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Espaço Volts

Espaço Volts #2 | A arte como hobby e trabalho sério, com Neila Albertina

Segundo episódio da série de entrevistas do Espaço Volts.

Desde pequenos somos instigados, lá no jardim de infância, a fazer caligrafia além de vários desenhos e pinturas, etapas primordiais para o nosso desenvolvimento.

Hoje em dia, Neila Albertina, de 23 anos, está finalizando a faculdade de Arquitetura e Urbanismo, além da Cinema na Escola de Cinema do Maranhão e: é artista. Trabalhando como ilustradora e muralista, além de Direção de arte e Design de Produção dentro do Cinema maranhense, a artista contou no Espaço Volts como o desenhou se transformou de um hobby a uma forma de sustento.

Volts: Do princípio: como você iniciou o contato com a arte?

Neila: Desde criança eu já desenhava e comecei a fazer isso como se fosse hobby. A partir da faculdade meus professores começaram a me instigar e isso começou a me fazer pensar que eu poderia estar fazendo isso com responsabilidade. Comecei a treinar meu traço e a fazer a aquarela também, que foi algo que eu sempre quis.

V: E como foi que você fez pra começar a ser vista?

N: Eu consegui chegar a várias pessoas porque eu sempre postava tudo nas redes sociais, mas era sem compromisso. Quando vi que isso estava chegando em um nível mais alto ai sim comecei a investir de verdade, trabalhando com paredes, fazendo encomendas de fotos e frases também.

V: Sempre fez frases?

N: Não, nessa época que eu comecei a focar mesmo nas tipografias. Eu sempre amei baixar fontes e digitalmente eu fazia várias, mas foi a partir desse momento que comecei a treinar no manual. A partir disso surgiu algumas oportunidades de fazer capa de livro, escritores foram repostando meu trabalho, e com isso eu fui ganhando mais visibilidade e foi um ótimo incentivo também.

Foto: Divulgação.

V: A aquarela é uma técnica muito delicada. Você estudou profissionalmente essa arte ou é autodidata?

N: Aprendi tudo sozinha. Tudo na base da tentativa e do erro. E isso fez eu apurar as técnicas que eu mesmo acabei criando. Mas o máximo de estudo que fiz foram pesquisas na internet.

V: Tudo parece ser tão profissional que quem não conhece sua história deve ser difícil de acreditar.

N: Como eu me propus a fazer isso eu acabei crescendo bastante, mas foi tudo na base do treino. Eu pretendo ainda fazer uns estudos com artistas que são pessoas de referência na forma teórica mesmo, que eu ainda não tive a oportunidade de aprender. Mas irei.

V: A Neila tem um estilo próprio? Ele foi pensado antes de ser executado ou seu trabalho realmente foi surgindo naturalmente?

N: Eu acho que nenhum artista quando começa já idealiza um estilo. Quem faz naturalmente nunca pensa que tem um estilo próprio, isso vai se desenrolando naturalmente. Com o tempo ela realmente foi se desenvolvendo, e eu não sei explicar isso. Cada pessoa realmente carrega um estilo e hoje eu já enxergo isso, mas nada foi definido. É despretensioso.

Foto: Divulgação.

V: Qual o trabalho que tu já fez e pensou: caraca, esse foi sem dúvidas o mais difícil?

N: É meio loucura falar isso porque tipo, 60% dos trabalhos que eu já fiz foram muito difíceis. Não no tempo de execução, mas sim no processo de criação. O tempo curto pra fazer esses trabalhos também se torna um super desafio, mas isso é normal. Mas, como exemplos de trabalhos que são difíceis para executar posso falar que no Big Joe, que fiz junto com um amigo, o Cristovão Nogueira, pode ser um destaque.

V: E dos trabalhos que tu já fez, me lista também aqueles que tu tem mais orgulho. Eles já tomaram proporções para além da ilha?

N: Olha, principalmente capas de livro, que são os que rodam bastante no Brasil. Mas assim, o meu publico inicial, lá em 2015, eram pessoas de fora. Eu fazia as artes e enviava via correio porque eu não conhecia muito as pessoas aqui na capital, já que sou do interior do Maranhão. Comecei a fazer desafios da internet e acabei conhecendo artistas de todo o Brasil, e isso foi o que mais me ajudou a crescer. Também posso citar campanhas como o São Paulo Invisível, que rodou o país inteiro em jornais como o El País.

V: A gente sabe que a área da arte é sempre muito prestigiada mas nem sempre reconhecida da maneira que deveria, principalmente monetariamente. Como tu avalia esse cenário aqui na nossa cidade?

N: Aqui é muito complicado porque as pessoas vão sempre barganhar o teu trabalho. As pessoas nunca consideram que tu deve ganhar aquele dinheiro, sempre acham que pode diminuir o teu trabalho só por ser arte. E isso é bem cruel porque tu sempre tem que diminuir o valor  pra conseguir algo, já que você obviamente vai ter contas pra pagar, coisas relacionadas a saúde, casa e também os teus sonhos. Eu não vejo essa maturidade sobre os clientes daqui como eu vejo essa maturidade em outras cidades do país.

Foto: Divulgação.

V: Mas dá pra viver de arte?

N: Dá pra viver de arte sim. Se você ama o que você faz e se você se dedicar 100% naquilo dá pra viver sim. Eu ainda não tenho 100% do meu tempo pra isso, mas meus objetivos estão chegando. É complicado no início, porque você não tem muitas garantias. Mas se organizando bem dá pra se manter como se tivesse um trabalho fixo. Eu gostaria que a realidade fosse diferente e fosse mais fácil, mas tudo também precisa de uma ajuda do tempo. Larga tudo e faz aquilo que tu ama!

Para continuar acompanhando o trabalho da Neila, clique aqui.

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