Connect with us

Artigo Otaku

Artigo Otaku | A Biologia Pokémon (Parte 02) – Estágios, o Eevee e a Evolução

Cheia de situações, a evolução dos pokémon tem ligações com o mundo real.

Dando continuidade a série especial de artigos focados na genética do universo pokémon, esse segundo momento abordará um dos elementos narrativos mais marcantes da franquia japonesa e que na verdade é bem mais complexo do que aparenta ser. Uma evolução em Pokémon corresponde a um nítido crescimento do monstrinho que alcança tal feito. Mas do que um crescimento, as evoluções são sinônimos de transformações (Nature), poderes (Ability) e estética.

Na mitologia da franquia duas personagens destacam-se pelo seu trabalho com a Evolução Pokémon: Prof. Elm (Região Jotho, Geração II) e Prof. Rowan (Região Sinnoh, Geração IV). Um terceiro membro desse grupo seria o Prof. Sycamore (Região Kalos, Geração VI), que por sua vez é um especialista em Mega Evolução (assunto a ser debatido mais a frente).

Essas três figuras são as vozes de autoridade da franquia quando o assunto é evolução, mas mesmo assim nada é tão fácil de se compreender quando entramos no tema. Assim como os tipos, vantagens e desvantagens presentes no Mundo Pokémon, há também muitas formas de se evoluir. A seguir detalharemos de forma sucinta cada uma das possibilidades apresentadas ao longo desses mais de 20 anos de Pokémon.

 

Famílias Evolutivas e Estágios de Evolução

De modo geral, um fator importante para a caracterização da evolução de um pokémon é a Família Evolutiva (Evolution Family) a qual ele pertence. Isso porque existe diferentes Grupos de Ovos (Egg Groups) que determinam caraterísticas biológicas e de tipo da criatura a nascer.

Essa estruturação limitada de grupos é que torna muito comum ouvirmos/lermos ao longo das narrativas da franquia sobre a surpresa de que tipo de pokémon sairá do ovo que está sendo chocado (Esse assunto será aprofundado somente no terceiro artigo da série especial).

Uma Família Evolutiva corresponde a todo o trajeto de vida de um pokémon. Por sua vez elas podem estar organizadas em Estágios de Evolução (Stage of Evolution). São eles: Baby Pokémon, Unevolved Pokémon (Basic), First-Evolution Pokémon (Stage I) e Second-Evolution Pokémon (Stage II). Na prática…

  • Baby Pokémon são aqueles que recém saíram do ovo;
  • Unevolved Pokémon são aqueles que alcançam estágios maduros sem evoluir, mudar de forma;
  • First-Evolution Pokémon são aqueles que saem do estágio “baby” para uma nova forma adulta;
  • Second-Evolution Pokémon são aqueles que evoluem duas vezes para alcançar sua forma adulta;

 

O esquema da Família Evolutiva de Chesnaught (Stage 2) apresenta uma forma intermediária (Stage 01), Quilladin, e uma forma inicial (Baby), Chespin. 

 

A maioria dos pokémon segue o esquema acima em suas evoluções. Alguns alcançam a forma adulta sempre precisar evoluir duas vezes e a outros que nem mesmo evoluem. Contudo, para que a evolução aconteça uma série de métodos diferentes podem ser utilizados. Em alguns casos o pokémon evolui através de treinamento [ver imagem acima], em outros ele pode evoluir através de um agente externo (condição do ambiente, artefatos e trocas), agente interno (condição psico-emotiva), condição de mutação (gênero, ramificação ou relação ecológica).

 

Métodos de Evolução

Como são vários métodos de evolução vamos destacá-los da melhor forma possível através de exemplos bem delimitados. Para nos ajudar usaremos o melhor pokémon para esse tipo de situação: o Eevee. Conhecido como o pokémon evolução, por ser apto a se transformar em diversos outros monstros, Eevee é dotado de capacidades evolutivas que corresponde a todos os métodos evolutivos já discriminados neste artigo.

 

Conhecido como o ‘Pokémon Evolução’, Eevee é o exemplo perfeito para o tema do artigo

 

Podendo evoluir em até nove espécies diferentes de Pokémon, Eeevee (Normal-type) é o monstro da franquia com a maior Família Evolutiva existente. Caracterizada como uma família First-Evolution Stage – pois todas as evoluções de Eevee já são forma adultas – o pokémon consegue se transformar em nove tipos diferentes: São eles: Water (Água), Eletric (Elétrico), Fire (Fogo), Psychic (Psíquico), Dark (Noturno/Sombrio), Ice (Gelo), Grass (Grama) e Fairy (Fada).

