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A política e a religião em Final Fantasy X e X-2

Em um país a beira do colapso, ambos os jogos, lançados no início deste século, soam agora mais atuais do que nunca.

Foto: Divulgação/Square Enix

Regido por temas sociais, Final Fantasy X (2001) e a sua sequência, Final Fantasy X-2 (2003), traçam um paralelo com a realidade e enraízam-se nos conflitos mais obscuros da humanidade. Enquanto o primeiro arquiteta uma aventura trágica no entorno de uma poderosa entidade religiosa com dogmas e restrições conservadoras, o segundo se desdobra em conflitos ideológicos entre diferentes grupos políticos, que ameaçam e sinalizam o início de uma guerra civil.

Ao contrário de Final Fantasy XV, que se autodenomina uma fantasia inspirada na realidade, mas não concretiza, em jogabilidade e história, um terço do seu próprio slogan, Final Fantasy X e X-2 atiçam tópicos delicados em uma época silenciosa e incomum para tais discussões, ainda mais no universo eletrônico.

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Um grupo de indivíduos da raça Al Bhed

Aliás, raro ver, no início dos anos 2000, jogos que retratassem o preconceito, a corrupção e divisões sociais, como visto na polarização entre a raça Al Bhed e as demais de Spira, mundo aos quais os jogos se passam. Este grupo, o único por sinal que não segue os rituais e costumes da teocracia instalada pela Yevon, possui as suas próprias crenças, hábitos, vestimentas, além de uma língua própria. Também apropriarem-se das máquinas, que são terminalmente proibidas em Spira, para benefícios diversos. Por distanciar-se absurdamente dos costumes ditos como certos, os Al Bhed são odiados e menosprezados pelas demais raças, e o Final Fantasy X deixa tudo isso em clara evidência através de desconfortáveis diálogos e conflitos.

Remetendo aos nossos próprios fatos históricos, por um longo período de tempo o mundo viveu sob o aval da Igreja Católica, que liderou a sociedade de maneira similar com a sua forte doutrina e poder absoluto, principalmente no período da Idade das Trevas (476 a 1453). Outras alusões estão presentes em sua rígida política contra os avanços da ciência, alegando que a fé, e todos os seus dizeres, eram o único caminho a ser seguido. Para ambos os casos (Yevon x Catolicismo), as penalidades contra os hereges (os que não respeitavam os seus dogmas) eram severas, e as outras crenças e religiões eram simplesmente proibidas.

“Eu não acredito que eu estava viajando com uma Al Bhed! Uma pagã!” – Wakka ao descobrir que Rikku é da tribo Al Bhed.

Por outro lado, a protagonista de ambos os jogos, Yuna, surge como a personificação de um Messias e um contraponto ao tratamento “vilanesco” da religião em Final Fantasy X. Ao descobrir a corrupção e as mentiras da Yevon, a sacerdotisa, ainda que em relutância, confronta as falsas crenças e a má conduta da Igreja. Assim como Jesus também o fez contra, por exemplo, a hipocrisia dos Fariseus e as suas pregações em uma passagem retratada na Bíblia:

Não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los”.

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Yuna performando o ritual chamado “Sending”.

Além desse paralelo, Jesus e Yuna possuem outras particularidades em comum, como o fato da sacerdotisa caminhar sobre as águas em um determinado segmento do jogo, além das suas propriedades curativas, similares as habilidades de Jesus, vistas em várias parábolas da Bíblia.

Na verdade, o primeiro jogo em si cria diversas alusões ao Catolicismo, como a hierarquia da Yevon, que se assemelha bastante ao da Igreja Católica, em que os Mestres assumem posições similares aos dos Cardiais e o Grande Mestre, ao do Papa. Outro exemplo é a existência do grupo “Os Cruzados” no jogo, que faz associação à legião, de mesmo nome, que lutou pela Igreja Católica contra os muçulmanos durante as Cruzadas.

De todo o modo, ao fim do primeiro jogo, a Yevon é dissolvida e a verdade exposta, dando início, assim, ao período chamado de Eterna Calma, onde a paz reinaria soberana sobre os povos de Spira. Ao menos em teoria.

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A capital Bevelle pode ser considerada como o Vaticano de Spira.

