5 motivos que enterraram o Vídeo Show após 35 anos





08/01/2019 - Atualizado às 19:42


É uma ostentação gigantesca o título de estar há 35 anos no ar. Essa façanha o Vídeo Show teve a honra e carregar de 1983 até esta terça-feira (8), quando a TV Globo surpreendeu confirmou o fim da atração. Ainda que leigos e críticos apontassem o desgaste do programa há tempos, o canal parecia disposto a tentar salvar a atração.

Fizeram de tudo. Trocaram apresentadores, criaram quadros, flertaram com a internet, mudaram o cenário, trouxeram BBB’s, investiram em humor, mas nada conseguiu brecar o avanço da concorrência que transformou a faixa de horário a mais frágil da segunda maior emissora do mundo. Por isso, a gente listou 5 motivos que levaram ao cancelamento Vídeo Show:

Mudança de direção

Esse motivo entra na lista por uma questão técnica. Em novembro de 2018, a Globo mudou o comando do departamento de entretenimento. Sai Boninho, entra Mariano Boni, que veio do jornalismo e assumiu a responsabilidades de programas como “Vídeo Show”, “Mais Você”, “Encontro”, “É de Casa”, “Altas Horas”, “Amor & Sexo” e “Bem Estar”. Como decisão da nova gestão, a decisão de tirar do ar do tradicional programa de bastidores da Globo foi de Mariano e foi tomada há cerca de 15 dias. Chegou colocando um fim nessa agonia.

Conteúdo chapa branca

Quando se trata do relacionamento com artistas, a Globo sempre foi egocentrista. O política sempre foi falar e repercutir apenas a agenda das celebridades da casa. Obviamente, o efeito colateral sempre foi descartar os conteúdos que prejudicassem os próprios funcionários. Funcionou durante um tempo? Muito! Mas em tempos ultra conectados e em que celebridades arruínam as próprias carreiras com um tuíte, esse tipo de chapa-branquisse já não cola mais. Houve um movimento para amenizar a impossibilidade de transformar o Video Show em um programa de jornalismo de celebridades, mas não foi suficiente.

Perfil do público

Quem trabalha com comunicação sabe que as mudanças de perfil do público são responsáveis por muitas dores de cabeça nas redações do mundo inteiro. É se adaptar ou ‘tchau’. Desde que a internet surgiu, então, essas mudanças surgem como furacões. A alta exposição das redes sociais acostumaram o público a consumir, literalmente, a intimidade das celebridades, os bastidores em tempo real das produções e sob a perspectiva do próprio artista. Entrevistas sobre a próxima personagem na novela já não interessavam mais. Ainda que o Vídeo Show tenha tentado a todo custo se aproximar da internet neste sentido, a falta de espontaneidade no programa rotulava tudo nele como forçado. E forçação de barra ninguém aceita.

Concorrência pesada

Desde que Fabíola Reipert chamou atenção do Brasil com suas venenosas revelações dos bastidores do mundo das celebridades, o Vídeo Show começou a realmente se preocupar. O segmento de celebridade ganhou força na televisão e programas como “Fofocalizando” (SBT) e o quadro “Hora da Venenosa” (Record) conquistaram relevância com o estilo quente de apresentar esse conteúdo. No meio dessa revolução, a imagem pejorativa do “Vídeo Show” como vitrine global ganhou força e enfraqueceu o veterano. O desdobramento continua no tópico “Conteúdo Chapa Branca”

Apresentadores sem afinidade

A lista de apresentadores que passaram pelo Video Show não é pequena. Passaram pelo programa como Tássia Camargo, Marcelo Tas, Miguel Falabella, Cissa Guimarães, André Marques, Ana Furtado, Luigi Barichelli, Fiorella Matheis, Zeca Camargo, Mônica Iozzi, Otaviano Costa, Maíra Charken, Joaquim Lopes, Sophia Abraão e as recentes Fernanda Keulla, Ana Clara e Vivian Amorim. Entre eles, uns já consagrados, alguns carismáticos e outros bons leitores de teleprompter. Mônica e Otaviano até deram uma sobrevida ao programa, mas a saída da atriz levou com ela a esperança de um programa verdadeiramente interessante.