As três primeiras formas, Vaporeon (Water-type), Jolteon (Eletric-type) e Flareon (Fire-type) apareceram na primeira geração do jogo e evolui pelo método de agente externo denominado Pedras Evolutivas (Evolutionary Stone). Na mitologia da série, esses artefatos misteriosos irradiam energia corresponde a um determinado tipo pokémon e em contato com uma espécie específica de pokémon causa uma mutação instantânea. De posse das pedras da Água, do Trovão e do Fogo, o Eevee evolui sem precisar de treinamento ou qualquer outro fator.

Já para as formas Espeon (Psychic-type) e Umbreon (Dark-type) o Eevee necessita estar em treinamento (subindo de nível) e desenvolvendo um bom relacionamento/amizade com seu treinador. Para isso ele deve ser cuidado com a aquisição de itens (Ferro, Cálcio, Zinco ou Proteínas), tratamento de beleza, itens especiais etc.

Só isso, no entanto, não é o suficiente. Para que a evolução aconteça o Eevee precisa ter seu status de amizade no máximo e subir de nível de dia (tornando-se um Espeon) ou de noite (tornando-se um Umbreon). Nesse caso, além de treinamento, agentes internos (emoção) e agentes externos (condição do tempo) são fatores que propiciam a evolução.

Para as formas Glayceon (Ice-type) e Leafeon (Grass-type) a evolução segue um princípio parecido. O Eevee precisa estar em treinamento e subindo de nível. Ao fazer isso próximo a uma Rocha de Gelo ou uma Rocha de Musgo o pokémon recebe os atributos dos tipos respectivos e se transforma. Nesse caso um método que é determinado por um agente externo: o ambiente. Rochas de Gelo são encontradas no interior de cavernas de gelo ou em florestas cobertas de neve. Rochas de musgos são encontradas em florestas temperadas.

O último, e não menos importante, é o Sylveon (Fairy-type) que requer uma atenção redobrada. O Eevee deve estar em treinamento (subindo de nível) e deve aprender – por meio de TM (Technical Machine) – algum movimento do tipo Fada. Após isso ele precisa ter seu status de Afeição dobrado para então subir de nível e evoluir.

Percebe-se que no pokémon Eevee somente o condição de mutação, que diz respeito a fatores biológicos do indivíduo ou sua relação com outros [a exceção do treinador], não se faz presente como método de evolução. No Eevee o que se percebe muito é a atuação dos agentes externos e agentes internos. Sobre os agentes internos disponíveis na franquia o único que o Eevee até o momento não consegue utilizar em evolução é o característico da Mega Evolução.

A Mega Evolução é uma pseudo-evolução ou evolução temporária onde condições, físicas, habilidades e força são elevadas ao máximo a partir de uma relação de agentes externos-internos. Duas pedras evolutivas (mega pedra) de posse de pokémon e treinador mais o laço afetivo (com status avançados) levam o pokémon no estágio adulto a despertar um poder oculto por um momento. Um total de apenas 48 dos mais de setecentos pokémon possuem essa habilidade.

 

Relações Ecológicas

Além de se relacionar com o meio e com os humanos, os pokémon podem evoluir a partir de relações entre si. Tal qual no mundo real onde comensalismo, simbiose, protocooperação, inquilinismo e mutualismo (entre outras) se repetem no Mundo Pokémon e podem ser critérios evolutivos. Duas situações são emblemáticas: 1) Slowpoke e Shelder; e 2)Karrablast e Shelmet.

 

1) Slowpoke + Shellder = Slowbro

(Família Evolutiva de Slowpoke, um esquema de inquilinismo pokémon)

 

Conforme a imagem acima, após ter sua cauda mordida por um Shellder (Water-type), Slowpoke (Water/Psychic-type) muda de hábitos e passa a andar sobre dois pés. A partir desse momento, segundo a Pokédex, ele já não é mais Slowpoke. Os dois pokémon juntos são Slowbro (Water/Psychic-type). Nos jogos a evolução é menos emblemática (acontecendo assim que ele alcança o Lvl. 37, pois nunca foi criado um sistema de interação onde os dois pokémon se reúnem), mas na mitologia da franquia a equação Slowpoke+Shellder=Slowbro é real. Tanto, que na versão da Pokédex de Pokémon Yellow está dito “Vive preguiçosamente no mar. Se um Shellder que estiver em sua cauda sair ele volta a ser um Slowpoke novamente”. Como a Mega Evolução não é considerada uma evolução real, esse é o único caso oficial onde há regressão evolutiva. Um típico caso de inquilinismo no Mundo Pokémon.