Dois anos mais tarde, em Final Fantasy X-2, o mundo se encontra no meio de conflitos ideológicos, reforçados pelas divisões políticas que dominaram a população. À parte disso, novos costumes e atividades surgem, como a profissão de Caçadores de Esferas, que buscam revelar segredos e fatos históricos sobre a Spira, que até há pouco tempo eram acobertados pelas mentiras da Yevon.

Ainda que os maiores problemas do mundo tivessem sido dissolvidos nesse ponto, em uma força de imaturidade da população, que nunca soube lidar com a paz e a liberdade, conflitos facilmente evitáveis são gerados entre as facções.

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Os três novos “líderes” de Spira.

Enquanto a antiga geração, mais acomodada com a New Yevon, apontava que as mudanças de Spira estavam sendo “brutas” demais, o Youth League as abraça, junto com as máquinas, antes proibidas. No outro lado, de forma mais imparcial, a Machina League caminha rente à ideologia da raça Al Bhed, que não sofrera transformações, mas que agora são mais aceitas e menos menosprezadas pela população.

No meio disso, Yuna, que atua agora como uma Caçadora de Esferas, é vista como peça-central para os conflitos dos grupos, que buscam o seu apoio, visto a sua popularidade e recentes descobertas.

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“New Yevon…bem, tem Yevon no seu nome. Isso já diz tudo” – Rikku sobre a facção liderada por Baralai.

No fim, as diferenças, sempre tratadas como um problema universal, são postas ao lado e superadas em prol da salvação de Spira, que novamente encontra-se em ameaça. Diante deste empecilho, os grupos devem-se reunir e colocar, como prioridade, o próprio bem-estar social.

Com um cenário extremamente semelhante ao que encontramos atualmente no Brasil, o segundo título tece críticas poderosas sobre a polarização e conflitos ideológicos, algo tão recorrente em nossa história. Com poderosas mensagens, costuradas com temas de empoderamento e liberdade de expressão, título finaliza a história de Spira (até então) refletindo sobre os piores e melhores aspectos da humanidade. Aliás, enquanto abraça a cruel realidade humana, jogo trata a história com humor e uma atmosfera festiva, junto de um gameplay inspirado nas principais referências da cultura pop da época.

Artigo Otaku

Artigo Otaku | Webtoon: deixa eu te explicar o que é

Com duas animações adaptadas na Crunchyroll é importante falar sobre esse fenômeno.

A estreia de God of High School nessa semana no serviço de streaming Crunchyroll marca mais um momento do serviço especializado em conteúdo animado oriental e suas produções de animês originais. Tal estreia é mais especial ainda por se tratar da segunda animação baseada em uma webtoon. Ainda na temporada passada tivemos Tower of God, que foi fenômeno de aceitação e mobilizou o fandom diversas vezes nas redes sociais.

Mas se você viu Tower of God e vai começar a ver God of High School e ainda se impressiona com o ar de novidade que essas obras trazem imagino que muito se dá ao fato de você provavelmente não saber do que se trata uma webtoon. Falando bem sério, a verdade é que recentemente uma aura muito boa vem surgindo em torno desse formato de mídia que não é novo e tem certa popularidade entre usuários da internet. Se você não é um desses acostumados não tem problema, pois vamos falar um pouco sobre isso agora!

Web o quê?

Webtoon é um termo popularizado pela internet coreana para se referir a um formato de quadrinhos. Formado pela aglutinação entre “web” e “cartoon”, a palavra surge como uma forma de classificar os quadrinhos coreanos publicados exclusivamente de maneira digital numa clara proposta de diferenciação ao manhwa (termo coreano sinônimo ao “comic/HQ” que ficou conhecido por definir todo quadrinho publicado na Coreia do Sul aqui no Ocidente).

Uma das principais características das webtoon, além do digital, é o seu formato de reprodução/consumo. As páginas dos quadrinhos são estilizadas na vertical proporcionando uma leitura scroll-up/scroll-down no computador ou em dispositivos móveis como smartphones e tablets. Outra característica muito presente são os quadrinhos coloridos e diagramados de maneira que a leitura siga um fluxo contínuo com poucas ocasiões para a construção visual de sarjetas verticais com requadros paralelos (salvo em enquadramento de detalhes) e estilo de leitura que para nós é tido como convencional: da esquerda para a direita.

