Connect with us

Especiais

A política e a religião em Final Fantasy X e X-2

Em um país a beira do colapso, ambos os jogos, lançados no início deste século, soam agora mais atuais do que nunca.

Foto: Divulgação/Square Enix

Regido por temas sociais, Final Fantasy X (2001) e a sua sequência, Final Fantasy X-2 (2003), traçam um paralelo com a realidade e enraízam-se nos conflitos mais obscuros da humanidade. Enquanto o primeiro arquiteta uma aventura trágica no entorno de uma poderosa entidade religiosa com dogmas e restrições conservadoras, o segundo se desdobra em conflitos ideológicos entre diferentes grupos políticos, que ameaçam e sinalizam o início de uma guerra civil.

Ao contrário de Final Fantasy XV, que se autodenomina uma fantasia inspirada na realidade, mas não concretiza, em jogabilidade e história, um terço do seu próprio slogan, Final Fantasy X e X-2 atiçam tópicos delicados em uma época silenciosa e incomum para tais discussões, ainda mais no universo eletrônico.

Resultado de imagem para al bhed ffx
Um grupo de indivíduos da raça Al Bhed

Aliás, raro ver, no início dos anos 2000, jogos que retratassem o preconceito, a corrupção e divisões sociais, como visto na polarização entre a raça Al Bhed e as demais de Spira, mundo aos quais os jogos se passam. Este grupo, o único por sinal que não segue os rituais e costumes da teocracia instalada pela Yevon, possui as suas próprias crenças, hábitos, vestimentas, além de uma língua própria. Também apropriarem-se das máquinas, que são terminalmente proibidas em Spira, para benefícios diversos. Por distanciar-se absurdamente dos costumes ditos como certos, os Al Bhed são odiados e menosprezados pelas demais raças, e o Final Fantasy X deixa tudo isso em clara evidência através de desconfortáveis diálogos e conflitos.

Remetendo aos nossos próprios fatos históricos, por um longo período de tempo o mundo viveu sob o aval da Igreja Católica, que liderou a sociedade de maneira similar com a sua forte doutrina e poder absoluto, principalmente no período da Idade das Trevas (476 a 1453). Outras alusões estão presentes em sua rígida política contra os avanços da ciência, alegando que a fé, e todos os seus dizeres, eram o único caminho a ser seguido. Para ambos os casos (Yevon x Catolicismo), as penalidades contra os hereges (os que não respeitavam os seus dogmas) eram severas, e as outras crenças e religiões eram simplesmente proibidas.

“Eu não acredito que eu estava viajando com uma Al Bhed! Uma pagã!” – Wakka ao descobrir que Rikku é da tribo Al Bhed.

Por outro lado, a protagonista de ambos os jogos, Yuna, surge como a personificação de um Messias e um contraponto ao tratamento “vilanesco” da religião em Final Fantasy X. Ao descobrir a corrupção e as mentiras da Yevon, a sacerdotisa, ainda que em relutância, confronta as falsas crenças e a má conduta da Igreja. Assim como Jesus também o fez contra, por exemplo, a hipocrisia dos Fariseus e as suas pregações em uma passagem retratada na Bíblia:

Não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los”.

Resultado de imagem para yuna sending
Yuna performando o ritual chamado “Sending”.

Além desse paralelo, Jesus e Yuna possuem outras particularidades em comum, como o fato da sacerdotisa caminhar sobre as águas em um determinado segmento do jogo, além das suas propriedades curativas, similares as habilidades de Jesus, vistas em várias parábolas da Bíblia.

Na verdade, o primeiro jogo em si cria diversas alusões ao Catolicismo, como a hierarquia da Yevon, que se assemelha bastante ao da Igreja Católica, em que os Mestres assumem posições similares aos dos Cardiais e o Grande Mestre, ao do Papa. Outro exemplo é a existência do grupo “Os Cruzados” no jogo, que faz associação à legião, de mesmo nome, que lutou pela Igreja Católica contra os muçulmanos durante as Cruzadas.

De todo o modo, ao fim do primeiro jogo, a Yevon é dissolvida e a verdade exposta, dando início, assim, ao período chamado de Eterna Calma, onde a paz reinaria soberana sobre os povos de Spira. Ao menos em teoria.

Resultado de imagem para final fantasy x bevelle
A capital Bevelle pode ser considerada como o Vaticano de Spira.

Dois anos mais tarde, em Final Fantasy X-2, o mundo se encontra no meio de conflitos ideológicos, reforçados pelas divisões políticas que dominaram a população. À parte disso, novos costumes e atividades surgem, como a profissão de Caçadores de Esferas, que buscam revelar segredos e fatos históricos sobre a Spira, que até há pouco tempo eram acobertados pelas mentiras da Yevon.