 

2) Karrablast x Shelmet = Escavalier + Accelgor

(Famílias Evolutivas de Karrablast e Shelmet, um esquema de protocooperação pokémon)

 

Os dois tipo Inseto precisam um do outro para evoluir. Karrablast (Bug-type) precisa da concha (que mais parece um elmo) de Shelmet (Bug-type) para virar Escavalier (Bug/Steel). Já Shelmet precisa se livrar dela para virar Accelgor (Bug-type). O problema é que isso só acontece quando ambos entram em acordo. Dessa forma Karrablast usa sua habilidade Shed Skin (Algo como Galpão de Pele) para poder revestir o corpo desprotegido de Shelmet assim que ele deixa a concha. Por sua vez Karrablast entra na concha e inicia o processo de evolução. Um magnífico exemplo de protocooperação.

 

Ramificações

Nosso último caso é a ramificação. Vale destacar que não existe no mundo real algo que se assemelhe a isso. Ou seja: é uma relação ecológica exclusiva do Mundo Pokémon. Existem três exemplos específicos de ramificação, que é o momento quando um pokémon evolui num mesmo estado evolutivo em espécie diferentes.

 

(Família Evolutiva de Odish, um esquema de ramificação por artefato)

 

No primeiro caso os agentes externos – artefatos – interferem na evolução [ver imagem acima]. Já no segundo caso os agentes externos – bioma – influenciam na mudança evolutiva até no tipo do pokémon (o caso da Alolan Forms). O terceiro caso é um caso raro de duplicata.

A ramificação que acontece no processo de evolução de Nincada (Bug/Ground-type) na verdade se trata de uma duplicata. Isso porque nas ramificações já citadas o pokémon só pode evoluir para uma das formas. No caso de Nincada, ele evolui para Ninjask (Bug/Flying-type) e ao fazer isso deixa sua carapaça – como um bom artrópode – se transforma deixando um exoesqueleto vazio que – vejam que absurdo! – ganha vida residual e se transforma num Shedinja (Bug/Ghost-type) o que é a razão para sua tipificação como Fantasma. Shedinja é considerada um evolução especial de Nincada e, portanto, uma ramificação.

O termo duplicata não é tão assertivo para explicar esse processo já que Ninjask e Shedinja são distintos, mas segue o princípio. Sua melhor utilização será vista na próxima edição desta série especial com o assunto que levou tais artigos a serem escritos: a Reprodução dos Pokémon.

Até a próxima e… Sayonara!

Artigo Otaku

Artigo Otaku | Eterna paixão por katanas (Parte 01)

Letais, essas armas são fonte de inspiração para um gênero cinematográfico.

A paixão por espadas e espadachins é algo muito comum em diversas sociedades. Na maioria dos casos envolve histórias palacianas ou de cavalaria.

No outro extremo do mundo, as espadas – chamadas katanas – e os espadachins – os samurais – também tornaram-se parte do folclore mundial que alimenta narrativas a respeito de combates incríveis decididos na habilidade, na sorte e às vezes na artimanha (que o diga o lendário Musashi Miyamoto em seu duelo épico contra Kojiro Sasaki, vencido com uma espada de madeira feita de um remo escondido pelo rival sob a areia).

A forma como essa história é contada hoje deixa dúvidas entre o real e o ficcional. Muitos estudiosos acreditam que de fato houve um duelo entre os dois lendários samurais, mas que seu desenvolvimento foi menos glorioso que o retratado nas lendas e contos populares.

Musashi e seus alunos teriam assassinado Kojiro em prol de livrar o bushidô (caminho do guerreiro) de alguma técnica ameaçadora como o Tsubame Gaeshi [Rasante da Andorinha] oriundo do estilo de luta do derrotado. Assim, o estilo de luta com duas espadas de Musashi foi o que se perpetuou nos dias atuais dando forma ao que conhecemos como kenjutsu e kendô.

Ganryujima, o fatídico duelo entre Musashi e Kojiro. Autor não indetificado.

