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Artigo Otaku | A Biologia Pokémon (Parte 01) – Tipos, vantagens e desvantagens

Presente no universo dos games, a Biologia Pokémon é um mix de narrativa e mecânicas.

Após um longo período de reclusa em uma caverna escura e úmida chamada procrastinação (Mentira! Estava gozando de merecidas férias como todo trabalhador brasileiro merece e tem direito.) volto a dar prosseguimento aos nossos artigos semanais que dialogam com a Cultura Otaku aqui no VOLTS.

Foi justamente nesse meu momento de relaxamento que me deparei com um tema interessante. Você leitor que trabalha ou que pretende trabalhar um dia assuma algo importante para sua vida: “Você pode até de afastar do trabalho, mas ele não largará você”. Entenda que isso não é ruim, só tome cuidado para não ser abusivo/excessivo. Pois bem, no grupo de trabalho do VOLTS em um app de mensagens efervesceu um debate oportuno. O novo filme da franquia Pokémon tinha seu novo trailer divulgado. As apresentações destacaram a Região Jotho e o pokémon lendário Lugia. Daí um debate generalizado tomou proporções rápidas quando…

 

“Lugia eh um Pokémon menino ou menina ou tem dos dois sexos?” (sic)

“Tem os dois”

“Obrigadx. [segundos depois] Olha Fulanx. Me disseram q por Lugia ser lendário não tem sexo” (sic)

“Q q tem a ver, mermã?” (sic)

“Vc errou. Vc me disse q tinha dos dois, e não tem eh nenhum” (sic)

“Dirculpa” (sic)

“Está tudo bem [segundos depois] …e ainda q tem voz feminina, logo: eh a Roberta Close dos Pokémon” (sic)

 

Após esse diálogo revelador sobre os bastidores do VOLTS – reproduzido sem devida autorização prévia, mas protegendo as identidades de nossos respectivos colegas de trabalho – vamos aos fatos. Primeiro defendendo a honra da ilustríssima Roberta Close (primeira transsexual a posar para a capa da edição brasileira da Revista PlayBoy), brincadeira a parte não se pode comparar a ícone da moda trans com o pokémon lendário [quem fez a comparação sabia disso, logo não se ofenda].

Lugia, pokémon de n° 249 da Pokédex, na verdade trata-se de espécime sem gênero (genderless) e provavelmente assexuado [discussão a ser aprofundada nos próximos artigos], mas com possível aptidão de se reproduzir, como se fica comprovado nos episódios 220 e 221 (The Mistery is History e A Parent Trapped!) da série de TV exibidos em 2001 no Japão onde um bebê Lugia e seu progenitor/progenitora aparecem reunidos. Na versão ocidentalizada assumiu-se que se tratava de um “papai” Lugia, mas a informação dos jogos da franquia desmentem a caracterização por gênero desse pokémon.

 

Genderless, Lugia foi o pivô de um debate sadio e revelador para alguns

 

Tal observação levou o grupo do VOLTS a se deparar com um fato: Existe uma Biologia do Mundo Pokémon bem elaborada pela franquia, mas por vezes muito confusa para os não iniciados ou seguidores dela. Nas linhas a seguir e nos próximos artigos especiais falaremos um pouco mais sobre.

Neste primeiro artigo falaremos um pouco mais sobre Tipos de Pokémon, um assunto “mais fácil” e importante para quem busca entender jogabilidade e características dos pokémon.

 

Os Tipos Pokémon

Em 2018 a franquia Pokémon conta com um total de dezoito tipos biológicos que auxiliam o público a diferenciar cada um “monstros de bolso”. São Eles: Normal (Normal), Fire (Fogo), Grass (Grama), Water (Água), Eletric (Elétrico) Rock (Pedra), Ground (Solo), Psychic (Psíquico), Ghost (Fantasma) Poison (Venenoso), Fight (Lutador), Flying (Voador), Bug (Inseto), Ice (Gelo), Dragon (Dragão), Dark (Sombrio/Noturno), Steel (Aço) e Fairy (Fada).

Cada um desses dezoito tipos reference diretamente a características físicas, habilidades ou ecossistema onde habitam não obrigatoriamente respeitando essas condições. Por se tratar de um jogo de RPG [eletrônico], essa divisão em categorias busca auxiliar o jogador/treinador a elaborar estratégias de batalhas ou se especializar num esquema de batalhas e treinos, além claro, como também afinidades.

Criada em 1996, a franquia estreou com os jogos Red e Green (Red e Blue no Ocidente) com 151 pokémon jogáveis divididos em quinze tipos. Na segunda geração de jogos (Silver e Gold) foram introduzidos mais pokémon e também dois novos tipos (Dark e Steel) e somente na sexta geração (X e Y) foi introduzido o Fairy-type, assim como mais pokémon ao longo do passar dos anos ou readequando a classificação de outros [como é o caso de Clefairy, que antes era apenas Normal e hoje também é Fada].