Ainda que os maiores problemas do mundo tivessem sido dissolvidos nesse ponto, em uma força de imaturidade da população, que nunca soube lidar com a paz e a liberdade, conflitos facilmente evitáveis são gerados entre as facções.

Resultado de imagem para final fantasy x baralai, gippal, nooj
Os três novos “líderes” de Spira.

Enquanto a antiga geração, mais acomodada com a New Yevon, apontava que as mudanças de Spira estavam sendo “brutas” demais, o Youth League as abraça, junto com as máquinas, antes proibidas. No outro lado, de forma mais imparcial, a Machina League caminha rente à ideologia da raça Al Bhed, que não sofrera transformações, mas que agora são mais aceitas e menos menosprezadas pela população.

No meio disso, Yuna, que atua agora como uma Caçadora de Esferas, é vista como peça-central para os conflitos dos grupos, que buscam o seu apoio, visto a sua popularidade e recentes descobertas.

Resultado de imagem para final fantasy x-2 conflicts
“New Yevon…bem, tem Yevon no seu nome. Isso já diz tudo” – Rikku sobre a facção liderada por Baralai.

No fim, as diferenças, sempre tratadas como um problema universal, são postas ao lado e superadas em prol da salvação de Spira, que novamente encontra-se em ameaça. Diante deste empecilho, os grupos devem-se reunir e colocar, como prioridade, o próprio bem-estar social.

Com um cenário extremamente semelhante ao que encontramos atualmente no Brasil, o segundo título tece críticas poderosas sobre a polarização e conflitos ideológicos, algo tão recorrente em nossa história. Com poderosas mensagens, costuradas com temas de empoderamento e liberdade de expressão, título finaliza a história de Spira (até então) refletindo sobre os piores e melhores aspectos da humanidade. Aliás, enquanto abraça a cruel realidade humana, jogo trata a história com humor e uma atmosfera festiva, junto de um gameplay inspirado nas principais referências da cultura pop da época.

Especiais

SDCC 2019 | Destrinchamos o trailer de Watchmen, da HBO

Série estreia em outubro deste ano, sob comando de Damon Lindelof

Foi divulgado neste sábado, como parte da campanha da HBO/Warner na San Diego Comic-Con, o trailer inédito da série Watchmen, criada por Damon Lindelof (Leftlovers) baseado na HQ de Alan Moore e Dave Gibbons.

Tentamos desvendar ao máximo a trama baseados apenas no que foi mostrado no trailer e no conhecimento da história original, logo, este artigo pode conter SPOILERS!

A história de Watchmen, a série, se passa 30 anos após os acontecimentos da HQ. A maioria das pessoas acredita na versão de Ozymandias da história, apenas uma pequena parcela confia no que leu do Diário de Rorschach. Desses, uma punhado se transformou em adoradores fundamentalistas da palavra do antigo vigilante.

Esses acólitos são os homens com as máscaras parecidas com a de seu líder morto no trailer. Eles tem ainda um cântico de ordem: o tik tak de um relógio, contando o tempo para uma nova tragédia, ou para o retorno do Dr. Manhattan. O que acontece no final do trailer. Essas partes parecem ter sido tiradas das HQs pós Watchmen, as Doomsday Clock, cujo uso como base Lindelof não havia citado.

Um pouco depois que o culto é formado eles começam a atacar policiais, o que faz com que polícia passe a se esconder por trás das máscaras amarelas vistas no trailer. Esses são os policiais normais.

Ozymandias está escondido em uma de suas mansões, e é dado como morto pela sociedade. Ele está, claro planejando algo que deve envolver a lenda do Cargueiro Negro. Nesta nova versão é interpretado por Jeremy Irons. Há uma personagem chamada Pirata Jenny, interpretada por Adelaide Clemens, ela deve ter ligação com a trama de Adrian Veidt, ou ela é uma das policiais vigilantes.

Há no jornal que aparece no começo do trailer uma manchete dizendo que Adrian Veidt está morto, mas ao lado há uma chamada de capa para a matança de animais perpetrada por um monstro chamado de Boise Squid Shower, o mesmo que Ozymandias inventou que existia no final da HQ. Eles estão agindo ainda, como mostrado na quantidade de insetos mortos por uma gosma branca. Eles também estão na ilustração que aparece na cena no tribunal, onde também é possível ver que o juiz usa máscara para se proteger.

