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Artigo Otaku

Artigo Otaku | A Biologia Pokémon (Parte 02) – Estágios, o Eevee e a Evolução

Cheia de situações, a evolução dos pokémon tem ligações com o mundo real.

Dando continuidade a série especial de artigos focados na genética do universo pokémon, esse segundo momento abordará um dos elementos narrativos mais marcantes da franquia japonesa e que na verdade é bem mais complexo do que aparenta ser. Uma evolução em Pokémon corresponde a um nítido crescimento do monstrinho que alcança tal feito. Mas do que um crescimento, as evoluções são sinônimos de transformações (Nature), poderes (Ability) e estética.

Na mitologia da franquia duas personagens destacam-se pelo seu trabalho com a Evolução Pokémon: Prof. Elm (Região Jotho, Geração II) e Prof. Rowan (Região Sinnoh, Geração IV). Um terceiro membro desse grupo seria o Prof. Sycamore (Região Kalos, Geração VI), que por sua vez é um especialista em Mega Evolução (assunto a ser debatido mais a frente).

Essas três figuras são as vozes de autoridade da franquia quando o assunto é evolução, mas mesmo assim nada é tão fácil de se compreender quando entramos no tema. Assim como os tipos, vantagens e desvantagens presentes no Mundo Pokémon, há também muitas formas de se evoluir. A seguir detalharemos de forma sucinta cada uma das possibilidades apresentadas ao longo desses mais de 20 anos de Pokémon.

 

Famílias Evolutivas e Estágios de Evolução

De modo geral, um fator importante para a caracterização da evolução de um pokémon é a Família Evolutiva (Evolution Family) a qual ele pertence. Isso porque existe diferentes Grupos de Ovos (Egg Groups) que determinam caraterísticas biológicas e de tipo da criatura a nascer.

Essa estruturação limitada de grupos é que torna muito comum ouvirmos/lermos ao longo das narrativas da franquia sobre a surpresa de que tipo de pokémon sairá do ovo que está sendo chocado (Esse assunto será aprofundado somente no terceiro artigo da série especial).

Uma Família Evolutiva corresponde a todo o trajeto de vida de um pokémon. Por sua vez elas podem estar organizadas em Estágios de Evolução (Stage of Evolution). São eles: Baby Pokémon, Unevolved Pokémon (Basic), First-Evolution Pokémon (Stage I) e Second-Evolution Pokémon (Stage II). Na prática…

  • Baby Pokémon são aqueles que recém saíram do ovo;
  • Unevolved Pokémon são aqueles que alcançam estágios maduros sem evoluir, mudar de forma;
  • First-Evolution Pokémon são aqueles que saem do estágio “baby” para uma nova forma adulta;
  • Second-Evolution Pokémon são aqueles que evoluem duas vezes para alcançar sua forma adulta;

 

O esquema da Família Evolutiva de Chesnaught (Stage 2) apresenta uma forma intermediária (Stage 01), Quilladin, e uma forma inicial (Baby), Chespin. 

 

A maioria dos pokémon segue o esquema acima em suas evoluções. Alguns alcançam a forma adulta sempre precisar evoluir duas vezes e a outros que nem mesmo evoluem. Contudo, para que a evolução aconteça uma série de métodos diferentes podem ser utilizados. Em alguns casos o pokémon evolui através de treinamento [ver imagem acima], em outros ele pode evoluir através de um agente externo (condição do ambiente, artefatos e trocas), agente interno (condição psico-emotiva), condição de mutação (gênero, ramificação ou relação ecológica).

 

Métodos de Evolução

Como são vários métodos de evolução vamos destacá-los da melhor forma possível através de exemplos bem delimitados. Para nos ajudar usaremos o melhor pokémon para esse tipo de situação: o Eevee. Conhecido como o pokémon evolução, por ser apto a se transformar em diversos outros monstros, Eevee é dotado de capacidades evolutivas que corresponde a todos os métodos evolutivos já discriminados neste artigo.