Esse fascínio por katanas e samurais presente na tradição popular tanto na História quanto no Folclore nipônico desdobrou-se em elemento midiático no início do século XX. Sendo mais preciso, no fim da Era Taisho (1912-1926) os primeiros trabalhos midiáticos envolvendo mangás, animês e cinema conquistavam o público japonês. Muito inspirado no Teatro Kabuki, as tramas com elementos históricos (jidaigeki) envolvendo lutas com espadas (kengeki) inseriam no vocabulário do mundo termos como samurai, ronin, shogun e katana.

Nascia assim o Chambara-Eiga (Filme de Samurai), gênero cinematográfico legitimamente japonês que ajudou a popularizar no resto do globo a imagem idealizada de justiceiros especialistas no combate de espadas, que primavam pela honra no campo de batalha. O pontapé inicial veio com Orochi (1925) de Buntarou Futagawa. Já na era seguinte, a Showa, títulos como: Os 47 Ronins (1941), de Kenji Mizoguchi, e Rashomon (1950), de Akira Kurosawa, juntaram-se a outros que ajudaram a consolidar o gênero dentro e fora do arquipélago.

Cena de Orochi (1925) por Buntarou Futagawa
Cena de Rashomon (1950) dirigido por Akira Kurosawa

Esse processo tem como principal representante o diretor Akira Kurosawa. Tendo talento para chamar a atenção dos amantes da sétima arte no ocidente, Kurosawa alimentou a imagem do samurai como um herói humanizado sujeito aos paradigmas morais e imorais do feudalismo japonês e reconstruiu as narrativas palacianas e de guerra provocando o imaginário do telespectador com dramas não fantasiosos como nas narrativas medievais europeias.

O Chambara-Eiga passa por um período de pouco prestígio durante a Segunda Guerra Mundial, mas volta a ser relembrado pelo mundo em 1954 com Os Sete Samurais de Akira Kurosawa, que retrata o embate de sete guerreiros pela proteção de um pobre vilarejo acuado por bandidos. Este filme se tornou um ícone mundial e key inspiration para muitos outros roteiros em Hollywood, com destaque para sua primeira adaptação Sete Homens e Um Destino (The Magnificient Seven) dirigido em 1960 por Jhon Sturges.

Até a sua morte em 1998, Kurosawa emplacou mais seis longa-metragens do gênero passeando entre o cinema P&B até as cores. São eles: Trono Manchado de Sangue (1957), A Fortaleza Escondida (1958), Yonjimbo (1961), Sanjuro (1962), Kagemusha – A Sombra do Samurai (1980) e Ran (1985). Importante destacar que desta lista: “Ran” é uma adaptação de Rei Lear de William Shakespeare; “Kagemusha” foi nomeado para o OScar de Melhor Filme Estrangeiro; e “A Fortaleza Escondida” é o key inspiration para a saga Star Wars de George Lucas.

Cena de Os Sete Samurais (1954) por Akira Kurosawa
Cena de A Fortaleza Escondida (1958) por Akira Kurosawa
Cena de Kagemusha (1980) por Akira Kurosawa

Para além de Kurosawa, Hiroshi Inagaki contribuiu com sua Trilogia do Samurai (1954-1956), Masaki Kobayashi com Harakiri (1962), e Kon Ichikawa com 47 Ronins (1994), numa nova leitura do Incidente de Ako. Este mesmo filme de Ichikawa inspirou um filme americano de mesmo nome estrelado por Keanu Reeves em 2013.

Ao longo dos anos a paixão por filme de samurai conquistou o mundo e inspirou diversas outras histórias nas mais diversas mídias. Junto dos samurai, os ninjas também conquistaram seu público e popularizaram por muitas gerações o mais tradicional do estilo de vida nipônico, embora muitas vezes romantizado demais.

Essa paixão, obviamente, também deixou raízes em mangás e animês. Com muitos dos mangakás inspirados por Akira Kurosawa e contemporâneos, ainda é comum encontramos mangás que adaptam suas histórias no período feudal japonês ou trazem ao contexto do presente essas personagens simbólicas.

É o caso de Rorouni Kenshin (Samurai X, no Brasil) que entre 2012 e 2014 ganhou sua própria trilogia no cinema live-action dirigida por Keishi Ohtomo. Trilogia que entre os fãs do mundo inteiro é respeitada como a melhor adaptação de mangá/animê já feita até então.

Cena de Rorouni Kenshin (2012) por Keishi Ohtomo.