Vigilantes são proibidos por lei, e só podem agir se pertencendo a uma força policial. É o caso da personagem de Regina King, a investigadora de Angela Abraham. Ela parece ter se tornado vigilante após um ataque à sua casa por homens do culto.

Silk Spectral é do FBI agora, a Agente Blake, interpretada por Jane Smart. Fica subentendido, então, que o personagem de Don Johnson, o chefe da polícia Judd Crawford, é o Coruja. Ele é visto pilotando a nave do Coruja, Archie, e a usando para derrubar um avião dos acólitos em um campo. Com ele está a personagem de Hong Chau, ainda sem nome divulgado. Mas é interessante notar que há um outro homem como Coruja, com uma roupa preta, em quem Blake atira. O nome do segundo Coruja é Dan Dreiberg, e não Judd, mas ele pode muito bem ter mudado de nome.

A bandeira americana mudou, contemplando mais que 52 estados. Os acólitos do Rorschach usam a bandeira antiga. Robert Redford, o ator, já é sinalizado no quadro da escola que aparece no trailer como um dos mais importantes, ao lado de Lincoln, Nixon e Washington. Há uma matéria de jornal dizendo que ele não busca reeleição; Esse é mesmo o nome do ator que fundou o Sundance Film Festival. Em Doomsday Clock ele é eleito presidente dos Estados Unidos.

Tim Blake Nelson interpreta Looking Glass, um vigilante ainda mais misterioso que os outros, e que está comendo feijão de lata, como Rorschach na HQ. Ele está olhando na TV o Justiceiro Encapuzado impedir um assado em uma loja.

Há ainda o personagem de Loius Gosset Jr., descrito apenas como Old Man (Velho). É ele quem conta para detetive Abraham sobre uma conspiração que está em curso. Andrew Howard é Red Scare, também detetive da polícia, cuja fantasia é baseada nas tropas russas. Yahya Abdul-Mateen II é Cal Abraham, esposo da personagem de King.

Tom Milson é Marcus Maez, chamado apenas de Mime. Este personagem aparece na série pós Watchmen, Doomsday Clock. Sara Vikers faz Erika Manson/Marionette, esposa de Maez e com quem compartilha uma história trágica.

Eastereggs estão por toda parte, inclusive em ovos mesmo, como na escola quando a detetive Abraham tenta fazer um Smile de ovos e um dos olhos está manchado de sangue; Num comercial colocado sobre um táxi há referências aos Minutemen e ao comediante, com uma imagem dele jovem e a frase “comedy begets tragedy”, uma referência à frase de Mark Twain “Humor is tragedy plus time” e à persona do Comediante/ Edward Blake.

O trailer termina com Dr. Manhattan aparecendo de volta à Terra, depois de um desastre que matou milhares. Ele recolhe do chão uma máscara azul. Uma referência à ele mesmo e também à V de Vingança, outra HQ seminal de Alan Moore. Antes, é possível ver animadores de festa infantil fantasiados de Dr. Manhattan, e há ainda um marco azul em sua homenagem.

Watchmen estreia no começo de outubro na HBO, com produção de Damon Lindelof, Nicole Kassell e Tom Spezialy. Kassell dirigiu o piloto com Lindelof, que também é o showrunner. Serão oito episódios e todos devem ser transmitidos ainda em 2019, o que coloca a estreia na primeira semana de outubro. Trent Reznor and Atticus Ross assinam a trilha sonora.

Continue Reading

Filmes

Lista de 5 | Overdose de Memory, do musical Cats

História dos gatinhos está sendo adaptada para o cinema e ganhou seu primeiro teaser

Um dos musicais mais famosos do mundo está prestes a ganhar uma versão no cinema. Cats, o filme, contará com Judi Dench, James Corden, Rebel Wilson, Ian McKellen, Jason DeRulo, Taylor Swift, Idris Elba e Jennifer Hudson, ganhou seu primeiro teaser nesta quarta-feira (17).

No vídeo, postado nas redes sociais do filme, os atores falam sobre seus personagens e sobre sua relação com a icônica história, baseada na coleção de poemas do americano T. S. Eliot. As músicas são de Andrew lloyde Weber e contam a história dos gatinhos de rua da tribo Jellicle. O enredo é focado na gatinha Grizabella, acolhida de volta na tribo após ter se redimido dos erros cometidos com os colegas.

Uma das músicas mais famosas da história é Memory, uma belíssima canção sobre recomeço, com letra de Trevor Nunn e baseada no poema Rhapsody on a Windy Night.

Para celebrar que emoção de ter Cats no cinema, preparamos uma lista com cinco versões de Memory para todo mundo cantar com a mãozinha no peito!

