão profundo como deve ser, mas é o necessário para quem estava totalmente desapercebido sobre sua existência.

Até a próxima e… Sayonara!

 

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