Em boa parte dos casos as plataformas de webtoons são de acesso gratuito e atualizadas sazonalmente.
Fonte: WEBTOON/Reprodução
Entre as características das webtoons a mais marcante é a leitura scroll-up/scroll-down. Além disso, como comics de qualquer parte do mundo contém obras de diferentes gênero como thriller, romance e fantasia (da esquerda para a direita).
Fonte: WEBTOON/Reprodução.

Obviamente nada disso é uma regra oficializada ou determinante para a classificação do formato midiático e narrativo adotado nas webtoons, que tem como um de seus atrativos a distribuição gratuita em muitos serviços e aplicativos especializados. Entre os mais populares estão o NAVER WEBTOON e LINE WEBTOON (ambos da NAVER Corp.) e DAUM WEBTOON (da kakao Corp., conhecido como um dos mais antigos no segmento). Além desses, outros tantos serviços estão entre os mais conhecidos especializados na publicação das webtoons (principalmente dentro da Coreia do Sul).

A popularização do formato a partir de versão traduzida para o inglês – principalmente com o LINE WEBTOON de 2014 com versões oficiais – fez com que muitos passassem a considerar as webtoon parte da Onda Hallyu junto com o já badalado K-Pop. O certo é que no geral, webtoon é um formato de quadrinho que tem como marca principal a publicação digital em orientação vertical de leitura. De resto é como qualquer outra narrativa que obedeça os padrões imagético-textuais das HQs.

WEBTOON e Crunchyroll

Estamos na segunda metade de um ano difícil por causa da pandemia de Covid-19, além dos muitos outros dilemas que vivemos. Mesmo assim, a indústria de entretenimento segue firme (afinal ela é um dos baluartes para a manutenção da nossa sanidade) e concretizando o anúncio da parceria entre a WEBTOON e a Crunchyroll feitoem 2019 ,o selo Crunchyroll Originals já apresentou a adaotação de Tower of God e agora God of High School.

De forma divertida, animação God of High School celebra a parceria entre Crunchyroll e WEBTOON.
Fonte: God of High School / Reprodução (MAPPA, Crunchyroll/WEBTOON, 2020)

Fora à parte a aparente obsessão por deus nos nomes, elas inicialmente não tem muita coisa em comum. O primeiro se passa num mundo bem diferente da nossa realidade, enquanto o outro tem como plano de fundo a capital Seul. Para além disso, a convergência pode ser percebida também no apelo narrativo a elementos místicos e as cenas de ação.

Tower of God é uma webtoon muito aclamada e com versões traduzidas em diversos idiomas de forma não-oficial. Publicada desde 2010 pelo artista SIU, a obra ganhou adaptação em animê e foi exibida em 13 episódios durante a Temporada de Primavera 2020. Os fãs agora aguardam o anúncio da sequência do animê devido ao sucesso obtido.

God of High School estreou na Temporada de Verão de 2020 com a promessa de apresentar uma compilação de ação e aventura. Essa é a segunda webtoon de Park Yong-Je que a publica desde 2011 no WEBTOON (e desde 2014 em versão traduzida) sendo considerada a primeira publicação da Naver Corp. oficialmente reproduzida em inglês.

A aposta da Crunchyroll para essas narrativas é claramente uma proposta de ampliação de mercado ao mesmo tempo em que também busca dialogar de forma mais próxima ao público de um nicho particular (o dos fãs dos quadrinhos coreanos), além de apresentar aos demais mercados e segmentos culturais onde já atua as possibilidades de produção disponíveis no setor de animação.

Cena que mexeu com o público na reta final de Tower of God durante a Temporada de Primavera 2020.
Fonte: Tower of God / Reprodução (Telecom Animation, Crunchyroll/WEBTOON, 2020)
Começo de apresentações em God of High School antes da porrada rolar.
Fonte: God of High School / Reprodução (MAPPA, Crunchyroll/WEBTOON, 2020)

É óbvio que a aproximação com os quadrinhos coreanos não significa uma falta de confiança na indústria japonesa. Pelo contrário! Essa é uma alternativa para fugir de licenciamentos ou mesmo de flexibilizar a cena. Se tivéssemos mesmo um distanciamento ocorrendo em relação ao Japão, estúdios como Telecom Animation Film (Tower of God) e MAPPA (God of High School) não estariam envolvidos no projeto perdendo espaço para estúdio também coreanos (ou mesmo chineses!) na condução das produções. O discurso aqui é um só: fomentar a própria indústria com novidades.