Sarah Brightman – a diva

The BBC Concert Orchestra – para os clássicos

Epica  – a banda de Metal perfeita

Susan Boyle – aquela que cantou I Dreamed a Dream no Idols

Nicole Scherzinger – que também já foi uma gatinha

O trailer completo de Cats chega nesta sexta-feira (19) e deve mostrar os atores com a pelagem de gato, adicionada digitalmente. A direção de é de Tom Hooper, o mesmo que dirigiu a Lei Miserables com Hugh Jackman, e estreia no Natal deste ano.

Continue Reading

Especiais

Um breve passeio pela história das trilhas sonoras de Final Fantasy (Parte 2)

Novos compositores e participações inesperadas marcam a nova fase da música de Final Fantasy.

Foto: Divulgação/Square Enix

Até o décimo título principal da franquia Final Fantasy, as composições eram comandadas pela renomado Nobuo Uematsu, ao qual retratamos na primeira parte desse especial. Após a sua saída, diversos compositores passaram pelas trilhas da saga, e nomes conhecidos da música também fizeram ponta, como Ariana Grande e Katy Perry.

Com diferentes abordagens, inspirações e ritmos, conheça as suas principais contribuições para a aclamada franquia de RPG da Square Enix.

NOVOS COMPOSITORES E RITMOS

Os novos compositores, tais como Masashi Hamauzu, Junya Nakano, Noriko Matsueda, Hitoshi Sakimoto, ainda que trilhassem, vez ou outra, o caminho de Nobuo Ueamtsu, e inspirassem em suas clássicas composições, buscaram, em seus trabalhos, sons inovadores e refrescantes para as suas respectivas trilhas sonoras.

A soundtrack de Final Fantasy X-2, por exemplo, foi a primeira sem a colaboração de Nobuo, ainda que fosse sequência do aclamado Final Fantasy X, jogo ao qual participou como compositor principal. Noriko Matsueda e Takahito Eguchi assumiram a posição e seguiram um direcionamento, até então, incomum para a franquia: o pop. Com a abertura do jogo tomada pela jovialidade da música japonesa popular, os ritmos de Final Fantasy X-2 festejavam um clima predominantemente alegre e cômico.

“Real Emotion” e 1000 Words” foram os principais frutos dessa nova abordagem, que ajudaram a alavancar a carreira da cantora Koda Kumi, intérprete das canções e dubladora de Lenne, personagem do jogo.

Já em Final Fantasy XII, Nobuo retornou rapidamente para deixar breves marcas musicais. A canção tema da franquia, aqui, se faz presente, com rearranjos e mixagens. Além disso, o musicista compôs a inédita “Kiss Me Goodbye”, canção interpretada pela japonesa Angela Aki que viria a ser o tema de encerramento do jogo.

Hitoshi Sakimoto, o compositor principal da trilha sonora, revelou que foi uma experiência árdua seguir os passos de Uematsu, por isso, decidiu criar um som único a sua maneira, levando em consideração a contribuição musical deixada por seu antecessor.  Ele também afirmou que as suas faixas foram baseadas nas emoções dos personagens e na atmosfera do jogo. O enredo, por outro lado, não foi levado em consideração para que a trilha não fosse afetada pelas mudanças no desenvolvimento do título, que levou 5 anos para ser finalizado.  

Masashi Hamauzu seguiu uma linha de pensamento parecida ao construir a soundtrack de Final Fantasy XIII, lançado em 2009. Nesse título, o compositor não foi limitado a manter a sua trilha alinhada ao som já estabelecido pela série. Ainda sim, ele não a compôs para se desmembrar do passado da franquia, mas focando no jogo ao qual foi apresentado. Além disso, inspirou-se em diferentes estilos musicais, como o jazz, rock, bossa-nova, eletrônico e o blues, revelando que a gama de gêneros não cansaria o jogador.

Dois anos depois, o musicista retornou para a sequência do jogo, chamada Final Fantasy XIII-2. Aqui, ele explorou ainda mais gêneros musicais, como o hip-hop, o metal e o funk. Naoshi Mizuta e Mitsuto Suzuki também fizeram parte do time. O primeiro desses revelou que sua música favorita da trilha, a “Xanadu, Palace of Pleasure”, foi inspirada na música dos anos 80. Já Suzuki revelou que a sua peça favorita, “Historia Crux”, mixa diferentes tons em um só. Para compô-la, ele utilizou o conceito de viagem do tempo como referência, assim como o jogo em si o fez.

Como um todo, a trilha de Final Fantasy XIII-2, provavelmente a mais eclética e versátil da trilha, agregou ainda mais vocais em suas faixas, tons agressivos e diferentes gêneros musicais.