 

Conhecido como o ‘Pokémon Evolução’, Eevee é o exemplo perfeito para o tema do artigo

 

Podendo evoluir em até nove espécies diferentes de Pokémon, Eeevee (Normal-type) é o monstro da franquia com a maior Família Evolutiva existente. Caracterizada como uma família First-Evolution Stage – pois todas as evoluções de Eevee já são forma adultas – o pokémon consegue se transformar em nove tipos diferentes: São eles: Water (Água), Eletric (Elétrico), Fire (Fogo), Psychic (Psíquico), Dark (Noturno/Sombrio), Ice (Gelo), Grass (Grama) e Fairy (Fada).

As três primeiras formas, Vaporeon (Water-type), Jolteon (Eletric-type) e Flareon (Fire-type) apareceram na primeira geração do jogo e evolui pelo método de agente externo denominado Pedras Evolutivas (Evolutionary Stone). Na mitologia da série, esses artefatos misteriosos irradiam energia corresponde a um determinado tipo pokémon e em contato com uma espécie específica de pokémon causa uma mutação instantânea. De posse das pedras da Água, do Trovão e do Fogo, o Eevee evolui sem precisar de treinamento ou qualquer outro fator.

Já para as formas Espeon (Psychic-type) e Umbreon (Dark-type) o Eevee necessita estar em treinamento (subindo de nível) e desenvolvendo um bom relacionamento/amizade com seu treinador. Para isso ele deve ser cuidado com a aquisição de itens (Ferro, Cálcio, Zinco ou Proteínas), tratamento de beleza, itens especiais etc.

Só isso, no entanto, não é o suficiente. Para que a evolução aconteça o Eevee precisa ter seu status de amizade no máximo e subir de nível de dia (tornando-se um Espeon) ou de noite (tornando-se um Umbreon). Nesse caso, além de treinamento, agentes internos (emoção) e agentes externos (condição do tempo) são fatores que propiciam a evolução.

Para as formas Glayceon (Ice-type) e Leafeon (Grass-type) a evolução segue um princípio parecido. O Eevee precisa estar em treinamento e subindo de nível. Ao fazer isso próximo a uma Rocha de Gelo ou uma Rocha de Musgo o pokémon recebe os atributos dos tipos respectivos e se transforma. Nesse caso um método que é determinado por um agente externo: o ambiente. Rochas de Gelo são encontradas no interior de cavernas de gelo ou em florestas cobertas de neve. Rochas de musgos são encontradas em florestas temperadas.

O último, e não menos importante, é o Sylveon (Fairy-type) que requer uma atenção redobrada. O Eevee deve estar em treinamento (subindo de nível) e deve aprender – por meio de TM (Technical Machine) – algum movimento do tipo Fada. Após isso ele precisa ter seu status de Afeição dobrado para então subir de nível e evoluir.

Percebe-se que no pokémon Eevee somente o condição de mutação, que diz respeito a fatores biológicos do indivíduo ou sua relação com outros [a exceção do treinador], não se faz presente como método de evolução. No Eevee o que se percebe muito é a atuação dos agentes externos e agentes internos. Sobre os agentes internos disponíveis na franquia o único que o Eevee até o momento não consegue utilizar em evolução é o característico da Mega Evolução.

A Mega Evolução é uma pseudo-evolução ou evolução temporária onde condições, físicas, habilidades e força são elevadas ao máximo a partir de uma relação de agentes externos-internos. Duas pedras evolutivas (mega pedra) de posse de pokémon e treinador mais o laço afetivo (com status avançados) levam o pokémon no estágio adulto a despertar um poder oculto por um momento. Um total de apenas 48 dos mais de setecentos pokémon possuem essa habilidade.