Percebe-se então que mesmo agora a paixão que temos pelas katanas se perpetua e não dá indícios de morte. O Chambara-Eiga é só um movimento dentro desta relação. Representando o mundo dos samurais num estado puro, mas não completamente real, pois a corrupção existente dentro do universo dos samurais é uma verdadeira mancha na cultura japonesa, ao mesmo tempo que é peça fundamental para sua formação como sociedade.

Nós, do outro lado da narrativa – os estrangeiros – só enxergamo-os como heróis muito devido ao empacotado midiático ofertado nas últimas gerações. Não que isso seja um real problema a primeira vista, contudo é necessário sim saber que esse samurai, figura romantizada, por muitas vezes cumpria papel não só de justiça, mas de tirano sobre a égide da falácia de honra em seu discursos.

As katanas, armas invejadas e idolatradas por muitos como representação da força, não são apenas símbolo de vitória e poder. Também são sinônimo de morte, solidão e terror.

Esse posicionamento pode ser presenciado em obras como Lobo Solitário e Dororo, onde o ronin – samurai sem senhor – é o ponto de fuga para ilustrar a boa índole que essas personagens históricas diziam defender. Mas isso é assunto para um segundo artigo.

Até a próxima e… Sayonara!

Continue Reading

Artigo Otaku

Artigo Otaku | Endgame, Detective Conan e De Pernas pro Ar 3

Japão mais uma vez surpreende dentro de casa e levanta o debate sobre distribuição.

Quando Thanos disse ser inevitável ele se equivocou plenamente. As ações de Tony Stark provam isso de forma simples. Outra coisa que prova isso é saber como o blockbuster de maior sucesso no mundo tropeça de forma besta numa única franquia de animação japonesa: Detective Conan.

Dados do site Box Office Mojo revelam que durante o fim de semana de 04 à 05 de maio um total de 38 países seguem com Avengers: Endgame na liderança das suas respectivas bilheterias nacionais. O Brasil apresentou um arrecadação bruta de pouco mais de 15 milhões em dólares neste período. A China teve a maior bilheteria com mais de 64 milhões em dólares.

Considerando que essa era a segunda semana do filme em cartaz, temos um resultado bastante satisfatório e que justificam sua ascensão rápida ao Top 02 das maiores bilheterias mundiais de todos os tempos. Mas ao que parece o japonês não consegue acompanhar esse raciocínio. Isso porque o país é o único onde nesse intervalo de tempo outro título liderou o ranking do fim de semana citado: Detective Conan: The Fist of Blue Sapphire, o 23º filme da franquia.

O filme animado japonês rendeu apenas 5,2 milhões de dólares, mas desbancou Endgame. Como o site apresenta a métrica considerando o público de fim de semana é certo que os valores são bem maiores numa contagem de sete dias, só que o ponto aqui é que de novo Thanos e os Vingadores não conseguiram desbancar a animação da casa.

Fonte: www.boxofficemojo.com

Em 2018 o mesmo aconteceu com Avengers: Infinty War só que na época da estreia. O filme ficou em segundo perdendo para outro momento de Detective Conan no cinema, que já estava em sua terceira semana. Neste ano o filme de n°23 estreou duas semanas antes da película da Marvel e vem se mantendo à frente quase o tempo todo.

Na estreia de Endgame o filme alcançou bilheteria semanal de 13,1 milhões de dólares. Já Detective Conan alcançou 13 milhões de dólares, o que coloca ambos em 19ª e 20ª colocação geral no ranking japonês de grandes estreias. Num comparativo o Detective Conan e Guerra Infinita de 2018 ficaram em 24ª e 53ª posição respectivamente.

Um ano atrás eu disse que o japonês ainda é fortemente ligado ao que é seu, e isso inclui aos produtos midiáticos. A paixão dos fãs nipônicos à franquia Detective Conan consegue disputar de igual para com os blockbusters internacionais. Obviamente não é uma disputa para impedi-los de ser grandes lá também, mas sim não serem únicos.

O que nos leva a outro ponto deste debate aqui no Brasil. Após a estreia arrasadora de Avengers: Endgame com mais de 2 mil salas contra apenas 546 do longa-metragem brasileiro estrelado por Ingrid Guimarães, em diversos momentos vimos matérias questionando o problema da distribuição de salas e do pouco caso dado ao cinema nacional nesse tipo de situação. Vale lembrar que o filme perdeu quase metade de suas salas com a estreia da Marvel (inicialmente eram 1010 salas).