Não sabemos até quando vai a parceria entre as duas empresas e nem quantos títulos estão envolvidos, o certo é que ao que parece o público gostou muito da fórmula Webtoon + Crunchyoll = Animê de Sucesso. As reações dos espectadores não me deixa mentir.

Concluíndo…

Webtoon é um formato que deve render bastante nos próximos anos. Além dos animês que chegam por aqui, recentemente a NewPOP Editora publicou a versão encadernada de Solo Leveling, outra webtoon que tem boa recepção entre o público ocidental. A editora já havia feito experiência com manhwa tempos atrás e agora investe nesse hibridismo possibilitado pelas versões físicas dos quadrinhos digitais coreanos.

Vale lembrar, no entanto, que Solo Leveling começou como web novel em 2016 e somente em 2018 ganhou sua versão em webtoon. Essa já foi compilada em versão física e conta atualmente com dois volumes. E que venha a era dos “Animes Coreanos da Crunchyroll”

Até a próxima e… Sayonara!

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Artigo Otaku

Artigo Otaku | Funimation no Brasil: “Esse conteúdo estará disponível em seu país”

Confirmação feita no FunimationCon 2020 abre o debate para o futuro do streaming de animê no Brasil.

O vazamento promovido pelo site Deadline se confirmou (o que era de se esperar dado o fato de ter sido tirado do ar tempo depois de publicado) e a Funimation anunciou nesta sexta-feira (03) que vai expandir suas atividades para a América Latina começando com México e Brasil. O anúncio foi feito durante o FunimationCon 2020 e publicado em espanhol no perfil oficial da empresa no Twitter. A escolha é bastante simbólica dado o fato de que as duas nações estão entre aquelas com maior evidência nesta parte do globo quando se fala em apaixonados por animês.

Confirmado para o último trimestre do ano (a partir de outubro), o desembarque em definitivo da marca gerenciada pela join venture realizada entre Sony Pictures e Aniplex Japan – que também é da Sony! – marca mais um passo no processo da empresa em se capilarizar em diferentes mercados (já atua em seis: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda, Austrália e Nova Zelândia). Com o primeiro passo sozinha em terras não falantes do inglês, a empresa (que deve vir com seu serviço FUNimation Now) se encontra entre os maiores distribuidores de animê do ocidente e já notificou que pretende abordar os aspectos da língua de forma muito próxima do público com o licenciamento de versões dubladas para os dois países.

Isso na verdade já vinha acontecendo. Desde o rompimento da parceria com a Crunchyroll, em 2018, se especulava muito sobre como ficaria a situação da Funimation no Brasil. Sem seus títulos licenciados para a América Latina por meio da concorrente, as opções ficaram escassas e tivemos algumas poucas coisas sendo apresentadas em nosso contexto por meio do Amazon Prime Video e também de empresas nacionais como a Sato Company. Tudo isso passível de atrasos e certos contratos atrapalhados que nos faziam perguntar quando títulos como Fire Force e Fruit Baskets seriam oficialmente lançados em nosso país.

Bom, em maio tivemos uma sinalização do que viria com o anúncio da dublagem de sete títulos de seu catálogo para o Brasil. Entre eles My Hero Academia, o que causou uma situação nada agradável entre dubladores nacionais que haviam dublado o filme “My Hero Academia: Dois Heróis” em 2019 e não foram convidados a repetir suas participações no elenco em 2020. Óbvio que tudo isso tem relação com contrato de licenciamento, mudança de estúdios e etc., mas não evitou a troca de farpas entre alguns dos nomes mais famosos do metiê em redes sociais.

Outro porém que se questionava muito era como a saída da Funimation da parceria com a Crunchyroll poderia influenciar à continuidade na pirataria de animês com os fansubs. Essa sempre foi uma especulação tola. Tendo como proprietária a Sony Pictures – uma gigante do entretenimento – era óbvio que essa saída foi mais do que estratégica. A especulação mais acertada que se pode fazer aqui é que não se poderia alimentar por muito mais tempo a futura concorrente em terras latinas (já eram concorrentes no Hemisfério Norte) ao passo que esta crescia junto ao público (a própria Crunchyroll já divulgou dados que apresentam o mercado brasileiro entre os cinco mais interessantes da empresa) e também contava com outras atualizações como fazer parte do catálogo de serviços do HBO Max da rival Warner Media, que só deve aparecer por aqui em 2021.

