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Espaço Volts

Espaço Volts #5 | Transformando o irreal em real, com Ruid Oliveira

Quinto episódio da série de entrevistas do Espaço Volts.

Foto: Divulgação

Uma baleira pulando para fora das nuvens enquanto uma garotinha rema em uma pequeno barco de madeira. Seria essa uma imagem possível? No mundo real não. Mas no mundo da manipulação tudo pode acontecer.

Ruid Oliveira, estudante de publicidade de 24 anos e apaixonado por design gráfico, começou a investir nas artes de manipulação de imagem ainda em 2018. O Espaço Volts sentou pra conversar com o garoto sobre o mundo da arte e suas edições, que vem agradando bastante o público que o acompanha nas redes sociais.

Volts: Como se deu o processo de descoberta pessoal em trabalhar com o design e fazer arte de um certo modo?

Ruid: Desde o ensino médio que eu comecei a mexer em edição de imagens. Eu fazia capas de CD’s e DVD’s fan made de artistas que eu gostava e participava de mini concursos na internet. Quando eu acabei os estudos eu queria muito iniciar design gráfico, mas era um mercado muito fraco ainda em São Luís. Hoje, cursando publicidade, comecei a entender melhor o que realmente era aquilo que eu estava mexendo há anos atrás.

Foto: Divulgação.

V: Podemos dizer então que o design é um exemplo de arte mais direcionada para atingir um público específico, certo?

R: O design é visto majoritariamente pelo lado comercial. Mas hoje eu comecei a ver uma vertente artística e que há publico pra isso! Eu ainda imagino que não há o mesmo reconhecimento financeiro, mas falando sobre prestigio, tem muita gente que consome sim.

V: Você acha que esse design artístico torna o trabalho ainda um pouco mais difícil?

R: Na verdade eu acho que isso torna mais fácil. O design quando é usado pra mercado se torna muito fechado, porque o público que constrói aquilo. O público e seus gostos, mesmo sem saberem disso, que fazem um designer, um publicitário e afins criarem o que criam, que conhecemos como propaganda. Agora, quando uma arte despretensiosamente viraliza na internet a gama de pessoas que procuram por quem fez aquilo se torna muito maior do que uma propaganda que viralizou, por exemplo.

V: E se torna conhecido quem fez, de fato.

R: Exatamente. Aqui não se vê a marca, e sim o artista.

V: Explica um pouco mais sobre o que é o processo de manipulação.

R: Eu vejo a manipulação como um processo de juntar e/ou modificar imagens diferentes fazendo elas parecerem estar em um mesmo universo, fazendo aquele cenário se tornar real.

Foto: Divulgação.

V: Quando você começou a mexer nesse tipo de arte digital, por que a manipulação te atraiu?

R: Bem, as primeiras que eu fiz foi realmente um teste pessoal, tentando me mostrar o que eu era capaz de fazer com um Photoshop. Comecei a gostar e pesquisar mais sobre artistas que trabalham com manipulação, e venho me apaixonando bastante por esse tipo de arte.

V: E os pôsteres que você andou fazendo?

R: Isso é algo recente. Na verdade, talvez seja uma lembrança de quando comecei a mexer no design (risos). Mas, é um investimento que irei fazer. A medida que os clipes novos de artistas que eu gosto forem surgindo, vou criando pôsteres de divulgação num estilo cinematográfico deles.

V: Tem alguma arte que demandou mais tempo? O que é mais difícil nesse processo?

R: Geralmente, eu demoro de 1h à 4h pra finalizar uma arte. Eu não lembro de alguma que tenha ultrapassado isso. Agora, o que mais demora no processo é encontrar os elementos. Eu imagino toda a imagem final mas para encontrar em bancos de imagens tudo que eu pensei, da maneira que pensei, é difícil.

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V: Como exemplo?

R: Se eu quero uma baleia na posição X eu demoro horas pra encontrar a baleia na posição X, porque sei que da maneira que pensei (a posição X) casaria melhor no resultado final.

V: Você acha que o mercado do design e, principalmente, de quem trabalha com manipulação, tem futuro?

R: Total. Hoje a gente vive bombardeado de imagens, para tudo que é lado. E conseguir uma imagem que chame uma atenção em meio a tantas tem que ter um processo de design, de manipulação ali por detrás. Na propaganda, na arquitetura, na serigrafia e até em tatuagens já vi esse tipo de trabalho.

V: E qual a maior dificuldade nesse mercado?

R: Ao meu ver o maior desafio é provar que sabe fazer. A maioria das pessoas que eu conheço e que fazem isso, incluindo eu, não tem uma parte teórica, aprenderam sós. Então, a nossa maior dificuldade, por conta disso, é provar pra outras pessoas que sabemos mesmo fazer aquilo. E pra conseguir surpreender alguém eu preciso me surpreender antes. Isso é bom, por um lado.

Foto: Divulgação.

V: O que você acha que falta para as pessoas começarem a enxergar esse tipo de design como uma arte como qualquer outra?

R: Pra quem tem mais de interesse pela arte, acho que essas pessoas já consideram isso uma arte como qualquer outra. Não é pelo fato de não ser feita da forma manual que não podemos considerar a manipulação como arte. Se tem algo que atrapalha nesse entendimento, talvez seja a falta de conhecimento. Mas, no geral, eu acho que já é visto como arte sim.

V: Tem algum recado pra galera?

R: Eu agradeço demais quem curte o meu trabalho, quem curte o que eu faço. Pra quem pretende trabalhar com isso: não dá pra parar. O mundo é uma selva e se tu não se mexer será devorado. Péssimo exemplo, mas é isso (risos).

Para continuar acompanhando o trabalho do Ruid, clique aqui.

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