Brasileiros em sessão de Avengers: Endgame. (Foto: Marcelo Regua/Agência O Globo)

Eles culpam a não regulamentação da “Lei da Dobra” para justificar a queda no rendimento do filme. Ao O Globo, Mariza Leão – produtora do filme – disse que a falta de fiscalização da Ancine possibilita que as produções nacionais sejam desvalorizadas diante dos blockbusters internacionais.

Mas olhando os dados do filme no Box Office Mojo podemos ver que no fim de semana de estreia De Pernas pro Ar 3 ficou em 2º lugar atrás de Shazam!, que já estava na sua segunda semana com uma diferença de arrecadação aproximada em 500 mil (em dólares!) entre um e outro, 2,3 milhões e 1,8 milhões respectivamente.

O curioso é que no fim de semana seguinte ao de sua estreia, De Pernas pro Ar 3 foi ultrapassado por Breaktrough (Superação: Um Milagre da Fé), filme cristão que foi o melhor entre 19 e 21 de abril liderando o ranking e sendo seguido por Shazam! e a produção nacional. Naquele fim de semana a produção evangélica arrecadou no Brasil 1,7 milhões de dólares e o filme de Ingrid Guimarães 1,3 milhões. Na soma dos dois fins de semana, De Pernas pro Ar 3 tinha um saldo melhor com 3,89 milhões contra 3,10 milhões (ainda em dólar). Detalhe, Breaktrough e De Pernas pro Ar 3 estrearam juntos no dia 11 de abril.

Então no fim de semana de estreia de Avengers: Endgame o filme brasileiro reassumiu o segundo lugar e se mantém assim até o último fim de semana já no início de maio com um somatório de mais de 6 milhões em dólares de valores arrecadados.

Olhando os casos dispares de Dectetive Conan e De Pernas pro Ar 3 o que concluímos é que a indústria do cinema nesses dois países enxergam seu público de maneira completamente diferente. Infelizmente o site Box Office Mojo não informa a quantidade de salas destinadas ao filme nipônico, o que mesmo assim não nos ajudaria a comparar nada em específico visto que são dois tipos de públicos-alvo.

Mesmo assim não é nada absurdo observar que o filme brasileiro até tem um bom desempenho, contudo sua data de lançamento parece das mais equivocadas possível. O que é diferente no Japão, pois muitos dos filmes mais esperados – e a própria franquia Detective Conan – são lançados entre os dois fim de semana que antecedem a Golden Week, o principal feriado nacional de lá, que atrai muita gente às telonas.

Cinema do grupo Toho no Japão, um dos três que monopolizam a indústria por lá

Encerro esse artigo com um detalhe importante: O custo médio de uma sessão de cinema no Brasil é de R$30,00. No Japão esse valor duplica chegando a aproximadamente R$62,00 colocando o país na sétima posição dos cinemas mais caros do mundo.

A experiência de cinema no Japão chega a ser considera de luxo, pois em média um casal gasta quase R$200,00. Entretanto, envolve bastante conforto e outras novidades como cinema 4D e etc.

Por fim, digo que o falta ao empresário do ramo de cinema no Brasil é mais planejamento. A filmografia já é bem recebida pelo público, mas competir com blockbuster com dezenas de heróis reflete certo amadorismo. Talvez quando for nossa vez de apresentar super-heróis nas telonas repitamos as surpresas dos japoneses e nos tornemos calo no pé de certo vingadores. Jaspion vem aí para isso!

Até a próxima e… Sayonara!

Continue Reading

Artigo Otaku

Artigo Otaku | O Mangá Digital chegou para ficar

Prática de consumo pode ser a saída para editoras e fãs escaparem dos dilemas da crise de mercado.

Fazendo a vistoria rotineira nas livrarias virtuais que sou cliente fixo, percebo o quão difícil é mensurar a realidade do comércio de mangás no Brasil atualmente. Talvez isso esteja muito relacionado à maneira como eu consumo (o que de já caracteriza que tal realidade varia por pessoa). Mas a verdade é que uma pergunta cabal toma conta não só de mim, como de todo o meu círculo social de conhecidos e amigos colecionadores de quadrinhos japoneses: A era do mangá digital [oficial] chegou para ficar?

Começo esse assunto fazendo um parêntese a um acontecimento recente. A aproximação do fim do mangá The Seven Deadly Sins (Nanatsu no Taizai, no original), de Suzuki Nakaba, refletiu-se num interesse mais do que momentâneo de muitos leitores que buscaram consumir os capítulos de desfecho da obra publicada desde 2012 nas páginas da Weekly Shounen Magazine da editora Kodansha.

