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Críticas

Crítica | 13 Reasons Why – Temporada 2

Ainda corajosa e enrolada, série começa sutilmente a apostar em novos enredos.

Foto: Divulgação/Netflix

Desde que foram anunciados novos episódios da trágica história de Hannah Baker (Katherine Langford), parte do público bradou: “não precisa!”. De fato, existia argumento para a não-continuação, mas se a Netflix quis assim, lá fomos todos nós assistir a segunda temporada de 13 Reasons Why, que usou o pós-Hannah como pretexto principal.

Ainda que muitas dúvidas tivessem sido levantadas sobre a necessidade de novos episódios, levar todos ao tribunal até que não foi uma ideia ruim. O que estraga a experiência, no entanto, é mesmo erro cometido no passado da série: a enrolação. No primeiro ano, Clay (Dylan Minnette) quase não termina de ouvir as fitas de tão dramática que era a repercussão de cada uma delas. Dessa vez, o mesmo aconteceu com o depoimento de cada um que passou pela prestação de contas à Justiça.

E foi nesse tribunal que descobrimos novidades sobre a personalidade de Hannah. Consumo de drogas, relacionamentos, impressões pessoais, etc. Elementos que prejudicam que claramente foram usados como gatilhos de interesse, mas, em contrapartida, prejudicaram a confiabilidade de Hannah enquanto narradora da história. Por causa disso, confesso, me senti o amigo menos importante da turma, aquele que sabe das coisas por último.

Além do mais, esse recurso utilizado pela série é o que eu costumo de chamar de apelão. Isso mesmo. Uma vez que são feitas inserções de histórias que a audiência não teve a oportunidade de cogitar, fica muito mais cômodo para a série corrigir rumos e tapar buracos da forma mais conveniente. Bom para eles, ruim para nós que queremos acreditar nessa história.

Neste segundo ano, vale ressaltar, a série continua com personagens rasos, com pouco a oferecer (Tony, coff.. coff..). O nível de relacionamento entre os personagens é outra coisa que dificilmente fica claro. E mesmo nos novos episódios, ainda não existiu motivo aparente para que estes jovens tenham tanto medo das acusações feitas, a não ser o fato de não serem aceitos pelas universidades.

Do meio para o fim, a série ainda suscita com mais força uma nova polêmica. Dessa vez, envolvendo o personagem Tyler (Devin Druid) e sua tendência psicopata em fazer um atentado com armas de fogo contra os alunos do Liberty High School. Essa questão foi resolvida por um profissional? Não. Pela escola? Não! Por um corajoso aluno que se colocou na frente do gatilho e impediu que isso acontecesse? Sim!

Dá para entender que 13 Reasons Why quer trabalhar esses delicados temas adequando ao público jovem e é compressível a tomada de decisões aparentemente irresponsáveis da série. Seria pouco realista se tratassem esses assuntos de maneira tão didática e com a forte presença de profissionais e familiares na orientação desses jovens. A série fala justamente do contrário.

Por isso, é inegável que 13 Reasons Why seja corajosa, bem intencionada e acabe encarando o efeito colateral de tratar de temas tão delicados. Ainda precisa elevar o nível dos personagens? Precisa. Precisa ter uma nova temporada? Não precisava ter a segunda, mas agora que já fez e terminou com Clay segurando uma arma, vamos nessa. Com menos Hannah e novos dramas.

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