Era óbvio que “a guerra das gigantes do entretenimento” iria resvalar no streaming de série importadas do Japão em algum momento. Contudo, isso não é para o mal e sim para o bem. O bem das empresas que sempre enxergam novas oportunidades de mercado e para o bem da indústria de animês que se ramifica ainda mais nos negócios overseas. Também é bom para o consumidor.

(Versão americana do serviço de streaming. Fonte: Funimation/Reprodução)

Há quem discorde, mas a possibilidade de assinar mais um catálogo de streaming de animês, embora pareça ruim aos ouvidos no primeiro momento, esconde um interesse velado de educar o consumidor a viver sem a pirataria. É mais fácil convencê-lo de que pode consumir seu animê com facilidade, em simulcast, com dublagem e outras regalias por meio de um pacote de streaming, que continuar replicando práticas ilegais em serviços de fansubs. Essa é uma fase que começa a declinar em muitos países e a chegada da Funimation ao Brasil, em definitivo, abre as cortinas para esse novo ato aqui.

Outra possibilidade ao mercado nacional que podemos vislumbrar é um crescimento do mershandising de outros conteúdos vinculados à indústria do manganime a partir da ampliação do mercado com a chegada definitiva do serviço de streaming subsidiário da Sony. Assim como a concorrente, que já se aventurou pela TV e tem forte presença em eventos geek e otaku, a Funimation estrando de forma direta e não mais por empresas licenciantes tem as mesmas opções e outras de inovar o mercado local de consumo de animações japonesas.

Quem pode estranhar muito com sua chegada é o fansubers, pois se antes com a Crunchyroll já havia uma campanha bem organizada contra ações de pirataria, agora tudo pode ficar bem mais intenso. Isso porque a Funimation já é bastante conhecida por sua atuação antipirataria promovendo muitas ações legais contra fansubers, além de realizar muitas disputas com parceiros/concorrentes a respeito de licenças de títulos de animê. Criada em 1994, tornou-se famosa por ter obtido êxito com o licenciamento de Dragon Ball no Cartoon Network em 1999. Atualmente a empresa soma mais de 700 títulos em seu catálogo.

O certo é que a FUNimation é mais que bem vinda ao Brasil e toda a América Latina se isso se consolidar em variedade de títulos, novidades e possibilidades de consumo de animês e derivados. Me abstenho nesse momento em falar sobre como isso vai afetar as ditas concorrentes, até porque todo o processo já deve ter sido muito bem previsto e planejado por estas para quando esse momento (previsível) fosse oficializado. A própria Funimation se preparou bem para sua chegada ao Brasil ao ofertar a possibilidade de versões dubladas já no primeiro contato com o serviço de streaming.

(Indisponível no Brasil, serviço de streaming deve iniciar atividades em outubro por aqui. Fonte: Funimation/Reprodução)

Para mais novidades sobre o lançamento da Funimation na América Latina um serviço de newsletter (latam.funimation.com) está disponível em português/espanhol num layout que já dá um certo gostinho de como será o novo serviço e também dando esperanças sobre os últimos dias em que não mais veremos a fatídica mensagem “Sorry, but this content isn’t avaliable in your country” na página principal do serviço. Nos resta aguardar!

Até a próxima e… Sayonara!

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Artigo Otaku

Artigo Otaku | Sete animês para apaixonados

Confira sete dicas para celebrar com quem se ama vendo um bom animê!

Diferente de nós e a nossa data mais que comercial do Dia dos Namorados, os japoneses celebram a união dos apaixonados no Dia de São Valentim (Valentine Day) em 14 de fevereiro. De forma similar a nós, mas ainda assim bem peculiar com a troca de chocolates entre colegiais e colegas de trabalho sendo uma tradição, a celebração nipônica é marcada por chocolates de “agradecimento”, “amizade” e “obrigação” entre os presentes mais comuns,embora não falte também a troca entre os apaixonados ou mesmo a sugestão de gostar de alguém quando se presenteia com um chocolate especial.

