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Críticas

Crítica | Missão: Impossível – Efeito Fallout

Usain Bolt de Hollywood volta com tudo no melhor e mais empolgante filme da franquia.

Foto: Divulgação/Paramount

“Esta mensagem se autodestruirá em cinco segundos”. Ao longo de 22 anos e 6 filmes, ‘Missão: Impossível’ se tornou um sinônimo absoluto de thriller de ação e espionagem. Um sucesso complexo pra explicar em resumo, mas a consistência dos trabalhos e a icônica música-tema são dois elementos chave. Nenhum deles se compara, no entanto, a Tom Cruise. Produtor desde o primeiro filme (de 1996) o galã maratonista dá seus corres diante e por trás das câmeras. Missão: Impossível – Efeito Fallout (Mission: Impossible – Fallout, 2018) é a melhor e mais empolgante prova disso.

Essa é a primeira vez que há uma continuidade precisa entre as sequências. Os eventos de Fallout seguem aqueles que aconteceram em M:I – Nação Secreta (2015). E é também a primeira vez que a franquia repete um diretor. Estamos falando de Christopher McQuarrie, que co-escreve o roteiro e atua também na produção. Antes disso os filmes funcionavam como peças independentes entre si, com missões distintas, mas que pertenciam, claro, ao mesmo universo.

E essa dobradinha Cruise + McQuarrie justifica o repeteco. Tom Cruise, do alto de seus 56 anos, exibe uma disposição física absurda. A fama de corredor extrapola os limites da franquia, mas a insistência em dispensar dublês para cenas de alta periculosidade dizem muito sobre a dedicação do astro em seus projetos. Mas, veja bem, o esforço seria desperdiçado sem o talento para dirigir sequências de ação que McQuarrie reafirma aqui – em Nação Secreta e Jack Reacher (2012) ele já tinha deixado claro.

Repare na cena em que Cruise dispara em desabalada carreira no telhado de um prédio. McQuarrie abre bem o plano pra exibir toda a extensão do espaço e assim a gente tem uma noção perfeita não só da velocidade do Usain Bolt de Hollywood, mas da distância que ele deve percorrer – isso potencializa o esforço, prolonga a tensão e torna o impacto muito maior. Em Fallout essa noção está presente no filme inteiro e isso explica a taquicardia provocada pelos clipes de ação vistos aqui.

E isso é uma coisa fascinante mesmo. Pensa só: se Cruise arrisca a própria integridade física (ele aprendeu a pilotar helicóptero e até se machucou de verdade dessa vez) é porque preza pelo realismo das sequências e pelo impacto que resulta disso. E o trato é tão bem dado que é praticamente impossível detectar as intervenções de efeitos visuais na maioria das cenas – um mérito gigante. Tudo parece muito real, de fato. E o ritmo, sem excesso de cortes e com planos abertos, se torna ainda mais frenético.

Dito isso, há também um cuidado muito interessante com a estética de uma forma geral. Observe a cena em que os personagens deixam um certo clube à noite. E na conversa entre Henry Cavill e outro personagem diante de um cartão postal de Paris. Fica claro o cuidado com a composição dos planos, criando verdadeiros set-pieces que tendem a ficar cravados na memória de quem assiste.

Missão Impossível sempre teve uma proposta de abordagem mais leve e divertida do cinema de gênero, com as bugigangas tecnológicas sempre a serviço do entretenimento (as máscaras troca-rosto são um conceito absurdo, mas maravilhoso) um caminho muitas vezes até bem próximo da caricatura. Mas o empenho em transformar toda a groselha em algo absolutamente crível é uma solução fantástica. Efeito Fallout resume tudo que há de melhor na cinesérie e eleva tudo a um novo patamar. Pode ir pra galeria de melhores de 2018, Ethan Hunt!

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