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Coluna Lucas Aquino

A Decolagem dos Falcões Negros de Steven Spielberg

Em 2018 a família DC adicionou um grande nome entre seus membros, quando foi anunciado que a mente visionária por trás de Avatar e Titanic, Steven Spielberg, estaria encarregado de adaptar e produzir um filme focado nos Falcões Negros. A produção seria uma expansão da parceira entre a Warner Brothers com o diretor, seguindo o sucesso de Jogador Nº1. Além disso, Spielberg revelou que seu interesse no título não é de hoje, tendo planos de trazer o grupo de super heróis para as telas desde os anos 80, com o ator Dan Aykroyd, de Os Caça-Fantasmas, como principal.

Porém, a DC e Warner Brothers passaram por uma imensa mudança de direcionamento, tanto em frente quanto por trás das câmeras, com Walter Hamada assumindo o direcionamento da divisão de quadrinhos, se tornando produtor executivo. Por conta disso, a produção ficou um pouco de lado por não se encaixar com o novo perfil que a DC estava seguindo, que foi consolidado com o sucesso de Aquaman e Shazam !. Entretanto, com o eminente sucesso de Coringa e com ele, a criação do selo Black nos cinema, os Falcões de Spielberg podem ter encontrado sua pista de decolagem.

Tendo sido criados em 1941, os Falcões Negro faziam parte da Quality Comics, uma empresa de quadrinhos, que durante o período da Guerra, conseguiu rivalizar em vendas com Superman e Capitão Marvel, se tornando um dos títulos mais populares da época. Por conta dessa popularidade, a DC adquiriu a Quality Comics, tornando os Falcões parte de sua continuidade principal. Além disso, devido ao sucesso da Família Marvel, a DC também adquiriu a Fawcett Comics, tornando Shazam ! um dos seus personagens principais.

A popularidade dos Falcões Negros tem uma base histórica, com suas aventuras tendo o enfoque para militares, mostrando patriotismo e solidariedade durante o período brutal da Segunda Guerra Mundial e o genocídio causado por Hitler. Criados por Bart Hawk, um exímio piloto polonês que, após a morte de sua família na guerra, desenvolve uma raiva direcionada para os nazistas em um nível pessoal. O esquadrão de Falcões Negros era extremamente progressista, apresentando heróis de diversas nacionalidades, criando um senso de inclusão no conflito mundial para aqueles que estavam lendo os quadrinhos. Além disso, Bart e seus companheiros eram soldados normais, sem apresentar habilidades sobre-humanas ou armaduras poderosas, tornando a equipe um reflexo de qualquer pessoa que tinha o desejo de servir e ajudar a parar a tragédia que estava ocorrendo.

Trabalhando dentro da continuidade principal do DCEU, esse projeto se tornaria limitado, sem poder explorar a complexidade de maneira mais madura do conflito, tão pessoal e brutal, que foi a segunda guerra mundial. Entretanto, com selo Black, Spielberg ganha um território onde pode moldar uma produção que combina o melhor de O Resgate do Soldado Ryan, A Lista de Schindler e Indiana Jones, criando dessa forma um novo clássico cultural, elevando o significado de um filme de Guerra, que mesclaria de maneira perfeita a marca do diretor com esse novo movimento direcionado ao gênero de heróis, algo que consolidaria a imagem dessa nova era da DC, seguindo os passos do Coringa de Phillips.

Uma das maiores contribuições desse esquadrão para os quadrinhos da DC, foi a criação de Zinda Blake, a Lady Blackhawk. Sendo a única mulher dentro do time, Zinda serviria como foco do filme, mostrando um cenário onde veríamos uma mulher na liderança do conflito e, não como o interesse amoroso de nenhum dos heróis de Guerra, uma perspectiva pouco retrata em filmes do gênero. Com isso, Lady Blackhawk estaria em par com o novo direcionamento feminista e representativo que a DC tem tomado, com a dominância de Harley Quinn e Mulher-Maravilha dentro da companhia.

Por fim, apesar de ser uma produção fora do Universo Compartilhado, essa produção pode ser a oportunidade perfeita para que o DCEU e o Black Label se encontrem. Trabalhando num contexto de guerra e a maturidade do assunto, os Falcões Negros criam uma abertura para que Diana Prince apareça no filme, aumentando mais ainda a prestigiosidade do projeto, agregando o nome de Gal Gadot ao, já notório, Steven Spielberg. Por se tratar de uma continuidade autônoma, os eventos de Falcão Negros não teriam consequências na jornada da Princesa Amazona, mas criaria uma brecha para que essas realidades co-existam.