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Críticas

Crítica | Batalha dos Confeiteiros Brasil 2 (Record TV, 2018)

Segunda edição do reality show foi marcada por intrigas e bolos desafiadores.

Numa segunda edição, Buddy Valastro – o Cake Boss, retorna às quartas-feiras da Rercord TV a procura de mais um integrante do seu seleto time de profissionais que atuam na Carlo’s Bakery em São Paulo-SP. Indo na contramão do que muitos especulavam (incluindo este que vos escreve) a nova temporada do reality show Batalha dos Confeiteiros Brasil no formato cook battle promoveu a glória ao canal de Edir Macedo ao nos premiar com uma trama digna de programas do gênero: com delícias e trabalhos magníficos, mas também desastres, intrigas e muitas caras e bocas.

Ainda em abril, quando o programa estreou, Buddy já deixava claro que seria “mais exigente”, talvez por ter consciência que a vitória de Rick Zavalla não agradou a todos (Por sinal, Rick só foi agraciado com seu prêmio um ano depois da primeira edição, mas passou por treinamento em Nova Jersey antes de assumir). Paciência. E diferente dos prognósticos a disputa de 2018 não apontou protagonistas de imediato no quesito cozinha como havia feito da vez anterior. O que se percebeu mesmo foi a formação de uma trama – digna de teledramaturgia – onde as figuras de coadjuvantes, mocinhos e vilã foram muito bem definidas.

Somente no décimo episódio (20/06/2018) a eleita vilã pelos demais concorrentes, Elizabeth (54 anos), foi eliminada. Antes, a confeiteira protagonizou episódios de “pura vilania” ao ser a carrasca da gastrônoma Alessandra (27 anos). Como toda “bruxa” precisa de um “paladino” para combatê-la coube a Clerverson (35 anos) banhar-se nas lágrimas de Alê e sair em combate contra a adversária em potencial. A disputa foi tão intensa que ultrapassou os limites da cozinha ao ponto de motivar palavras mais fortes e desavenças. Nesse ponto sou obrigado a dizer que Buddy pecou ao deixar tal situação acontecer, pois mesmo sendo pelo bem da audiência do programa é feio ver gente madura brigando e trocando ofensas feito “aborrecente”.

Cleverson cumpriu seu desafio ao conseguir convencer – com a ajuda da própria Elizabeth e suas atitudes – toda a turma numa defesa pela eliminação de sua “inimiga”, que não poupou lágrimas ao tentar manter-se impune mesmo após tirar do programa o coadjuvante Giovanni (30 anos), que veio de Marsala na Itália para ser acusado por todos de ser “inexperiente”. Um episódio depois e Cleverson estava fora e enfim pudemos ver uma disputa de talento ser construída entre Iara (30 anos) e Luís (38 anos).

Antes, contudo, nos foi permitido matar a vontade com risadas, torcida e tensão com participantes como: James Lhu (44 anos), natural de Singapura que vive no Brasil, que desistiu da disputa após admitir falha em um projeto; ou o baiano Ícaro (27 anos), que pediu para sair após discordar do Cake Boss em sua avaliação.

(Da esquerda para a direita: Iara, Buddy Valastro e Luís foram as estrelas da final da edição 2018)

Outros passaram quase despercebidos ou duraram mais do que deveriam, mas os finalistas foram sem dúvida os melhores da competição. O que eleva o nível do programa. Tanto Iara como Luís – assim como Rita (39 anos) e Manu (28 anos), que abandonaram o Direito para viver de fazer bolos – abrilhantaram a disputa até o fim e permitiram aos telespectadores a se envolver de verdade com o reality na TV e no Twitter, onde bombou em todas as quartas-feiras.

Mostrando que confeitar bolos não é apenas uma arte e sim um processo cognitivo interpessoal que requer concentração, jogo de cintura e muita, mas muita dedicação e respeito com quem se trabalha na cozinha. Os convidados também foram maravilhosos. De Fábio Porchat à Xuxa nada foi tão desafiador quanto ter que fazer o bolo de debutante de Sofia, a filha de Buddy Valastro.

Coloridos e por muitas vezes vivos os bolos montados foram excepcionais – quando não se desmancharam em falhas sucessivas – e apresentaram ao Brasil um mercado mais do que bem preparado e sofisticado que é a confeitaria. Bolos lustres, bolos de estações… Cada modelagem, cada bolo aerografado e cada desabafo mostram o quão é estressante trabalhar em grupo, mas como necessário é para uma empresa, uma sociedade. Entretanto, como mandam as regras do jogo, de dezesseis confeiteiros apenas um mereceu os louros da glória.

A vitória de Iara fecha um ciclo muito intenso onde a regularidade de Luís como vencedor nos primeiros desafios não foi o suficiente para apagar da memória do Cake Boss suas escolhas equivocadas em alianças que lhe renderam muitos comentários de crítica por parte do confeiteiro-chefe. A sergipana foi num ritmo diferente e de uma ação como coadjuvante foi crescendo no reality show a cada novo episódio promovendo seu estilo de trabalho e transmitindo seriedade e confiança ao futuro chefe. Ousando até no final, Iara demonstrou que tem aquilo que Buddy espera de um chefe confeiteiro: disposição e um ótimo trato com o material humano.

Encerro apenas dizendo que mais do que nunca chegou ao fim os momentos de encontros com Wendel Bezerra em eventos geek/otaku para critos de “kame-hame-ha!“. A onda agora é outra e a terceira temporada (vindo) vai provar mais uma vez que ao dublador a nova frase de efeito é: “É hora da ação!”.

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