Tudo isso, visto por meio da mídia de entretenimento sugere um povo muito tímido e delicado no que trata o quesito romance. Qual nada! Pode até ser em público, mas as narrativas que acompanhamos não dizem muito sobre isso ao revelar os inúmeros fetiches e as psicologias às avessas dos apaixonados nos animês. Enfim, a discussão é muito peculiar, pois toca na construção social de um povo que se irrita com a autora de um mangá por seu final trazer um relacionamento onde o protagonista – dividido a trama toda entre duas paixões – tem uma filha com uma e casa com a outra.

Foi o que aconteceu recentemente com a mangaká Sasuga Kei e sua obra Domestic Girlfriend (Domestic na Kanojo), que lhe rendeu ofensas e ameaças no Twitter. Ao que parece, o japonês – e os estrangeiros – não podem aceitar esse final, mesmo que em sua maioria não se importarem de consumir algo um pouco mais intensos em seus doushinjins (fanfics) e/ou hentais (quadrinhos pornô). Só posso dizer que esperto foi Taichi Tsutsui, autor de We Never Learn ~Bokuben, que desenhando um mangá harém (subgênero onde há relacionamentos românticos ou não entre um garoto e várias garotas ou vice-versa) optou por fazer finais alternativos para cada heroína e assim se livrar das críticas.

Mas por que estou falando disso? Para dizer que o japonês tem uma visão muito única sobre como conduzir romances em suas narrativas e com certeza você já deve ter percebido isso. Dependendo da demografia, do gênero literário ou mesmo do estilo de criação de cada autor, podemos ter relacionamentos que não avançam, enrolados, confusos ou relacionamento até que bastante diretos. Isso porque podemos observar que esse é um povo que encara a prática de expor sentimentos como um espécie de fraqueza e suas personagens muitas vezes transmitem isso. Se é verdade ou não só convivendo para saber. Mas o fato de que há um falso moralismo construído nisso (haja visto os fetiches estranhos) isso eu não posso negar. Talvez só o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman pudesse explicar com suas abordagens a respeito do amor líquido e o conceito grego de poliamor.

Essas discussões à parte, japoneses sabem cativar muito bem quando querem falar de amor. Segue aqui sete dicas do que assistir nesse Dia dos Namorados com a pessoa amada. Informo que cada uma das dicas está disponível em serviços de streaming como Amazon Prime Video, Crunchyroll e Netflix. Vamos a elas!

Na Netflix…

Sussuros do Coração (1995) – Studio Ghibli

Embalado pelo som de “Take me Home, Country Roads” * na voz de Olivia Newton-John (Let Me Be There, 1973) escrevo esse artigo otaku especial de Dia dos Namorados. Ok, a canção em si não é nada romântica e está mais para um ode a um lugar especial (no caso Virgínia Ocidental, para ser mais específico). Mas o que um clássico do country norte-americano tem a ver com apaixonados e cultura otaku? Simples! A canção é o tema de abertura e o leitmotiv de Sussurros do Coração (1995), filme de Yoshifumi Kondou para o Studio Ghibli.

Sussurros do Coração é um dos primeiros filmes do Ghibli não dirigidos por Hayao Miyazaki ou Isao Takahata (embora tenha roteiro de Miyazaki) e marca não só por essa diferente cena de abertura ao som do country, como também pela abordagem singela e cativante de um romance adolescente. Temas como decisões e a dor da guerra seguem na narrativa (lembre-se, Miyazaki é o roteirista), mas Yoshifumi Kondou nos presenteia com um drama enxuto e bastante interessante para acompanhar ao lado da pessoa amada.

Your Name (2016) – Comix WaveFilms

Também inspirado numa narrativa de romance adolescente, o filme de Makoto Shinkai perpassa pelo dilema juvenil de Mitsuha e Taki a partir de um acontecimento que transita entre o cósmico e o sobrenatural. Com certeza esse é um filme para se assistir no aconchego de um abraço sem se preocupar com nada e apenas torcer para que tudo acabe bem.

A trilha sonora conta com a banda Radwimps e canções como “zenzenzense” como leitmotiv, o que dá mais ritmo a trama que encantou milhares de pessoas ao redor do mundo e ainda é fenômeno entre os otaku.

No Amazon Prime Video…

InuYasha the Movie: The Castle Beyond the Looking Glass (2002) – Sunrise

O segundo filme baseado no mangá de Rumiko Takahashi é uma das produções em audiovisual que mais recomendo para a data especial. Carregando muito elementos que conquistaram os fãs de InuYasha e Kagome, o longa-metragem é cheio de momentos marcantes entre o casal protagonista e não tem como não se arrepiar com o final onde…, Opa! Quase um um spoiler!