Em um RPG é essencial o sistema de A’n’D (Advantages and Disadvantages, em português Vantagens e Desvantagens). No ambiente eletrônico essa premissa se mantém. Em Pokémon são os tipos a caraterística de jogabilidade responsável por determinar isso. Em resumo, o tipo do Pokémon influencia seu desempenho durante uma batalha. Peguemos por exemplo os iniciais da região de Kanto (1ª Geração):

 

O esquema usado para os Staters Pokémon se mantém o mesmo ao longo dos anos. Em alguns spin-offs são substituidos por Pikachu e Eevee.

 

Bulbasaur (Grass-type), Squirtle (Water-type) e Charmander (Fire-type), apresentam o esquema A’n’D baseado no conceito de jogabilidade Tactical Rock-Paper-Scissors (Tática Pedra-Papel-Tesoura) onde sempre um terá vantagem sobre o outro. O Fogo consome a vegetação, que se alimenta de água, que por sua vez apaga o fogo.

Mantendo a proposta do RPG, Pokémon absorve outro dois sistemas táticos muito conhecidos: Western (sistema Europeu) e Eastern (sistema Asiático). Baseado no esquema dos elementos – onde sempre haverá um mais forte que o outro (Strengths and Weaknesses, em português Forças e Fraquezas), onde tipos podem coexistir ou se conflitarem (Hostile and Friendly, em português Hostil e Amigável), ou mesmo terem condições iguais (True Neutral, sem tradução adaptada para português) onde os poderes se equivalem e se opõem em mesmo nível.

Nessa organização bastante complexa, o jogo – e toda a franquia – ganham uma variedade de habilidades e movimentos [Habilitys and Moves, a ser explicado em outro artigo], ecossistemas – que podem interferir no desempenho dos monstrinhos – e pontuações.

 

Danos (Damages)

Dotados de um HP (Hit Points, em português Pontos de Vida), cada pokémon tem sua duração em batalha terminada assim que tais pontos são “zerados”. Para que isso aconteça é preciso que um golpe seja efetivo, super-efetivo ou crítico (Effetive, Super Effetive and Critical Hits). A melhor maneira de se fazer isso é combinando corretamente os tipos pokémon que se enfrentaram. Traduzindo: Se um Pokémon Elétrico (Eletric-type) atacar um Pokémon Fogo (Fire-type) o valor de dano a ser computado é multiplicado por um (1x). Isso se constitui ataque efetivo, pois aflige o adversário. Se esse mesmo Pokémon Elétrico atacar um Pokémon Água teremos então um dano computado super-efetivo, pois é multiplicado por dois (2x). Agora, se esse Pokémon Elétrico atacar um Pokémon Grama teremos uma nova situação: a de resistência (Resistance), que tem o valor de dano computado e dividido ao meio (1/2x).

 

Tabela de Strengths and Weaknesses dos tipos pokémon. A esquerda os tipos em ataque e acima os tipos em defesa. Fonte: Bulbapedia

 

Nesse esquema de Forças e Fraquezas ainda impera a imunidade (Immunity) onde não há dano (0x) indicando que um determinado tipo não afeta outro [Ex.: Ghost (Fantasma) é imune a ataques Normal (Normal)]. Detalhe: embora em muitas vezes isso leve em consideração as características físicas não é uma regra absoluta.

O ataque crítico (Critical Hit) acontecerá em duas específicas condições: 1) o movimento utilizado é de efeito crítico e leva ao desmaio [derrota] imediato; 2) o dano infligido ao pokémon adversário é multiplicado por quatro (4x). Para que a segunda condição aconteça um pokémon deve ter dois tipos diferentes.

Não é incomum que um pokémon tenha tipos diferentes – é mais incomum ter apenas um tipo, os chamados Pure-types – e essas combinações podem levar em consideração estrutura física e estética dos pokémon. Há casos comuns como Water/Ice e Normal/Flying; casos populares como Fire/Fight e Rock/Steel; ou casos incomuns como o de Volcarona, que é Fire/Water, e popularmente conhecido como o “Pokémon Vapor”.

 

Volcanion é o primeiro e único pokémon a apresentar os tipos Fire e Water juntos

 

Conhecer esse esquema completo [ver tabela acima] ajuda ao jogador/treinador na hora de equipar o move set (lista de movimentos) que um pokémon pode aprender. Isso porque mesmo não tendo um determinado tipo um pokémon pode aprender esse movimentos. É o caso de pokémon com tipo Grama (Grass-type) que pode aprender o movimento Sunny Day (Dia Ensolarado), que é do tipo Fogo (Fire-type) a fim de aumentar seu poder de ataque ao usar movimentos como Solar Beam (Raio Solar) e Solar Blade (Lâmina Solar), ambos Grass-type.

O certo é que entender o funcionamento dos tipos para a jogabilidade nos ajudam a entender também o contexto narrativo da franquia. São muitos tipos (dezoito) para não só apresentar possibilidades das mais diversas em batalha, mas para determinar o apreço do jogador/fã ao universo criado, que detém variedade de biomas, espécies e estruturas naturais ou artificiais.

Vindos do espaço (Clefairy e Deoxys) ou criados por humanos (Porygon e Mewtwo), o certo é que por esses tipos que se pode identificar cada monstro. É como a nossa classificação de “Reinos” para os seres vivos, só que não tão estruturada, bem mais confusa e aberta a constantes adequações.

Até a próxima e… Sayonara!

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