Publicado no Brasil pela Editora JBC, o mangá foi alvo em 2017 de uma polêmica. Trata-se da ação que a editora brasileira moveu contra sites de scanlators que distribuíam o título ilegalmente. A pedido da JBC, o mangá – e outros títulos licenciados – foram suspensos nestes sites. Inevitavelmente, muitas scans continuaram a traduzir os capítulos que eram publicados no Japão.

Após isso, chegamos em 2019 e a editora – que vem investindo pesado em distribuição de mangás em formato digital – embarca no relativo sucesso da publicação simultânea dos capítulos de Edens Zero (outro mangá da Kodansha publicado na mesma revista) e aproveita a reta final de The Seven Deadly Sins para disponibilizar seus capítulos avulsos. Iniciando ainda fevereiro com o Capítulo 264, já publica simultaneamente com a edição japonesa e nesta semana lançou o Capítulo 308 [a segunda parte do epílogo da trama].

Edições físicas de The Seven Deadly Sins publicadas no Brasil pela Editora JBC

Com preço convidativo de R$2,90 o usuário de Kindle da Amazon tem a experiência de ler o capítulo do mangá recém-publicado de forma legalizada, contribuindo com autor, distribuidores, licenciadores e a indústria como um todo. Eticamente certo. Na ponta do lápis é um gasto que não aparenta ser muito caro. Como a média é de 4 capítulos por mês [exceções meses com 5 semanas ou com uma das semanas puladas por questões logísticas] o consumidor gasta algo em torno de R$11,60 mensais.

Essa questão de preço coloca em xeque questões puramente pragmáticas ao leitor. Se ele é o leitor ávido, opta por esse método de consumo. Se for o leitor apreciador, pode esperar pela compilação de três/quatro meses de capítulos em um tomo que chega a custar os mesmo R$11,60 na versão e-book ou R$17,90 na versão impressa. Ainda sobre a versão e-book, ela pode sair mais barata ainda aos usuários do Kindle Unlimited (consultando regras de uso do serviço).

Merchandising totalmente gratuito à parte, o que se quer comentar aqui é que de imediato foi possível perceber um atraso significativo na atividade das scanlators nacionais a respeito da obra. Talvez fazendo valer o ideário de que é “feito de fã para fã” e “não venda ou alugue”, evitando assim outro desgaste junto à Editora JBC, o que se vê é que alguns dos portais de scans e speedscans comuns ao público otaku brasileiro estão “atrasados” com o material relativo à The Seven Deadly Sins.

Numa consulta rápida a alguns dos mais acessados sites de scans  na web brasileira, percebe-se que desde 10 de fevereiro de 2019 (quando do lançamento do Capítulo 300) não há mais scans do mangá sendo traduzido para o português brasileiro (PT-BR). Levando em consideração que haviam três grupos de scanlator alimentando esses sites com o mangá, chegamos a conclusão que as equipes optaram por interromper suas atividades junto ao título agora que ele é publicado de forma oficial no Brasil também em capítulos simultâneos. Um único site de speedscans segue trazendo os capítulos recentes, mas em espanhol.

Esse contexto nos leva a pensar sobre os próximos passos do comércio de mangá digital no país. Com seu segundo mangá com capítulos simultâneos no mercado de publicação digital, a Editora JBC larga na frente de suas concorrentes e embarca numa tendência já comum para países como Coreia do Sul e Estados Unidos.

Bom também é destacar, antes de seguir com o raciocínio, que os grupos de scans são cientes de que o que fazem é ilegal. Tanto que começam a demostrar sinais de mudanças ao depararmos com a atitude tomada. Em suas próprias redes e páginas estiveram orientando seguidores a adquirir as versões oficiais do produto.

E aqui chegamos ao ponto-chave desse artigo: o futuro do mercado digital de mangás. A publicação de mangás digitais iniciada pela JBC no Brasil não só era um sonho antigo da empresa, que cogitou no passado a ter seu próprio serviço chamado Henshin Drive e ainda não tirou do papel, como traduz o lugar atual do mercado internacional.

Poster promocional do app MANGA PLUS by Shueisha

Importante destacar que tanto Edens Zero quanto The Seven Deadly Sins pertencem a uma empresa (Kodansha) e por isso a JBC conseguiu lançá-los de forma simultânea com rapidez. A editora japonesa vem investindo nisso a algum tempo em países asiáticos e agora também atua na Europa e nas Américas, em poucas nações. Quem toma caminho parecido é a Shueisha, casa da famosa revista Weekly Shounen Jump, que no início do ano lançou o app MANGA PLUS para iOS e Android.