Anos mais tarde, após finalizar a trilha de Lightning Returns, ao qual exerceu o mesmo papel de maneira semelhante, Masashi foi convocado para compor as faixas do spin-off World of Final Fantasy. Em entrevista para a Nova Crystallis, em 2016, o musicista revelou que, ao contrário de suas últimas soundtracks, que possuíam um tom mais sombrio, ele foi capaz de criar peças musicais bastante otimistas, devido ao universo amigável do título.

Outro fator pertinente, devido a essa natureza incomum de World, são o retorno de inúmeras canções clássicas da franquia. Aqui, todas foram rearranjadas para combinarem com a atmosfera leve do jogo.

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS

Apesar de inicialmente atingir um público nichado, a franquia Final Fantasy foi alcançando, cada vez mais, novos ares, popularizando-se pela Europa e Américas. E como um dos principais produtos atuais da Square Enix, a série buscou se “globalizar” ainda mais, e a música é um dos caminhos para atingir tal objetivo.

Como visto anteriormente, os principais temas eram, até certo ponto, interpretadas por cantores e bandas japonesas. Apesar de normalmente não serem artistas populares do país, o patriotismo exercia o seu papel.

Contudo, para o lançamento de Final Fantasy XIII, em 2009, a companhia decidiu escolher a música “My Hands”, da cantora britânica Leona Lewis, para representar a versão internacional do jogo, substituindo a faixa “Kimi ga Iru Kara”, da trilha original. Segundo o presidente da Square Enix, a proposta inicial era ter criado uma faixa inédita para a versão ocidental do jogo, mas como o time americano era pequeno, acabaram por escolher uma música já licenciada.

De modo oposto, a sequência do jogo, Final Fantasy XIII-2, produziu simultaneamente as duas versões de sua música tema. Enquanto a estrela filipina de Glee, Charice, foi convocada para cantar o tema internacional do título, chamado “New World”, a japonesa Mai Fukui ficou responsável pela versão local. As diferenças entre ambas residem majoritariamente na letra e na língua cantada.

Um passo mais largo foi finalmente dado em 2016, com Florence + The Machine. A banda britânica foi previamente escolhida para contribuir com a trilha sonora do último título da saga principal, Final Fantasy XV. Ao contrário dos casos anteriores, não houve substituição de nenhuma faixa pré-existente, sendo assim, “Stand By Me, canção originalmente de Ben E King, regravada por Florence, foi utilizada na versão nacional e internacional do título.

Sobre o processo de gravação, a vocalista da banda comentou que Final Fantasy sempre foi caracterizada por ser “épica, mística e bela” e, em um vídeo de divulgação, destacou:

“Stand By Me é uma das maiores canções, provavelmente de todos os tempos, e você não pode realmente fazer nenhuma melhoria nela, você apenas tem que fazer com que ela se torne sua. Para mim isso significou trazê-la para o mundo de Florence + The Machine e de ‘Final Fantasy’.”

Já em 2017, de modo inusitado, a franquia convidou Ariana Grande para ser uma de suas personagens no jogo Brave Exvius, título exclusivo e gratuito para Androids e IOs.

Com o visual baseado na capa do seu disco “Dangerous Woman”, Ariana Grande tornou-se uma lutadora pixelizada, que lança poderosos ataques musicais contra os seus inimigos. Junto desse inesperado lançamento, a cantora, em parceria com a Square Enix, divulgou uma nova versão da canção “Touch It” como faixa promocional do jogo.

Por fim, a estrela Katy Perry foi a última grande grata surpresa a aparecer nos jogos da franquia. No final de 2018, a cantora foi anunciada como uma personagem do jogo Brave Exvius, assim como a sua colega Ariana Grande anteriormente. E para promover o novo lançamento, a cantora também divulgou uma música inédita, chamada “Immortal Flame”, junto a um vídeo promocional.

Como visto, a nova era musical de Final Fantasy é marcada por experimentações, diversidade de estilos e diferentes contribuições musicais. As mesclagens das recentes trilhas sonoras, ainda que fincadas nas raízes da franquia, em sua grande maioria, foram bem-sucedidas. Também mantiveram o renome de excelência musical que a franquia orgulhosamente possui.

Para a próxima e última parte desse especial, passaremos para o universo do morno Final Fantasy XV, que ainda que seja um título divisor de águas, sonoramente trouxe uma das melhores trilhas da franquia. E tudo isso graças ao impecável trabalho de Yoko Shimomura.

Enquanto não sai, preparamos uma playlist com as melhores faixas da franquia, incluindo as citadas no artigo. Confira abaixo:

Continue Reading