Com plot inspirado no conto popular japonês da “Princesa Kaguya”, o filme entrega uma boa história que anima não só pelo romance, mas pela aventura. Os outros três filmes da franquia também estão no catálogo do Prime Video então, se ao terminar quiser ver mais é só dar o play!

Wotakoi: Love Is Hard for Otaku (2018) – A-1 Pictures

Se a ideia é curtir o Dia dos Namorados com muita alegria sugiro a comédia romântica baseada no mangá da autora Fujita. Dois casais, um escritório empresarial e um segredo: os quatro são otaku! Juntos eles vivenciam o dia a dia como namorados e otaku e vão perceber que não é tão simples assim manter um relacionamento quando os gostos uns dos outros parecem tão estranhos.

Embora possa não parecer, Wotakoi é cheio de momentos fofos que fazem o coração disparar e que não tem como não assistir os dez episódios em um tiro só, além de se identificar (caso seja otaku) com Nifumi e Narumi ou Kabakura e Koyanagi em um relacionamento gostoso de cumplicidade e bem querer.

Na Crunchyroll…

Tsuredure Children (2017) – Studio Gokumi

Também na pegada da comédia romântica, Tsuredure Children retrata o dia a dia de jovens estudantes que estão despertando para o romance e mostra diversas cenas engraçadas provocadas pela falta de experiência deles. São diversos casais das mais diferentes personalidades que convivem num mesmo ambiente escolar.

A série tem 12 divertidos episódios com short stories e se divide entre os momentos de flerte e a comicidade da vida adolescente.

Science Fell in Love, So I tried to Prove it (2020) – Zero G

Talvez uma das sensações da primeira metade de 2020, Science Fell in Love é uma comédia divertida que gira em torno dos universitários do Laboratório Ikeda na Universidade de Saitama. Para ser mais preciso, a história destaca o relacionamento amoroso dos mestrandos Shiniya Yukimura e Ayame Himuro que se descobrem apaixonados um pelo outro, mas como verdadeiros cientistas embarcam numa série de experimentos malucos para provar que o sentimento entre eles é real e não algo imaginado.

Também com 12 episódios a série tem um bom clímax na sua reta final que nos faz torcer bastante pelo casal de protagonistas e rir em muitos momentos de suas pesquisas absurdas sobre a comprovação científica do amor e da paixão.

Sing “YESTERDAY” to Me (2020) – Doga Kobo

Em lançamento desde o segundo trimestre do ano, o animê foca nas vivências amorosas de Rikuo Uozumi, Shinako Morinome, Haru Nonaka e Rou Hayakawa. Os quatro são conectados por motivos diversos e precisam se entender para terem seus sentimentos correspondidos. Entre as dúvidas e memórias cada um deles tem motivo para amar outro e mesmo assim parece que nada é fácil para eles quando se pensa em expressar os sentimentos ou ser correspondido.

Embora ainda esteja em lançamento – e com previsão de 18 episódios – indico esse porque é um drama sem tanta comicidade assim (embora um ou outro alívio cômico apareça em alguns episódios) que te faz criar sua torcida pelo personagem que gosta e antipatizar outros por suas indecisões que frustam tanto a si como aos que estão ao redor.

Concluindo…

Com essas sete indicações já da para montar uma rotina bacana para maratonar não só no Dia dos Namorados, mas no fim de semana que se segue. Ah, e mesmo que no momento esteja distante do seu amor por causa da pandemia, basta montar aquela transmissão em grupo e assistirem juntos. O que importa é manter o sentimento vivo e aguardar pelo momento maravilhoso do abraço quando o novo normal se estabelecer.

Até a próxima e… Sayoanara!

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* Essa canção foi composta por John Denver, Bill Danoff e Taffy Nivert em 1971 e lançada na voz de Denver no álbum “Poems, Prayers and Promises”. A faixa ganhou diversas releituras incluindo a versão de 1973 na voz de Olivia Newton-John e uma versão em japonês para Sussurros do Coração (1995) rearranjada por Yuji Nomi com letras de Mamiko Suzuki (filha de Toshio Suzuki) e Hayao Miyazaki, sendo interpretada pela seiyuu Yoko Honna, que dubla a protagonista Shizuku.

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