Reunindo cerca de 50 títulos das revistas Weekly Shounen Jump, Weekly Shounen + e Jump Square, o serviço gratuito traz capítulos e volumes já lançados de mangás antigos e atuais da editora em inglês e mais recentemente em espanhol. Infelizmente não há planos próximos para novos idiomas como o português.

Tanto o aplicativo da Shueisha, quanto a Kodansha e seus licenciamentos, revelam a nova tendência do mercado internacional de mangás; na verdade duas:

A primeira diz respeito aos formatos de consumo. É nítido que a cultura do scans   já mostrou aos japoneses que ler mangá online é aceito pelo público. Há anos vem fazendo isso! Inicia-se agora uma campanha de conscientização deste mesmo público de que se é preciso pagar para consumir, pois assim incentiva autores, editores e etc. Num proselitismo que no fundo carrega a mensagem das grandes corporações sobre lucrar em cima daquilo que me pertence por direito.

Já a segunda tendência é a de separação em definitivo dos públicos que consomem o mangá dentro e fora do Japão entre leitores casuais, leitores aficionados e colecionadores. Isso porque na contramão do mercado digital, as publicações impressas sofrem – em alguns países ocidentais, vide América Latina – com a crise econômica que afeta editoras e distribuidores [o caso do Brasil] ao mesmo tempo em que se foca em produzir material com o objetivo de estampar prateleiras e não apenas pela leitura instantânea.

Entende-se por leitor causal aquele que lê alguns poucos mangás e não tem interesse em colecionar por isso apenas o uso de scans já lhe é suficiente; leitor aficionado aquele que lê muitos mangás (sem número definido, mas acima de cinco) e por questões econômicas e/ou logísticas não pode comprar todos então divide-se entre comprar alguns títulos e acompanhar outros somente por scans; e colecionador sendo aquele que não apenas é aficionado como coleciona seus títulos em grande quantidade e de forma sistemática bastante afetiva sobre elementos não só narrativos como gráficos e editoriais.

Um dilema duro vivido por indústria e fãs nos dias atuais em nosso país onde alguns produtores investem em qualidade e por consequência aumentam seus preços, e outros que aumentam seus preços sem apresentar qualidade. Nesta gangorra fica o leitor/colecionador, que tem que reajustar orçamentos em intervalos curtíssimos de meses ou optar por se endividar ou abdicar de colecionar um título em detrimento de outros.

Fatos expostos, fica claro que o mangá digital chegou para ficar. Prático, relativamente barato e instantâneo, o futuro da leitura de mangás pela tela do dispositivo móvel ou do computador é uma realidade que transcende o habitual recurso do scan para se tornar um mercado de verdade. O benefício se apresenta inicialmente como algo único dos envolvidos na produção, mas o fã deve encarar-se como recebedor de benefícios também, pois a normalização de rotina de consumo deste novo formato aponta aos investidores japoneses que há sim fluxo de conteúdo no Brasil. Por sua vez, isso se traduz em novas obras, desdobramentos midiáticos e itens diversos chegando por aqui de forma simultânea (ou ao menos quase isso) que no Japão, Estados Unidos e outros grande centros, assim eliminando aquele sentimento de esquecimento muitas vezes existente dentro do fandom.

Divulgação da versão e-book da light novel Overload publicada pela Editora JBC

Ratificando isso, a JBC prova que anda em expertise com seus contatos do outro lado do mundo e licenciou também uma light novel. No início de 2019 a editora publicou em formato e-book a light novel Overload de Kugane Maruyama, que ganhou destaque após três temporadas animadas entre 2017 e 2018. Publicando a versão digital primeiro que a impressa – que deve ganhar as estantes virtuais e físicas das livrarias até o fim do primeiro semestre – a empresa só deixa claro que não se trata mais de uma aposta, e sim de uma evolução nas práticas de consumo desse tipo de conteúdo dentro do nicho.

Se as scans vão acabar, isso não se fala. Se os preços serão justos, isso será discutido aos poucos. O certo é que agora não há mais desculpas para não se ler mangá. Se antes o problema era ser “de trás para frente”, agora nem isso mais é. O que nos leva a discussões para um outro artigo.

Até a próxima e… Sayonara!

Continue Reading