 

Relações Ecológicas

Além de se relacionar com o meio e com os humanos, os pokémon podem evoluir a partir de relações entre si. Tal qual no mundo real onde comensalismo, simbiose, protocooperação, inquilinismo e mutualismo (entre outras) se repetem no Mundo Pokémon e podem ser critérios evolutivos. Duas situações são emblemáticas: 1) Slowpoke e Shelder; e 2)Karrablast e Shelmet.

 

1) Slowpoke + Shellder = Slowbro

(Família Evolutiva de Slowpoke, um esquema de inquilinismo pokémon)

 

Conforme a imagem acima, após ter sua cauda mordida por um Shellder (Water-type), Slowpoke (Water/Psychic-type) muda de hábitos e passa a andar sobre dois pés. A partir desse momento, segundo a Pokédex, ele já não é mais Slowpoke. Os dois pokémon juntos são Slowbro (Water/Psychic-type). Nos jogos a evolução é menos emblemática (acontecendo assim que ele alcança o Lvl. 37, pois nunca foi criado um sistema de interação onde os dois pokémon se reúnem), mas na mitologia da franquia a equação Slowpoke+Shellder=Slowbro é real. Tanto, que na versão da Pokédex de Pokémon Yellow está dito “Vive preguiçosamente no mar. Se um Shellder que estiver em sua cauda sair ele volta a ser um Slowpoke novamente”. Como a Mega Evolução não é considerada uma evolução real, esse é o único caso oficial onde há regressão evolutiva. Um típico caso de inquilinismo no Mundo Pokémon.

 

2) Karrablast x Shelmet = Escavalier + Accelgor

(Famílias Evolutivas de Karrablast e Shelmet, um esquema de protocooperação pokémon)

 

Os dois tipo Inseto precisam um do outro para evoluir. Karrablast (Bug-type) precisa da concha (que mais parece um elmo) de Shelmet (Bug-type) para virar Escavalier (Bug/Steel). Já Shelmet precisa se livrar dela para virar Accelgor (Bug-type). O problema é que isso só acontece quando ambos entram em acordo. Dessa forma Karrablast usa sua habilidade Shed Skin (Algo como Galpão de Pele) para poder revestir o corpo desprotegido de Shelmet assim que ele deixa a concha. Por sua vez Karrablast entra na concha e inicia o processo de evolução. Um magnífico exemplo de protocooperação.

 

Ramificações

Nosso último caso é a ramificação. Vale destacar que não existe no mundo real algo que se assemelhe a isso. Ou seja: é uma relação ecológica exclusiva do Mundo Pokémon. Existem três exemplos específicos de ramificação, que é o momento quando um pokémon evolui num mesmo estado evolutivo em espécie diferentes.

 

(Família Evolutiva de Odish, um esquema de ramificação por artefato)

 

No primeiro caso os agentes externos – artefatos – interferem na evolução [ver imagem acima]. Já no segundo caso os agentes externos – bioma – influenciam na mudança evolutiva até no tipo do pokémon (o caso da Alolan Forms). O terceiro caso é um caso raro de duplicata.

A ramificação que acontece no processo de evolução de Nincada (Bug/Ground-type) na verdade se trata de uma duplicata. Isso porque nas ramificações já citadas o pokémon só pode evoluir para uma das formas. No caso de Nincada, ele evolui para Ninjask (Bug/Flying-type) e ao fazer isso deixa sua carapaça – como um bom artrópode – se transforma deixando um exoesqueleto vazio que – vejam que absurdo! – ganha vida residual e se transforma num Shedinja (Bug/Ghost-type) o que é a razão para sua tipificação como Fantasma. Shedinja é considerada um evolução especial de Nincada e, portanto, uma ramificação.

O termo duplicata não é tão assertivo para explicar esse processo já que Ninjask e Shedinja são distintos, mas segue o princípio. Sua melhor utilização será vista na próxima edição desta série especial com o assunto que levou tais artigos a serem escritos: a Reprodução dos Pokémon.

Até a próxima e… Sayonara!

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